Esta análise baseia-se nos dados coletados nos questionários, os quais se encontram resumidos em ordem cronológica de resposta de questionário e realização de entrevista no Quadro 5.1.
Figura 5.1 – Gênero dos professores entrevistados.
Dos sujeitos entrevistados, 83% declararam-se do gênero feminino e 17%, do masculino (Figura 5.1), o que corrobora a afirmação de Silva (2002), para que a docência é um
[...] espaço profissional dominado pelas mulheres que se consolidou já nos primeiros anos do século XX. As circunstâncias de sua inserção profissional contaram com ingredientes específicos que envolvem uma gama de aspectos que impulsionaram o desenvolvimento social como condições econômicas e mercado de trabalho, religião, normas e valores sociais, desigualdade entre sexos, etc. (p. 96).
Na mesma linha, Lopes (2001, p.12) leciona que a “feminização da profissão docente corresponde a um processo que resulta da convergência de constrangimentos econômico – a necessidade da expansão da escola pública com contenção de gastos [...] e das aspirações de autonomia das mulheres”, no sentido de se ter acesso ao ensino superior, bem como ao mercado de trabalho.
Ainda, Silva (2002) entende
o fenômeno da feminização na educação como uma luta das mulheres para estabelecerem-se profissionalmente superando o cenário construído inicialmente da educação romantizada como sinônimo de sacerdócio, vocação, missão e centrada em características „tipicamente femininas‟. (p. 96).
Para tanto, esse “saber fazer” educativo, que “é tão exaltado e, paradoxalmente, tão desqualificado, ao vincular-se à condição de mulher e não à de profissional, começa a dar sinais de deterioração através de um longo percurso de profissionalização.” (SILVA, 2002, p. 100).
Figura 5.2 –Estado civil dos professores entrevistados.
Com relação ao estado civil desta amostragem, 67% dos educadores declararam-se solteiros e 33%, casados; já quanto à idade, 25% estão na faixa dos 25 aos 28 anos; 25%, na faixa etária de 31 a 38 anos; e os sujeitos restantes, que correspondem a 50%, estão na faixa etária de 42 a 57 anos, fato que pode ser considerado sob o aspecto da atratividade da carreira docente. Sobre isso, Machado (2008) informa que
a literatura disponível na área da formação de professores tem analisado problemas que, direta ou indiretamente, relacionam-se com a discussão sobre a atratividade da carreira docente, por exemplo: massificação do ensino, feminização no Magistério, transformações sociais, condições de trabalho, baixo salário, formação docente, políticas de formação, precarização e flexibilização do trabalho docente, violência nas escolas, emergência de outros tipos de trabalho com horários parciais. Um aspecto que merece destaque diz respeito ao aumento das exigências em relação à atividade docente na atualidade. O trabalho do professor está cada vez mais complexo e exige responsabilidade cada vez maior. As demandas contemporâneas estabelecem nova dinâmica ao cotidiano das instituições de ensino, que reflete diretamente no trabalho dos professores e sua profissionalidade. [...]
Além disso, e considerando-se a perspectiva dos jovens de que suas vivências na escola parecem estar muito distantes da sua realidade cotidiana – a escola muitas vezes é „chata‟, desestimulante – pode-se levantar aqui a hipótese de que tal impressão não produz desejo de construir carreira docente.
Figura 5.3 – Tempo de magistério na rede estadual paulista/idade.
Com relação ao tempo de trabalho no magistério estadual paulista, apenas 2 educadores são considerados da categoria O (Professores 3 e 5), ou seja, iniciaram no quadro do magistério estadual no ano de 2010. Além disso, apenas 8,3% dos pesquisados possuem mais de 20 anos de carreira docente; 16,6% possuem mais de 10 anos de docência; 50% possuem de 5 a 10 anos de trabalho na educação; e 16,6% são pertencentes ao quadro do magistério a menos de um ano.
Esses dados tornam-se importantes quando verificamos as opiniões dos educadores, pois tanto os com maior tempo de atividade docente quanto os iniciantes no quadro do magistério demonstram insatisfação com a forma de se estabelecer um modelo curricular prescrito, sendo que aqueles com mais experiência docente colocam, nas entrevistas, questões que se relacionam ao fato de essa experiência ter sido deixada de lado pelos idealizadores do modelo curricular presente nas escolas estaduais paulistas.
Figura 5.4 – Categoria de trabalho docente.
No quesito categoria de trabalho, 50% dos educadores pertencem ao quadro efetivo da rede estadual e os outros 50% pertencem ao grupo dos OFAs, o que pode nos levar a dois pensamentos: há falta de concursos para efetivação na rede estadual de ensino e não há desejo por parte dos educadores de se efetivar, devido às restrições que vêm sendo impostas aos professores efetivos, como a diminuição do número de faltas médicas, a relação entre bonificação e permanência na mesma unidade escolar, entre outras.
Figura 5.6 – Carga horária semanal dos professores entrevistados.
Dos entrevistados, 66,6% possuem uma jornada designada pela SEESP como básica, ou seja, um total de 25 aulas semanais; já os demais sujeitos (33,3%) possuem jornada de trabalho designada como inicial, isto é, 20 aulas semanais. Além disso, nessa amostragem, apenas 16,6% dos educadores possuem carga suplementar na jornada semanal de trabalho docente, totalizando cerca de 33 aulas semanais, mais as respectivas HTPCs, que são em número de 2 ou 3 nas unidades escolares, dependendo da carga horária do educador.
Na verdade, muitos dos educadores cumprem jornada básica nas escolas estaduais, pois possuem acúmulo de cargos na própria SEESP ou, ainda, nas unidades escolares das Prefeituras Municipais da Grande São Paulo, o que consideram viável, principalmente devido ao plano de carreira docente regulamentado nestas e não oferecido de maneira satisfatória, segundo os educadores, pela SEESP. Esse fato poderia também explicar os seguintes dados: 83,3% dos educadores lecionam em apenas uma unidade escolar e 17% também trabalham na rede privada de ensino.
Quanto às séries em que os educadores lecionam, a maior parte dos educadores lecionam na 6ª série (7º ano).
Figura 5.7 – Séries do EF em que lecionam os professores entrevistados.
Figura 5.8 – Formação dos professores entrevistados.
Já quanto à formação, 100% possuem formação em nível de graduação em Ciências Biológicas, sendo que apenas um educador (8,3%) possui formação em universidade pública. Ainda, 41,6% dos pesquisados possuem especialização nas áreas da saúde e meio ambiente, o que mostra a precariedade quanto ao número de vagas e ao acesso às universidades públicas. A esse respeito,
segundo o próprio ministro da Educação, Fernando Haddad, [isso] acaba comprometendo a qualidade do ensino, pois a maioria desses professores atua em escolas públicas Os dados do MEC mostram que há 2.647.414
professores nas escolas do país, dos quais 2.119.923 lecionam em escolas públicas e 527.491 na rede privada. „O que fica evidente é que a área pública é a maior empregadora, mas acaba recrutando profissionais em larga escala formados pela rede privada‟. O Ministério da Educação, diante desse grave problema, coloca como estratégia o aumento do número de vagas nos cursos de formação de professores das universidades públicas. [...] temos insistido em todas as esferas, tanto na federal, estadual como na municipal: „Não adianta só ter gente bem formada, é preciso garantir salário condizente, valorizar o professor que vai para a sala de aula‟. Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, o fato de 80% das funções docentes estar nas redes estaduais e municipais faz com que o aumento do número de professores formados em universidades públicas seja o seu principal objetivo. Como estratégia o MEC decidiu aumentar as verbas das universidades federais que aumentarem suas vagas em licenciaturas, o que a nosso ver, não dará resultado, pois as pessoas continuarão desistindo do magistério devido aos baixos salários. (MACHADO, 2008).
Figura 5.9 – Filiação ao sindicato.
Por fim, a filiação ao sindicato dos professores foi outro item pesquisado, apontando que 33,3% dos pesquisados é sindicalizado, mas somente 25% declararam-se participantes dos movimentos sindicais.
Nesse sentido, em A produção acadêmica sobre organização docente: ação coletiva e relações de gênero, Vianna (2001) descreve a organização docente na visão da consciência política e do pertencimento de classe, evidenciando a força e a capacidade de mobilização da categoria docente, através de um levantamento de outros trabalhos a partir de 1981, destacando-se o trabalho de Maria Luisa Santos Ribeiro (1991), que trata da formação política dos professores do ensino de 1º e 2º
graus de escolas públicas estaduais paulistas, especificamente de 1964 a 1980, tendo como aspecto de conclusão que o engajamento coletivo educa e forma politicamente.
Os trabalhos analisados por Vianna (2001) relacionam-se à natureza política- educativa da luta sindical da categoria docente, de maneira a destacar o caráter político-pedagógico e vice-versa. Aliás, o caráter político-pedagógico tem, em sua justificativa, o pensamento de que, por meio da participação político-sindical, os professores educam-se assumindo uma consciência política, sendo que, uma vez formada essa consciência, emerge um novo professor (MESQUITA, 1990; ALVARENGA, 1991; MOURA, 1991),51 comprometido com uma escola pública de qualidade para a classe trabalhadora e capaz de assumir uma ação crítica, competente e consequente em sala de aula.