Section 1 : Pourquoi coopérer ?
1.2 Une autre vision du monde, un sens nouveau à donner au travail
Os nomes das localidades costumam estar associados a sua própria história de fundação e ocupação que, muitas vezes, segue o curso dos rios e dos córregos. Esse é o caso da comunidade do Córrego da Velha, pertencente ao município de Araçuaí, que se desenvolveu ao longo do córrego que corta a comunidade e, dada a sua extensão, subdividiu-se em Córrego da Velha de Baixo e Córrego da Velha do Meio87.
Num livro escrito em 1911, sobre o município de Araçuaí, Leopoldo Pereira já denunciava a estiagem de alguns de seus rios e córregos88, previa, ainda, que não levaria muito tempo para que o norte de Minas se transformasse num deserto e arriscava dizer que a seca provocaria a migração da população local para outras regiões: “Enfim o Norte de Minas está condenado a tornar-se deserto por falta de água. (...). As sêcas vão se repetindo muito amiúde, as chuvas rareiam, os rios desaparecem e a população emigra” (PEREIRA, 1969, p. 48).
Originalmente, ocupada pelos índios Botocudo, essa área foi cedida a colonos e fazendeiros que, num processo de ocupação e apropriação dessas terras, entraram em
87 Atualmente, o córrego está completamente seco e, mesmo no período das chuvas, a água que corre,
seca rapidamente. São muitas as localidades em que isso tem acontecido, ficando de muitos desses córregos apenas o nome e suas histórias.
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Segundo Pereira (1969, p.42): “os Córregos da Velha, Machado, Barrigudas, Teixeira, Quatis e Piabanha, há mais de 30 anos já não existem. São simples valas no meio das catingas, e dificilmente as suporia o viajante leitos de extintas torrentes”.
conflito com os índios, o que resultou na expulsão e no extermínio da população que ali vivia (MAIA, op.cit) 89.
De toda população dizimada, restou apenas uma velha “bugra” que, todos os dias, ia ao córrego beber água, por isso, córrego da índia velha, Córrego da Velha. É isso que confirma a fala de uma das moradoras: “colocou Córrego da Velha porque eles disse que achou uma índia, o rio veio cheio e aí a índia veio e ficou entre meio o rio, garrada no arame, na cerca. E aí colocou Córrego da Velha” (S., moradora do Córrego da Velha de Baixo). Contam, ainda, que o nome do lugar deriva da captura dessa índia, “pega de cachorro” pelos fazendeiros.
Além do córrego que atravessa a comunidade, ela também é cortada por uma estrada de terra, ao longo da qual foram construídas algumas casas. No entanto, as casas que compõem essa comunidade são muito distantes umas das outras, sendo preciso adentrar, muitas vezes, além da estrada, para encontrar moradias, passando pelos carreiros90 que atalham e encurtam os caminhos.
Esse fato está associado à própria história de ocupação da região. Ao contrário das comunidades mais próximas, formadas por pequenas propriedades que variam de 2 a 15 hectares, o Córrego da Velha ainda apresenta vestígios das grandes fazendas de gado que ocuparam o Médio e Baixo Jequitinhonha.
Atualmente, essa comunidade é composta por 165 unidades familiares91. Destas famílias, 58 estão inscritas no Fundo Cristão e são atendidas pela Associar. No total, são 317 pessoas, sendo que 150 são crianças. Vale ressaltar, que o Programa das Casinhas de Cultura atende a toda a população e não somente às famílias inscritas e às crianças apadrinhadas.
As duas Casinhas de Cultura, que serão descritas a seguir, apresentam trajetórias diferentes. A Casinha do Córrego da Velha de Baixo acompanhou todo processo de reformulação do projeto, passando de Brinquedoteca à Casinha de Cultura. Na Casinha do Córrego da Velha do Meio, o trabalho está iniciando, em processo de implantação,
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Além dos dados obtidos a partir da leitura de Cláudia Maia (2004), algumas informações, como o fato dessas terras terem sido cedidas e não apenas ocupadas pelos colonos e fazendeiros, foram passadas através de uma conversa com a historiadora e indigenista Geralda Soares – “Gera”, da cidade de Araçuaí – que há muito tempo acompanha e milita a favor dos grupos indígenas dessa região.
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Carreiros são como atalhos, pequenas trilhas que, tanto ligam uma propriedade a outra, como são passagens que levam à estrada principal da comunidade.
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no entanto, ele já apresenta uma proposta de Casinha de Cultura. Na época em que lá estive, em junho de 2007, ele havia começado há 2 meses.92
Nessas duas Casinhas, a Brincante é a mesma e tem organizado seus dias e horários para atender a ambas. Às segundas e quartas-feiras, Cláu dia Lélis - a brincante - fica na Casinha do Córrego do Meio. Às terças, quintas e sextas-feiras, ela vai para a Casinha do Córrego de Baixo.
Às sextas-feiras, as atividades, geralmente, são mais livres, por ser este um dia destinado ao atendimento à comunidade. Além disso, é o dia em que Cláudia costuma voltar para sua casa, na cidade de Araçuaí, retornando na segunda-feira seguinte.93
Quando fui ao Córrego da Velha, fiquei hospedada na casa de Jaime e de Maria Emília. Aliás, gostaria de ressaltar que ela é uma das moradoras locais que costuma participar, ativamente, da vida da comunidade94.
Minha presença nas duas Casinhas de Cultura do Córrego da Velha fez parte da programação do mês de junho. Minha proposta, junto com a ASSOCIAR - sugerida, inclusive, pela educadora social desta Associação -, era realizar uma oficina no Encontro de Mães, que acontece uma vez por mês. Elas estavam terminando de fazer bonecas de pano e a minha tarefa era propor a feitura de uma colcha de retalhos ou um livro de pano que, ao mesmo tempo, fosse um registro das atividades desses grupos.
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O Córrego da Velha divide-se em Córrego da Velha de Baixo e Córrego da Velha do Meio. Quando não for especificado, estarei me referindo à comunidade como um todo.
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Uma vez por mês, são realizadas atividades no final de semana. Quando isso acontece, a brincante Cláudia Lélis fica na comunidade.
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Maria Emília, na verdade, é da comunidade de Banco do Setúbal, uma comunidade próxima. Mudou-se para o Córrego da Velha, há 8 anos. Ela faz parte do sindicato de trabalhadores rurais, coordena o grupo de cantoria da Casinha de Cultura, está na comissão de saúde do município de Araçuaí, coordena o grupo de oração, dentre algumas outras coisas.