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Stepped-care model for depression

5. Vision & recommendations

Objetivando descrever o universo relacional dos indivíduos, Sluzki (1997) propôs a representação da rede social pessoal, definida como a soma das relações que o indivíduo considera como significativas. Para tanto, o autor concebeu uma forma de registro da rede social através de um mapa sistematizado com quatro quadrantes: a) família; b) amizades; c) relações de trabalho ou escolares; e d) relações comunitárias, de serviços ou de credo. Tais quadrantes são inscritos em três áreas (círculos): um círculo interno de relações íntimas; um círculo intermediário das relações pessoais com menor grau de compromisso e um círculo externo de conhecidos e relações ocasionais. O mapa de rede idealizado por Sluzki (1997) está representado, a seguir, na Figura 4:

Para a pesquisa aqui apresentada, o Mapa de Redes foi utilizado com os acompanhantes das crianças hospitalizadas. Para tanto, foram efetuadas algumas adaptações do modelo proposto por Sluzki (1997) para que fosse possível contemplar os aspectos presentes nas Redes Sociais de acompanhantes de crianças que encontravam-se doentes e hospitalizadas. As adaptações foram referentes à inclusão das relações no contexto do hospital, das relações com outros serviços fora do hospital e das relações com a equipe de saúde do hospital, substituindo as relações com a comunidade que acabaram sendo contempladas nas relações desenvolvidas fora do contexto hospitalar.

A elaboração do Mapa de Redes ocorria após a entrevista com o acompanhante da criança e para tanto, a pesquisadora apresentava o desenho do mapa em folha A3, de acordo com a Figura 5 abaixo:

Figura 5 - Modelo de Mapa de Redes de Suporte Familiar, Social, de Serviços de Saúde Hospitalar, adaptado de Sluzki (1997)

Para a elaboração do Mapa de Redes, foi necessário inicialmente esclarecer os objetivos e o seu funcionamento para que fosse, em seguida, construído pelos acompanhantes das crianças a partir de perguntas que tinham o intuito de auxiliar os participantes a definir os indivíduos que deveriam ser incluídos em cada uma das redes. Dessa forma, os nomes citados e o nível de relação com cada pessoa referida eram anotados possibilitando a verificação da proximidade e do vínculo de cada indivíduo com os participantes.

Após a construção dos Mapas de Redes, foi elaborado o produto final decorrente de todos os mapas (Apêndices G e H) e, para tanto, procedeu-se à omissão dos nomes, sendo apenas mantido o grau de parentesco nas relações com a família e a categoria amigo(a), vizinho(a) também foi utilizada como substituto para os nomes citados. Optou-se em utilizar o gênero masculino para todos os indivíduos citados nas relações do contexto do hospital e nas relações com a equipe de saúde do hospital, a fim de evitar que as pessoas citadas fossem identificadas. Da mesma forma, procedeu-se à padronização de todas as especialidades médicas citadas pelos participantes em uma única categoria denominada Médico e as funções de enfermeiro-chefe, técnico em enfermagem e auxiliar de enfermagem foram padronizadas na categoria Enfermeiro.

Sluzki (1997) propõe algumas características estruturais para avaliar a rede social: tamanho, densidade, composição (distribuição); dispersão, homogeneidade/heterogeneidade e tipos de funções. Para a presente pesquisa, o Mapa de Redes foi avaliado considerando as estruturas relativas a tamanho (número de pessoas na rede), composição [distribuição] (proporção do total de membros localizada em cada quadrante e círculo) e às funções da rede, assim como os atributos dos vínculos. O objetivo do uso deste instrumento foi possibilitar uma “fotografia” das redes de relações dos acompanhantes das crianças hospitalizadas, que permitisse tanto para a pesquisadora, quanto para os participantes localizar no mapa e identificar as pessoas com quem poderiam contar ou que estavam afastadas naquele momento que os participantes vivenciavam a experiência de acompanhar uma criança durante sua hospitalização.

4.5 Procedimentos de coleta de dados

4.5.1 Trajetória da Pesquisa

A primeira etapa da coleta de dados foi iniciada em Janeiro de 2008. Esta foi caracterizada pela observação sistemática com o registro cursivo e em diário de campo dos eventos referentes ao funcionamento e rotina das Clínicas Médica e Cirúrgica que prestam atendimento aos usuários do SUS. O período de observação participante foi até o mês de abril de 2008 e logo após iniciou-se a seleção dos participantes considerando os critérios de inclusão para o estudo. Depois de realizada a seleção dos participantes, procedeu-se o contato direto com os acompanhantes (pais ou responsáveis) das crianças, através do convite para participar da pesquisa, bem como a apresentação dos objetivos da

mesma. Posteriormente, as crianças foram consultadas sobre o interesse em participar do estudo. A aplicação dos demais instrumentos de coleta de dados somente se iniciou mediante o consentimento verbal das crianças e por escrito dos acompanhantes. Em seguida, procedeu-se à consulta aos prontuários médicos e à caracterização dos mesmos, para depois serem propostos os desenhos, as entrevistas e os mapas de rede. A coleta de dados foi realizada nos períodos diurno e noturno, durante a semana, em finais de semana e feriados, sendo que todos os dados foram coletados pela pesquisadora.

A partir do mês de junho de 2008, a instituição mantenedora do hospital local da pesquisa vivenciou uma crise financeira que culminou com a demissão de vários funcionários e colaboradores dos mais diferentes setores. Os demais funcionários expressavam ansiedade frente à possibilidade de novas demissões e o ambiente de trabalho tornou-se tenso. Dessa forma, optou-se em não realizar a coleta de dados junto aos mesmos conforme estava previsto inicialmente no cronograma do projeto da tese, pois essa variável poderia interferir na coleta e análise dos dados.

Ainda no final do mês de junho de 2008, o número de internações na Clínica Médica que atendia aos pacientes do SUS diminuiu consideravelmente. Os funcionários alegaram a adoção de maior rigor nos critérios de admissão das crianças a fim de evitar internações desnecessárias que gerassem ainda mais custos à instituição.

Em julho de 2008 foi interrompida a coleta de dados devido à escassez de pacientes com as características necessárias para os critérios de inclusão na pesquisa, sendo a mesma retomada em agosto de 2008. Ao final desse mês, a coleta de dados contava com os registros da observação participante e as informações referentes a 10 crianças e 10 acompanhantes, porém, novamente foi interrompida pelo período de 6 meses (de setembro de 2008 a fevereiro de 2009) em função da pesquisadora ter ingressado em um Programa de Doutorado no País com Estágio no Exterior – PDEE, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior-Capes.

No período do referido estágio, parte dos dados coletados no Brasil foi analisada durante o estágio em Lisboa, Portugal, através da elaboração das categorias temáticas e da análise do conteúdo presente nas informações dos participantes da pesquisa (desenhos e entrevistas das crianças); bem como das categorias para a análise desenvolvimentista dos desenhos elaborados pelas crianças. Ressalta-se que a análise desenvolvimentista dos dados surgiu numa fase posterior do estudo, ou seja, não fazia parte do projeto inicial da Tese, sendo

adaptada ao material e aos objetivos do presente estudo com o propósito de enriquecer a análise das significações do processo de hospitalização para as crianças. Concomitante a isso, elaborou-se o treino para a análise desenvolvimentista das entrevistas das crianças e seus acompanhantes, conforme o modelo de níveis de significação (Barros, 2003; Barros & Joyce-Moniz, 2005) sob orientação da Prof.ª Doutora Maria Luísa Torres Queiroz de Barros, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa (FPCE-UL). Contudo, em virtude da complexidade exigida para este tipo de análise e do volume de dados na presente Tese, a análise dos níveis de significações das entrevistas não foi incluída neste estudo. Considerando-se que a etapa de coleta de dados junto à equipe de saúde do hospital ainda não havia sido iniciada, optou-se por não realizar a mesma quando a pesquisadora retornasse ao Brasil e, assim, definiu-se que somente seriam coletadas as informações das crianças e seus acompanhantes.

Após o retorno da pesquisadora ao Brasil no final do mês de fevereiro de 2009, a coleta de dados foi retomada, incluindo mais 10 crianças e 10 acompanhantes entre os participantes. Em junho de 2009, a coleta de dados foi encerrada.

4.5.2 Procedimentos Éticos

Na condução de pesquisas que envolvem crianças, Newcombe (1996/1999) ressalta que os pesquisadores necessitam pesar as vantagens e desvantagens em realizar qualquer estudo, avaliando os possíveis prejuízos e benefícios potenciais associados à pesquisa. Os problemas éticos não são resolvidos apenas pela aplicação de um conjunto de regras e normas, pois os códigos e comitês de ética não podem

(...) substituir a integridade moral do investigador, sua maturidade, honestidade, sensibilidade e respeito pelos direitos dos outros. No final das contas o investigador é o responsável pela condução do estudo e pela aplicação dos mais altos padrões éticos na pesquisa (p.42).

A presente pesquisa realizou-se considerando a necessidade do comprometimento ético que deve ser adotado pelo pesquisador, além das normas presentes na Resolução 196/1996 do Conselho Nacional de Saúde – CNS e na Resolução 016/2000 do Conselho Federal de

Psicologia – CFP, que garantem que sejam assegurados aos participantes de pesquisas, os direitos a informações sobre: a) a pesquisa, seus objetivos, procedimentos utilizados; b) possíveis riscos (se houverem) e benefícios decorrentes da participação na mesma; c) como ocorrerá o retorno aos envolvidos acerca das informações obtidas com o estudo; d) a garantia ao sigilo quanto às informações; e) o direito a desistir em qualquer momento do estudo sem implicar em ônus algum; f) as formas de contato com os pesquisadores envolvidos; g) o seguimento do Código de Ética Profissional do Psicólogo por parte do psicólogo pesquisador e h) garantia que os resultados do presente estudo serão disponibilizados sob forma de apresentação oral à instituição e sob forma de artigos científicos em periódicos especializados.

Para tanto, foi elaborado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice F). Foi ainda assegurado aos participantes, que nos casos em que houvesse necessidade de receber atendimento psicológico, estes seriam acolhidos pela pesquisadora e encaminhados ao Serviço de Psicologia Hospitalar16 do local da pesquisa ou para o Serviço de Psicologia de uma clínica-escola vinculado à uma universidade.

O projeto da presente Tese foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da instituição local da pesquisa e após a sua aprovação através do parecer N.º 667/07, foi então submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que aprovou o mesmo através do parecer N.º 009/08 – FR - 176955.

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