A globalização, bem como a livre circulação de pessoas no espaço da comunidade europeia lançou desafios de assaz relevância que se prendem, entre outros aspectos, com o incremento da competência de comunicação dos cidadãos. Efectivamente, a capacidade
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Segundo Andrade (1997:50), «dominar uma língua é movimentar-se num continuum que vai da capacidade de reconhecer uma dada língua até à capacidade de produzir discursos mais ou menos elaborados, passando pela capacidade de usar uma palavra ou outra; vai do domínio exclusivo de um registo familiar até ao domínio de vários níveis de uma língua; vai do ser capaz de produzir um discurso sobre um dado tema até à capacidade de abarcar uma grande variedade de núcleos temáticos (…).»
comunicativa tornou-se um aspecto incontornável, de tal modo que, hoje em dia, «half of the word’s population is bilingual». (Köpke, B., 2004:3)
A propósito das finalidades do ensino de uma LE Lomas, Osoro e Tusón (1997:59/60) afirmam que
«esos fines no son otros que el desarrollo de la competencia comunicativa de los aprendices, entendida como conocimiento del sistema linguístico y de los códigos no verbales y de sus condiciones de uso en función de los contextos y situaciones de comunicación y del diverso grado de planificación y formalización de esos usos concretos.»
Como a própria designação evidencia, a competência comunicativa centra-se na promoção da comunicação em língua estrangeira. Trata-se de um conceito apresentado por Hymes (1972), como reacção às noções de «competência» e «performance» propostas por Chomsky. Segundo Lopes (2005) Chomsky concebia «competência» como um saber interiorizado e culturalmente enraizado, que permitia ao falante/ouvinte produzir e reconhecer enunciados, atentando na validade dos mesmos, a nível gramatical. No entanto, no entendimento de Hymes, a competência linguística é, por si só, insuficiente, sendo determinante o conhecimento de factores socioculturais, para a produção de enunciados que, mais do que correctos, se pretendem funcionais. Na perspectiva de Hymes, o falante, durante uma abordagem comunicativa, alia dois tipos de saber: por um lado, os aspectos linguísticos, e, por outro lado, os aspectos sociolinguísticos, isto é, as normas que regem determinados usos.
«Hymes believes that Chomsky’s view of competence is too idealized to describe actual language behavior, and therefore his view of performance is an incomplete reflection of competence. For Hymes, Chomsky’s linguistic theory represents a “Garden of Eden”viewpoint that dismisses central questions of use in the area of performance. Hymes points out that the theory does not account for sociocultural factors or differential competence in a heterogeneous speech community. (…)Hymes deems it necessary to distinguish two kinds of competence: linguistic competence that deals with producing and understanding grammatically correct sentences, and communicative competence that deals with
producing and understanding sentences that are appropriate and acceptable to a particular situation. » (Ohno, 2002: 26)
Na senda de Hymes, autores como Reyzábal (1993) e Lomas (1999) destacam a atenção que deve ser facultada aos elementos sociolinguísticos, pragmáticos e estratégicos, subjacentes ao acto comunicativo. O domínio das normas linguísticas que norteiam uma LE ou L2 não é, por si só, indicador de práticas comunicativas adequadas,19 uma vez que é relevante «saber qué decir, cúando y cómo decirlo y qué y cuándo callar.» (Lomas, 1999: 34)
A competência comunicativa deverá, assim, ser compreendida como o conjunto de conhecimentos linguísticos, sociolinguísticos, pragmáticos e estratégicos de que o aprendente de uma LE ou L2 se socorre, para compreender e produzir enunciados conformados a diferentes situações e intenções comunicativas.
Atentando no QECRL (2001: 34), poder-se-á verificar que a competência comunicativa encontra-se intrinsecamente associada a quatro componentes, a saber:
- Competência linguística, que integra o domínio dos elementos lexicais, gramaticais, semânticos, fonológicos, ortográficos e ortoépicos, é entendida como a capacidade de compreender os recursos formais da língua e de os usar convenientemente;
- Competência sociolinguística, que abarca os conhecimentos socioculturais, a fim de proporcionar uma correcta adequação ao contexto comunicativo;
- Competência pragmática, associada a uma competência discursiva, funcional, de modo a que o falante seja capaz de realizar enunciados coerentes;
- Competência estratégica, que diz respeito aos conhecimentos que permitem colmatar actos comunicativos menos conseguidos.
Além das competências supramencionadas, preconizadas pelo QECRL, Lomas (1999: 264) salienta a importância de outras duas competências, decorrentes de uma competência textual e discursiva, nomeadamente:
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«La gramática no sirve para enseñar a hablar y escribir correctamente la lengua propria, lo mismo que el estudio de la fisiología o de la acústica no enseña a bailar o que la me cánica no enseña a montar en bicicleta.» (Reyzábal, 1993:26)
- a competência literária, relativa à capacidade de compreensão e produção de textos literários;
- a competência semiológica, referente aos conhecimentos favoráveis à compreensão dos usos dos meios de comunicação e da publicidade.20
Dadas as particularidades inerentes à competência comunicativa, o docente de PLNM deve conceder-lhe grande atenção e analisar crítica e construtivamente a sua actuação, uma vez que tem a incumbência de aumentar o grau de proficiência comunicativa dos seus alunos, de tornar os seus conhecimentos funcionais, adequados à satisfação das suas necessidades comunicativas.
Com o intuito de dar cumprimento a tais propósitos, o professor de PLNM tem de promover práticas comunicativas que possibilitem aos aprendentes utilizar,
«de forma apropriada un conjunto de conocimientos, destrezas y normas que son esenciales para comportarse comunicativamente no sólo de una manera correcta sino también, y sobre todo, adecuada a las características del contexto y de la situación en que tiene lugar el intercambio comunicativo.» (Lomas, 1999: 35)
Na opinião de Andrade (1997), o aprendente de uma LE/L2 tem, associada à sua competência de comunicação, uma competência de aprendizagem, que lhe permite assumir o controlo da sua aprendizagem e, por conseguinte, a imputação da sua evolução ou da sua regressão no processo de ensino-aprendizagem. De modo semelhante, Bizarro (2006:82) advoga que o aprendente desfruta de um conjunto de atitudes, conhecimentos e capacidades que lhe possibilitam uma aprendizagem eficaz e autónoma da LE.
Por outras palavras, o aluno tem de ter consciência não só das suas dificuldades e necessidades mas também das suas potencialidades enquanto aprendente activo e empenhado na sua aprendizagem. O discente tem de ter a percepção de que, mobilizando os seus saberes, será capaz de aprender por si só.21 Cabe-lhe a missão de implementar
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«Hoy no puede entenderse el concepto de competencia comunicativa si no incluye una serie de conocimientos, de habilidades interpretativas y de actitudes entorno a los códigos iconoverbales de la comunicación de masas y de la publicidad.» (Lomas, 1999: 264)
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Neste sentido, o professor, como orientador da aprendizagem dos alunos, deverá «créer les conditions pour que puissent se réaliser des apprentissages actifs (autonomie d’apprentissage),
estratégias que lhe permitam guiar convenientemente o seu processo de ensino-aprendizagem, avançando e retrocedendo sempre que considerar pertinente. Assim, ao seu ritmo, assimilará novos saberes que permitir-lhe-ão, gradualmente, tornar-se mais autónomo.
Desta forma, o aperfeiçoamento da competência comunicativa e da competência de aprendizagem são determinantes para o desenvolvimento da competência de autonomia, a qual é apresentada por Bizarro (2006:70/71) como
«a capacidade de alguém se encarregar da sua própria aprendizagem», «um processo de descondicionamento (libertação dos preconceitos de todas as espécies que afectam a representação da aprendizagem de uma LE e do papel a assumir pelo próprio aluno), bem como a aquisição de conhecimento e de “savoir faire”.» Deste modo, a competência de autonomia não é produto de uma aquisição, mas resultado de uma acção processual, na qual o aprendente, socorrendo-se das suas características pessoais e das suas experiências sociais se torna cada vez mais confiante, responsável pela sua aprendizagem e apto para solucionar os desafios colocados pela sociedade, bem como para construir e reconstruir o seu saber, desenvolvendo «diferentes capacidades: a de comunicador, a de aprendente e a de pessoa.»22 (Bizarro, 2006:82) Consequentemente, o aluno de PLNM autónomo é
«um indivíduo capaz de regular as suas aprendizagens, possuidor de competências e atitudes diversificadas, motivado e interessado na aprendizagem, capaz de enriquecer e avaliar sozinho e/ou com a ajuda de outrem os seus conhecimentos. Com sentido de respondabilidade e de iniciativa, capaz de escolher os recursos apropriados à construção da sua aprendizagem, aberto à diferença, dialogante e praticando a auto-reflexão sobre o que é, o que sabe, o que
placés sous la responsabilité d’apprenants (prise en charge de l’apprentissage) qui ont acquis par induction (autodirection de l’apprentissage) ou par déduction (capacité d’autodiriger l’apprentissage) la capacité d’exercer cette responsabilité.» (Holec, 1998: 14)
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«Como comunicador, deverá possuir habilidade e estratégica comunicativa, bem como criatividade linguística; como aprendente, deverá dominar estratégias de aprendizagem e de trabalho progressivamente mais independentes, que permitam aumentar o saber e a capacidade de integrar novos saberes, gerindo a sua aprendizagem de modo eficaz; como pessoa, deverá ser capaz de criar e expressar propósitos e contextos de aprendizagem mais pessoais.» (Bizarro, 2006:82/83)
faz, bem como sobre o como pode ser, como pode saber e como pode fazer, tendo em vista o auto-conhecimento, mas também a progressão da sua aprendizagem.» (Bizarro, 2006:50/51)
Ao longo do seu processo de aprendizagem, o aprendente, paulatinamente, vai-se tornando mais consciente das suas capacidades e aptidões, vai assimilando aquilo que sabe e que poderá vir a saber e a fazer, assumindo o controlo de si próprio e promovendo o seu processo de aprendizagem.23