que muitas vezes recebem apoio social e que às vezes é verdade que são eficazes, sugerem paradoxo advindo do processo de envelhecimento. Freire e Rezende (2001) indicam que nos estudos sobre o processo de envelhecimento, as referências mais encontradas dizem respeito aos aspectos negativos tais como dificuldades de memória, perda de papéis sociais e doenças ao invés dos apontamentos sobre os ganhos a ele associados, tais como sabedoria, aumento das experiências e habilidade nas relações sociais.
Segundo Neri (2006), assim como ao longo de toda a vida, também na velhice, as percepções de autoeficácia podem aumentar, diminuir ou se manter estáveis enquanto as pessoas se movem, nos diversos contextos sociais e à medida que vão mudando em termos biológicos e comportamentais, em termos de perspectivas e aspirações e ainda em termos de arranjos sociais. Para a autora,
“Os idosos mudam quanto à forma como estruturam, regulam e avaliam suas vidas. Suas crenças de eficácia devem adaptar-se às novas condições pessoais e contextuais dispostas pelas alterações desencadeadas pelo envelhecimento” (p.80).
5.3 SOBRE AS CORRELAÇÕES ENTRE AS VARIÁVEIS
Dancey e Reidy (2006) revelam que as análises de correlação entre as variáveis indicam uma medida de relação entre elas (r de Person), o que permite descobrir a direção do relacionamento, podendo ser positiva (direta) ou negativa (inversa), bem como sua força ou magnitude. Os autores indicam que a direção do relacionamento entre as variáveis pode ser classificada como positiva (direta) quando os valores altos em uma variável tendem a ser associados com valores altos na outra variável, ou valores baixos em uma variável tendem a ser associados a valores baixos na outra variável. Indicam ainda que a classificação do relacionamento é tida como negativa (inversa) quando valores altos em uma variável tendem a ser associados com valores baixos em na outra variável. Em relação à força ou magnitude do relacionamento entre as variáveis, Dancey e Reidy (2006) apontam que podem variar entre 0 (nenhuma relação) a -1 ou 1 (relação perfeita entre as variáveis), sendo a classificação como segue: a) Forte (0,9; 0,8; 0,7; -0,9; -0,8; -0,7); b) Moderado (0,6; 0,5; 0,4; -0,6; -0,5; -0,4); c) Fraco (0,3; 0,2; 0,1; -0,3; -0,2; -0,1); d) Perfeito (1; -1) e; e) Zero (0).
Uma correlação é considerada significativa na medida em que, ao se deduzir que a hipótese nula seja verdadeira e que a probabilidade de se obter um efeito devido ao erro amostral seja menor do que 5%, então o achado é significativo (DANCEY, REIDY, 2006).
A Tabela 5 demonstra os coeficientes de correlações (r de Person) entre as variáveis deste estudo.
Tabela 5 - Coeficientes de correlações (r de Person) entre as variáveis do estudo (n=61). Percepção de Autoeficácia Geral
Percepção de Suporte Social Prático -0,006
Percepção de Suporte Social Emocional -0,054
Percepção de Suporte Social Geral -0,031
Os resultados indicaram (Tabela 5) que não há correlações entre as duas dimensões de suporte social (percepção de suporte social prático e percepção de suporte social emocional) e a percepção de autoeficácia. Também não existe correlação entre percepção de suporte social geral e percepção de autoeficácia, resultado este que leva à rejeição da hipótese do estudo. Ou seja, níveis maiores de percepção de suporte social não estão associados a maiores crenças de autoeficácia.
Estes resultados permitem dizer que o fato de os idosos acreditarem que são pessoas amadas, cuidadas e estimadas e que pertencem a uma rede social de obrigações mútuas (percepção de suporte social), não tem nenhuma relação com suas crenças sobre as suas potencialidades para organizar e executar ações para o cumprimento de tarefas específicas e nem sobre sua capacidade de manter por meio do acesso a processos cognitivos, o controle das situações que excedem tais tarefas, decorrentes do meio social (crenças de autoeficácia).
Considera-se atingido o objetivo geral deste estudo que era o de identificar as relações entre percepções de suporte social e de autoeficácia em idosos envolvidos em ações de promoção à saúde, bem como os objetivos específicos que eram os de analisar, identificar e descrever os níveis de percepção de suporte social e de autoeficácia. Como se pode notar, a percepção de suporte social, tanto na dimensão emocional quanto na dimensão prática, para os idosos participantes deste estudo, é de que “muitas vezes” são amados, cuidados, estimados, valorizados e, que pertencem a uma rede de comunicação e obrigações mútuas. Esta conclusão sugere como apontado em literatura, que esta percepção que os idosos deste estudo têm de suporte social, pode contribuir de forma significativa sobre suas saúdes, bem estar e qualidade de vida, tendo em vista que suporte social é indicado por vários estudiosos como fator que pode proteger e promover saúde. Vale ressaltar que este estudo trata da percepção dos idosos de suporte social. Isto significa dizer que não necessariamente a percepção que estes idosos têm de suporte social, coincida com o suporte social que de fato recebem. Os resultados ainda permitem constatar que esses participantes possuem crenças de que “às vezes é verdade” que são eficazes indicando que conseguem organizar e executar ações para o cumprimento de tarefas específicas. Esta conclusão, tal como sugere a literatura, é de que a autoeficácia percebida reflete uma convicção otimista que permite aos idosos deste estudo executar tarefas novas ou difíceis, ou ainda, lutar contra as adversidades nos diversos domínios de atuação.
Contudo, os resultados de que a percepção dos idosos participantes deste estudo é de que “muitas vezes” recebem apoio social e que “às vezes é verdade” que são eficazes, sugerem paradoxo advindo do processo de envelhecimento. Em conformidade com o que indica a literatura, nos estudos sobre o processo de envelhecimento, as referências mais encontradas dizem respeito aos aspectos negativos tais como dificuldades de memória, perda de papéis sociais e doenças, ao invés dos apontamentos sobre os ganhos a ele associados, tais como sabedoria, aumento das experiências e habilidade nas relações sociais. O paradoxo está justamente no entendimento de que a velhice não traz apenas perdas, mas ganhos associados aos efeitos das percepções de suporte social e autoeficácia que os idosos têm.
Acrescenta-se que a hipótese do estudo não foi confirmada pelos resultados obtidos, que apontaram que não existem correlações significativas entre percepção de suporte social e autoeficácia, ou seja, os níveis de percepção de suporte social não variam proporcionalmente à variação das crenças de autoeficácia em idosos. Isto significa dizer que para estes participantes, não seria eficaz investir em melhorias do suporte social, pois isto não teria impacto em suas crenças de autoeficácia.
Dada a importância da autoeficácia para o bem-estar, para a qualidade de vida e para a saúde desses idosos, conforme se relatou na revisão bibliográfica deste estudo, é necessário investigar quais seriam as variáveis não abordadas no mesmo que estariam associadas à autoeficácia desse grupo tão particular da população. Sugere-se, por exemplo, que se estudem possíveis relações entre autoeficácia e outras variáveis como resiliência que hipoteticamente poderiam produzir impacto nas crenças de que se é capaz de organizar e executar ações para o cumprimento de tarefas específicas. Além disso, parece importante continuar avaliando os níveis de autoeficácia de idosos para dar maior consistência aos resultados empíricos já existentes.
Destaca-se ainda a importância de se testar a hipótese deste estudo com idosos não participantes de ações de promoção à saúde, pois se pode pensar que idosos não engajados nestes tipos de ações poderiam necessitar de maior suporte social e assim, terem suas crenças de autoeficácia associadas à sua percepção de suporte social.
A partir das conclusões apontadas acredita-se que este estudo teve as seguintes limitações:
1) Não ter comparado o grupo de participantes de ações de promoção à saúde com outros que não estivessem nelas engajado;
2) Não ter verificado se idosos de classes socioeconômicas diferentes teriam níveis diferentes de percepção de suporte social e de crenças de autoeficácia;
3) Não ter adotado um modelo que pudesse verificar o impacto de percepção de suporte social sobre crenças de autoeficácia por meio de análises de regressão ou de equação estrutural.
Espera-se que os resultados deste estudo e as considerações tecidas anteriormente colaborem para com o desenvolvimento da área.
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