Compreender a perspectiva do corpo como fio condutor, é termos claro em Nietzsche que “o corpo não pode ser adequadamente tomado apenas como registro físico-somático, ou biológico, mas tem a implacável concretude de um campo de forças, de uma superfície de múltiplos cruzamentos”58. Nos primeiros escritos de
juventude, analisado na primeira parte desta pesquisa, ao falarmos de formação nos institutos de ensino, atrelados a um projeto moderno com fins universalistas, envoltos numa atitude autoritária e de dominação, demonstraram uma postura decadente e de
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negação da vida. Ressaltamos que é sobre a afirmação da vida, o valor da existência singular que Nietzsche nos alerta ao demonstrar que nossos processos de formação muitas vezes colocam dificuldades em afirmarmos a própria potência da vontade.
O que é o homem, é uma questão fundamental para aquele que busca alcançar um caminho para si mesmo, ou seja, uma educação “do caminho do criador” que rabisca modos de ser na elaboração de sua singularidade. Um caminho para a questão colocada é a perspectiva que compreende o homem como vontade de potência. O medo de ser ele mesmo faz o ser humano aprisionar-se no mundo. Se somos revestidos de diversas peles e cada uma nos dá “testemunho daquilo que nos obrigam a sermos”, por que temos medo de ser vontade de potência? É o medo dos conflitos inerentes à vida que nos aprisiona no mundo.
Se vontade de potência é algo que tem intrínseco desejo nela mesma, de fazer existência, de exprimir, de diferenciar, de criar e experimentar a realidade, o que essa potência quer é continuar sendo potência. Não se busca atingir uma meta final ou uma essência humana imutável, mas o incessante movimento de criar mais potência na maneira de experimentar, nos diferentes modos de ser o que se é. Esse movimento criador envolve diversas forças de destruição, que também são forças de construção, ambas não se anulam. O medo de ser vontade de potência distancia o ser humano dele próprio, da sua possibilidade de destruição do que é, e o lança a uma vida muitas vezes superficial e inautêntica. Ao falarmos de vida inautêntica, não estamos dizendo que o oposto, a vida autêntica é superior, mas que carrega em si diversas forças e pulsões que não param de se superar constantemente.
Como afirma Nietzsche em sua obra Gaia Ciência, o homem sendo definido por seus impulsos e não apenas pela sua consciência e sua racionalidade (GC, §11), a finalidade última da vida seria a intensificação de suas forças vitais e de seus impulsos, sendo a consciência e a racionalidade instrumentos e não valores superiores. Por isso, ao iniciar o prólogo de GC, Nietzsche estabelece a relação entre corpo e filosofia ou filosofia e saúde.
Haveria uma relação do estado corporal de um filósofo e a sua filosofia, pois “num homem são as deficiências que filosofam, no outro as riquezas e forças”
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(GC/Prólogo §1 p. 10). Tenciona o filósofo como a filosofia histórica se apropriou e compreendeu o corpo:
[...] e frequentemente me perguntei se até hoje a filosofia, de modo geral, não teria sido apenas uma interpretação do corpo e uma má- compreensão do corpo. Por trás dos pequenos juízos de valor que hoje guiaram a história do pensamento se escondem más-compreensões da constituição física, seja de indivíduos, seja de classes ou raças inteiras (GC/Prólogo, §2, p. 12).
Embora o corpo constitua para o filósofo o único ponto de partida possível em virtude de razões metodológicas, a representação de que dele temos permanece desprovida de valor epistemológico. O ponto de partida da análise de Nietzsche é a vontade de potência, “hipótese de interpretação e não fundamento gnosiológico absoluto” (WOTLING, 2013, p. 123).
É preciso distinguir dois pontos, a fisiologia enquanto explicação da verdade dos processos orgânicos e a fisiologia enquanto linguagem simbólica, como interpretação, como falsificação, simplificação, assimilação, que busca dominar os fenômenos orgânicos através da elaboração de uma representação desses fenômenos, que são arrancados da esfera do misterioso e do absolutamente desconhecido. O intelecto é instância derivada que leva à elaboração da linguagem simbólica, permitindo que se obtenha ao menos uma descrição convencional, simplificadora, parcialmente deformadora, dos processos orgânicos, primeiros em relação a ele, que, por natureza, lhe escapam, e sobre os quais ele só comunica informações pessoais.
Segundo Wotling (2003), a fórmula ‘o corpo como fio condutor’ permanece como a tradução adequada da aplicação da hipótese da vontade de potência. A fisiologia não entra no lugar da vontade de potência como polo de referência fundamental a partir do qual se organiza a leitura do texto da realidade, ela é expressão metafórica, “a primeira palavra, antes das dos instintos, pulsões e afetos, da linguagem simbólica que permite descrever de maneira convencional a realidade, mas não explicá-la, nem desvelar sua essência última” (WOTLING, 2003 p. 123). A apreensão do corpo como “grande razão”, como unidade de organização (GIACOIA,
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2002, p. 210) denuncia a “ficção do Eu”, à qual se contrapõe o “si próprio”, ou o corpo, do qual a pequena razão ou espírito, é apenas o instrumento:
O corpo é uma grande razão, uma pluralidade dotada de um único sentido, uma guerra e uma paz, um rebanho e um pastor. Instrumento de teu corpo é também tua pequena razão, meu irmão, a que chamas “espírito”, um pequeno instrumento e um pequeno joguete de tua grande razão. Dizes “eu” e estás orgulhoso dessa palavra. Porém essa coisa maior ainda, na qual tu não queres crer, – teu corpo e sua grande razão: essa não diz eu, porém faz eu (AFZ, I, §Dos desprezadores do corpo, p. 35).
Em Nietzsche toda referência à objetividade desaparece. Se ele diz, e repete que é preciso tomar o corpo como fio condutor, também acrescenta que não podemos esquecer que não temos conhecimento objetivo acerca do corpo. “O homem, enquanto corpo não é um substrato espiritual ou material” (BARRENECHEA, 2002, p. 184). Corpo e mundo, longe de serem substâncias, identidades e essências, são formas do desenrolar da vontade de potência. Nossa relação com o corpo é, desde sempre, interpretativa. O que podemos perceber de maneira reflexiva através do corpo já é uma triagem, uma escolha, uma reorganização na massa enorme de processos complexos que organiza a vida do organismo. Somos seres vivos que percebemos o mundo a partir de nossas necessidades e não espíritos absolutos. Nesse sentido, se nunca podemos fugir da relação interpretativa, a objetividade em geral se torna inviável.
Segundo Wotling (2003), o corpo é um conceito que, em Nietzsche, só tem sentido em referência à teoria dos afetos. Não se trata de uma entidade material, um substrato físico autônomo, uma res extensa, mas de um termo que serve para designar, em sua multiplicidade irredutível, o jogo conflitual dos instintos que é a vontade de potência. O corpo como superfície de cruzamento de infinitas perspectivas e de natureza labiríntica. Segundo Deleuze,
[...] o que define um corpo, em Nietzsche, é esta relação entre forças dominantes e forças dominadas. Toda relação de forças constitui um corpo: químico, biológico, social, político. Duas forças quaisquer, sendo desiguais, constituem um corpo desde que entrem em relação; por isso o corpo é sempre o fruto do acaso, no sentido nietzschiano, e
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aparece como a coisa mais "surpreendente", muito mais surpreendente na verdade do que a consciência e o espírito. (...) O corpo é fenômeno múltiplo, sendo composto por uma pluralidade de forças irredutíveis; sua unidade é a de um fenômeno múltiplo, "unidade de dominação". Em um corpo, as forças superiores ou dominantes são ditas ativas, as forças inferiores ou dominadas são ditas reativas. “Ativo e reativo são precisamente as qualidades originais que exprimem a relação da força com a força” (DELEUZE, 1976, p. 21).
Os nossos corpos, os nossos pensamentos são constituídos por uma pluralidade de forças em conflito contínuo que geram valores através de nós. Se em Nietzsche o mundo é vontade de potência, anterior aos corpos (orgânicos e inorgânicos) o que existe é um conflito perpétuo entre forças em relação contínua que produz tudo que existe. Uma força não existe isolada de outra força, se existe uma força ela domina ou é dominada por outra força. O que ele chama de força ativa é a força que consegue dominar uma outra. A força que é dominada por outra força ele a chamará de reativa.
Nietzsche chama o querer da força como vontade de potência, toda força quer expandir a sua potência. Ela anseia pelo domínio, pela exploração e um dominar e apropriar outras forças. O nosso corpo, assim como qualquer coisa que existe é apenas resultado do conflito das forças. Se as coisas existem é própria da natureza constituída por um conflito perpétuo, por um devir entre tais forças. Por isso, o filósofo afirmará como segue “o mundo visto de dentro, o mundo determinado por seu ‘caráter inteligível’ – seria justamente ‘vontade de potência’, e nada mais (ABM, §36)”. Essas forças continuam constituindo nossos corpos, desejam e pensam em nós. O pensamento não vem quando queremos, mas quando ele quer. Nós pensamos e queremos de modo contínuo e inconsciente. Como expressa Nietzsche no §354 de
A gaia Ciência:
O fato de nossas ações, pensamentos, sentimentos, mesmo movimentos nos chegarem à consciência – ao menos parte deles –, é consequência de uma terrível obrigação que por longuíssimo tempo governou o ser humano: ele precisava, sendo o animal mais ameaçado, de ajuda, proteção, precisava de seus iguais, tinha de saber exprimir seu apuro e fazer-se compreensível – e para isso tudo ele necessitava antes de 'consciência', isto é, 'saber' o que lhe faltava, 'saber' como sentia, 'saber' o que pensava. (GC, §344, p. 249)
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Quando pensamos e desejamos é só uma parte que se torna consciente. E a consciência é só um espelho que reflete aquilo que desejamos e já pensa de modo inconsciente, são forças ou impulsos que constitui o nosso próprio corpo e constitui o nosso pensamento que deseja e que pensa. Daí que, consciência, pensamentos, corpos orgânicos e inorgânicos são produtos da vontade de potência e o que ela quer é ampliar sua própria potência, expandir suas forças. Porém o homem dominado por forças reativas, forças que visam à conservação é um homem que só conhece a existência pelo aspecto do reativo ou da conservação.
Somos constituídos no corpo e no pensamento por forças ativas e forças reativas, pois somos produtos da nossa relação com a realidade. As forças reativas (conscientes) apenas conservam, visam à adaptação ao meio. As forças ativas (inconscientes) são forças de criação, não obedece a nenhuma constituição a priori. O ser humano se torna reativo quando ele é dominado por forças de conservação. As forças ativas quando não vazam são interiorizadas constituindo aquilo que Nietzsche chama de má-consciência que em um primeiro momento é a interiorização dos impulsos ou forças ativas, reduzindo o homem ao aspecto reativo da existência humana. Somos dominados por forças de fora que são forças da natureza, potências da própria natureza e assim nos relacionamos ao domínio dessas outras forças. É a capacidade relacional das forças que cria a realidade, visto que o existente no mundo não surge de uma adaptação a uma forma pré-estabelecida.
Na obra Ecce Homo, Nietzsche destaca a necessidade do cuidado com as relações do corpo com as forças que nos vem de fora e que possibilitam as condições propicias ao corpo e ao pensamento. O ser humano reativo ignora a influência do clima no metabolismo, da alimentação, do lugar onde o corpo habita, trabalha, estuda, das companhias e das maneiras de experimentar as potências do corpo (EH, Porque
sou tão inteligente, § 2,). O sentido da fisiologia estabelecida por Nietzsche é o
conhecimento das forças do nosso próprio corpo com forças exteriores, que podem favorecer a potência corpórea fazendo passar intensidades, ou acabam obstruindo a potência da criação tanto dos nossos pensamentos como do próprio corpo. É preciso lançar o olhar para as “pequenas coisas”:
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Essas pequenas coisas –alimentação, lugar, clima, distração, toda a cuística do egoísmo – são inconcebivelmente mais importantes do que tudo que até agora tomou-se como importante. Nisto exatamente é preciso recomeçar a reaprender. O que a humanidade até agora considerou seriamente não são se quer realidades, apenas construções; expresso com mais rigor, mentiras oriundas dos instintos ruins de naturezas doentes, nocivas no sentido mais profundo (EH,
Porque sou tão inteligente, § 10).
Esta fisiologia nietzschiana é importante porque será o conhecimento da sua própria fisiologia envolvendo lugar, clima, alimentação que favorecerá forças de criação ou forças de conservação e adaptação. Segundo Nietzsche, foram às forças de conservação do homem reativo que
todas as questões da política, da ordenação social, da educação foram por eles falseados até a medula, por haver se tomado os homens mais nocivos por grandes - por ter ensinado a desprezar as coisas ‘pequenas’, ou seja, os assuntos fundamentais da vida mesma (EH,
Porque sou tão inteligente, § 10).
Por isso, nossa “pequena razão”, a nossa consciência, deve mergulhar nos segredos e abismos do nosso corpo, procurando assim, desvendar os inúmeros movimentos a que tem acesso desvendando seus enigmas e interpretando os seus sinais.
Segundo Giacoia (2005) a tarefa interminável da sintomatologia de Nietzsche - já que somos constituídos por forças de conservação e de criação – “tem propósito de multiplicar as perspectivas sobre o corpo, aumentando o campo de visibilidade e as margens de controle da consciência, para que essa possa se embeber da prodigiosa sabedoria do corpo” (GIACOIA, 2005, p. 211). Neste sentido, o corpo não é visto como contrário a racionalidade, mas uma figura ignorada, ou seja, a “pequena razão”, a consciência, é apenas um instrumento dessa outra razão que é corpo e que não é dominado pela razão e nem tampouco cabe atribuir à razão qualquer autonomia ou superioridade, em oposição a ele. O corpo é um todo “uma multiplicidade com um só sentido” (AFZ, I, §DA Guerra e dos guerreiros, p. 47) e que permanece abjeto para a própria consciência.
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A totalidade de forças e instintos que agem sobre o corpo está sempre em embate expandindo e afirmando a vida. São multiplicidades das forças corporais que atuam rompendo limites e criando infinitas possibilidades. É preciso compreender que em alguns momentos, certas forças dominam, e em outras situações essas forças obedecem, emergindo, sobressaindo à manifestação de outras vontades e afetos. Os eventos devem ser encarados no interior deste movimento em que se produzem perspectivas considerando o homem, o mundo e as produções sempre decorrentes dessas relações de forças.
Para o filósofo, é no corpo que os instintos fundamentais da natureza são exprimidos e nele se percebe a plena manifestação da natureza. Os embates e conflitos que ocorrem no corpo, sejam eles de negação, ‘fuga’ ou de afirmação é constituinte do modo como o homem se relaciona, interpreta, cria e vive no mundo. A negação da vida, entendida como decadência, fraqueza e impotência, reflete um estado fisiológico doente, pois o medo alimenta a desconfiança de lidar com a realidade intempestiva, no devir, no acaso, nas multiplicidades e nos movimentos conflituoso da própria natureza levando o homem a avaliar de modo negativo a vida.
Na obra Genealogia da Moral, Nietzsche entende que os sentidos das forças sempre são reinterpretados, porém não se busca atingir um objetivo ou uma finalidade última para elas:
[...] de que algo existente, que de algum modo chegou a se realizar, é sempre reinterpretado para novos fins, requisitando de maneira nova [...] de que todo acontecimento do mundo orgânico é um subjugar e assenhorar-se, e todo subjugar e assenhorar-se é uma nova interpretação, um ajuste, no qual o ‘sentido’ e a ‘finalidade’ anteriores são necessariamente obscurecidos ou obliterados [...] Logo, o ‘desenvolvimento’ de uma coisa, um uso, um órgão, é tudo menos o seu progressus em direção a uma meta [...] Se a formula é fluída, o ‘sentido’ é mais ainda... (GM, II, p. 60-61)
Nesse sentido, não há como existirmos fora da imanência, pois sempre existirá aquilo que estará aberto ao imediato, a novas interpretações e avaliações. Todo pensamento ou doutrina que desconsidera a intrínseca relação entre os instintos, a saúde, a força, são considerados decadentes ou antinaturais. Assim, Nietzsche tomando a vida (extramoral) como critério de interpretação nos diz que se os valores não caíram do céu (não existem por si), mas foram gerados, que sintoma foi esse que
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os geraram? Que vontade no homem gerou estes valores e continua investindo? Como se cria valor? Sob que condições o homem inventou os juízos de “bom” e “mau”?
[...]e que valor têm eles? Obstruíram ou promoveram até agora o crescimento do homem? É indício de miséria, empobrecimento, degeneração da vida? Ou, ao contrário, revela-se neles a plenitude, a força, a vontade da vida, sua coragem, sua certeza, seu futuro (GM, Prólogo, §3 p. 09).
Nietzsche destaca as circunstâncias em que foram gerados os valores e as avaliações. A genealogia (enquanto método) busca mostrar que a moral na verdade é um conceito e como tal surge num tempo e lugar determinado, aquilo que é bom e o que é mal, não são atemporais ou extra físico, foi inventado pelo homem. Essa invenção, como já analisando nos tópicos anteriores, parte de um sintoma de vida que é expressão de uma potência afirmativa ou de negação, oriundas de um tipo de homem ativo e o homem reativo expressão de tipologias morais. É necessário compreender então como opera essa vontade no homem ativo e no homem reativo.
Os valores tidos como verdade, só porque são úteis e por conter a nossa existência para manter-se vivo, não é critério para postular sua veracidade. O reativo agarra-se a um sentido e a qualquer valor para conservar-se. A postura afirmativa exerce uma crítica aos valores que apenas conservam a existência humana para criar novos valores.
Para Nietzsche existe uma hierarquia e a criação vem a ser primeira. O que conserva, só se conserva, o que primeiro foi criado. Porém, quando existe a inversão no ocidente a conservação vem a ser primeira, tudo passa ao critério da conservação, reprimindo as forças de criação e só existindo naquilo que conserva. Essa é a perspectiva negativa, niilista, ressentida e culpada. A perspectiva afirmativa mata o ressentimento e o sentimento de culpa.
Toda grande obra é resultado de tensão e criação de novos valores. Em Nietzsche a causa sempre envolve relações de forças. Tudo envolve uma espécie de psicofisiologia, ou seja, aquilo que se manifesta psicologicamente envolve o corpo. O corpo é “a grande razão” por ser uma unidade múltipla, é ele em sua totalidade que
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faz pensar, experimenta os sentidos, criar conhecimento. A vontade de potência se caracteriza pela organização dessas forças.