D ’ HIER A AUJOURD ’ HUI
2. Structuration et déstructuration de l’institution du parcours de vie
2.5. Vieillesses contemporaines
Um dos grandes objetivos desta Oficina de Formação era conhecer as conceções dos professores sobre trabalho experimental e as suas práticas didático-pedagógicas de índole experimental. Conhecidas estas conceções e práticas, queria-se, caso se justificasse, (re)concetualizar as ideias dos professores e promover mudanças nas suas práticas de trabalho experimental com as crianças. Sendo assim, as estratégias adotadas pela Formadora recaíram, em grande parte, na reflexão dos e com os professores sobre as suas vivências, ideias, dificuldades e saberes. Neste sentido, pretendia-se provocar a reflexão sobre o trabalho experimental e sobre a sua efetiva implementação com os alunos, por parte dos professores-formandos.
Para tal, recorreu-se à análise de textos, ao trabalho de grupo, ao trabalho individual, à discussão de ideias, à construção de materiais/recursos, ao desenvolvimento de trabalho experimental por parte dos professores, à reflexão, ou seja, a variadas estratégias de formação. Esta opção foi consciente por parte da investigadora, que teve em conta as orientações de autores como Pereira e Paixão (2004) e Sá (2008), no que concerne à relevância atribuída ao pluralismo metodológico.
Para além disso, foi necessário, numa fase inicial, contemplar situações de exposição sobre as temáticas da Oficina da Formação, de que são exemplo as questões relacionadas com a importância da educação em ciências nos primeiros anos de escolaridade e do trabalho científico, para a (re)construção das conceções sobre trabalho experimental dos professores. Teve-se em linha de conta as estratégias utilizadas por Vieira (2003) no seu programa de formação, uma vez que se pretendia, tal como este autor, transferir as temáticas abordadas na Oficina de Formação para as práticas didático-pedagógicas dos professores.
Outra das particularidades da Oficina de Formação foi a promoção da discussão dos professores em relação às atividades experimentais que implementavam nas suas práticas didático-pedagógicas, discutindo-se, argumentando-se, refletindo-se sobre a atividade, o papel do professor, do aluno, os aspetos a melhorar, os materiais/recursos usados, as dificuldades de implementação, entre outros tópicos. O contributo da discussão é realçado por Vieira e Tenreiro-Vieira (2005). Nesta formação, procurou-se ativar esse contributo, discutindo-se as atividades que estavam a ser preparadas e implementadas pelos professores em sala de aula.
Para o desenvolvimento da Oficina de Formação, construiu-se um conjunto de materiais/recursos (ver Apêndice B) que pretendiam ajudar os professores-formandos a
refletir sobre as suas conceções e práticas em ensino experimental das ciências e que servissem de sustentação quanto às orientações seguidas e preconizadas por esta Oficina de Formação. Foram utilizados materiais/recursos, apresentados no Apêndice B desta tese, tais como:
i) apresentações de diapositivos produzidas pela investigadora e algumas adaptadas do Programa de Formação Contínua em Ensino Experimental das Ciências no 1.º CEB, uma vez que a investigadora foi formadora do referido programa, numa Escola Superior de Educação, da região Centro do País. Estas pretendiam focar e sintetizar as temáticas abordadas, de modo a servir de apoio aos professores em formação;
ii) guiões de apoio aos professores para a planificação de atividades experimentais, que pretendiam ajudá-los quer na reflexão sobre as suas práticas, quer na planificação do trabalho experimental que iriam realizar com os seus alunos, guiões que foram elaborados pela investigadora;
iii) textos informativos dados aos professores-formandos (por exemplo, sobre o pensamento crítico) que foram escolhidos de acordo com a temática aprofundada em cada uma das sessões, tendo a investigadora procurado textos pouco extensos e de fácil leitura, para que os professores-formandos os lessem, sem demasiada sobrecarga, tal como havia sido recomendado pelos professores. Após a leitura dos textos, estes foram discutidos pelos professores-formandos, apoiados pela Formadora;
iv) exemplos de duas atividades de Ciências (atividade da dissolução do rebuçado (Martins et al., 2007) e atividade sobre as plantas (Vieira, 2003), que os professores-formandos realizaram, analisaram e refletiram, considerando as competências que estas atividades ajudariam as crianças a desenvolver, no âmbito do trabalho experimental.
Nas primeiras sessões de formação (da 1.ª sessão à 4.ª sessão) refletiu-se sobre a importância da Educação em Ciências nos primeiros anos e sobre a classificação das atividades realizadas em ciências (trabalho prático, laboratorial e experimental). Para além disso, os professores-formandos tiveram a oportunidade de realizar uma atividade prática experimental sobre a dissolução do rebuçado (Martins et al., 2007), bem como analisar uma atividade proposta por Vieira (2003) sobre “O crescimento das plantas”. Nas sessões 5 e 6 os professores tiveram de planificar uma atividade experimental, com orientação da formadora e, neste caso, apenas foram entregues guiões com algumas indicações aos professores-formandos (ver Apêndice B). Estes guiões pretendiam
encaminhar o processo de planificação de uma atividade experimental, bem como a identificação de competências que a atividade iria ajudar os alunos a desenvolver. Para além disso, nestas sessões, os professores tiveram a oportunidade de conceber os seus materiais/recursos com vista ao ensino experimental das ciências. Tal como afirmam Martins (2002) e Martins et al. (2006), os programas de formação devem implicar os professores na conceção, desenvolvimento e avaliação de recursos didáticos, com vista ao desenvolvimento da sua reflexão crítica na análise de materiais/recursos.
Pretendia-se que estes materiais/recursos ajudassem os professores-formandos a (re)concetualizar as suas ideias sobre o trabalho experimental e que servissem de suporte à implementação deste trabalho nas suas práticas didático-pedagógicas. Para além disso, em duas sessões os professores-formandos planificaram a(s) atividade(s) experimental(is) a desenvolver com os seus alunos.
Na secção seguinte do presente capítulo, apresenta-se um Quadro onde se sintetizam as atividades desenvolvidas por sessão de formação, bem como os materiais/recursos utilizados (Quadro 3.5). Os materiais/recursos utilizados na Oficina de Formação podem ser consultados no Apêndice B, devidamente identificados por sessões de formação.