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Vers un modèle global

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Chapitre 8 : Vers un modèle gestaltiste

8.4. Vers un modèle global

A entrevista feita aos jovens adolescentes da Casa do Vale pretendeu averiguar a opinião no que diz respeito às relações interpessoais com os outros jovens e técnicos, as motivações e se sentem necessidade de uma mudança de abordagem perante os conflitos existentes. (Vide anexo, guião da entrevista, p.134)

De igual modo, com a entrevista pretendeu-se introduzir o tema da Mediação, como forma de resolução dos conflitos, o que se traduziria consequentemente, numa diminuição dos castigos aplicados aos jovens e consequentemente, uma melhor classificação aos mesmos. (Conforme tabelas de avaliação em anexo, p.169-170)

Pode-se verificar através das respostas obtidas que os jovens neste contexto de entrevistas, entendido como contexto um pouco formal de comunicação, não estavam muito abertos para conversar. Esta postura é totalmente diferente do habitual como se poderá constatar nos relatórios das observações efetuadas na Casa do Vale. (Vide anexos, p.103-132)

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2.1. Tratamento e análise dos dados

Quadro nº 1 – Perceção do apoio dado aos jovens da Casa do Vale

As respostas obtidas demonstram que todos os jovens sentem que os técnicos prestam-lhes assistência em quase tudo do que necessitam, sendo que apenas um dos jovens confia especialmente num dos monitores, com sente quem maior ligação.

Questão: Na Casa do Vale, encontras quem te dê todo o apoio em tudo o que precisas?

JOVEM RESPOSTA OBJETIVOS

F.

Sim

Objetivo da questão:

Com esta questão pretendeu- se saber até que ponto os jovens sentem-se apoiados e orientados enquanto vivem na Casa. P.M. Sim M. Sim J.T. Sim A. Sim T. Sim P. Sim Fl. Sim P.Ms.

Sim, em algumas coisas

59 Quadro nº 2 – Espírito de companheirismo

Pela análise das respostas à questão colocada, podemos inferir que alguns jovens não consideram que as relações entre eles seja muito positiva; não sentem que haja um espírito de entreajuda nem laços de amizade sólidos, sendo que essa opinião foi transmitida pelos jovens que habitualmente têm um comportamento estável dentro da Casa. Os jovens que têm habitualmente um comportamento menos estável, consideram que os colegas que vivem com eles são bons companheiros.

Questão: Existe um bom espírito de companheirismo entre os jovens da casa?

JOVEM RESPOSTA OBJETIVOS

F.

Mais ou menos

Objetivo da questão:

Averiguar qual a opinião dos jovens da Casa do Vale relativamente às relações/ interações que existem entre eles. P.M. Sim M. Mais ou menos J.T. Não A.

Alguns. É mais cada um por si

T. Não P. Sim Fl. Sim P.Ms. Sim N. Não

60 Quadro nº 3 – Perceção da contribuição individual para o espírito de companheirismo

Através das respostas obtidas verifica-se que nem todos os jovens admitem ser um dos contribuidores para o baixo espírito de companheirismo existente entre eles. A título de exemplo, o sujeito N. entende que não existe um bom espírito de companheirismo entre os jovens da Casa do Vale, mas segundo expressa, também não contribui para um bom ambiente.

Questão: E tu contribuis para que haja este espírito?

JOVEM RESPOSTA OBJETIVOS

F.

Nem sempre

Objetivo da questão:

Com esta questão procurou- se saber quais os jovens que contribuem para esse espírito e a perceção que têm desse comportamento. P.M. Sim M. Mais ou menos J.T. Não A. Sim T. Não P. Sim Fl. Sim P.Ms. Sim N. Não

61 Quadro nº 4 – Privacidade e individualidade

Todos os jovens responderam positivamente à questão mostrando como sentem-se respeitados na privacidade no dia-a-dia na Casa do Vale.

Questão: Sentes que a tua privacidade e individualidade é respeitada quer por parte dos técnicos quer por parte dos outros jovens?

JOVEM RESPOSTA OBJETIVOS

F.

Sim

Objetivo da questão:

Com esta questão

pretendeu-se entender se os jovens da Casa do Vale sentem-se respeitados e valorizados pelos técnicos e por outros jovens da Casa.

P.M. Sim M. Sim J.T. Sim A. Sim T. Sim P. Sim Fl. Sim P.Ms. Sim N. Sim

62 Quadro nº 5 – Auxílio nos conflitos internos e externos; Relação de confiança

Todos os jovens têm alguém em quem confiam, sendo que o jovem P.Ms. é a pessoa a quem a grande maioria dos jovens da Casa recorrem, assim como o monitor R., a Dr.ª R. que é a Psicóloga da Casa. Os adultos (técnicos) em geral são procurados pelos jovens também.

Questão: Se necessitares de conversar/desabafar com alguém, podes contar com algum adulto e/ou jovem da Casa em quem confies?

JOVEM RESPOSTA OBJETIVOS

F.

Só com o P.Ms.

Objetivo da questão:

Com esta questão,

procurou-se saber em que medida os jovens da Casa,

encaram os seus

companheiros ou técnicos como confidentes para os ajudar nos conflitos internos ou mesmo externos.

P.M.

Sim, com os monitores, P.Ms e J.T.

M. P.Ms, monitores e doutores J.T. Amigo, Dr.ª R. e monitor R. A. Adultos T.

Não gosto de conversar

P.

Dr.ª R. e monitor R.

Fl.

P.M. e P.Ms.

P.Ms.

Sim, com os adultos

63 Quadro nº 6 – Ambiente quotidiano

Na análise das respostas, verifica-se que metade demonstra que o sentimento geral é de descontração e até de calma, sendo que o jovem que responde u que vive um ambiente de calma é dos que tem um comportamento exemplar na Casa para com os técnicos e os seus companheiros e que por este motivo, é muito estimado por todos.

Também verifica-se o mesmo tipo de resposta por parte dos jovens que são causadores de conflitos em que sentem-se descontraídos, apesar dos conflitos que ocorrem de vez em quando na Casa do Vale, entre eles.

Os jovens que responderam que vivem num ambiente de stress e tensão, também são alguns dos provocadores ou vítimas dessa tensão.

Pode-se concluir que apesar de tudo, o facto de estes jovens serem controlados pelos técnicos da casa e até castigados pelos maus comportamentos, os sentimentos de segurança variam.

Questões: Na Casa, vives mais num ambiente descontraído e harmonia ou de stress e tensão?

JOVEM RESPOSTA OBJETIVOS

F.

Descontraído

Objetivo da questão:

Com esta questão,

pretende-se saber qual o sentimento predominante no dia-a-dia, dos jovens que vivem na Casa do Vale.

P.M. Descontraído M. Tensão às vezes J.T. Tensão A. Stress T. Descontraído P. Descontraído Fl. Stress P.Ms. Calmo N. Stress

64 Quadro nº 7 – Auxílio interno na resolução de conflitos

Através das respostas obtidas, verificou-se que as pessoas de maior confiança entre os jovens são a Dr.ª R., o monitor R. e adolescente P.Ms., que continua a ser referenciado como a pessoa de maior confiança, para além dos restantes técnicos da Casa do Vale.

Questão: Se tiveres algum problema com um dos jovens da Casa, tens quem te ajude a resolver esse problema?

JOVEM RESPOSTA OBJETIVOS

F.

J.T.

Objetivo da questão:

Com a seguinte questão procurou-se identificar quais os elementos na Casa do Vale que habitualmente têm um papel preponderante para ajudar os jovens da

Casa quando estes

necessitam. P.M. Doutores e monitores M. P.Ms. e B. J.T. Dr.ª R. A.

Sim, doutores e monitores

T. Sim, os monitores P. Sim, a Dr.ª R. e o monitor R. Fl. O N. ajuda-me a resolver os problemas P.Ms. Sim

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Quadro nº8 – Valorização das opiniões ou sugestões dos jovens

De acordo com as respostas, a grande maioria considera que a sua opinião é valorizada por todos, com exceção de dois dos jovens que têm a opinião exatamente contrária, sendo um deles o mais velho da Casa.

Questão: Se tiveres uma opinião ou sugestão a fazer para melhorar a Casa, os outros ouvem-te e contribuem para essa melhoria?

JOVEM RESPOSTA OBJETIVOS

F.

Aceitam

Objetivo da questão:

Com esta questão procurou- se saber qual dos jovens consegue fazer prevalecer a sua opinião ou pelo menos que seja escutada pelos

seus companheiros da Casa. P.M. Ouvem e respeitam M. Sim J.T. Sim A. Não ouvem T.

Nunca fazem o que sugiro

P.

Ouvem e respeitam a minha opinião

Fl.

Respeitam e ouvem a minha opinião

P.Ms.

Sim, ouvem

N.

Sim, quando falo com eles, ouvem e respeitam a minha opinião

66 Quadro nº9 – Perceção do valor individual face aos colegas

Nestas respostas vê-se que quase todos os jovens entendem que o seu comportamento é exemplar ou que pelo menos são um bom modelo a seguir, mesmo os que têm comportamentos desadequados na Casa. Apenas um dos jovens admitiu que por fazer com que os outros sintam medo dele, que tem o respeito dos colegas.

Questão: Os teus colegas vêm em ti um modelo a seguir por teres um comportamento exemplar e és admirado por isso?

JOVEM RESPOSTA OBJETIVOS

F.

Nem sempre

Objetivo da questão:

Com esta questão procurou- se saber até que ponto estes jovens entendem que

são um elemento que

transmite autoconfiança para servir de exemplo aos seus companheiros e que poderão ter uma postura de liderança.

P.M.

Meu comportamento é exemplar

M.

Poderia ser mais

J.T. Sim A. Sim T. Sim P. Sim Fl. Sim P.Ms.

Sim, acho que sim

N.

Eles têm respeito por mim porque têm receio, imponho respeito.

67 Quadro nº10 – Contato após a saída da Casa do Vale com os técnicos e com os jovens

As respostas indicam que praticamente todos eles demonstram interesse em manter uma ligação com a Casa do Vale, exceto um dos jovens que já foi anteriormente indicado como sendo a pessoa que tem o melhor relacionamento quer com os seus colegas, quer com todos os técnicos, mas que pretende cortar com a ligação da sua passagem pela Casa do Vale, facto que o embaraça, de acordo com observações feitas. Contudo, o jovem confirma que irá manter contato por e-mail com alguns dos seus colegas mais próximos.

Questão: Quando saíres da Casa do Vale, tencionas visitar os técnicos e manter contato com os jovens?

JOVEM RESPOSTA OBJETIVOS

F.

Sim

Objetivo da questão:

Entender quais os jovens que sentem-se ligados à Casa do Vale, aos seus colegas e até que ponto

desejam manter essa

ligação após a saída da Casa do Vale. P.M. Sim M. Sim J.T. Sim A. Sim T. Sim P. Sim Fl. Sim P.Ms. Não N. Sim

68 Quadro nº11 – Evolução individual

As respostas indicam factos positivos, pois todos eles souberam identificar um fator de desenvolvimento pessoal que os técnicos da Casa do Vale ajudaram a alcançar desde que lá estão a viver.

Questão: Sentes que tens evoluído desde que estás na Casa do Vale? Como?

JOVEM RESPOSTA OBJETIVOS

F.

Sou mais feliz

Objetivo da questão:

Com esta questão procurou- se saber qual o impacto que a Casa do Vale tem nas vidas de cada jovem.

P.M.

Muito, estou mais autónomo, mais confiante e gosto mais de viver na

Casa do Vale

M.

Estou na Casa há um ano e tenho evoluído no comportamento

J.T.

Evoluí, entrei para a escola, já não sou preguiçoso e ando mais calmo

A.

Sim, na escola, no comportamento e como homem

T. Sim, no comportamento

P. Sim, no comportamento

Fl.

Sim, na linguagem e sou mais arrumado

P.Ms.

Sim, na escola e sou mais independente e mais autónomo

69 Quadro nº12 – Existência de um mediador na Casa do Vale

Conclui-se com as respostas que todos os jovens encaram a ideia de ter quem os ajudasse especificamente na resolução de conflitos, de uma forma positiva, ainda que fosse para evitar estarem de castigo com tanta frequência.

Questão: Se existisse um espaço, dirigido por um técnico, que te ajudasse a resolver os conflitos existentes na Casa do Vale, procuravas ajuda para evitares ser penalizado?

JOVEM RESPOSTA OBJETIVOS

F.

Sim

Objetivo da questão:

Com esta questão procurou- se saber como estes jovens encaram a ideia de um técnico poder ajudá-los a

resolver problemas e conflitos. P.M. Sim M. Sim J.T. Sim A. Sim T. Sim P. Sim Fl. Sim P.Ms. Sim N. Sim

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3. Análise das intervenções de mediação educativa

realizadas aos jovens institucionalizados na Casa

do Vale

M

EDIAÇÃO

1

V é um jovem que entrou recentemente (há duas semanas) na Casa do Vale. Fl. é um jovem que já está há mais tempo na Casa e um dos problemáticos, pois está constantemente de castigo devido ao seu mau comportamento e agressividade, tanto para com os restantes colegas como para com alguns técnicos, que já agrediu e insultou, estando com processos em tribunal por queixas apresentadas contra ele, na Polícia.

V, o novo jovem queixou-se que Fl. é muito agressivo nas brincadeiras, apesar disso, considera-o um amigo mas está cansado das brincadeiras dele. Noutras ocasiões, alguns jovens da Casa queixaram-se da mesma situação provocada pelo mesmo.

Assim, por sugestão da Diretora, fez-se uma mediação com os dois jovens.

Educadora Social: Então V., conta lá que tipo de brincadeiras que o Fl. tem contigo habitualmente.

Jovem V: É o Fl. que não sabe brincar, anda sempre aos cachaços, aos

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