A inovação na indústria química, entretanto, não precisa se restringir à tecnologia, ou seja, a melhorias nos processos e produtos; ela pode ir além, ampliando seu portfólio de negócio! Segundo a CEFIC (2017), o aluguel de produtos químicos é um serviço inovador onde as empresas vendem produtos químicos não pelo volume, mas pelo desempenho. Dessa forma, maximiza-se a eficiência do uso dos produtos por meio da melhoria do seu desempenho, ao mesmo tempo em que se reduz o seu consumo, devido a uma demanda menor para cumprir uma determinada função. Empresas que limpam superfícies metálicas, por exemplo, chegam a reduzir o consumo de solventes em até 80% por meio deste modelo de negócio (CEFIC, 2017). Trata-se de uma estratégia cujo benefício econômico pode envolver tanto a redução de custo nos processos produtivos pelo aumento da eficiência, quanto o aumento de receita pelas vendas.
A inovação pode ocorrer também extramuros, ou seja, nas áreas de influência da empresa. Em UNGC (2010) é citado o caso de duas empresas que empreenderam neste tipo de inovação: Nokia e Saint-Gobain. A Nokia, fabricante finlandesa de telefones celulares, publicou um documento que descreve como as empresas de telecomunicações podem reduzir suas pegadas de carbono, consolidando sua liderança na transição para uma economia de baixo carbono. A Saint-Gobain, uma empresa que fornece materiais para o setor de construção civil e industrial, ajudou a criar regimes regulatórios na França e na Alemanha para edifícios eficientes em energia através de um novo sistema de diagnóstico de desempenho, que além de melhorar a qualidade de vida de mais de 140 milhões de pessoas, gerou lucro aos seus acionistas.
As estratégias de redução de emissões variam quanto a sua viabilidade de implantação, entre aquelas cujo retorno econômico é mais rápido (ex. projetos de eficiência energética), e aquelas que demandam maiores investimentos e tempo de desenvolvimento (ex. inovações tecnológicas). Portanto, aspectos regulatórios e políticos são importantes para potencializar a implementação das ações mais simples, assim como viabilizar a adoção daquelas mais arrojadas nas empresas. Diante do contexto político-regulatório brasileiro, e visto que o retorno nos negócios é positivo para as indústrias químicas, cujas estratégias são voltadas para uma economia de baixo carbono, o setor químico brasileiro poderia agir extramuros. Uma parceria com o governo, aparelhando-o sobre suas demandas e dificuldades na implementação das estratégias de redução das emissões, assim como meios para viabilizá-las, seria benéfico para ambos os lados.
A trajetória que leva a uma economia de baixo carbono não é curta nem reta, mas todo esforço é válido para alcançá-la. A indústria química possui algumas estratégias de redução das emissões, que por sua vez se desdobram em uma série de projetos, do mais simples ao mais complexo. Contudo, a fim de que uma empresa vislumbre como ela poderia agir na transição para uma economia de baixo carbono, ela deve primeiramente contabilizar suas emissões. Conhecendo o seu perfil de emissão ao longo da sua cadeia de valor é possível traçar metas de redução, que norteariam o levantamento das ações de redução possíveis, a fim de identificar aquelas viáveis de serem implementadas. Entre as dez indústrias químicas mais preparadas para a transição para uma economia de baixo carbono segundo o CDP (2017b), oito delas utilizam o GHG Protocol para contabilizar suas emissões. Ademais, grandes indústrias químicas e o WBCSD elaboraram um documento que fornece esclarecimentos adicionais a partir desta metodologia, incentivando sua adoção pelas empresas do setor (WBCSD, 2013).
3 METODOLOGIA
Segundo Silva (2005), existem várias formas de classificar uma pesquisa: de acordo com sua natureza, abordagem, objetivos e procedimentos técnicos. Assim, este trabalho pode ser classificado como uma pesquisa aplicada, quanto à sua natureza; quantitativa e qualitativa, quanto à forma de abordagem do problema; e com relação aos procedimentos técnicos utilizados: revisão bibliográfica e estudo de caso.
O presente trabalho apresenta ambas abordagens: quantitativa e qualitativa. Segundo Diógenes, Figueiredo e Pimenta (2012), a abordagem quantitativa caracteriza-se pela formulação de hipóteses, definições de variáveis, quantificação por meio da coleta de dados e de informações, e utilização de tratamentos estatísticos. A vertente qualitativa, por sua vez, é utilizada quando se busca descrever a complexidade de determinado problema, procurando levar em consideração todos os componentes que compõe uma situação, suas interações, numa visão holística (Diógenes, Figueiredo e Pimenta, 2012). Logo, este estudo compreende ações quantitativas e qualitativas pois, ele não se resume em identificar e quantificar as emissões de GEE de uma empresa química, mas também visa situá-las na cadeia de valor de seu produto, buscando despertar a sua parcela de responsabilidade ao longo de toda a cadeia, considerando uma visão holística, ou seja, não apenas do processo produtivo em si.
Os procedimentos técnicos utilizados foram de pesquisa bibliográfica e de estudo de caso. A revisão bibliográfica é o meio pelo qual o pesquisador pode realizar um mapeamento dos conhecimentos e iniciativas existentes e previamente desenvolvidos na área de interesse (CAPPARELLI, 2010). Já o estudo de caso, Yin (2001) afirma que se trata de uma estratégia de pesquisa que pode ser utilizada para descrever e testar propostas reais de um fenômeno gerencial, cujo pesquisador tem pouco ou nenhum controle. Por meio do estudo de caso, foi possível contribuir com a geração de conhecimento a respeito do perfil de emissões de GEE de uma empresa química e ações de redução de emissões respectivas, e através da pesquisa bibliográfica analisou-se os resultados, comparando-os com relatórios técnicos e estudos presentes na literatura científica.
A fim de alcançar o objetivo proposto, este estudo foi realizado conforme as etapas descritas a seguir. Os dados da Indústria Química X foram coletados para realização desta pesquisa por meio de documentos, reuniões presenciais, e-mails e contatos telefônicos, sempre por intermédio da equipe formada pelos setores: Meio Ambiente e Produção/Integração da
Manufatura (Equipe Focal). Os setores contatados pela Equipe Focal para coleta de dados
foram: Produção e Utilidades, Manutenção e Confiabilidade, Transportes, Elétrica e Instrumentação, Contabilidade, Logística e Importação, Logística e Expedição, Projetos, Automação e Controle de Processo, dentre outros.