A avaliação do estado nutricional foi realizada em 540 estudantes, destes, a maioria, 367 estudantes (67,9%) apresentaram peso adequado; 78 estudantes (14,4%) apresentaram sobrepeso; 59 estudantes (10,9%) apresentaram obesidade; e 36 estudantes (6,6%) apresentaram baixo peso. Ao somar os estudantes em risco nutricional, 173 estudantes (32%) apresentaram algum desvio nutricional, entre baixo peso, sobrepeso ou obesidade. O estado nutricional dos estudantes está apresentado no gráfico 1, separado por escola.
Gráfico 1: Estado nutricional dos estudantes por escolas. Porto Lucena – RS, 2014
Verificou-se no gráfico 1 que a Escola H apresentou maior desvio nutricional, com 42%, seguido de 37%, 25%, 20%, 22%, 41% e 38%, respectivamente, de acordo com o gráfico, com uma média de 32% de desvio, confirmando o desvio nutricional citado anteriormente. No gráfico 2 o estado nutricional das turmas da escola com a turma de maior desvio nutricional.
Gráfico 2: Estado nutricional/turma de estudantes da Escola G. Porto Lucena – RS, 2014
Os resultados indicam que o total de desvio foi em torno de 32%, no entanto, olhando cada uma das turmas da Escola G (gráfico 2) a turma da 7ª série/8º ano apresentou um desvio nutricional muito elevado 52%. Portanto, embora sendo a Escola H que apresentou maior desvio nutricional, escolheu-se a turma da 7ª série da Escola G para fazer a pesquisa, visto que nesta concentrou-se um número de estudantes com maior desvio nutricional entre todas as turmas das escolas analisadas. Percebeu-se também ao analisar o gráfico 2, que a partir da 5ª série o desvio nutricional começa a elevar-se, atingindo o pico na 7ª série e na 8ª série um pouco menor em relação a anterior, porém também elevado.
Separou-se no gráfico 3 as duas turmas existentes na 7ª série com total de 41 estudantes e destas duas escolheu-se a turma que apresentou desvio nutricional maior, com o intuito de aprofundar a pesquisa.
Gráfico 3: Estado nutricional dos estudantes da 7ª série/ 8º ano. Porto Lucena – RS, 2014
O estado nutricional apresentado no gráfico referente às duas turmas da 7ª série demonstra que a 7ª A apresentou maior desvio nutricional, a qual foi então escolhida para realizar a pesquisa. A avaliação antropométrica na turma da 7ª A foi verificada em 20 estudantes que se disponibilizaram a realizar as medidas antropométricas (gráfico 4). Destes, oito eram do sexo masculino e doze do sexo feminino. A média de peso da massa corporal dos estudantes foi de 62,2 kg,
variando de 44,5 a 98,2 kg. Para a estatura, a média foi de 162 cm, com o mínimo de 146 cm e o máximo de 184 cm.
Quanto ao estado nutricional, nove estudantes (48%) apresentaram eutrofia, ou seja, estado nutricional adequado, existe equilíbrio entre o consumo alimentar e as necessidades nutricionais dos estudantes; dois estudantes (9%) apresentaram baixo peso; cinco estudantes (24%) apresentaram sobrepeso; e quatro estudantes (19%) apresentaram obesidade. Desta turma, os estudantes que apresentam algum desvio nutricional somam 11 estudantes (52%), sendo um número elevado de inadequação.
Gráfico 4: Estado nutricional da turma de estudantes da 7ª A. Porto Lucena – RS, 2014
Utilizou-se o IMC como sendo o indicador nutricional mais adequado na adolescência, pois segundo afirmação de Vitolo (2008), este indicador parece refletir sobre as mudanças da forma corporal. Embora o IMC não seja capaz de fornecer a composição corporal, deve-se considerar sua facilidade de mensuração já que utiliza dados antropométricos de peso e estatura que são de fácil obtenção.
A avaliação do estado nutricional é de grande importância na prática clínica e não dispõe de padrão ouro para diagnóstico das desordens nutricionais. A idade cronológica no período da adolescência é uma variável pouco adequada para caracterizar o crescimento, sendo necessária, além da avaliação do IMC, a associação dos indicadores de maturidade sexual, as variáveis de peso da massa corporal, a estatura, a idade e o sexo para classificar o estado nutricional de adolescentes. As grandes mudanças físicas que acontecem na adolescência são
responsáveis pelas dificuldades de adotar um método de classificação do estado nutricional que corresponda à realidade.
Percebeu-se que alguns adolescentes apresentam o limite inferior do IMC, que define baixo peso. Neste caso, particularmente nos adolescentes que ainda não passaram pela fase do estirão, poderá comprometer o crescimento, pois neste período as necessidades nutricionais estão aumentadas para cobrir o aumento das dimensões corporais (WHO, 1995).
Porém, os resultados demonstraram um número expressivo de adolescentes com excesso de peso. O crescimento do número de indivíduos obesos deve-se em boa parte à mudança do estilo de vida e ao padrão alimentar, propiciado por uma maior capacidade de adquirir alimentos industrializados, ricos em gorduras saturadas e poucos vegetais. A POF de 2008-2009 indicou que os adolescentes do gênero masculino de 10 a 19 anos de idade com excesso de peso passaram de 3,7% (1974-1975) para 21,7% (2008-2009), já entre o gênero feminino o crescimento do excesso de peso foi de 7,6% para 19,4% (BRASIL, 2010).
A epidemia da obesidade, apresentada recorrentemente em adultos, mostra- se também em expansão nos jovens. Os principais fatores para a elevação dessa tendência incluem o aumento na ingestão alimentar, com maior consumo de alimentos com alto valor energético e redução de atividade física (MALTA et al., 2010). Crianças com excesso de peso têm uma grande probabilidade de tornarem- se adultos obesos, o que acarreta o aumento da morbimortalidade. Esse fato contribui de forma significativa para o desenvolvimento de alguns fatores de risco, tais como doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, dislipidemia, hiperinsulinemia e o risco de desenvolver diabetes (MAHAN, 2010). Em função da associação do excesso de peso com o padrão alimentar realizou-se uma pesquisa sobre os hábitos alimentares dos estudantes para identificar os fatores associados aos desvios no estado nutricional dos estudantes.
3.2 ESTUDO DOS HÁBITOS ALIMENTARES DOS ESTUDANTES COM MAIOR