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VARIANT   ANNOTATION

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 76-80)

PART 1:  GENETIC INVESTIGATIONS IN PATIENTS WITH ID/ASD

2. DNA ‐ SEQUENCING

2.3 VARIANT   ANNOTATION

4. Relações técnicas de produção

Donos de barcos não participam da produção 5. Divisão de

trabalho

Mínima: sexo, idade 6. Remuneração da

produção

Partilha: após o desconto dos custos da produção para o dono do barco 50% para o pescador 50% Para os pescadores com suas próprias embarcações e redes não há partilha 7. Propulsão embarcação Motor de 3HP - 10% Motor 4HP/Yamaha - 10% Motor 5HP - 10% Motor 8HP - 10%

Motor de centro a diesel 20% Remo 40% 8. Instrumentos de produção Rede de arrasto Gerival Linha Embarcação/motorizada 9. Conservação da produção Venda a fresco 10. Destino da produção Venda: 90% Auto-consumo: 10%

11. Mercado Reduzido, feito no local e nos bairros circunvizinhos 12. Identificação dos

cardumes

Visual 13.

Visão dos recursos pesqueiros pelos pescadores

Estoque diminuindo: 100% Estoque estável/camarão: 100%

14. Excedente Nulo ou quase inexistente 15. Espaço da

captura

Baía e área costeira ½ dia a um dia de pesca

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Os pescadores que avançam e exploram a Baía da Babitonga lidam com determinados instrumentos de pesca distintos da pesca primitiva, isto é, neste momento, surgem o motor de popa, o combustível, a mecânica da embarcação, a compra em mercados especializados, além dos novos horizontes que a pesca à distância propicia e para os quais o pescador tem que lidar. É necessário abandonar o aparelhamento rudimentar produzido no local104. O domínio pelo desconhecido, pelo imprevisto, pela constante insegurança que advém dos mares de fora, contempla o cenário de vida desses pescadores, visivelmente diferente da prática local. O mar de fora representa o abandono à pesca realizada na terra, à vida local. Pressupõe o mundo moderno, onde os elementos de pesca mais diversificados fazem parte do dia-a-dia do pescador artesanal. É a superação da pesca realizada pelos índios, pescadores-lavradores de outrora. Diegues (Ibidem, p. 194) menciona que: “o mar de fora significa o perigo, o imprevisto, a iminência de uma tempestade que pode virar a canoa. Desses perigos só pode escapar uma embarcação a motor, dirigida por quem conhece os segredos do tempo e do mar”.

Evidentemente, como se pode observar, os pescadores artesanais do BBV não integram um complexo quadro de desenvolvimento das forças produtivas da pesca. No entanto, não reproduzem a vida mais limitada dos pescadores-lavradores, indígenas, ainda que em alguns casos a pesca se manifesta de forma simples. Temos como exemplo: a) a identificação dos cardumes feita

104No que tange às questões atreladas ao modo de vida dos pescadores artesanais (tradicional) e

a sua inserção ao modo de vida da modernidade, destaca-se o “choque” e dificuldade de conciliação entre esses dois mundos diversos. A vida tradicional imanente à cultura dos pescadores artesanais, com o avanço do mundo moderno, torna-se, cada vez mais diluída. A modernidade, ao se espraiar manifesta em todos os cantos as suas especificidades. Os pescadores, mas não só, chocam-se com dois mundos, onde as suas ações são definidas por leis intrínsecas à modernidade. Tonnies, menciona que na vida em comunidade “o tipo de vontade predominante tem por sua vez um papel simbólico e imaginário precioso na construção das representações coletivas do grupo”, isto é, os elementos fundamentais da modernidade não fazem parte da vida comunitária. Com efeito, pois, sabemos que na modernidade essas representações são tomadas pelas “representações” do capital. Na medida em que desenvolvem-se as forças produtivas, forma-se uma realidade cada vez mais independente das vontades, crenças, símbolos, completamente distante dos preceitos tradicionais da vida, com os quais – cabe lembrar, imanentes ao pescador. O modo de vida tradicional transforma-se com as forças processadas pela modernidade. Quando a pesca transforma-se em mera aplicação da ciência, resultado do conhecimento adquirido pela humanidade durante a história, superando os preceitos do saber-fazer da pesca artesanal, salta aos olhos do pescador a força da vida moderna.

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visualmente, b) os agrupamentos familiares ou unidades domésticas e de amigos durante a captura e, c) o auto-consumo de parte da produção.

Uma outra realidade dos pescadores artesanais do BBV manifesta-se no modo de vida reproduzido nos últimos anos. A maioria tem as suas vidas determinadas por dinâmicas sociais urbanas, isto é, a influência de uma vida mais ampla, diversificada, onde os fundamentos da sociedade moderna já são conhecidos e praticados por eles. Não reproduzem a vida de um mero pescador isolado do resto do mundo, onde a vida da família e a sua eram determinadas pelas condições naturais da pesca; não acreditam mais na sorte da pesca enquanto único meio de subsistência.

São pessoas que já enfrentaram (e enfrentam) os conflitos modernos do desemprego, da moradia, da urbanização, do assalariamento enfim estão inseridos nas condições modernas de vida, porém têm na pesca artesanal mais um meio de reproduzir as suas vidas. E para alguns pescadores esta pesca é feita com elementos que já superaram a pesca rudimentar, praticada pelos povos indígenas, por exemplo.

O tipo de pesca mais comum no BBV, na atualidade, é a de lance105, realizado pelo dono da embarcação (pescador) e às vezes mais um, que pode ser parente ou conhecido. Não há sistema de partilha, o que é capturado, a maior parte (90%), é vendido pelo próprio pescador e a menor parte (10%) é destinado para o auto-consumo. O dono da peixaria que faz a conservação do pescado e, obviamente a venda, obtém uma porcentagem que chega até 30% de lucro.

Dos pescadores artesanais do BBV apenas um não é dono do barco e da rede. Esse pratica o regime de partilha, sendo a metade das partes para o dono e a outra metade para ele. A partilha é feita depois de descontadas as despesas com o combustível. A pescaria tem de render o suficiente para pagar as despesas e garantir o sustento da família. Em função das baixas condições de pesca, segundo este pescador, foi necessário buscar outros serviços, o que lhe rendeu a desvinculação da Colônia Z-2. Para manter o rendimento satisfatório (e não causar gastos excessivos com as idas ao mar) muitas vezes ele tem de prolongar a sua jornada de trabalho. Esse “sofrimento”, naturalmente, autoriza a superexploração dos recursos naturais com a captura de filhotes de peixes, camarões, na tentativa de repor ao menos os custos operacionais, conforme também constatou DIEGUES (1983. p. 167) na

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sua pesquisa.

Os principais obstáculos enfrentados pelos pescadores artesanais do BBV são a falta de recursos pesqueiros na Baía da Babitonga, a poluição provinda das diversas indústrias de Joinville, a falta de estrutura para exercer a pesca, fazendo com que tenham de buscar outros meios de produzir a vida e a instabilidade profissional para além da vida de pescadores. A rigor, segundo o presidente da Colônia Z-2 e vereador pelo município, Ismael dos Santos, a alternativa para os pescadores artesanais provem da pesca alternativa:

A pesca de plantio deve ser o caminho alternativo. A gente tem um experimento de ostras lá na comunidade de Laranjeiras e sabemos que nem todos vão se adaptar ao novo trabalho. Já conseguimos tirar alguns pescadores e colocá-los dentro desta atividade. Daqui a pouco vai o filho que está estudando e contribui com uma idéia melhor, faz um empréstimo, vai investindo e faz uma coisa melhor (ENTREVISTA REALIZADA PELO AUTOR, 2010)

A construção de embarcações, por parte de um pescador, foi um modo encontrado para fugir do cenário apresentado acima. Durante as visitas que fizemos ao BBV soubemos que existe um estaleiro de pequeno porte, construído em 1970. Contudo, cabe mencionar, que atualmente, não se trata de uma produção exclusivamente profissional. Este estaleiro é mantido pelo pescador Eliberto Matias, de 66 anos, e a construção de embarcações varia de acordo com as suas condições de trabalho. Segundo ele:

Eu comecei a trabalhar no meu estaleiro há mais de 40 anos. Já trabalhei para a Capitania* [dos Portos de São Francisco do Sul]. Fiz uns barcos para a Capitania. Também, trocava a quilha dos barcos de madeira, antigamente eles tinham uns barcos com estas quilhas, fazia vistoria nas boias, trabalhei na [Empresa] Litoral**, trocar madeiras

*A Capitania dos Portos de São Francisco do Sul é responsável pela fiscalização do serviço de

praticagem, realização de atividades de inspeção na segurança e documentação de embarcações de passeio e particulares, auxílio nos serviços de salvamento marítimo - dirigidos pelo Comando do 5º Distrito Naval (sediado na cidade do Rio Grande – RS) -, manutenção da sinalização náutica, aplicação dos cursos de Ensino Profissional Marítimo - sede de alistamento militar para jovens que desejam servir à Marinha do Brasil -, serviços de apoio (pagamento, saúde) para os militares da ativa, inativos e pensionistas residentes na área de jurisdição.

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*A Empresa Litoral está localizada em São Francisco do Sul e oferece soluções completas em operações de importação e exportação e apoio em todos os momentos do processo portuário.

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