III. Analyse des données
III.2. Variables
Este capítulo aborda os aspectos metodológicos utilizados, iniciando com os parâmetros nos quais se baseou esta pesquisa. Dentre as alternativas possíveis, uma delas seria a utilização de parâmetros ontológicos e epistemológicos mais voltados para a investigação teórica do ser e os aspectos cognitivos e subjetivos utilizados como estratégia de percepção da realidade. Outra possibilidade adotada nesta pesquisa é a percepção da realidade via traços comportamentais dos sujeitos investigados, sem amarração a um ambiente, como é típico em estudos de necessidades de informação.
O caráter exploratório desta pesquisa pressupõe encarar situações inusitadas de pesquisa e foi assumido em função da não existência de registro de estudos brasileiros com a abordagem que se pretende aqui. Portanto, para contribuir com a área de investigação, assume-se o uso dos testes de possibilidades, para suprir a carência de referenciais teóricos e de estudos comparativos.
Além de exploratória, esta pesquisa é de ordem qualitativa, já que o objetivo é apresentar uma solução para gestão de competência sob a ótica das modelagens previamente definidas. Nesse caso, a operacionalização de um novo modelo é possível e permite ser testada para identificar se representa um comportamento adequado ao que foi inicialmente proposto para o engageGrid.
Na fase de configuração de um compromisso, os resultados são apresentados de forma descritiva sem necessariamente realizar teste de hipóteses, devido ao caráter exploratório da pesquisa. A idéia aqui é conferir por meio de um teste de preenchimento de variáveis se a proposição se aplica corretamente ao engageGrid e a outros sistemas que necessitem manter um portfólio de competências ou se cabe apenas para o engageGrid e em que nível de limitação. A pesquisa descritiva, segundo Mattar (1996), é caracterizada por possuir objetivos bem definidos, procedimentos formais bem estruturados e ser dirigida para a solução de problema ou avaliação de alternativas de cursos de ação. Como o próprio nome diz, ela descreve as características de determinada situação e não permite a inferência de relações entre variáveis e nem a previsão de fenômenos.
A metodologia proposta contempla o uso dos modelos existentes, dentre os diversos modelos conceituais aplicáveis, não foi encontrado nenhum modelo completamente aplicável a esta pesquisa. A estratégia adotada para alcançar os
objetivos propostos foi pesquisar na literatura trabalhos anteriores com objetivos semelhantes ao desse que pudessem subsidiar a elaboração dos modelos prometidos nos objetivos específicos. Após a etapa de recuperação desses trabalhos confrontou-se as teorias apresentadas, umas com as outras, para em seguida confrontar esse resultado com as opiniões do autor. Isso tudo foi explicitado na forma de modelos ontológicos e computacionais que foram demonstrados com a apresentação de cenários de aplicação do modelo no contexto do engageGrid.
Moresi (2003) apresenta quatro classificações possíveis para uma pesquisa: quanto a sua natureza, abordagem, fins e meios. Assim, quanto a sua natureza esta pesquisa é classificada como aplicada por objetivar contribuir com a criação de mecanismo de busca de perfis em uma rede de compromissos.
Do ponto de vista da sua abordagem esta pesquisa é categorizada como qualitativa, pois os dados subjetivos – medidas qualitativas dos sistemas avaliados – serão coletados e interpretados.
Quanto aos meios de investigação, foi utilizada pesquisa bibliográfica, com consulta a material publicado em livros, periódicos e redes eletrônicas que são a principal fonte para a identificação modelos a serem utilizados.
A partir desses dados, definida a abordagem, esta foi avaliada através de pesquisa de campo, com montagem de cenários para avaliação do modelo. Este trabalho de pesquisa apresenta as seguintes suposições:
É possível definir o que é competência adequada às necessidades do projeto engageGrid a partir das definições já constantes na literatura;
É possível propor um modelo computacional de competência adequado a uma rede de compromissos;
É possível propor um mecanismo de busca de perfis baseado em portfólio de competências e/ou um grau de colaboração obtido através de consultas a uma biblioteca de casos de compromissos anteriores.
4.1. Pontos de investigação para criação da ontologia
O trabalho de identificação dos modelos de competência iniciou-se em 2008, a partir de um experimento realizado na disciplina de estudos dirigidos oferecida pelo MGCTI (Mestrado em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação) da UCB (Universidade Católica de Brasília). Nessa ocasião foram feitas algumas suposições sobre um modelo de busca por experts para colaboração no contexto de
uma de rede compromissos. Para elaborar um conjunto de pontos de investigação foi feito um levantamento em projetos de pesquisa que trabalhavam modelagem de competências. Foram encontrados três projetos: TENCompetence, PROLEARN e o AulaNet, os dois primeiros são projetos financiados pela União Européia e o terceiro é um projeto financiado pelo CNPq da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio de Janeiro. A temática desses projetos é a gestão de competências com vistas ao aprendizado pontecializado pelas tecnologias. Em sintonia com esses projetos Sicilia (2006) publicou um artigo contendo um modelo genérico de representação de competências demonstrado através de uma ontologia. Esses trabalhos citavam duas fontes anteriores: RDCEO (2002) e o HR-XML (2006) como sendo as principais referências sobre modelagem de competências. Esse dois modelos revolucionaram a forma de representar competências, pois concentraram seus esforços em elaborar uma definição genérica. O que não tinha ocorrido até momento, pois os projetos existentes trabalhavam definições de competências específicas, por exemplo: competências de profissionais de informática ou competências de professores de ensino fundamental.
A análise quantitativa mostrou resultados interessantes, mas também apontou deficiências sobre as variáveis escolhidas no caso de definições de competências especificas. Nesse caso, muitas referências a respeito do assunto, apesar de parecerem claras na apresentação de resultados, se mostravam ineficientes quando a questão se propunha fazer uma adaptação para o caso do engageGrid.
Em maio de 2008 foi feito um teste na ferramenta PCM visando obter requisitos funcionais dela que pudessem ser aplicados ao engageGrid. O resultado desses testes foi apresentado em workshop do projeto com a participação da maioria dos seus membros.
Em janeiro de 2009 foram feitos estudos de re-utilização dos modelos de competência dos projetos: PROLEARN (2006), do modelo publicado por SICILIA (2006) e do modelo do AulaNet apresentado por Mitchell (2003) em sua dissertação de Mestrado. O PCM não foi incluído, pois não foi localizada nenhuma publicação do seu modelo de competências. O estudo mostrou que todos os modelos tinham a mesma origem, ou seja, os modelos baseados em XML (RDCEO e o HR-XML). Sendo que os modelos do PROLEARN (2006) e o publicado por Sicilia (2006) foram apresentados no formato OWL, ou seja, como ontologias. A opção por adotar os
modelos baseados em ontologias foi natural devido à presença dos aspectos semânticos disponíveis apenas nesses modelos.
O estudo teve continuidade Maio de 2009 quando foram feitas as comparações entre os modelos do PROLEARN (2006) e Sicilia (2006) que serão apresentadas no capítulo 5, onde está apresentada a ontologia de competência do projeto engageGrid.
4.2. Conclusões sobre a metodologia adotada
A adoção de um modelo conceitual foi importante para balizar esta pesquisa exploratória e permitir identificar mais facilmente os pontos de investigação almejados. O modelo elaborado para modelagem de competências e recuperação de perfis está descrito nos próximos dois capítulos.