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De acordo com Erickson (1989, apud Lüdke & André, 1986), a observação como técnica de construção de dados está centrada na descrição pormenorizada sobre as situações, os sujeitos, ambiente da pesquisa, etc. e a observação participante, como parte do estudo de cunho etnográfico, busca descrever e interpretar os significados das ações que acontecem nesse contexto da pesquisa

64 qualitativa, ou seja, vai além da descrição de situações (LÜDKE & ANDRÉ, 1986). Portanto, nesta pesquisa, foi necessário criar um método sistemático, desde o planejamento até a observação do objeto estudado, respondendo a “que” e “como” observar (LÜDKE & ANDRÉ, 1986).

Como a professora do curso de extensão já tinha observado a reincidência de construções imagéticas no contexto dialógico de ensino de PL2, ela percebeu a necessidade de construir um projeto de pesquisa para interpretar esse processo dialógico de ensino de língua, bem com as constituições de ethos especular constituídas nesse espaço do curso que foi ofertado em 2016 na Faculdade de Letras (PROEX/UFAL). Assim, a professora pesquisadora do estudo, atuou como observadora participante (LÜDKE & ANDRÉ, 1986) como uma técnica válida para a descrição pormenorizada e interpretação dos dados através das anotações em um diário de campo32, tendo como apoio a gravação das aulas para compreender as implicações de ethos especular que foram observadas nesse contexto de ensino.

Nesse curso de extensão, foi perguntado aos 8 participantes sobre a disponibilidade e a aceitação deles/as em participar de uma pesquisa de mestrado. Todos/as concordaram em participar e se disponibilizaram também em auxiliar no que fosse necessário para a construção de dados. Com isso, foram apresentadas as etapas que seriam necessárias para o registro dos dados, desde as gravações das aulas e coleta de produções textuais, até as entrevistas. Também foi explicado que as entrevistas seriam marcadas de acordo com a disponibilidade de cada um/a.

No processo de observação, foi importante agir com neutralidade durante as discussões ocorridas em sala de aula para que as respostas dos sujeitos diante dos questionamentos não fossem inibidas ou direcionadas pela pesquisadora. Para tanto, durante todas as etapas, a pesquisadora trabalhou o estranhamento dos dados, para que eles fossem desnaturalizados e interpretados por alguém “distante”, ou seja, por um sujeito que enxergasse além do que era natural ocorrer nessa imersão de ensino de segunda língua. Para isso, foi necessário, de acordo com Patton (1980) apud Lüdke e André (1986), “aprender a fazer anotações organizadas e utilizar métodos rigorosos para validar [as] observações” (LÜDKE & ANDRÉ, 1986, p. 26) e legitimar o estudo como uma pesquisa qualitativa de cunho etnográfico.

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Como observadora participante, as anotações nos diários de campo foram feitas logo após cada encontro de aula, tendo o apoio das gravações das aulas para que não deixasse de emitir algum dado importante para essa pesquisa (LÜDKE e ANDRÉ, 1986).

65 Por um lado, a vantagem de utilizar a observação como parte da pesquisa de caráter etnográfico é a aproximação da pesquisadora com o objeto de estudo, fazendo com que se inclua a visão de mundo dos sujeitos pesquisados como uma forma de compreender os significados construídos no contexto observado (LÜDKE & ANDRÉ, 1986). Por outro lado, existem algumas críticas sobre essa técnica no que se refere à possibilidade de que a presença do pesquisador incite “alterações no ambiente ou no comportamento das pessoas observadas [...]” (LÜDKE e ANDRÉ, 1986, p. 27), além de configurar seus resultados com base em interpretações pessoais.

No entanto, Guba e Lincoln (1981 apud Lüdke & e André, 1986) refutam as críticas sobre as alterações no ambiente ao dizer que:

as alterações provocadas no ambiente pesquisado são em geral muito menores do que se pensa. Apoiando-se em Reinharz (1979), eles justificam que os ambientes sociais são relativamente estáveis, de modo que a presença de um observador dificilmente causará as mudanças que os pesquisadores procuram tanto evitar. (LÜDKE & ANDRÉ, 1986, p. 27)

Além disso, esses autores afirmam que se a presença do observador alterasse o ambiente pesquisado a ponto de invalidar a pesquisa, o/a pesquisador/a poderia confrontar a realidade com o que esperava encontrar no ambiente estudado (LÜDKE & ANDRÉ, 1986). Por isso, é de suma importância que o/a pesquisador/a apresente seus objetivos aos participantes do estudo para que alcance as informações de forma ética e sem precisar omitir-se enquanto pesquisador/a. Dessa maneira, a pesquisadora deste estudo é observadora participante por revelar sua identidade e seus objetivos da pesquisa, assim, segundo Lüdke & André (1986):

Nessa posição, o pesquisador pode ter acesso a uma gama variada de informações, até mesmo confidenciais, pedindo cooperação ao grupo. Contudo, terá em geral que aceitar o controle do grupo sobre o que será ou não tornado público pela pesquisa. (p. 29)

Baseando-se nisso, os objetivos foram apresentados no contexto de ensino de PL2 aos 8 participantes do curso de extensão, como já discutido nos tópicos anteriores. Outra questão sobre essa técnica de pesquisa é o período de tempo que o/a pesquisador/a deve passar no ambiente estudado (ANDRÉ, 1989; 1995), mas isso dependerá dos objetivos que se queira alcançar, como afirma André (1989,

66 p.38): “A intensidade do envolvimento pode variar ao longo do processo de coleta dependendo das exigências e especificidade do próprio trabalho de campo”.

Neste estudo, como se objetivou analisar um processo dialógico de ensino e as constituições de ethos especular nesse contexto, foi necessário observar 12 semanas (10 semanas de aulas – 3h/aula por encontro – e 2 semanas de encontros para matrícula e finalização de curso, respectivamente), o que totalizou uma média de 30 horas em campo no período de 27 de novembro de 2015 a 1º de abril de 2016.

Além da observação participante, como técnica e parte do estudo de caráter etnográfico, foram aplicados 3 questionários no grupo para conhecer os perfis dos/as discentes, bem como para que eles relatassem suas visões de mundo construídas nesse outro espaço (Brasil) com práticas culturais distintas. A seguir, serão apresentados os questionários e as discussões teóricas sobre esse procedimento de pesquisa.

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