(i) Maximum ratings and their interpretation
SECTION 6: VALVE NUMBERING SYSTEMS
Para além do aturado trabalho de campo e da análise documental, há que tirar o maior proveito possível de outras fontes de informação, de dados, de evidência que estão à mercê do investigador, como sejam as entrevistas, observações, documentos e artefactos (Ponte, 2006: 7-8; Pacheco, 2006: 22).
Antes de tudo mais, é sempre oportuno fazer presente os pontos cardeais que nos orientam neste trabalho e sobretudo nesta fase de recolha de informação, pois que “realizar um trabalho etnográfico não é simplesmente recolher dados (…). Implica recolher informação, analisá-la e interpretá-la de uma determinada maneira.” (Lima & Pacheco, 2006: 93).
A recolha de dados para este trabalho foi feita essencialmente com recurso a três instrumentos: inquérito por questionário; inquérito por entrevista e análise documental, ainda que deste último se possa aproveitar muito pouca informação/resultados.
Apresentamos o seguinte quadro de suporte e sistematização, numa adequação dos objetivos aos instrumentos de recolha:
Objetivos Instrumentos de recolha de dados
A – Identificar os interesses/expetativas de ingresso na Escola de Música, veiculados pelos próprios alunos;
Questionário e entrevista
B – Verificar o objeto social e educacional da coletividade de âmbito cultural, recreativo e musical em estudo através dos seus estatutos e demais documentos internos de suporte e orientação funcional;
Análise documental
C – Conhecer o funcionamento do ensino da música na Associação Musical da Pocariça;
Análise documental e entrevistas a formadores e órgãos sociais (direção) da coletividade
D – Apurar a influência que a escola de música da Associação Musical da Pocariça exerce na realização profissional e vocacional dos alunos em termos musicais;
Questionário e entrevista
E – Analisar a expressão e a dimensão que o ensino não formal veiculado por uma coletividade assume na sua comunidade.
Questionário e entrevista
Desta feita centraremos atenções nos diversos recursos/instrumentos de recolha de dados, coadunando os objetivos que nos propomos atingir aos melhores meios para recolher a informação devida.
Por inquérito entendamos “um processo em que se tenta descobrir alguma coisa de forma sistemática” (Carmo & Ferreira, 2008: 139), conforme a base etimológica do termo, que nos permite “aceder a dimensões internas a uma pessoa, como sejam a informação ou conhecimento que possui, os seus valores, preferências, atitudes ou crenças, ou ainda as suas experiências passadas ou atuais (Seabra, 2010: 151). Assim, ao realizarmos entrevistas e questionários pretendemos “transformar em dados a informação comunicada diretamente por uma pessoa (o sujeito)”, como sustenta Filipa Seabra (2010: 151).
O questionário apresenta-se como um instrumento de larga abrangência, chegando a um vasto número de indivíduos, respeitando sempre a mesma apresentação, a mesma estrutura e a mesma ordenação o que permite uniformidade na abordagem, ao mesmo tempo que nos fornece um manancial de informação, a par com um maior à-vontade nas respostas através do anonimato com que se reveste e uma fácil comparação entre os resultados obtidos (Seabra; 2010, 152). Mas assistem-lhe também a este instrumento de recolha de informação algumas limitações, como sejam a impossibilidade de aprofundar, de desenvolver uma questão ou outra que o próprio respondente poderia complementar ou reforçar, a própria capacidade de expressão escrita pode ser limitada, também, e as questões abertas que nos levam para uma pluralidade de respostas que nos podem condicionar na posterior categorização. Há termos sinónimos, mas podem ser utilizados com sentidos diferentes a que a própria ausência do investigador pode conduzir a uma outra interpretação contrária ou desviada em relação à pronúncia/resposta. Também o ponto de partida pode não corresponder ao ponto de chegada, a própria construção do questionário pode remeter para respostas bem diferentes das esperadas pelo investigador, por uma indução ou estrutura de apresentação que o próprio formulário possa causar.
De modo diferente é a entrevista. “Os métodos de entrevista permitem a utilização da interação e comunicação humana, o que possibilita ao investigador obter dados muito ricos” (Seabra; 2010, 164), como tal, esta dimensão presencial, ainda que limitados pelo
peso da gravação, seja áudio ou audiovisual, torna-se num momento único e irrepetível de recolha de informação. Este método permite um discurso oralizante de maior proximidade (respeitando e considerando os níveis de relação existentes entre investigador e entrevistado, os níveis de registo mais ou menos formal, de maior ou menor afinidade…), que possibilita a reformulação ou o ajuste em função do tempo de entrevista. E tal serve ao investigador, quando sente necessidade de reformular alguma questão para melhor e inequívoco entendimento do entrevistado, mas serve também ao entrevistado porque a conversação o leva a considerar, por vezes, questões que às quais nunca havia tido necessidade de responder e como tal de pensar, de estruturar uma resposta à questão apresentada, permitindo a construção e a ordenação das ideias face ao assunto abordado. Como já havíamos referido anteriormente, a possibilidade de reformular e de aprofundar, dirigindo as questões para o assunto em análise, será uma das dimensões de maior consideração. Este é um processo de larga subjetividade, por oposição à objetividade que assiste ao questionário, ao que se junta, por outro lado, a sobreposição da capacidade de expressão oral em detrimento da expressão escrita. Também este processo tem limitações, começando por limitar significativamente o número de participantes. Também a falta de uniformidade poderá ser uma questão a referir, pois que, como se afirma, o momento da entrevista é único e irrepetível. A estes aspetos, acrescentamos a limitação da subjetividade que cabe ao entrevistador no pós- entrevista, aquando da categorização e análise dos resultados (ibidem).
O recurso aos dois inquéritos, por questionário e por entrevista, permite uma maior validação dos resultados a obter, pelo que tenhamos optado por seguir e aproveitar estes dois instrumentos, à disposição das ciências sociais.
Salientamos também as diversas “técnicas de investigação etnográfica” que Teresa Vasconcelos nos deixa em Lima e Pacheco (2006: 93-96): a observação participante, pois que o “observador-participante se ocupa de uma situação social com dois objetivos: por um lado, inserir-se nas atividades intrínsecas a essa situação e, por outro lado, observar as atividades das pessoas e mesmo os aspetos físicos dessa mesma situação” (Lima & Pacheco, 2006: 94) com vista ao registo “detalhado e completo das suas observações” no diário de campo, “o registo mais próximo possível da realidade observada”, para posteriormente poder ser complementada e enriquecida com tantas outras questões que no ato do registo escrito passaram, mas este remete para a memória fotográfica e circunstancial que levou ao próprio registo. É preponderante uma
planificação rigorosa, que “condicione” o próprio investigador e o ajude na concretização do plano e dos seus objetivos, a par com um registo metodológico.
E prossegue-se em Lima e Pacheco (2006: 96), “para o investigador etnográfico é fundamental recolher cópias de todos os documentos que considere relevantes e portadores de informação complementar”. Ora estamos perante o aturado e meticuloso (por vezes até doloroso) processo de recolha documental. As comunicações formais e informais, os registos dos atos da coletividade (atas e demais livros de registos), relatórios, planos de atividades, publicações terão um manancial informativo / documental para suporte e análise por parte do investigador.
Como também já foi mencionado anteriormente, efetuámos três entrevistas semi estruturadas, realizadas com base na estrutura previamente preparada e validada pelas orientadoras.
Preparámos dois guiões de entrevista semi estruturada, apresentando os blocos, os objetivos e as questões de orientação que nos serviram de base no decurso da própria entrevista. Utilizámos a mesma estrutura, no que se refere aos blocos e objetivos para as três entrevistas, com pequenas nuances diferenciadoras no guião para com o pai. Pretendia-se que estas entrevistas se realizassem num ambiente o mais familiar possível, tanto que as entrevistas ao maestro e ao presidente da direção realizaram-se na própria sede da coletividade. Já a entrevista com o pai / diretor / filarmónico realizou-se na casa do próprio, conferindo maior à-vontade aquando da sua concretização.
Estes guiões, A e B, foram preparados pelo investigador, que os sujeitou à apreciação e validação junto das orientadoras. Estas sugeriram algumas alterações que foram aceites então; posteriormente, foram realizadas as entrevistas, cujos guiões se apresentam:
Guiões de Entrevista semi-estruturada
A – Identificar os interesses/expetativas de ingresso na Escola de Música, veiculados pelos pais/encarregados de educação e pelos próprios alunos;
D – Apurar a influência que a escola de música da Associação Musical da Pocariça exerce na realização profissional e vocacional dos alunos em termos musicais;
E – Analisar a expressão e a dimensão que o ensino não formal veiculado por uma coletividade assume na sua comunidade
A. Entrevista ao pai, filarmónico e diretor (membro da direção da Associação