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Validation par une démarche d’écoulement diphasique

VI.3 Tests et validation

VI.3.2 Validation par une démarche d’écoulement diphasique

As pesquisas de Park estão baseadas em três fenômenos fundamentais: 1) a cidade moderna e as novas relações sociais; 2) as relações inter-raciais e interculturais; 3) a comunicação, a opinião pública, as notícias e a imprensa, como destaca Berganza Conde (2000, 1999)22 em sua tese defendida na Faculdade de Comunicação, Universidade de Navarra, na Espanha, na qual aponta a centralidade da noção de comunicação na obra do sociólogo. A autora também pontua que a “comunicação é um conceito-chave em Park e sobre o qual construiu o restante de sua teoria e fundamentou todo o seu sistema intelectual” (p. 49)23. Os três sistemas são, segundo ela, um só e estão relacionados, devendo ser compreendidos juntos. Assim, o conceito de comunicação de Park está no centro do seu sistema teórico e de suas ideias fundamentais.

Berganza Conde (2000) também explica que, para Park, a comunicação é indispensável para a existência de uma sociedade ou de um grupo social, pois é um processo básico da interação social. A visão de comunicação do sociólogo, conforme a autora, está baseada numa perspectiva macrossociológica, entendida em termos psicológicos. A

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A autora, em sua tese de doutorado, busca identificar quais os conceitos de comunicação e de jornalismo utilizados por Park e qual a importância deles nas pesquisas do sociólogo.

preocupação de Park, segundo ela, é explicar a função da comunicação humana, a opinião pública e os meios de comunicação de massa nos tempos modernos industrializados e dominados por grandes centros urbanos.

Apesar de incorporar alguns dos elementos das perspectivas de Gabriel Tarde e de Le Bon e Sighele, Sousa, J. (2006) ressalta que Park busca se distanciar das interpretações psicológicas da comunicação desses autores e, ainda, da teoria dos efeitos limitados da comunicação, explicação predominante nos Estados Unidos a partir da Segunda Guerra Mundial. Afirma, ainda, que a verdadeira inspiração de Park era a “concepção mais romântica” da vida social de Dewey, acrescida de elementos de um “darwinismo social moderno”, tal como a noção de luta pela existência.

Como podemos perceber, Park era um pensador bem eclético, que, conforme descreve Sousa, J. (2006), lança mão de diversas perspectivas para pensar a comunicação, integrando ao seu pensamento o “sistema de organismo social” de Comte e Spencer; a “representação coletiva” de Durkheim; o “controle social” de Ross; o conceito de “atitude” de Thomas; o “costume” de Sumner; o conceito de comunicação de Dewey; e a “interação e a distância social” de Simmel. Entretanto, a maior influência sofrida por Park vem de Dewey e Simmel.

A abertura de um de seus livros mais importantes, A introdução da ciência da sociologia, escrito em parceria com Burguess e publicado em 1921, traz uma citação de Dewey (1916) sobre a importância da comunicação:

A sociedade humana, então, se diferencia da animal, principalmente por sua herança social, criada e transmitida pela comunicação. A continuidade da vida em sociedade depende do seu êxito em transmitir de uma geração a outra seus costumes, tradições, técnica e ideais. Deste ponto de vista, o comportamento coletivo estas características culturais podem reduzir todos a um fim: ‘consensus’. A sociedade, vista abstratamente, é uma organização de indivíduos; considerada de forma concreta é um complexo de hábitos organizados, sentimentos e atitudes sociais, em resumo, ‘consenso’. (PARK; BURGUESS, 1921 apud BERGANZA CONDE, 1999, p. 62, tradução nossa)24

A partir dessa visão, Berganza Conde (2000) conclui que, para Park, a sociedade não só continua existindo por meio da transmissão e da comunicação, como também existe justamente na transmissão e na comunicação. Para Park, afirma a autora, a sociedade só existe

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La sociedade humana, entonces, a diferencia de la animal, es principalmente una herencia social, creada y transmitida por la comunicación. La continuidad y la vida de una sociedad dependen de su éxito en transmitir de una generación a otra sus costumbres, tradición, técnica e ideales. Desde el punto de vista del comportamiento colectivo estos rasgos culturales puedan todos reducirse a un término: ‘consensus’. La sociedad, vista abstractamente, es una organización de individuos; considerada de forma concreta es un complejo de hábitos organizados, sentimientos y actitudes sociales, en resumen, ‘consenso’. (PARK; BURGUESS, 1921

porque há a transmissão de ideais, ânsias, esperanças, crenças, valores morais, opiniões, objetivos, aspirações, conhecimento e uma compreensão comum. O sociólogo adota o princípio de Dewey de que o consenso exige a comunicação, e vai mais longe, concebendo uma “sociedade do consenso”.

O consenso, tanto para Dewey como para Park (apud BERGANZA CONDE, 2000, p. 83), só é obtido se forem superadas as distâncias psíquicas e espaciais que separam as pessoas, e isso só pode ser alcançado com a comunicação, condição necessária para que exista a sociedade. E, para Park, segundo Berganza Conde (2000), só há sociedade, no pleno sentido do termo, quando há uma verdadeira comunicação, uma experiência compartilhada e pública. É o consenso que gera as tradições e a cultura, e, para o sociólogo, é mais importante do que a cooperação e a ação coletiva.

Apesar de inspirado em Dewey, Berganza Conde (2000) entende que o sistema parkiano amplia a concepção de consenso daquele pragmatista, ao incluir nela também os processos políticos, tais como a constituição, as normas e as eleições. A autora explica que, para o primeiro, o consenso era aplicável apenas às decisões tomadas em grupo e com todos os membros da sociedade participando de forma consciente e racional. Diferentemente de Dewey, o consenso, para Park, estava mais próximo, no entendimento de Berganza Conde (2000), da visão de Comte, para quem a solidariedade do grupo social está baseada no consenso e no entendimento. De acordo com essa lógica, a comunicação é o processo central na interação social, no qual se transmite uma experiência de um indivíduo ao outro, e implica também em compartilhamento. Nessa comunicação, a notícia tem um papel fundamental, aspecto a ser estudado no próximo item.