A história do movimento ESP surge de um gênero textual no ano de 2003, após o advogado Miguel Nagib escrever uma carta6 ao professor de história da filha – que comparou Che Guevara a São Francisco de Assis – ilustrando sua insatisfação por ideologia política e religiosa em sala de aula. Conforme descrevemos anteriormente, o advogado distribuiu cerca de 300 cópias da carta na entidade escolar. Para melhor entendimento, inserimos abaixo o conteúdo da carta escrita por Miguel Nagib ao professor de história de sua filha, em 19 de setembro de 2003. A estrutura da carta se pauta em marcas de uma estratégia religiosa, bem como seu discurso acerca da doutrinação ideológica.
Carta ao Professor (...) Senhor,
Fazei de mim um instrumento de vossa paz ! Onde houver ódio, que eu leve o amor, Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvida, que eu leve a fé. Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz ! Ó Mestre,
fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado.
Compreender, que ser compreendido. Amar, que ser amado.
Pois é dando, que se recebe. Perdoando, que se é perdoado e
é morrendo, que se vive para a vida eterna !
Onde, Professor (...), pôde o senhor encontrar alguma semelhança entre o Santo a quem são atribuídos esses versos e o monstro que pronunciou as seguintes palavras: "O ódio como fator de luta. O ódio intransigente ao inimigo, que impulsiona além das limitações naturais do ser humano e o converte em uma efetiva, violenta, seletiva e fria máquina de matar. Nossos soldados têm que ser assim. Um povo sem ódio não pode triunfar sobre um inimigo brutal.” ? Que diabos o senhor tinha em mente ao comparar São Francisco de Assis a Ernesto “Che” Guevara? O senhor enxerga, realmente, uma afinidade entre esses dois personagens, ou a tentativa de associá-los visou apenas a reforçar, na imaginação dos seus alunos, o estereótipo romântico do guerrilheiro comunista? Venho acompanhando há algum tempo o seu incansável esforço para doutrinar ideologicamente as crianças do colégio (...), impingindo às suas frágeis consciências a visão que o senhor tem do mundo; e sei que para atingir esse objetivo – que o senhor certamente acredita ser necessário para a “construção de um mundo melhor” –, o senhor não hesita em aplicar à complexa disciplina que leciona o modelo de narrativa das histórias infantis, onde o Mal jamais se confunde com o Bem. Assim, na história que o senhor ensina, a Idade Média é “do mal” e o Iluminismo é “do bem”; os capitalistas são “do mal” e os socialistas são “do bem”; os conservadores são “do mal” e os revolucionários são “do bem”; os Estados Unidos são “do mal”, a ONU e Cuba são “do bem”, e por aí vai. Ora, direis, se as crianças gostam e aprendem, por que não? Além disso, não podemos esquecer que o senhor é um idealista e que o seu objetivo não é propriamente transmitir aos alunos um conhecimento objetivo sobre o passado, mas capacitá-los a “transformar o mundo”, não é verdade? Daí a necessidade de fornecer-lhes aquele conjuntinho básico de certezas que eles mais tarde vão poder usar numa mesa de botequim, num almoço em família, ou quem sabe até na vida pública. O senhor pensa longe, Professor. Sei de tudo isso e se até hoje não procurei o senhor e a direção do colégio para discutir pessoalmente essa pedagogia de cabo eleitoral foi, primeiro, para não expor meus filhos a uma possível retaliação e, segundo, por estar ciente de que esse contato, afinal de contas, resultaria inútil, já que, na melhor das hipóteses, o senhor seria substituído por outro militante – a companheira (...), por exemplo, que tanto fez em sala de aula, no ano passado, pela eleição de nosso atual Presidente – e tudo ficaria na mesma, se é que não pioraria. Mas com essa absurda comparação o senhor, francamente, passou dos limites. Afirmar a existência de uma semelhança entre um dos santos mais amados da Igreja e um assassino frio e calculista, um apologista do ódio, do qual os seus pobres alunos – e talvez o senhor mesmo – não conhecem mais do que a foto de Alberto Korda e o meloso “hay que endurecerse...”, é ir longe demais; é abusar do direito, que o senhor decerto acha que tem, de mentir para os alunos a pretexto de forjar neles uma “consciência crítica” – que é como vocês, militantes, se referem ao processo de envenenamento das almas desses jovens mediante a inoculação do marxismo mais grosseiro – e contribuir, desse modo, para a tal “construção de uma sociedade mais justa”. “É
inevitável que haja escândalos”, advertia Jesus Cristo, “mas ai daquele que os causar! Melhor lhe fora ser lançado ao mar com uma pedra de moinho enfiada no pescoço do que escandalizar um só destes pequeninos. Acautelai-vos!” “Che” Guevara era tão parecido com Francisco de Assis quanto um discípulo de satanás se parece com um discípulo de Nosso Senhor. De família rica, São Francisco de Assis abraçou a pobreza para levar amor onde houvesse ódio; “Che” Guevara largou tudo para levar o ódio a toda parte. São Francisco olhava para o Céu; “Che” Guevara não olhava senão para sua utopia materialista. O Santo dedicou sua vida ao Evangelho; o guerrilheiro, à mais assassina das ideologias. Amigo de Deus, São Francisco ajudou a edificar o Seu Reino; amigo de Fidel – que o traiu, enviando-o para a morte na selva boliviana –, “Che” Guevara ajudou a implantar o único regime totalitário da história da América Latina e uma das ditaduras mais antigas do planeta. Professor (...), a despeito de sua militância e de seus compromissos político-partidários, que eu respeito, o senhor ainda é um educador e talvez conserve em sua alma um resto de amor à Verdade. Pois bem. Em nome desse sentimento, gostaria de pedir-lhe para dizer aos seus alunos apenas isto: que Ernesto “Che” Guevara não tem nada a ver com Francisco de Assis. Obrigado, Miguel Nagib. (NAGIB, MIGUEL, 2003).7
A carta que começa com um discurso religioso traz em seu conteúdo tons de perguntas, ironias, interpelações, argumentações, xingamentos e denúncias. Contudo, Nagib faz uma comparação entre o que chama de “assassino comunista e santo”, além de afirmar que o professor era um militante idealista que visava descrever e doutrinar ideologicamente os alunos.
Nesse cenário observamos que o viés religioso e político ganharam espaço a partir das lógicas midiáticas dentro dos campos educacional, religioso e político pelas marcas de discussão tanto do professor ao comparar Che Guevara a São Francisco de Assis, quanto de Nagib ao escrever a carta alusiva à oração de São Francisco, assim como em suas falas ao questionar o professor enquanto “militante e comunista”. A partir do comparativo religioso e político que Nagib executa na carta, observamos também uma autonomização dessas práticas nos processos comunicacionais. Ou seja, essa percepção feita pelo advogado passa a circular e deslocar-se no site do movimento e na internet, a qual “passa a ser também uma ambiência social não apenas de vivência, prática e experiência da fé, mas também de circulação e reconstrução dos sentidos religiosos”. (SBARDELOTTO, 2016, p. 298).
A partir desse episódio, no ano seguinte, em 2004, Nagib reúne um grupo de pais e alunos e cria o movimento Escola sem Partido e com ele seu site oficial (escolasempartido.org) como suporte de comunicação e disseminação das ideias e denúncias contra “doutrinação ideológica”, o que concretiza seu primeiro gesto de midiatização.
Conseguimos resgatar, via ferramenta Wayback Machine8, a primeira imagem do site do movimento quando foi ao ar, em 2004. Podemos observar na imagem abaixo que desde o primeiro layout do site, em sua estrutura, já havia marcas denunciativas, as quais induziam o internauta/ator social, de fato, a interagir com as publicações.
Figura 2 – Resgate da primeira imagem do site do movimento ESP
Fonte: Wayback Machine9.
Mesmo que a Figura 2 acima preceda a observação analítica deste estudo, achamos necessário trazê-la, uma vez que sua estrutura confusa já apresentava mensagens com o senso de denuncismo do ESP, conforme texto da imagem descrito abaixo:
Se você sente que seus professores ou os professores dos seus filhos estão comprometidos com uma visão unilateral, preconceituosa ou tendenciosa das questões políticas e sociais; se percebe que outros enfoques são por eles desqualificados ou ridicularizados e que suas atitudes, em sala de aula, propiciam a formação uma atmosfera de intimidação incompatível com a busca do conhecimento; se observa que estão engajados na execução de um projeto de engenharia social, que supõe a implementação de uma nova escala de valores, envie-nos uma mensagem relatando sua experiência (acompanhada, se possível, de elementos que possam comprová-la). Ajude-nos a promover a
8 O Wayback Machine ou Internet Arquivo é uma biblioteca digital de sites da internet e outros artefatos
culturais em formato digital.
liberdade de pensamento e o pluralismo de idéias nas escolas brasileiras. (ESP, 2004).
A mensagem acima vai além de sua dimensão instrumental, reveste-se de outra pedagogia, pois funciona como um alerta instrucional de como alunos, pais e professores que acreditam na existência da “doutrinação” façam denúncias. O teor da mensagem aborda o papel do professor como um ser “ruim” perante a sociedade, uma vez que generaliza as visões “preconceituosas e tendenciosas”. A mensagem solicita, ainda, elementos como fotos, vídeos, mensagens que comprovem a denúncia, fazendo do ator social um papel de mediador e construtor de novos sentidos. A mensagem reúne conteúdos que são explicitados por vários “se”, se você acha, se você sente etc., deixando nas mãos dos atores sociais decidirem o que será publicizado ou não e o que gerará disputas de sentidos.
Retomando a cronologia histórica do movimento no ano de 2005, conseguimos registros de ações midiatizantes, como um blog10 que traz pistas sobre o envolvimento do
fundador do ESP com representantes – da direita brasileira – do Instituto Millenium, criado no mesmo ano com vistas em promover “valores e princípios que garantem uma sociedade livre”. Além de depoimentos no site do ESP, como o de um aluno11 que leu a carta de Nagib e
lhe escreveu para contar suas experiências “doutrinológicas” durante o ensino médio. Em 2006, outras três denúncias12 constam no site, dentre elas a de um professor universitário que
denunciava o “ativismo esquerdista” na instituição que lecionava. Também encontramos mais três denúncias13 no site do movimento ESP no ano de 2007, evidenciando a intensificação dos
processos de midiatização, e os registros midiáticos de uma matéria14 sobre o Colégio
Pentágono/COC de ensino, acerca de seu material didático que abordava temáticas sobre escravidão e desigualdade. A repercussão compartilhada no site do ESP partiu da denúncia de uma mãe, a qual a revista Veja15 fez reportagem sobre o caso no mesmo ano. Conforme Katz
(2018), neste período o escolasempartido.org reproduziu, ainda, dois editoriais dos jornais O Estado de São Paulo16 e da Folha de S. Paulo17 que faziam alusão à esquerda e ao
autoritarismo. “Críticas aos programas que começavam a ser executados pelo Governo Lula
10 Disponível em: https://bit.ly/2wxu3Jt. Acesso em: 30 out. 2019. 11 Disponível em: https://bit.ly/2HDSyXE. Acesso em: 30 out. 2019. 12 Disponível em: https://bit.ly/2V4vJ7j. Acesso em: 30 out. 2019. 13 Disponível em: https://bit.ly/2P8UXO4. Acesso em: 30 out. 2019. 14 Disponível em: https://bit.ly/2HFAWdP. Acesso em: 30 out. 2019. 15 Disponível em: https://bit.ly/2HF00lm. Acesso em: 30 out. 1920. 16 Disponível em: https://bit.ly/2SGwPob. Acesso em: 30 out. 2019. 17 Disponível em: https://bit.ly/32dZS5F. Acesso em: 30 out. 2019.
no que se refere às universidades públicas. [...] Assim como uma crítica ao tema da redação do Enem”. (KATZ, 2018, p. 12-13).
Em 2008, o site do movimento conta novamente com denúncias e postagens sobre denúncias de alunos sobre doutrinação, entrevista18 com o fundador do ESP ao site
Portaaberta sobre a criação e objetivos do ESP, no qual Nagib se refere ao movimento “como reação ao fenômeno da instrumentalização do ensino para fins político-ideológicos e partidários”. Além disso, no mesmo ano, o site do ESP divulgou uma matéria19 publicada pelo
jornal Zero Hora, em 18 de janeiro de 2008, referente a uma questão da prova de vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) sobre neoliberalismo na América Latina.
Em 2009, em especial, a partir das observações desta investigação contemplamos as primeiras marcas de lutas e disputas de sentidos acerca do ESP, principalmente ao encontramos referência ao movimento institucional no site da Conjur20. Tal referência fala de
um processo movido contra o fundador do movimento por publicar no site escolasempartido.org um artigo escrito por outra pessoa sem sua autorização. Também tem compartilhamento de reportagem do jornal Gazeta do Povo/PR sobre a ideologia infiltrada na educação. Ainda em 2009, o ESP criou a conta no Twitter, ampliando suas redes de divulgações (@escolasempartid), que em fevereiro de 2020 possui mais de 107 mil seguidores.
Já em 2010 e 2011, o site do ESP traz poucas denúncias de doutrinação e compartilhamentos de matérias e artigos da grande mídia. Porém, em 2011 criou inscrição no
Youtube, que até janeiro de 2020 tinha dois mil inscritos e 60 vídeos que abordam diferentes temas, como doutrinação em sala de aula, flagrantes e denúncias, regime militar, manifestações de professores, vídeos opinativos, etc.
Em 2012, em especial, foi o ano em que havia mais postagens21 referentes a denúncias
no site do Movimento ESP e com referência ao Partido dos Trabalhadores (PT) ou “esquerda”. Exemplo disso é a denúncia22 a um “professor esquerdista” de geografia que
supostamente abordou Che Guevara como “herói dos oprimidos”. Ou, ainda, uma postagem de uma matéria23 escrita pelo Ucho.info sobre ameaça de agressão a um docente que não
aderiu a uma greve “esquerdista” de professores da Universidade de Brasília (UNB). Em
18 Disponível em: https://bit.ly/3282S3H. Acesso em: 10 jan. 2020. 19 Disponível em: https://bit.ly/2Vc0305. Acesso em: 10 jan. 2020. 20 Disponível em: http://bit.ly/2QUaS2I. Acesso em: 06 abr. 2019. 21 Disponível em: https://bit.ly/2V68oC8. Acesso em: 22 nov. 2019. 22 Disponível em: https://bit.ly/39OmQCY. Acesso em: 10 jan. 2020. 23 Disponível em: https://bit.ly/37Ko3tE. Acesso em: 10 jan. 2020.
2013, dentre as postagens no site do movimento ESP, há compartilhamento de uma notícia24
da Folha de São Paulo25 sobre decisão judicial em que o próprio movimento é citado como
réu.
Porém, é em 2014, com a criação na página do Facebook, que o ESP ganha notoriedade com o auxílio das mídias que funcionam como um canal de interlocução e midiatização entre o fundador e os sujeitos. O perfil no Facebook (@escolasempartidooficial) tem a mesma proposta do Twitter, ajudar nas estratégias de divulgação do movimento. Até o momento, fevereiro de 2020, a plataforma do Facebook tem cerca de 240 mil curtidas, e todo conteúdo postado ou compartilhado tem link direto com o Twitter. No Facebook a página conta como gerenciadores Miguel Nagib e Ruth Kicis.
“Com o ganho de escala, o ESP, enfim, se fez presente no espaço nacional e passou a causar preocupação em associações e confederações de professores”. (PINHEIRO, 2017, p. 83). Embora o site do movimento já trouxesse traços de midiatização e publicização desse acontecimento do professor com a carta em sua criação (2004) – segundo observações do objeto – nosso olhar analítico vai se manifestar 10 anos depois, em 2014, por duas razões: o movimento ESP ganha notoriedade política e midiática em grande escala e o outro nível do objeto de análise surge, o grupo PCESP, enquanto movimento de contra posição ao ESP, criado no ano seguinte em 2015, conforme veremos posteriormente.
Contudo, o site do movimento passa pela segunda atualização em 2014, fazendo-nos eleger o ano enquanto marco observacional. Abaixo podemos notar que as condições de usos e links aumentaram e sua homepage conta com novas ramificações, subcategorias e enunciados diferentes da sua primeira versão.
24 Disponível em: https://bit.ly/39L38In. Acesso em: 22 nov. 2019. 25 Disponível em: https://bit.ly/38LB5by. Acesso em: 22 nov. 2019.
Figura 3 – Homepage do site do movimento Escola sem Partido
Fonte: Site Escola sem Partido26.
A estrutura organizacional do site contempla um logotipo posicionado acima e à esquerda, com fonte em negrito e caixa alta na horizontal, parte de um banner com link para o próprio site. No logotipo também tem a palavra “SEM” do Escola sem Partido, em vermelho e na vertical, chamando atenção para a ideia de proposta do movimento (não ter partido ou apartidário). No mesmo banner, alinha-se à direita a frase: “educação sem doutrinação”, que está em itálico com um lápis vermelho desenhado no final, subentendendo a esfera educacional, e complementando a logo inicial do “SEM”. Na sequência do banner, existe uma linha escura onde encontram-se os links para os menus: Apresentação, Quem somos, Objetivos, Condições de Uso, Privacidade, Frequently Asked Questions (FAQ) e Fale Conosco.
Podemos observar que o portal ficou “mais poluído”, com mais links, mensagens e diferentes linguagens que “tendem” a prender a atenção do internauta, porém, enquanto fomentador de estratégias de midiatização, a palavra doutrinação se faz presente no layout, textos, comentários, categorias, hiperlinks etc. A página reúne uma estrutura de contato, caráter de mediação jurídica, de viés jornalístico, teor de diferentes enunciados, interpelados entre as sessões a serem observadas pelos leitores que com ela desejam interagir. Mostra,
ainda, que o site desde o início não operava apenas como meio informacional, mas também como operador de funções conjunturais pré-organizadas que ditavam como os atores sociais poderiam ou deveriam interagir com o site. Por exemplo, o antigo menu, na Figura 3, tem links alinhados à direita e esquerda nos cantos da imagem que compõem links para condições de uso, político, doutrinação pelo mundo, didático etc. O que queremos destacar é que esse dispositivo interacional, a partir da estrutura da página, determinava as formas de usos.
No centro há um texto de abertura (sem assinatura e data), que fala sobre sociedade livre, as ideias do movimento, e faz um convite aos estudantes que se sentem vítimas de doutrinação para enviarem suas mensagens, relatando as experiências com elementos que possam comprová-la. Exemplo disso é o texto completo e a imagem ilustrativa, abaixo:
Numa sociedade livre, as escolas deveriam funcionar como centros de produção e difusão do conhecimento, abertos às mais diversas perspectivas de investigação e capazes, por isso, de refletir, com neutralidade e equilíbrio, os infinitos matizes da realidade. No Brasil, entretanto, a despeito da mais ampla liberdade, boa parte das escolas, tanto públicas, como particulares, lamentavelmente já não cumpre esse papel. Vítimas do assédio de grupos e correntes políticas e ideológicas com pretensões claramente hegemônicas, essas escolas se transformaram em meras caixas de ressonância das doutrinas e das agendas desses grupos e dessas correntes. A imensa maioria dos educadores e das autoridades, quando não promove ou apoia a doutrinação, ignora culposamente o problema ou se recusa a admiti-lo, por cumplicidade, conveniência ou covardia. O EscolasemPartido.org – único site em língua portuguesa inteiramente dedicado ao problema da instrumentalização do ensino para fins políticos e ideológicos – foi criado para mostrar que esse problema não apenas existe, como está presente, de algum modo, em praticamente todas as instituições de ensino do país. Com esse objetivo, colocamos à disposição da comunidade escolar um acervo permanente de informações sobre o tema, e um espaço no qual estudantes, ex-estudantes e pais poderão expressar suas opiniões sobre professores, livros e programas curriculares que ignoram a radical diferença entre educação e doutrinação. Se você sente que seus professores ou os professores dos seus filhos estão comprometidos com uma visão unilateral, preconceituosa ou tendenciosa das questões políticas e sociais; se percebe que