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DISCONTINUITES PARTIELLEMENT PERSISTANTES

3.7. Validation du modèle endo-plastique

Um evento de ruptura pode ser estudado dividindo-o em diferentes momentos, sendo que cada um deles possui uma relação direta com o conceito de resiliência, que será discutido na sessão 2.2.

Figura 2: A evolução do evento de ruptura e sua relação com a performance

Fonte: Sheffie e Rice (2005), pp. 42 , Tradução nossa

Sheffi e Rice (2005) representam de maneira detalhada as fases relacionadas ao evento de ruptura (Figura 2), relacionando-as com o impacto de performance que uma empresa ou cadeia sofre em decorrência das consequências deste evento. Os autores apresentam a evolução do evento do ruptura da seguinte maneira:

A preparação é o primeiro momento, uma vez que algumas rupturas podem ser antevistas dando uma oportunidade para que se prepare para sua ocorrência. O evento de ruptura se refere à ocorrência do evento em si, como um terremoto, atentado terrorista, greve de funcionários, entre outros. Após a ocorrência do evento, os autores citam que as primeiras respostas são endereçadas e que, tipicamente, estão relacionadas à tentativa de controle da situação, proteção de vidas, e prevenção a maiores danos. O impacto inicial pode ser sentido desde o início, como no caso de um terremoto, por exemplo, ou ser sentido progressivamente à medida que as condições se deterioram, seja em função da natureza da ruptura, ou da própria resiliência da cadeia, que pode contar com redundâncias de processos e recursos. A deterioração irá ocorrer até chegar ao seu impacto total, quando os efeitos da recuperação começam a se manifestar. Os autores ressaltam que a preparação para a recuperação, normalmente acontece juntamente com as primeiras respostas ou antecipadamente, na etapa de preparação, caso o evento tenha sido antevisto. Esta preparação envolve, por exemplo, a utilização de outros fornecedores, a alteração do local da operação, busca de modos alternativos de transportes ou execução de outras estratégias de mitigação de riscos. Durante a fase de recuperação, os autores apontam que para retornar ao seu estado normal muitas empresas acabam trabalhando mais do que o volume usual refletindo, por exemplo em horas extras e sobre-utilização de recursos. Tipicamente, leva-se tempo para se recuperar da ruptura, e ele pode ser ainda maior se o relacionamento cliente-empresa for impactado, sendo que são carregados impactos de longo prazo.

Outros trabalhos (Jüttner & Maklan, 2011; Jüttner et al., 2003; Lindell, Prater, & Peacock, 2007; Ponomarov & Holcomb, 2009) abordam de maneira sumarizada as etapas descritas por Sheffi e Rice (2005), nos seguintes momentos: Preparação, Resposta e Recuperação. Sholten et al. (2014) consideram também a etapa de Mitigação, que se refere ao período anterior à iminência de ocorrência da ruptura, ou mais genericamente, ao dia a dia. Cada uma destas etapas será descrita com mais detalhes a seguir:

1) Preparação: esta etapa ocorre previamente ao evento de ruptura, visto que

alguns eventos podem ser identificados antes mesmo de sua ocorrência, através de sinais de alerta, podendo este período ser tão curto quanto 30 minutos para a ocorrência de um terremoto ou de meses, quando se observa, por exemplo, a deterioração na negociação com o sindicato (Sheffi & Rice Jr, 2005). Quanto maior for a capacidade da empresa ou cadeia em antecipá-lo, mais tempo ela terá para se preparar para o momento da ruptura articulando recursos. Apesar de muitas vezes não ser possível antecipar a do evento, seus efeitos tendem a ser bastante evidentes. Nesta fase, o fluxo de informações é fundamental, não apenas como fonte para identificação do evento iminente, mas como alerta para os demais envolvidos. Estudos mostram que a preparação para um evento de ruptura é essencial para a mitigação (Blackhurst et al., 2011), de modo que a ser necessário que as empresas possa prever e atuar sobre a expectativa de seus efeitos.

2) Resposta: nesta etapa a necessidade de articulação dos recursos é iminente e

começa a ser realizada. Quanto maior for a capacidade da empresa para disponibilizar e coordenar os recursos, mais rapidamente ela poderá se recuperar reduzindo o impacto (Lindell et al., 2007; Ponomarov & Holcomb, 2009) . Sheffi e Rice (2005) ressaltam que a preparação para a recuperação, normalmente acontece juntamente com as primeiras respostas ou antecipadamente, na etapa de preparação, caso o evento tenha sido antevisto. Segundo estes autores, a preparação envolve a utilização de outros fornecedores, a alteração do local da operação, busca de modos alternativos de transportes ou execução de outras estratégias de mitigação de riscos.

3) Recuperação: a empresa ou cadeia já passou pelo pior momento e a operação

começa a voltar para os patamares desejados (Sheffie & Rice Jr, 2005). O processo de aprendizado passa ser relevante para que a empresa absorva os acontecimentos e retroalimentar seus processos e elos envolvidos de modo a mitigar a ocorrência ou impactos de eventos futuros. Quanto menor for o tempo de recuperação de uma cadeia de um evento de ruptura, maior poderá ser considerada sua resiliência (Blackhurst et al., 2011). Sheffi e Rice (2005) apontam que para retornar ao seu estado normal muitas empresas acabam trabalhando mais do que o volume usual,

se refletindo em horas extras e sobre-utilização de recursos. Os autores ainda reforçam que tipicamente, leva-se tempo para se recuperar da ruptura, e que este tempo pode ser ainda maior se o relacionamento cliente-empresa for afetado levando os reflexos negativos na performance a se prolongar por um longo prazo.

4) Mitigação: adicionalmente as fases acima, Scholten et al. (2014) destacam a fase

de Mitigação, que acontece no dia a dia da cadeia, compreendendo ações de gestão de riscos, definição de planos de mitigação e melhoria contínua destas estratégias e ações táticas.

O modelo utilizado por Scholten et al. (2014) está representado na Figura 3, e será adotado para este trabalho.

Figura 3: Fases da ruptura

Fonte: Baseado em Scholten et al. (2014)

De modo a entender e buscar formas para mitigação das vulnerabilidades originadas pelos eventos de ruptura, o tema de Gestão de Riscos na Cadeia de Suprimentos ganhou foco na literatura acadêmica nos últimos anos. Na próxima sessão, este conceito e suas implicações para eventos de ruptura serão profundados.