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Introduction de la Partie 2

Chapitre 6. Les classifications de séries temporelles d’indices de végétation d’indices de végétation

7. Validation de la classification

Como referimos atrás, encontramos muitos estudos empíricos que analisam apenas um dos três domínios em questão: ensino, aprendizagem e avaliação, o que pode dificultar a compreensão do que acontece nas universidades, pois, como sugere a revisão da literatura, estes objetos são indissociáveis, e devem ser estudadas de uma forma articulada e integrada. Por outro lado, em vários estudos deste género, que se debruçam sobre as perspetivas de estudantes e professores, as amostras são reduzidas, confinadas a poucos cursos e unidades orgânicas e apenas a um destes grupos de atores.

O presente estudo pretende, por conseguinte, analisar as perceções de professores e estudantes da Universidade sobre o ensino, a aprendizagem e a avaliação. Ele abarca, portanto, todas as áreas do saber que esta universidade compreende e que, no projeto em que este estudo se insere (PTDC/CPE-CED/114318/2009), foram definidas como: Artes e Humanidades, Ciências da Saúde, Ciências Sociais e Ciências e Tecnologias. Tomando a Universidade de Lisboa como universo de referência e terreno do estudo, pretende-se aceder a uma visão compreensiva sobre as práticas de ensino, aprendizagem e avaliação desenvolvidas no ensino superior e aprofundar a compreensão das relações que se estabelecem entre avaliação, ensino e aprendizagem neste nível de ensino, bem como de fatores que podem afetá-las.

2. Questões de investigação

Com este estudo pretende-se responder às seguintes questões:

1. As caraterísticas do ensino, aprendizagem e avaliação tal como percebidas pelos inquiridos, dependem de variáveis tais como: a) estatuto pedagógico (estudantes ou professores); e, b) área do saber; entre outras?

53 2. Que caraterização do ensino, aprendizagem e avaliação nos transmite as

perceções dos estudantes e professores da Universidade de Lisboa?

3. As perceções dos inquiridos apontam para a existência de relações privilegiadas entre caraterísticas de ensino, aprendizagem e de avaliação?

3. Objetivos do estudo

Neste contexto, o presente estudo tem como principais objetivos:

1. Identificar as perceções sustentadas pelos estudantes e professores sobre a forma como decorre o ensino, a aprendizagem e a avaliação no ensino superior;

2. Identificar se as perceções são homogéneas ou se há variações em função de fatores como: a) área do saber (Ciências da Saúde, Ciências Sociais, Artes e Humanidades, Ciências e Tecnologias); b) estatuto pedagógico no processo de ensino, aprendizagem e avaliação (estudantes ou professores); c) ano curricular; entre outras.

3. Identificar correlações que se estabelecem entre práticas de ensino, aprendizagem e avaliação tal como percebidas pelos inquiridos.

4. Tipo de estudo

Como referido, este estudo assenta num inquérito por questionário. Embora a literatura sugira que ensino tradicional e a avaliação sumativa com recurso a testes e a exames ainda configurem as práticas dominantes no ensino superior entre nós e a referência ao conceito de paradigma pedagógico e as obras consultadas sugeriram a relação privilegiada entre práticas de ensino, de aprendizagem e de avaliação, a escassez de estudos suficientemente extensivos e abrangentes em Portugal levam a optar por uma abordagem exploratória, de inventário e levantamento. De resto, a experiência direta e indireta também nos sugere que o “tipo de aulas lecionadas”, o tipo de curso e a experiência profissional (no caso dos professores), ou a idade, o exercício da sua atividade profissional e a correspondência entre o curso pretendido e aquele em que se ingressa (no caso dos estudantes), pode influenciar a atividade e a postura face ao ensino, à aprendizagem e à avaliação. Todavia não se dispõe de fundamentação suficiente para avançar previsões específicas ou estabelecer hipóteses teóricas para orientar o estudo.

54 Neste contexto, o estudo realizado apresenta um caráter quantitativo, uma vez que um dos objetivos era o de produzir conhecimento que se traduza em algum tipo de generalização à posteriori. Assim, e segundo Langdridge & Jonhson (cit. in Pereira, 2011) a abordagem quantitativa carateriza-se por quantificar e medir algum fenómeno. Algo que neste estudo se verifica, uma vez que utilizou um questionário de respostas fechadas, que nos permite quantificar as perceções dos estudantes e dos professores e relacioná-las entre si e com um conjunto de variáveis sociodemográficas. Para estes autores, este tipo de abordagem apresenta vantagens significativas ao nível da investigação, no entanto, apresenta igualmente, algumas desvantagens, nomeadamente: 1) pode simplificar demasiado a complexidade da natureza humana, 2) pode falhar no que diz respeito a reconhecer ou explicitar a subjetividade da investigação em ciências sociais, 3) pode falhar no reconhecimento da individualidade e da natureza autónoma do ser humano.

5. Objeto de estudo

O presente estudo centra-se nas perceções de estudantes e professores do 1ºciclo do ensino superior relativamente à forma como decorre o ensino, a aprendizagem e a avaliação, neste nível de ensino. Ele procura também identificar diferenças entre as perceções destes atores, e determinar se as variáveis sociodemográficas e a área do saber exercem influência nessas perceções. Assim, podemos afirmar que o objeto de estudo são as perceções destes atores relativamente ao ensino, a aprendizagem e a avaliação e a influência que os fatores referidos exercem sobre essas perceções. Isto é, como se reconhece que as perceções informam quer sobre o objeto quer sobre o sujeito (social) da perceção, o objeto de estudo inclui a perceção e o objeto da perceção e os seus determinantes (atrás referidos).

5.1 Matriz de Investigação

A construção do questionário decorre da Matriz e questões de Investigação, do projeto de investigação em que se insere (PTDC/CPE-CED/114318/2009). A Matriz de Investigação elaborada no âmbito do projeto AVENA, que a seguir se reproduz (ver página seguinte), identifica um conjunto de dimensões para cada objeto de estudo (ensino, aprendizagem e avaliação) a partir das quais se poderão descrever, caracterizar

55 e analisar as práticas que a eles se reportem. Não tendo sido elaborada expressamente para o inquérito, serve-lhe, contudo, de referência e permite fundamentar o questionário e compreender os termos em que contribuiu para dar resposta às questões de investigação atrás enunciadas.

A sua apresentação mostra-se portanto indispensável neste contexto. Claro que os itens do questionário (ver página 57) incorporam uma especificação e operacionalização das dimensões aqui consideradas e formuladas em termos abstratos e concetuais (de resto, perfeitamente em linha com as perspetivas teóricas e com os resultados da investigação revistos atrás).

Quadro n.º 4 – Matriz de Investigação (Fernandes, Rodrigues e Nunes, 2012, pp. 1936-1937)

Objetos Dimensões

Ensino

Planificação e Organização do Ensino Recursos e Materiais Utilizados Tarefas e Natureza das Tarefas

Gestão do Tempo e Estruturação da Aula Dinâmicas de Sala de Aula

Papel dos Professores e Alunos

Natureza, Frequência e Distribuição de Feedback Perceções dos Professores

Perceções dos Alunos Ambiente de Sala de Aula

Avaliação

Tarefas de Avaliação Mais Utilizadas Funções da Avaliação

Natureza da Avaliação Utilidade da Avaliação

Integração/Articulação Entre os Processos de Ensino/Avaliação/Aprendizagem Natureza, Frequência e Distribuição de Feedback

Papel dos Professores e Alunos

Recurso a Estratégias de Auto e Hetero-avaliação Perceções dos Professores

Perceções dos Alunos

Aprendizagem

Participação dos Alunos (Dinâmicas, Frequência e Natureza) Estratégias de Aprendizagem

Perceções dos Professores/Alunos sobre os Contributos para a Aprendizagem (e.g., tarefas, qualidade do ensino, natureza e dinâmica das aulas, avaliação, feedback)

Perceções Professores /Alunos sobre Relações entre as Aprendizagens Desenvolvidas e o Ensino e a Avaliação Relação Pedagógica com os Professores

Relação dos Alunos Com os Seus Pares e Outros Intervenientes Satisfação dos Diferentes Intervenientes

Perceções dos Diferentes Intervenientes Ambiente de Sala de Aula

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