7. Montage du banc de mesures en espace libres
7.2. Validation des antennes utilisées
Bybee, Pagliuca e Perkins (1991) desenvolvem uma análise morfológica das formas futuras, propondo alguns critérios que definiriam uma forma como sintética ou analítica, isto é, discutindo o grau de gramaticalização entre o verbo auxiliar e o verbo principal, se existe ou não fusão entre essas formas na formação do futuro, se apenas uma dependência entre os elementos ou ainda uma redução do verbo auxiliar de futuro nas línguas analisadas.
Semelhantemente a Câmara Jr. (1975), esses autores chegaram a alguns critérios para classificar essas formas em simples ou compostas: a) a ortografia convencional; b) a intervenção de uma palavra entre as formas; c) alomorfias condicionadas pelo verbo auxiliar; d) alomorfias condicionadas pelo verbo principal; e) se há mudanças no verbo principal em relação ao tom, ao acento, ou mudanças em uma vogal ou consoante13.
Esses cinco fatores juntos, segundo Bybee, Pagliuca e Perkins (1991, p. 35), permitem calcular o grau de fusão entre o verbo auxiliar e o infinitivo do verbo principal; para tanto, dá-se um valor numérico para as variantes em cada campo, como explicado abaixo:
13 Nesta seção as idéias desses lingüistas serão apresentadas brevemente; na seção 4 deste
FUSION:
1. Written bound: N=0; H=1; Y=2 2. Open class intervening: N=1; Y=0
3. Phonological process conditioned by stem: N=0; Y=1 4. Lexical conditioning: N=0; Y=2
5. Conditions stem change: N=0; T or S=1; V or C=2 (BYBEE, PAGLIUCA E PERKINS, 1991, p. 35)
As letras N e Y significam respectivamente non e yes, respectivamente; H, em relação à escrita da palavra, refere-se à hifenização entre os verbos; T, S, C significam, respectivamente tom, mudança na vogal ou mudança na consoante. Os valores numéricos foram escolhidos de maneira a mostrar que uma maior gramaticalização irá refletir uma nota maior. Abaixo temos a explicação da escolha desses fatores:
Assuming that grams develop from free lexical items, those that can be and are written bound are more grammaticized than those are not, with hyphenated and variable representation assigned an intermediate value. ‘Open class intervening’ refers to the possibility of non- grammatical elements occurring between the gram and the verb stem. Such possibilities usually decrease as a gram fuses with the verb, […]. Phonological processes in the gram conditioned by the stem will occur only as the gram starts to become more fused with the stem. This would be an early indication of fusion. ‘Lexical conditioning’ refers to allomorphy conditioned by the lexical classification of the verb stem (i.e. conjugation class). Such allomorphy usually arises only after the affix has been attached to the stem long enough for phonological processes to lose their productivity and for reanalysis to occur. Under ‘conditions stem change’, tone or stress changes count less than consonant or vowel changes, since the former may be predictable on a phonological basis, while we exclude that possibility or the latter. (BYBEE; PAGLIUCA; PERKINS, 1991, p. 35-36)14
Já Massini-Cagliari (2006, p. 96) analisa as formas futuras em PA a partir de seu comportamento prosódico e acredita que essas formas são compostas: ao infinitivo do verbo principal, no futuro do presente, foram acrescentadas as formas do verbo aver, no presente do indicativo, ou do pretérito imperfeito do mesmo verbo, no caso do futuro do pretérito. Para Massini-Cagliari (2006, p.97), o comportamento prosódico dos
14 Todos esses fatores apontados por Bybee, Pagliuca e Perkins (1991), acrescidos de outros que
compostos é semelhante ao da perífrase (duas palavras prosódicas independentes), tendo tantos acentos quanto forem as bases; já as formas simples e derivadas comportam-se como uma palavra fonológica, na medida em que a elas corresponde um acento lexical.
[...] nos tempos Futuro do Presente e do Pretérito do Indicativo, o acento primário era atribuído primeiramente a cada uma das bases componentes do composto; posteriormente, o acento mais à direita receberia o status de principal, dada a Regra Final, que se aplica em PB nos níveis superiores ao da palavra, fazendo com que, de todos os acentos concatenados, o último seja o mais forte [...]. (MASSINI- CAGLIARI, 2006, p. 97)
Com relação às formas futuras em PA, Massini-Cagliari (2006, p. 99) propõe a mesma solução: como compostas, essas formas possuiriam dois acentos, um para cada base; no estabelecimento da relação de proeminência entre esses acentos, o segundo tem precedência, segundo o padrão do PA, que seria: nos compostos, o acento da última base é o principal. Observe o exemplo retirado da página 97 de Massini-Cagliari (2006):15
(1.5) ( x) (x) (x) [amar] [ei]
Em relação ao PE, Mateus (2002 [1983], p. 244-245) já havia chegado à mesma conclusão a que Massini-Cagliari (2006) chegou com relação ao PA, utilizando como
15 No exemplo (1.5), x representa proeminência, ou seja, os acentos em cada nível; em um
primeiro momento, nas palavras compostas, cada base é acentuada, quando feita uma relação de proeminência entre os acentos, o segundo tem precedência, por regra sem exceções, em PA. Os parênteses representam os limites de constituinte (no primeiro nível, os limites entre as bases, e, no segundo, os limites da palavra – composta, no caso).
principal argumento a possibilidade de mesóclise nas formas futuras, mas ainda a partir da possibilidade de acento nas duas bases:16
Concluímos portanto que as formas do futuro e do condicional divergem de todas as outras formas verbais pela existência de duas fronteiras de morfema seguidas que, por um lado, bloqueiam a actuação da regra (3) 17, e por outro permitem a inserção de fronteiras
de palavra com a manutenção dos dois acentos primitivos. Esta proposta pode assim considerar-se um argumento de apoio à hipótese de que o futuro e o condicional são constituídos com o morfema de infinitivo. (MATEUS, 2002 [1983], p.244-245)
Bisol (1992, p. 79) chega à mesma conclusão que Mateus (2002 [1983]), mas em relação ao PB. Para a autora, cada uma das partes que compõem o futuro mantém a sua autonomia, como o fazem as palavras compostas, recebendo acentos primários individuais, dos quais somente o último permanece.