• Aucun résultat trouvé

DES VALEURS MOBILIERES EMISES PAR LES SOCIETES ANONYMES

Dans le document MISE A JOUR DE LA VERSION (Page 84-93)

Chapitre III Dispositions Communes

DES VALEURS MOBILIERES EMISES PAR LES SOCIETES ANONYMES

Além do Turismo, Turismo Cultural, Patrimônio e bens edificados tombados outros dois conectores deste trabalho são a memória e a identidade. Eles que, em certos momentos, entrelaçam-se no reconhecimento das recordações do passado individual para o coletivo. A memória pode estar ligada tanto com a questão cerebral quanto a social, e a sua perda, nos dois casos, pode acarretar problemas de identidade. Para Izquierdo (1991, p. 2-6):

A memória é o que nos identifica com algo. É o que nos identifica como indivíduos, é o que realmente nos dá identidade. É a função cerebral mais misteriosa. É a função que envolve tudo que se faz. Nós caminhamos porque aprendemos a caminhar e nos lembramos disso. Nós falamos, porque aprendemos a falar e nos lembramos. Em tudo que se faça ou se deixe de fazer, de uma maneia ou de outra a memória está envolvida.

Conforme Halbwachs (2004), a base para a construção da memória é o contexto social. A lembrança necessita de uma comunidade afetiva, que é construída justamente no convívio em sociedade. Essa interação faz com que o indivíduo possa fundamentar a sua lembrança na recordação dos demais que compõem o grupo.

Não basta construir pedaço por pedaço a imagem de um acontecimento passado para obter a lembrança. É preciso que essa reconstituição funcione

a partir de dados ou de noções comuns que estejam em nosso espírito e também no dos outros, porque elas estão sempre passando deste para aqueles e vice-versa, o que será possível se somente tiverem feito e continuarem fazendo parte da mesma sociedade, de um mesmo grupo (HALBWACHS, 2004, p. 38-9).

Ainda nas palavras de Halbwachs (2009), por mais que a memória seja coletiva, ela necessita de um indivíduo que evoque a lembrança. E por mais que essa lembrança seja apenas do indivíduo, ele nunca estará só.

Mas nossas lembranças permanecem coletivas, e elas nos são lembranças pelos outros, mesmo que se trate de um acontecimento nos quais só nós estivemos envolvidos, e com objetos que só nós vimos. É porque, em realidade, nunca estamos sós. Não é necessário que outros homens estejam lá, que se distingam materialmente de nós: porque temos sempre conosco e em nós uma quantidade de pessoas que não se confundem [...]

Consideramos agora a memória individual. Ela não está inteiramente isolada, fechada num homem, para evocar seu próprio passado, tem frequentemente necessidade de fazer apelo às lembranças dos outros. Ele se reporta a pontos de referência que existem fora dele e que são fixados pela sociedade. Mas, ainda o funcionamento da memória individual não é possível sem esses instrumentos, que são as palavras e as ideias que o indivíduo não inventou e que emprestou de seu meio (HALBWACHS, 2004, p. 30-58).

E são as evocações das memórias coletivas que contribuem na formação das histórias vivas, e que por meio de narrativas podem reconstruir os quadros dos grupos de certas épocas. Desse modo, as pessoas podem identificar-se, comemorar e refletir sobre aquele contexto12.

Nora (1993, p. 9) diz que a memória tem papel de resgatar, fundamentar e organizar sociedades. Apresenta, ainda, os lugares de memória como um misto entre história13 e memória, que para ele, ao ser fossilizada, gera uma resposta de

identificação do indivíduo e da sociedade contemporânea (NORA, 1993, p.19).

Os lugares de memória nascem e vivem do sentimento que não há memória espontânea, que é preciso criar arquivos, organizar celebrações, manter aniversários, pronunciar elogios fúnebres, notariar atas, porque estas operações não são naturais (NORA, 1993, p. 13).

12 Nota de aula da disciplina Memória, Sociedade e Turismo, ministrada pela professora Vania Beatriz

Merlotti Herédia. A disciplina foi cursada no segundo semestre de 2014 em que a autora era aluna especial do Mestrado de Turismo e Hospitalidade, na UCS.

Os lugares de memória se tornam espaços de ritualização da memória histórica, com potencial de ressuscitar lembranças pertencentes aos grupos sociais.

Outro autor que também concorda sobre o potencial dos lugares de memória como um elo com o passado e como um meio de identificação é Gastal (2002, p. 77):

Conforme a cidade acumula memórias, em camadas que, ao somarem-se, vão constituindo um perfil único, surge o lugar de memória, como aquele local, bairro, rua, prédio ou mesmo objeto em que a comunidade vê partes significativas do seu passado com imensurável valor afetivo.

De acordo com Gastal (2002, p. 73), o lugar de memória deve ser reconhecido por sua importância com os bens materiais e também por seu valor imaterial para com a memória da sociedade.

Candau (2011, p. 16), por sua vez, aborda a dialética entre a identidade e a memória e as considera indissoluvelmente interligadas.

A memória, ao mesmo tempo em que nos modela, é também por nós modelada. Isso resume perfeitamente a dialética da memória e da identidade que se conjugam, e nutrem mutuamente, se apoiam uma na outra para produzir uma trajetória de vida, uma história, um mito, uma narrativa.

Este autor decompõe o conceito de memória em três níveis: protomemória; memória de evocação e metamemória, diferenciando-as como fortes ou fracas. Para ele, memória coletiva é uma representação da metamemória (CANDAU, 2011, p. 24), discordando de Halbwachs e de sua analogia de memória individual e coletiva. Um ato de memória coletiva, para Candau (2011, p. 35), não quer dizer que todos os indivíduos se identificam a ponto de se tornarem uma memória do grupo.

[...] existência de atos de memória coletiva não é suficiente para atestar a realidade de uma memória coletiva. Um grupo pode ter os mesmos marcos memoriais sem que por isso compartilhe as mesmas representações do passado (CANDAU, 2011, p. 35).

O autor considera a “memória a identidade em ação” (2011, p. 18). Da mesma forma, descreve os casos em que os conflitos entre lembranças, confusões ao evocá- las, e até mesmo esquecimentos como possível cenário. Ainda, avalia essa relação de mão dupla sobre o que será incorporado nessa relação memória e identidade:

Toda persona que recuerda domestica el pasado pero, sobre todo, se apropia de él, lo incorpora y lo marca con su impronta, etiqueta de memoria manifiesta

en los relatos o memorias de vida. A memorias totales le corresponden identidades sólidas; a identidades fragmentarias, memorias dispersas. [...] la memoria consolida o deshace el sentimiento de identidad.

Concientemente o no, los indivíduos y las sociedades siempre dieron forma a las representaciones de su propio pasado em función de o que estaba en juego en el presente (CANDAU, 2006, p. 117-22).

Embora atento aos conflitos, esquecimentos propositais ou não nas narrativas, o autor alerta para que a memória e a identidade não sejam utilizadas de modo a transformar em uma história única, repassada como verdadeira (CANDAU, 2011, p. 201-3), mas sim como “uma memória justa deveria corresponder a uma identidade de igual qualidade” (p. 203), já que a sociedade atual tem buscado reestruturar esse vínculo. Finaliza-se com Le Goof que, concorda com Candau, e aborda que

A memória é um elemento essencial do que costuma chamar de identidade, individual ou coletiva, cuja busca é uma das atividades fundamentais dos indivíduos e das sociedades de hoje, na febre e na angústia. A memória coletiva é não somente uma conquista, é também um instrumento e um objeto de poder. São as sociedades cuja a memória social é sobretudo oral ou que estão em vias de construir uma memória coletiva que melhor permite compreender esta luta pela dominação da recordação e da tradição, esta manifestação de memória (LE GOOF, 1996, p. 476).

Essas teorias contribuíram com a ideia de como utilizar os relatos de memória, pois ao ler as entrevistas foram vistos os conflitos e os esquecimentos, mas, ao mesmo tempo, foi vista a possibilidade do resgate da identidade. Atrelando, então, as narrativas com a evolução urbana e das leis, é possível reconstruir o quadro social e até mesmo histórico da época para compreender na atualidade o motivo do tombamento de tais edificações e, ao mesmo tempo, dar diretrizes adequadas nas considerações finais.

Dans le document MISE A JOUR DE LA VERSION (Page 84-93)