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7. Concernant mes hypothèses, que pensez-vous de chacune d’entre elles en rapport à votre expérience professionnelle :

6.2 Synthèse et discussion des résultats

6.2.5 Les valeurs des jeunes

A investigação tem sugerido que a vinculação materno-fetal motiva boas práticas de saúde durante a gravidez, facilita a adaptação ao papel de parentalidade e provavelmente sirva até como um fator protetor contra a depressão perinatal, tornando esta abordagem teórica importante para medicina, psiquiatria e trabalho social, tanto académica como clínica (Brandon et al., 2009).

Nos estudos analisados pode concluir-se que existe tentativa de associar a força da vinculação materno-fetal com variáveis sociodemográficas, como o nível educacional, situação profissional ou a proveniência das grávidas e variáveis obstétricas, como o número de filhos.

Em relação à situação profissional, bem como à proveniência (rural ou urbana), a maioria da literatura analisada mostra inexistência de correlação entre estes fatores e a vinculação da grávida ao feto (Abade, 2010; Camarneiro, 2011; Condon & Corkindale, 1997; Figueiredo, 2007; Lindgren, 2003).

No que diz respeito ao nível educacional, existem divergências nos estudos. Por exemplo, Ahern e Ruland (2003) mostraram correlação significativa inversa entre as variáveis nível educacional e vinculação materno-fetal, no entanto, estes e outros estudos em que é demonstrada correlação entre estas variáveis, os seus resultados são pouco expressivos (Lindgren, 2001; Mercer et al., 1988, cit. por Cannella, 2005a). Outro exemplo é o de Alvarenga, Dazzani, Alfaya, Lordelo e Piccinini (2012) que mostraram, ao contrário dos autores anteriores, que a vinculação aumentava conforme o aumento do grau de instrução da grávida, no entanto, salvaguardam também que os valores de correlação, além de baixos, não foram confirmados quando submetidos a análise regressiva. Apesar disto, a maioria dos estudos analisados não correlaciona o nível educacional da grávida com a vinculação

materno-fetal (Abade, 2010; Abasi et al., 2012; Camarneiro, 2011; Figueiredo, 2007; Nishikawa & Sakakibara, 2013), mostrando que esta ligação poderá estar mais relacionada a outros fatores, como sendo a sua cultura, comparativamente a aspetos educacionais (Ahern & Ruland, 2003).

Relativamente à paridade, verificou-se que esta se correlaciona com a vinculação materno- fetal, pois foram vários os autores que investigaram este aspeto e concluíram que mulheres com maior número de filhos possuem diminuição da vinculação materno-fetal. Tal facto pode ser explicado pela atenção que os filhos das multíparas necessitam diariamente, deixando à grávida pouco tempo para interagir com o seu feto (Alvarenga et al., 2012; Bakel, Maas, Vreeswijk & Vingerhoets, 2013; Cannella, 2005a; Carvalho, 2011; Gomez & Leal, 2007; Mendes, 2002; Nichols, Roux & Harris, 2007; Schmidt & Argimon, 2008). Relativamente a este fator, da bibliografia analisada, apenas Camarneiro e Justo (2012) não encontraram correlação entre o número de filhos e a vinculação materno-fetal.

Outros fatores analisados que parecem estar relacionados com a vinculação materno-fetal são as práticas de saúde e o apoio social. A criação e evolução deste laço parecem ser estimuladas pelos cuidados pré-natais e pela manutenção de uma dieta nutricionalmente equilibrada, sem hábitos de risco (Abrams, Altman & Pickett, 2000; Cnattingius et al., 2000; Facello, 2008). O exercício regular e moderado, além de aumentar o vínculo materno-fetal, diminui a ansiedade e a depressão maternas, ajuda a mulher, após o parto, a perder mais facilmente o peso que adquiriu durante a gravidez e não tem contraindicações, como o parto pré-termo, nem efeitos adversos no feto, ajudando inclusivamente na diminuição do número de cesarianas (Barakat, Stirling & Lucia, 2008; Fazlani, 2004; Stevenson, 1997). Cannella (2005b) encontrou também efeitos positivos quando comparadas as práticas de vida saudável com o apoio social e o otimismo durante a gravidez.

Na pesquisa efetuada, apenas dois estudos abordavam a vinculação materno-fetal em indivíduos com maior risco de saúde. O estudo de Sedgmen, McMahon, Cairns, Benzie e Woodfield (2006) em grávidas com hábitos de risco alcoólicos, sugeriu que, após ecografia fetal do 1º trimestre, as grávidas diminuiriam o seu consumo, alertando, no entanto, que seria necessário efetuar mais estudos nesta temática para clarificar esta associação. Alhusen, Gross, Hayat, Woods e Sharps (2012) estudaram a vinculação materno-fetal em mulheres com baixo rendimento, demonstrando que existe correlação positiva entre práticas de vida saudáveis

durante a gravidez e vinculação materno-fetal e que estas mesmas práticas são inversamente proporcionais à probabilidade de ocorrência de problemas neonatais adversos.

Por outro lado, existem estudos que provam que o contacto com profissionais de saúde pode influenciar a vinculação materno-fetal. Nichols e colaboradores (2007) alertam para a importância que os profissionais de saúde têm no aconselhamento das grávidas, atuando de acordo com evidência científica e orientando-as para a transição para a maternidade. Também Abade (2010) e Abasi e colaboradores (2012) demonstraram que sessões de preparação para o parto e educação acerca da vinculação materno-fetal melhoram a saúde mental das grávidas e aumentam a sua ligação com o feto. Outro estudo importante foi o de Mikhail e colaboradores (1991), que teve como objetivo avaliar o impacto da contagem dos movimentos fetais na vinculação materno-fetal; foi realizado a 213 grávidas de um feto (não gemelares) e sem complicações, entre as 28 e 32 semanas de idade gestacional. Pediu-se às grávidas que contassem, por rotina, os movimentos fetais, o que resultou no relato do aumento de vinculação materno-fetal, em comparação com as mulheres que não foram instruídas nesta técnica, sugerindo que o foco de consciência do feto como um indivíduo separado pode ser de facto contributivo. Este estudo demostrou que os valores de vinculação materno-fetal aumentam e parecem beneficiar a perceção do feto como um ser individual. No entanto, um estudo mais recente, de Saastad, Israel, Ahlborg, Gunnes e Froen (2011), veio revelar que a contagem dos movimentos fetais por rotina não tem qualquer relação com a vinculação da grávida ao feto, sugerindo os autores a replicação deste estudo noutras culturas e com a inclusão de diferentes variáveis como nível de stresse, preocupação e outros fatores psicológicos aplicados a grávidas provenientes de diferentes meios culturais. Apesar das conclusões deste último estudo, pedir às grávidas que contem, por rotina, os movimentos fetais, explicando a sua importância, proporciona, além de possíveis efeitos na vinculação, o seu conhecimento acerca do feto (em que contextos ele se mexe mais). É, por isso, aconselhado que as grávidas contem os movimentos ativos fetais para monitorizar o bem-estar do bebé dentro da barriga, sendo, por este motivo, considerado um fator tranquilizador (Lowdermilk, 2008a). O mais recente estudo encontrado acerca das práticas profissionais é o de Nishikawa e Sakakibara (2013) que, utilizando num grupo experimental as manobras de Leopold, obtiveram índices de vinculação materno-fetal maiores do que nas grávidas do grupo de controlo, sugerindo que estas manobras aumentam também a vinculação materno- fetal em grávidas de baixo risco.

Com base nos estudos referidos, constata-se que é com o profissional de saúde que a grávida clarifica as suas dúvidas e interage sobre o desenvolvimento do seu feto. Além disso, de acordo com o Regulamento nº 127/2011, de 18 de fevereiro, é da responsabilidade do enfermeiro especialista em saúde materna e obstetrícia (EESMO) promover a saúde da mulher durante o período pré-natal, diagnosticar precocemente e prevenir complicações de saúde da grávida e providenciar-lhe cuidados, facilitando a sua adaptação à parentalidade. Assim, os profissionais de saúde que lidam com a grávida podem, baseados na evidência científica, auxiliar as grávidas que consultam no aumento do vínculo com o seu feto. Foi evidente que, mais do que o nível socioeconómico das utentes, deve existir apoio social e ser incutidos hábitos de vida saudáveis, promotores do bem-estar materno. Deve também ensinar-se determinadas técnicas para que as grávidas tenham maior consciência da existência de um ser individual e com características próprias, na sua barriga, e de que forma pode interagir com ele (como na contagem dos movimentos ativos fetais ou na execução das manobras de Leopold).

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