Questionnaire n°7 – Ecovillage – transformation
1. Les bâtiments
5.9 C ONFORT ET SANTÉ
5.9.2 Valeurs des critères
Dois anos mais tarde da descoberta da Tecnologia do DNA Recombinante (Cohen et al., 1973) foi realizada em fevereiro de 1975, na cidade de Asilomar, a International Conference on Re-
combinant DNA Molecules. Embora convocada por cientistas
que um ano antes estavam preocupados pelos possíveis biorriscos da tecnologia (Berg et al., 1974), na Conferência os participantes (i) concordaram em tratar apenas de questões de segurança no en- contro, deixando discussões éticas para o futuro; (ii) a principal diretriz que emergiu estipulou que o uso de pesquisa de DNA re- combinante somente deveria ser feita com as bactérias portadoras de deficiência que não poderiam sobreviver fora do laboratório e (iii) o diálogo provocado nesta Conferência de Asilomar levou ao Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos Estados Unidos e tomá-las
como recomendações, tornando-se então um marco da auto-regu- lação pelos cientistas. Estava lapidado o caminho para cientistas deixarem a ética de lado e se engajarem na aventura também co- mercial. Desde 1975, o termo biorrisco foi substituído por biosse- gurança, o que facilitou enormemente a comunicação da indústria com a sociedade.
O interesse comercial pela biotecnologia moderna entre os anos 1970 e início da década seguinte, tinha explodido (Pellegrini, 2013). Segundo Wright (1986), ser um especialista em engenharia genética durante aqueles anos – e especialmente nos EUA – reper- cutia no recebimento de suculentas receitas da indústria privada. Muitos biólogos moleculares, anteriormente enclausurados na aca- demia, desenvolveram laços com a indústria privada, tornando-se coproprietários de indústrias, executivos de corporações e consul- tores. A autora ainda constatou que as universidades líderes na pes- quisa, anteriormente beneficiárias do financiamento do governo, assinaram grandes contratos de pesquisa e desenvolvimento com empresas multinacionais químicas, petrolíferas e farmacêuticas. Os benefícios práticos para a sociedade que resultariam – uma vez ofe- recidos como justificativa pró-forma para os pedidos de subvenção (às vezes até cinicamente) – rapidamente se tornaram a principal razão para a aceitação do patrocínio comercial da pesquisa. Wri- ght (1986) ainda constatou que, como a apropriação de técnicas de DNA recombinante se tornou um objetivo comercial primário, as normas e práticas dos pesquisadores no campo mudaram significa- tivamente daquelas ditadas pelas universidades, para aquelas exigi- das pelo comércio. Como consequência disso, o que era uma área de pesquisa básica sofreu uma profunda transformação social.
Com a tecnologia do DNA recombinante abriu-se a possi- bilidade de um novo mercado global, uma chuva de contratos, dinheiro e oportunidade de se posicionar no desenvolvimento de produtos de biotecnologia (Pellegrini, 2013). A explosão de recur- sos ocorreu principalmente em os EUA e, em menor medida, na Inglaterra, onde haviam se concentrado as pesquisas sobre o DNA recombinante e onde os recursos estavam disponíveis a este novo campo.
Neste contexto, Mary-Dell Chilton, da Universidade de Wa- shington, liderou um grupo de pesquisadores que obteve a inser- ção de genes de bactérias (nptII) e leveduras (adhI), que codificam para as enzimas nopalina sintase e álcool desidrogenase, respec- tivamente, no plasmídeo Ti (de Agrobacterium tumefaciens), e a posterior transferência destes genes do plasmídeo TI para células vegetais, culminando com a obtenção de uma planta que contém estas novas sequências inseridas em seu genoma (Barton et al., 1983). Esta planta transgênica foi a capa da revista Cell em abril de 1983. Assim, o conjunto de ensaios mostrou que o DNA recom- binante exógeno foi introduzido com sucesso e manteve-se dentro do genoma da planta. Além disso, o referido artigo demonstra que os genes recombinantes inseridos traduzidos e os transcritos den- tro das plantas transgênicas correspondiam aos genes de bactérias e levedura de onde foram isolados.
No entanto, os ensaios acima referidos não constataram a presença das respectivas proteínas de bactérias e leveduras nos te- cidos da planta “transgênica”. Os autores se manifestaram no ar- tigo que “a aparente falta de expressão é decepcionante, mas não surpreendente”, porque admitem que “as exigências precisas para a expressão de sequências de DNA em diferentes fases de desenvol- vimento em plantas não são conhecidos” (Barton et al., 1983). Os autores também reconheceram que em razão da expressão da no- palina sintase nas progênies das plantas transgênicas ser variável e se as cópias múltiplas de T-DNA estavam um ou mais locos nos tecidos parentais, não poderiam prever qual a frequência de trans- missão do referido gene para a progênie. A constatação de que a nopalina sintase estava presente em apenas em 24% das progênies foi considerada inesperada (Barton et al., 1983), pois não segue a segregação Mendeliana. O referido artigo finaliza afirmando que essas dificuldades serão remediadas, se os novos ensaios com transgenia forem realizados.
O fato desta anomalia, a presença do gene mas não da pro- teína nas plantas transgênicas, impôs um paradoxo. De um lado, na época foi considerado um sucesso pela revista Cell e por cen- tenas de pesquisadores. Porém, por outro lado, mais tarde, qual-
quer planta transgênica obtida com um mínimo de anomalia era descartada, já que não teria valor comercial. Esta anomalia ajuda a ilustrar um dos primeiros conflitos associados aos OGMs. Em torno destes primeiros experimentos, os cientistas articularam re- presentações distintas sobre transgenia de plantas, valorizando de forma diferente, as anomalias relatadas (Pellegrini, 2013). O autor ainda informa que, em seguida à publicação deste artigo na Cell, a pesquisadora líder do projeto deixou a universidade e foi contra- tada pela empresa Ciba-Geigy, que se transformaria, pouco tempo depois, na Syngenta, uma das gigantes da biotecnologia moderna e dos agrotóxicos.