Conforme Minayo:
A palavra categoria, em geral, se refere a um conceito que abrange elementos ou aspectos com características comuns ou que se relacionam entre si. Esta palavra está ligada à idéia de classe ou série. As categorias são empregadas para estabelecer classificações. Nesse sentido, trabalhar com elas significa agrupar elementos, idéias ou expressões em torno de um conceito capaz de abranger tudo isso.
Segundo nosso ponto de vista, o pesquisador deveria antes do trabalho de campo definir as categorias a serem investigadas. Após a coleta de dados, ele também deveria formulá-las visando a classificação dos dados encontrados em seu trabalho de campo. Em seguida, ele compararia as categorias gerais, estabelecidas antes, com as específicas, formuladas após o trabalho de campo. (1994, p.70);
Com base na obra de Selltiz e outros autores (1965), podemos apontar três princípios de classificação para estabelecermos conjuntos de categorias. O primeiro se refere ao fato de que o conjunto de categorias deve ser estabelecido a partir de único princípio de classificação. Já o segundo princípio diz respeito à idéia de que um conjunto de categorias deve ser exaustivo, ou seja, deve permitir a inclusão de qualquer resposta numa das categorias do conjunto. Por último, o terceiro se relaciona ao fato de que as categorias do conjunto devem ser mutuamente exclusivas, ou seja, uma resposta não pode ser incluída sem mais de duas categorias. (1994 p.72).
A Professora Dra. Maria Zita1 abordou, em sala de aula, uma série de questionamentos sobre o ser pessoa relacionável:
É possível mudar? É difícil mudar? A gente precisa crescer, e em que sentido?
Há pessoas que só vão em lugares onde gostam. Lêem o que acham bom, ouvem o que vai com a cabeça. E o mundo do outro?
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Time de futebol, política, religião, como discutir?
Nós nos dessensibilizamos. Tem gente que não aprendeu a ouvir. Estar atento ao nosso potencial, que vem dos sentidos. Monólogos, conversas paralelas que não se juntam. Uma reflexão de como a gente pode fazer diferente. Qual a visão de mundo que eu tenho? Qual a visão do outro que eu tenho? Em que tipo de pessoa eu acredito? Quem é esse sujeito que eu acredito? Será que nós soltamos nossos subordinados à medida de seu crescimento? Estar se questionando sempre. Eu sou produto do meio, ou, sou força no meio? A pessoa que se coloca no mundo como ser servível ou não.
Gente com equilíbrio entre o afeto, habilidades, conhecimento, competências para lidar com pessoas. Não dissolver no nós, perceber o EU. As oportunidades privilegiam as mentes preparadas e flexibilizadas - A proposta é ser feliz desde que nasce.
Conforme a Professora Doutora Neide2, em aula de Metodologia científica debateu a caracterização como atividade metódica:
Ao se propor conhecer a realidade funda-se em ações passíveis de serem produzidas. O método científico é um conjunto de concepções sobre o homem, a natureza e o próprio conhecimento que sustentam um conjunto de regras de ação, de procedimentos prescritos para a construção do conhecimento científico. Na realidade, se realiza uma análise epistemo-sociantropológica à maneira pela qual as pesquisas decorrem, tanto no que diz respeito aos seus métodos heurísticos, quanto em seu funcionamento institucional e pelas maneiras como elas se legitimam externamente.
A produção científica se apóia em um ciclo composto por um momento de indução e dedução. Os estudos ou as pesquisas pressupõem sempre implicitamente ou explicitamente a existência de um modelo teórico que serve para elaborar as questões ou as hipóteses da pesquisa e guiar o pesquisador nas suas observações. Método, não é o único, nem permanece exatamente o mesmo porque reflete as condições concretas do movimento histórico em que o conhecimento foi elaborado.
Pedro Demo, em seu livro Política Social do Conhecimento, afirma:
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Quando se trata de pesquisar realidades mais próprias do mundo da vida, ou seja, mais qualitativas, a ditadura do método causa estragos irreparáveis, ao ignorar a razão sensível, como diria Maffesoli o apuro lógico não poderia ser entendido apenas como o debate sistemático daquilo que seria estranho aos métodos positivistas, até ao ponto de simplesmente adulterar a realidade para poder captá-la. (2001, p. 50).
Edgar Morin diz:
O ser humano é um ser racional e irracional, capaz de medida e desmedida; sujeito de afetividade intensa e instável. Sorri, ri, chora, mas sabe também conhecer com objetividade; é sério e calculista, mas também ansioso, angustiado, gozador, ébrio, estático; é um ser de violência e de ternura, de amor e de ódio; é um ser invadido pelo imaginário e pode reconhecer o real, que é consciente da morte, mas que não pode crer nela; que secreta o mito e a magia, mas também a ciência e a filosofia, que é possuído pelos deuses e pelas idéias, mas que duvida dos deuses e critica as idéias; nutre-se dos conhecimentos comprovados, mas também de ilusões e de quimeras. (2002, p. 59);
O conhecimento pertinente deve enfrentar a complexidade. Complexus significa o que foi tecido junto... a complexidade é a união entre a unidade ea multiplicidade. (idem, p.38)
Vamos a partir do objeto de estudo: a escola para a paz, através das relações humanas das meninas e meninos em direção da alegria, prazer, paz , gostosuras e valores, comparar essas categorias gerais, com as específicas, relacionadas a partir da análise dos dados da pesquisa de campo. Para explanar sobre uma reflexão da visão do EU e do OUTRO, que essas meninas e meninos mostram em suas relações humanas já citadas. Através da análise epistemo-sociantropológica, pela complexidade, unidade e multiplicidade.
Passamos agora à exposição das respostas às entrevistas realizadas com as crianças, a partir das categorias gerais; alegria, paz, gostosura, valor e prazer. Chegamos desse jeito à explicitação da problematização conforme o objetivo geral:
investigar e analisar a implantação, organização e desenvolvimento da escola para a paz.
Aqui, nestas entrevistas, estão as idéias cruciais que são as medidas educacionais para a paz, que as crianças e adolescentes espalham de suas vivências, do inesperado das incertezas, da reflexividade, o fermento da lucidez, para o combate na educação para a paz. E nisso as crianças e adolescentes são impertinentes sempre. Não arredam pé dessa postura curiosa, ingênua, persistente e ampliadora de novas idéias. É próprio na criança e adolescente tentar novos passos, agruparem-se e se colocarem em muitas atividades com uma multiplicidade de lideranças, conforme as habilidades e competências de cada um. Não existe um sistema seletivo, as situações se dão espontaneamente conforme a capacitação de cada criança e adolescente. “São relações sociais humanas que se constituem na aceitação mútua, isto é, na aceitação do outro como um legítimo outro na convivência.” (MATURAMA, 1998, p.95). Através da confirmação do outro, tolerância, confiança, reflexão, conversação, acordos como jeitos de convivialidade, que é o caminho para a convivência democrática, nossa responsabilidade e oportunidade, “um convite criativo, não uma restrição autoritária.” (idem, p. 78).