3. Description de l’épidémie à partir du 27/12/21
3.4. Vaccination
Como os(as) professores(as) "vêem" os seus alunos?
Que representações desenvolvem sobre essa relação tão peculiar decorrente do processo pedagógico na EaD?
As respostas se transformaram em múltiplas interpretações e análises. Em geral os alunos representam para os(as) professores(as) grande parte do sentido da própria prática docente, havendo uma evidente preocupação em envolvê-los com a aprendizagem.
6.2.7.1 Dificuldades dos alunos
Os alunos de EaD tiveram a maior parte de sua experiência como estudantes no ensino presencial. É de se esperar que apresentem dificuldades para desenvolver seus estudos na modalidade a distância.
Entre os(as) docentes entrevistados(as), dez (50%) afirmam que os alunos apresentam poucas dificuldades para estudar a distância; também segundo dez (50%) professores(as), os alunos apresentam muitas dificuldades. Ressalva-se que não houve opção pelo item "Sem dificuldades para estudar como alunos de EaD".
Apresentar-se-ão os depoimentos dos(as) docentes que percebem os alunos com dificuldades para estudar a distância, independente do nível apontado pelos respondentes, agrupadas por similaridades.
No entendimento de alguns(mas) docentes, as causas das mesmas estão relacionadas a uma certa resistência e a dificuldades por parte dos discentes à modalidade a distância:
- São alunos que estão fazendo um curso presencial, com poucas disciplinas na modalidade EaD, e por isso com pouca disposição para assumir os compromissos da mesma.
- Falta de interesse pelo meio.
- Alguns alunos têm dificuldade em assimilar alguns recursos do sistema on-line.
- Sinto que os alunos ainda rejeitam bastante o modelo e demoram às vezes um semestre todo para superar as dificuldades.
Interessante o depoimento de um(a) dos(as) docentes, ao desenvolver uma reflexão sobre dificuldades dos alunos que estudam via modalidade a distância:
- É terrível ter liberdade e precisar pensar, depois de mais de uma década de escola limitadora e autoritária-paternalista. Mas há sinais de melhora - muitos alunos já aceitam o desafio em vez de se refugiar na resistência.
Para os alunos, ter um novo "espaço" e uma nova forma de aprendizagem, sem o(a) professor(a) por perto durante todo o tempo, pode significar um "desamarrar" da
131
constante vigília e cobrança. Mas o que pode representar um processo com mais liberdade e flexibilidade, pode instaurar também uma idéia de "ausência pedagógica", levando a descrédito e/ou descompromisso.
A preocupação com a cultura discente em EaD é pertinente e deve ser considerada pelos idealizadores e coordenadores de projetos na modalidade.
A posição de outro(a) docente amplia essa reflexão, apresentando, no seu entendimento, uma alternativa:
- Os alunos deveriam receber uma formação específica para entender a modalidade. Existe ainda um forte preconceito em relação a EaD devido a experiências não proveitosas. Acredito que o descrédito dos alunos neste curso acontece porque a falta de formação dos professores faz com que os mesmos conduzam de forma inadequada as disciplinas.
É imprescindível ouvir os(as) professores(as), conhecer suas experiências e seus saberes construídos no cotidiano. Muitas vezes, projetos mal sucedidos podem levar a um descrédito generalizado. A EaD ainda está numa situação de fragilidade e de desconfiança.
Outras causas das dificuldades dos alunos, segundo alguns(mas) professores(as), em especial pelos(as) que já têm experiências anteriores, estão ligadas ao perfil da turma:
- Nessa questão há turmas que se sobressaem e outras em que tudo é novo, a senha é esquecida com freqüência, o ambiente virtual não é visitado como deveria. Então, nesta questão, é difícil você fazer uma escolha unilateral. Dificuldades existem, dependendo da experiência, motivação e responsabilidade de cada aluno.
- Depende do perfil da turma.
- É muito difícil generalizar sobre "os alunos". Porém, em média, os alunos conseguem se desenvolver na modalidade.
O acesso dos alunos aos recursos tecnológicos, bem como a familiaridade ou não com sua utilização também estão presentes nas análises dos(as) professores(as):
- Isso tem muito a ver com o acesso e utilização do aluno a recursos de informática.
Para alguns(mas) docentes, as dificuldades em utilizar os recursos tecnológicos são transitórias e superáveis:
- Inicialmente, alguns ainda não haviam trabalhado com computador, mas aprenderam rapidamente, no que tinham o suporte do pessoal técnico e também dos próprios colegas da sala.
- Inicialmente apresentam dificuldades, posteriormente harmonizam.
Os depoimentos a seguir englobam uma série de fatores:
- Sim, falta comprometimento, conscientização, pouca disponibilidade de tempo para buscar outros referenciais, dificuldades de ordem técnica, ou seja, não dispõem de computador, somente usam os da UNIVALI.
- Falta-lhes, principalmente, autonomia.
- Trabalho com o curso de Pedagogia. Este se caracteriza como uma clientela de baixo poder aquisitivo e que não possui na sua prática diária o contato com um computador. Trabalhar com alunos que não sabem nem o que é "mouse" é bastante difícil.
Os(As) docentes reconhecem uma série de dificuldades dos alunos na EaD. Em síntese, destacam a rejeição pela modalidade, o baixo índice de autonomia, pouco domínio das tecnologias, entre outras. Essas menções, presentes nos depoimentos anteriores e nos posteriores, apontam com semelhanças, características dos discentes da EaD que merecem ser consideradas em projetos e iniciativas da modalidade.
6.2.7.2 Interação entre os alunos
A interação entre os alunos, no entendimento de cinco (25%) docentes, é alta, mas, para a maioria, doze (60%), é média e, para três (15%), é baixa. É perceptível, nos "olhares" dos(as) professores(as), a existência de um razoável índice de interação entre os alunos, dado importante, mas que pode ser ampliado.
Numa perspectiva sócio-interacionista, a interação é premissa básica para a aprendizagem. Dessa forma, investir em estratégias de aprendizagem compartilhada e colaborativa, que promovam a troca e a interação, é fundamental. É possível em EaD o(a) professor(a) organizar atividades grupais, fazendo com que os(as) alunos(as)
133
troquem idéias, materiais e produzam em conjunto, compartilhando conhecimentos e métodos.48.