3. Description de l’épidémie à partir du 31 août 2020
3.5. Vaccination
Educar no sentido da humanização requer um olhar sobre o educando em seu processo de desenvolvimento, porquanto suas múltiplas dimensões vão se configurando no percurso evolutivo, o que significa lidar com a temporalidade no processo de vir a ser humano.
A consciência da temporalidade desses processos está na raiz da pedagogia: partir da infância, desse tempo primeiro, acompanhar cada tempo no percurso de um ser assumido como não feito, mas educável. Sem esse pressuposto da temporalidade da formação humana a educação perde seu sentido. O sentido primeiro da pedagogia é reconhecer que a virtude, a formação do ser humano se torna possível ao longo do tempo, ao longo de um processo educativo (Arroyo 2007, p.226)
Lidar com a dimensão temporal constitui-se um grande desafio para os educadores, em função da transformação dos referentes sociais e culturais que constroem as cronologias que representam, particularmente, a infância, a adolescência e a juventude na atualidade. A aproximação do olhar do educador para a trajetória existencial do educando amplia o campo da intervenção pedagógica, favorecendo o desenvolvimento de ações preventivas e/ou corretivas no âmbito educacional e, particularmente, no espaço escolar.
A apropriação do que representa e constitui a lógica temporal da formação possibilita ao educador o entendimento dos limites e das possibilidades do desenvolvimento do ser humano em seu devir, ou seja, na expectativa e na centralidade de um a posteriori, na emergência de um novo começo.
Entretanto, sintonizamos com Galeffi (2011) quando afirma que o “desenvolvimento humano é o florescimento de indivíduos singulares”, ainda que não haja “indivíduos singulares fora de conjuntos complexos em que todas as partes são partes de um todo que, por sua vez, pode ser também parte de um todo maior, ao infinito”.
Isso significa dizer que, embora algumas experiências possam ser vividas por indivíduos de uma mesma etapa evolutiva ou contexto históricocultural, os fenômenos psicológicos jamais são vividos da mesma maneira por indivíduos diferentes. As particularidades e as idiossincrasias tornam-se evidentes e caracterizam o jeito de ser, de pensar e de agir de cada um, ressaltando o modo como cada pessoa se percebe como ser singular dotado de capacidades para se desenvolver e se realizar de modo distinto de seu semelhante, usando sua consciência e inteligência no contato e na interação com o meio social, ao mesmo tempo que, também, evidenciam o potencial agressivo e destruidor que
poderá motivar e impulsionar muitos comportamentos hostis, inclusive atos de barbárie. Esse olhar sobre si mesmo como pessoa única, mediante a condição de autopercepção e autonomia, ratifica a importância da máxima socrática “conhece-te a ti mesmo”, ampliando a dimensão do autoconhecimento ao “princípio de toda sabedoria”, o que implica a possibilidade de busca e superação da ignorância sobre si mesmo, delineando uma forma de o indivíduo identificar possíveis obstáculos ao seu processo de formação/humanização.
O reconhecimento da distinção eu-outro, eu-nós, vivenciada pelo indivíduo ao longo de seu processo formativo, configura-se, na perspectiva de Jung (2007, p.49), algo mais intrínseco e existencial que o autoconhecimento ou reconhecimento da individualidade. Para Jung (2007, p.49), o caminho da individuação aponta para “uma possível meta além das fases” ou estágios do desenvolvimento, alguns dos quais “são, no fundo, alienações do si- mesmo, modos de despojar o si-mesmo de sua realidade, em benefício de um papel exterior ou de um significado imaginário”.
No intuito de esclarecer o sentido dado ao referido conceito, Jung (2007) estabelece uma clara distinção entre individualismo e individuação, ressaltando o caráter antagônico dos construtos, apesar de, geralmente, serem tomados como semelhantes, o que termina por gerar mal-entendidos.
Individualismo significa acentuar e dar ênfase deliberada a supostas peculiaridades, em oposição a considerações e obrigações coletivas. A individuação, no entanto, significa precisamente a realização melhor e mais completa das qualidades coletivas do ser humano; é a consideração adequada e não o esquecimento das peculiaridades individuais, o fator determinante de um melhor rendimento social. (Jung 2007, p. 49).
Nesse sentido, ressaltamos a exaltação do individualismo no contexto das atuais sociedades complexas e plurais, em detrimento da singularidade do indivíduo que se caracteriza pelos modos de subjetivação com que o mesmo passa a representar e apresentar as peculiaridades de seu ser, numa perspectiva contínua e complexa. A realização de tais qualidades e virtudes se manifesta em princípios, como liberdade, verdade, criatividade, senso crítico e ético, à medida que o indivíduo constata a total imbricação no contexto relacional e cultural em que está inserido, desde sua origem, ao mesmo tempo que passa a, gradativamente, se perceber distinto e em condições de dar significado próprio à sua existência e assumir de forma lúcida, criativa, consciente e responsável seus próprios ideais de vida. Por sua vez, individuar-se remete a um processo de apropriação e
autoaperfeiçoamento do Self que requer do indivíduo um exercício em direção à ampliação da consciência intrassubjetiva, movimento que lhe possibilita não apenas a realização de qualidades e virtudes, mas também o acesso aos mais secretos desejos, paixões, instintos, sensações, sentimentos, associados à ira, aos medos mais primários, à violência, à cobiça, à luxúria, dentre outros aspectos próprios da condição humana, não necessariamente apropriados ao desenvolvimento do indivíduo. Tal exercício deveria, assim, constituir-se a grande meta da educação integral.
De acordo com Policarpo Junior (2010a, p.84), “o processo de individuação ocorre paralelamente à dinâmica da descoberta, do reconhecimento e da apreciação da interdependência entre todos os fenômenos”, configurando um caminho a partir do qual o indivíduo passa a “aceitar com maior abertura e naturalidade o fato de que todas as coisas e todos os seres, a despeito de sua singularidade e inteireza, habitam um mundo caracterizado por uma imensa rede de mútua dependência e interconexão”. Desse modo, destaca o conceito como um processo de autorrealização do Self, representado, nas tradições budistas, como espaço básico e luminoso, cujo caráter amplo e iluminado constitui o aspecto fundamental da vida espiritual; e, no campo da Psicologia, como dotado de uma natureza abrangente, não definida e ilimitada cuja ação é canalizada no sentido do autoaperfeiçoamento, da realização e da integração.
Refletindo sobre o processo de individuação, Preece (2006, p.85)21 considera que
A individuação tem em seu cerne a descoberta de um relacionamento interior com um senso de integridade, autoridade e sabedoria pessoal. A individuação é um processo de auto-realização. Isto não é incompatível com a necessidade de orientação e de se passar períodos de tempo com um professor ou mentor.
Na visão do referido autor, a jornada da individuação pode ser uma experiência vivida de forma consciente pelo indivíduo, mediante uma busca, uma expressão do seu desejo ou da sua vontade, ou ser mobilizada pela ação de um impulso, um mover-se difuso e inicialmente inconsciente ou sem sentido, mas que se apresenta como uma “decisão arquetípica22
que pode ser experienciada como algo irresistível” (PREECE 2006, p. 93).
21 Conforme tradução, ainda não publicada de Maria José Freitas (Recife, s/d), mímeo.
22 Segundo Jung (1987), os arquétipos representam as imagens humanas, universais e originárias que jazem
adormecidas nas camadas mais profundas do psiquismo humano, sendo uma expressão do inconsciente coletivo. Referem-se, assim, às formas mais antigas e universais da imaginação humana, a exemplo dos mitos, dos anjos, dos deuses e demônios, etc.
Essa compreensão é compatível com o entendimento de Rogers e Kinget (1977, p.39), para quem o ser humano tem uma tendência e uma capacidade (latente ou manifesta) de “compreender-se a si mesmo e de resolver seus problemas de modo suficiente para alcançar a satisfação e eficácias necessárias ao funcionamento adequado”. Para o autor, essa capacidade e essa tendência são inerentes a todo ser humano e constituem-se parte integrante de sua bagagem natural. Para Rogers e Kinget (1977, p.41), “a tendência à atualização [...] preside o exercício de todas as funções, tanto físicas quanto experienciais”, tendo em vista o desenvolvimento das “potencialidades do indivíduo para assegurar sua conservação e seu enriquecimento, levando-se em conta as possibilidades e os limites do meio”. A tendência à atualização se caracteriza não como algo fixo e pré-determinado em todas as pessoas, mas como uma condição inerente que será configurada em função das experiências vividas e do desenvolvimento e da integralidade das dimensões humanas. Assim, a tendência à atualização e o autoaperfeiçoamento do self ocorrem segundo o ritmo e as características pessoais de cada indivíduo, devendo encaminhá-lo, no sentido da individuação, embora nem toda experiência de autonomia pessoal favoreça tal processo.
Não podemos, porém, prescindir do processo de autoconhecimento ou conhecimento de si que, tomado como instrumento pedagógico, possibilita ao educador planejar a ação educativa e formativa tendo como referência as particularidades e idiossincrasias dos aprendizes. Na visão de Rovere (2009, p.49),
Adquirimos essa consciência expandindo e revisitando continuamente o nosso eu interior, ou seja, conhecendo-nos melhor. Estimulamos a consciência com a prática do autoconhecimento, da autoconsciência, tirando as vendas dos olhos, que nos impedem de enxergar aquilo em que realmente acreditamos, que buscamos e desejamos. Muitas vezes, essa possibilidade de estar consigo mesmo suscita o medo da solidão ou, ainda, a incerteza do que podemos encontrar em nós mesmos [...]. Mas é somente a partir desse movimento de reflexão, de meditação que nos alcançamos que nos reconhecemos e que nos permitimos também alcançar, reconhecer e valorizar a presença do outro. Esse alcance traz a certeza inabalável de que existe algo muito maior unindo todos nós.
Esse exercício de busca inclui, inegavelmente, os aspectos menos elevados ou valorizados, mais obscuros ou sombrios do desenvolvimento da personalidade e do caráter de cada um, que configuram os obstáculos e as dificuldades apresentadas no viver diário, nas diferentes experiências do cotidiano. Nesse sentido, Policarpo Junior (2010a) ressalta ainda a importância de atenção e cuidado com a dimensão corporal, com as emoções e os sentimentos, com os pensamentos e a imaginação e, de modo geral, com o próprio Self.
Aponta o significado das experiências do cotidiano no todo da vida espiritual cuja tarefa primordial consiste na integração das dimensões de nossa vida e no compromisso e na busca da unificação, sendo necessário o confronto com a insatisfação, com os aspectos mais sombrios do ser, com o acolhimento das feridas e dos traumas, com as crises, a morte, o renascimento, a superação dos obstáculos impostos pelo uso inadequado da linguagem.
Dentre algumas dificuldades e/ou obstáculos a serem enfrentados no processo da individuação, destacamos, como inerente ao processo, o contato com a sombra, terminologia utilizada por Jung “para descrever o lado de nossa natureza que tem sido projetado no inconsciente, para proteger nossa vida daquilo que sentimos ser inaceitável para nós mesmos ou para os outros” (Preece 2006, p.48), cujo significado aponta para “o enfrentamento de uma característica secreta e de grande conteúdo de negatividade, para si e para os demais”, conforme Policarpo Junior (2010a, p. 95). Todavia, a sombra se caracteriza por conter muito mais do que os aspectos considerados negativos de nossa personalidade, comportando os impulsos, as fantasias, os padrões repetitivos de comportamento, as fragilidades e interdições do nosso desejo (JUNG 2008; POLICARPO JUNIOR 2010a).
O que nossa época vê como sombra e inferioridade da psique humana contém mais do que algo puramente negativo. Já o simples fato de que através do autoconhecimento, através da investigação da própria alma, nós nos deparamos com os instintos e seu mundo de imagens pode constituir um passo no sentido de esclarecer as forças adormecidas de nossa psique que, embora presentes, passam quase desapercebidas. Trata-se de possibilidades de intensa dinâmica e a questão sobre se a irrupção dessas forças e visões a elas relacionadas conduz a uma construção ou a uma catástrofe depende apenas do preparo e da atitude da consciência (Jung 2008, p.49).
Emerge daí, de acordo com Policarpo Junior (2010a, p. 94-95), a necessidade de um olhar para a própria interioridade, no sentido de “reconhecer, entrar em acordo e trabalhar com a raiva, o orgulho, a inveja, o/a desejo/compulsão, a avidez, o tédio, a inércia”, além de outros aspectos sombrios de nossa personalidade que “poderão se manifestar em áreas como a ânsia por segurança, a sexualidade, o exercício de poder e liderança, as relações afetivas, o exercício da criatividade e da inteligência”.
O confronto com essa faceta de nosso próprio ser se constitui uma tarefa formativa, ao passo que sua negação favorece a irrupção de pontos cegos que se expressam no nosso cotidiano sem que deles tenhamos consciência, além de posturas arrogantes e soberbas que tenham a função de manter a ilusão de uma identidade idealizada. Defrontar-se com a sombra
torna-se, assim, fundamental para o desenvolvimento integral, uma vez que nos faz deparar com nossa falibilidade. De acordo com Preece (2006, p.49), “se nossa sombra permanece inconsciente, a contínua perda de lucidez ou a resistência a olharmos para nossa cegueira será nosso maior obstáculo”. A sombra remete então, àqueles aspectos de nosso psiquismo que, devido à ação do recalque23, tendem a ser negados e/ou omitidos frente à necessidade de expressão de nossos impulsos e/ou comportamentos inaceitáveis em função dos padrões de comportamento definidos socialmente. Tal postura se deve ao fato de que, segundo Preece (2006, p.51), “uma das influências mais poderosas que molda a natureza de nossa sombra é a atmosfera cultural e espiritual onde crescemos”.
Consideramos relevante o posicionamento de Preece (2006, p.52) quando destaca, nesse processo de reconhecimento da sombra, a capacidade do indivíduo de autoaceitar-se e viver sem a ilusão da perfeição e da plenitude, visto que, “com compaixão, autoaceitação e um senso de humor, podemos aprender a ser autênticos e nos abrir para as nossas falibilidades”.
Além da sombra, outro obstáculo ao processo de individuação é, conforme Aurobindo24 (apud Dalal 2001), o culto à aparência, à exterioridade, à existência superficial, nela predominando o domínio da não consciência sobre o que permanece oculto sob a superfície, do desconhecimento da maior parte do nosso ser e do vir a ser.
Aurobindo dá relevância ora à função, ora aos atributos da Consciência25 e a seus variados níveis, indicados nos distintos modos como cada ser humano e cada ente em geral
23 De acordo com Laplanche e Pontalis (1983), o recalque constitui-se como uma operação do psiquismo na qual
o indivíduo tenta manter fora da consciência, no inconsciente, representações (imagens, pensamentos, recordações, ideias) ligadas à satisfação pulsional que, embora promotora de uma experiência de prazer, suscita desprazer. O recalque ou recalcamento pode ser considerado uma operação defensiva do ego, um mecanismo complexo de desinvestimento, reinvestimento ou contrainvestimento que incide sobre os representantes ideativos da pulsão.
24 Sri Aurobindo (1872-1950), considerado um dos maiores filósofos indianos, um ser iluminado. Cf Dalal
(2001), a matéria-prima de sua filosofia advém não do pensamento especulativo, mas de experiências yogues alcançadas mediante a prática de algumas disciplinas psicológicas. Estabelece, assim, uma estreita relação entre a yoga e a natureza interior do homem, sendo possível, por meio dela, acessar “as forças e movimentos da psique humana; seus aspectos mentais, vitais e físicos; as interrelações e influências mútuas de todas essas coisas” (p.18). O autor, embora reconheça a existência de uma psicologia profunda, identifica na yoga a possibilidade de não apenas conhecer a Consciência em suas profundezas, mas também de ampliá-la e elevá- la, visando àrealização da Consciência Espiritual, cujo objetivo fundamental reside no pleno desenvolvimento do indivíduo e da coletividade sob todos os seus aspectos e em todas as suas atividades. Maiores informações sobre o autor, consultar: Aurobindo (2006, 1999), Merlo (2010), Satprem (2011).
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De acordo com Aurobindo (1999) e Dalal (2001), a Consciência é vista de uma forma ampla, caracteriza o Ser em seus aspectos ontológicos e existenciais, possibilitando a compreensão de que o ser humano é não apenas
vivencia suas experiências internas/externas e as representa mediante as expressões de sua mente, de seu corpo e de sua vitalidade. A cada um dos aspectos da tríade mente-corpo- vitalidade, considerados partes constitutivas do ser, corresponde um modo de viver relativo tanto ao sistema de organização quanto ao nível de consciência desenvolvido.
Isso se deve ao fato de que, comumente, as pessoas desenvolvem um modo de ser no qual os padrões mentais, físicos e vitais exteriores são predominantes, dificultando, assim, o processo de autoconhecimento.
[...] também as partes dinâmicas do nosso ser superficial são, do mesmo modo, imagens diminuídas de coisas maiores que permanecem ocultas nas profundezas da nossa natureza secreta. A própria memória superficial é uma ação fragmentária e ineficaz que extrai detalhes insignificantes de uma memória subliminar interior que recebe e registra toda a experiência que temos do mundo – recebe e registra mesmo aquilo que a mente não observou, não compreendeu, nem percebeu. (Dalal 2001, p.40).
Esse modo de o ser existir apegado às experiências concretas e exteriores ressalta, de modo excessivo, o papel do ego e um sentimento de apropriação e substancialidade de um “eu individual”, autorreferente, tão difundido e estimulado no contexto da produção capitalista, da sociedade do consumo e do espetáculo, como já pontuado acima. De acordo com Dalal (2001, p.41), “... O ego não passa de um substituto falso que se mostra no ser exterior; [...] o ego mental, vital e físico é uma criação superficial da Natureza.” No entanto, é exatamente esse aspecto egoico individual e superficial que é valorizado nos espaços formativos escolares e acadêmicos, dada a ênfase cognitiva dos processos de aprendizagem dos conteúdos curriculares nos quais o foco se resume à busca do desempenho cognitivo e da capacidade de exibir o conhecimento aprendido. Essa forma de apropriação do conhecimento ocorre, muitas vezes, sem a observância necessária de como tal conteúdo repercute na interioridade do educando e do educador, em seus valores, na singularidade e na história de vida.
Não se trata, então, de tecer uma crítica descontextualizada sobre a intervenção formativa que apenas possibilita a expressão e as características da dimensão egoica no que tange à apropriação do conhecimento e à maestria técnica, mas de ratificar que a grande matéria, entendida pelo autor como estrutura de energia (não como algo concreto, conforme concebida no pensamento materialista), mas também Atma – “o Si Mesmo; o Espírito, a natureza original e essencial da nossa existência; o ser espiritual que está acima da mente.” (Dalal 2001, p.352). (grifo nosso).
tarefa do ser humano nesse processo evolutivo, enquanto ser pensante e racional é romper com os obstáculos que o impossibilitam de ascender à condição de ser consciente.
Segundo a visão de Policarpo Junior (2010a, p.103-104),
A educação pode estimular, desde o princípio, as pessoas a exercitarem a integração entre sua capacidade reflexiva, sentimental/emocional e comportamental, e a desenvolverem a capacidade de escutarem-se a si mesmas com profundidade, cuidado e atenção, contribuindo ainda para que elas possam reconhecer, sem repulsa nem apego, as negatividades que habitam seu próprio interior. [...] ao se estabelecer com esses fins, a educação ainda assim não garantiria a realização espiritual de ninguém, mas contribuiria para que as pessoas pudessem: desenvolver maior governo de si mesmas; adquirir conhecimento apropriado daquilo que as torna humanas, tanto em seus aspectos positivos quanto negativos; compreender a necessidade do cuidado pessoal e permanente com suas ações, sentimentos e pensamentos; alcançar, enfim, uma condição de menor cisão, mais favorável (porém sem garantias) ao processo de individuação, do que a situação não amparada por tal preocupação educacional.
Nesse cenário, a função educativa assume seu caráter balizador, particularmente quando concebida na perspectiva do desenvolvimento humano integral, possibilitando ao indivíduo refletir sobre quem é e qual a sua tarefa existencial integrando seus sentimentos, pensamentos e atitudes (comportamento) em prol de um viver mais harmônico consigo mesmo e com os outros.
Daí a importância de uma intervenção educativa, em nossos contextos formativo- educacionais, que favoreça, oriente e possibilite a abertura do acesso a essa “viagem” interior e existencial.