5. INTRODUCTION AU TRANSACT SQL
5.4. V ARIABLES
―…tecnologias permitem perspectivar o ensino da matemática de modo profundamente inovador, reforçando o papel da linguagem gráfica e de novas formas de representação e relativizando a importância do cálculo e da manipulação simbólica. Além disso, permitem que o professor dê maior atenção ao desenvolvimento de capacidades de ordem superior, valorizando as possibilidades de realização, na sala de aula, de actividades e projectos de exploração, investigação e modelação. Deste modo, as TIC podem favorecer o desenvolvimento nos alunos de importantes competências, bem como de atitudes mais positivas em relação à Matemática e estimular uma visão mais completa sobre a natureza desta ciência‖ (Ponte, 2003:1).
De facto, tal como defende Ponte, as tecnologias informáticas têm um forte poder em todas as disciplinas, especialmente na Matemática, contribuindo para desenvolver nos alunos uma atitude mais favorável em relação a esta disciplina.
Neste sentido, Ponte e Canavarro (1997) acreditam que estas tecnologias, quando utilizadas adequadamente, ―podem ajudar a desenvolver atitudes e capacidades apontadas nos novos programas e a abordar de forma interessante muitos dos temas matemáticos neles referidos‖ (101).
Também Papert, citado por Ponte (1997) atribui grandes vantagens nesta ligação ao afirmar que ―as novas tecnologias podem ser simultaneamente uma ferramenta de trabalho e uma fonte de ideias e de inspiração. O computador facilita extraordinariamente uma abordagem experimental e intuitiva da matemática‖ (34).
De acordo com o parecer de Ponte e Canavarro (1997), ―o leque de tarefas matemáticas que o professor pode propor aos alunos na aula é largamente ampliado pelo computador e pela calculadora. Em particular, estes instrumentos são um importante contributo no desenvolvimento de tarefas que requerem o uso de capacidades diversas relacionadas com o pensamento matemático‖ (106).
Ponte e Serrazina (1998) também asserem que ―as novas tecnologias têm tendência para se constituir cada vez mais como um elemento presente em toda a actividade educativa‖ (10).
Considerações análogas já tinham sido alvo de reflexão por parte de Rangel (1998), que afirma que as ―questões que se colocam actualmente à Escola e ao Currículo são consequência das profundas mudanças sociais …‖ (94).
Ponte e Oliveira (2000) reforçam que ―Durante algum tempo, encaradas como concorrentes desleais da escola, as novas tecnologias, e muito especialmente a Internet, são cada vez mais aliados preciosos. A variedade de recursos aqui disponíveis pode ser aproveitada pelo professor de Matemática de muitas formas – tantas quantas o seu engenho permitir – não esquecendo que aqueles que mais ganharão com isso são os que neste momento já a utilizam com muito entusiasmo: os alunos‖ (5).
Carrilho (2006), referindo-se a Miskulin et al., afirma que ―é necessário reflectir sobre os processos de ensinar Matemática, procurando adequá-los às exigências da sociedade informatizada, criando ambientes de aprendizagem que prevejam os recursos da Internet e da Web‖ (44). Os mesmos autores reforçam que ―o saber matemático tem de ser vivenciado no contexto tecnológico, se tal não acontecer, infere-se que a exploração, pelos alunos, das possibilidades inerentes ao desenvolvimento científico e tecnológico que perpassam a sociedade estará cada vez mais restrita‖ (id).
Assim, já a partir da década de 60, os computadores têm vindo a permitir experiências na área da Matemática. Contudo, estas experiências ganham maior significado nos anos 80, com o aparecimento da folha de cálculo, dos programas de processamento de texto e de gráficos. Como afirma Ponte (1997), ―podem distinguir-se quatro grandes áreas de influência dos computadores na Matemática: como um instrumento de cálculo, como um instrumento de demonstração, como fonte de problemas e como meio auxiliar de investigação‖ (32).
Em 1980, o NTCM foi das primeiras organizações a reconhecer a importância das tecnologias no currículo da Matemática. Em 1991, a mesma organização afirma que:
―A sociedade actual espera que as escolas garantam que todos os estudantes tenham oportunidade de se tornar matematicamente alfabetizados, sejam capazes de prolongar a sua aprendizagem, tenham iguais oportunidades de aprender e se tornarem cidadãos aptos a compreender as questões em aberto numa sociedade tecnológica. Tal como a sociedade muda, também as suas escolas devem transformar-se. A opção de utilizar as tecnologias quando se pretende um ensino de qualidade é decisiva pois é de importância crucial integrar [...] os computadores nos programas de Matemática se se pretende atingir os objectivos de um novo currículo‖ (24).
Ribeiro (2006) refere que em 2000 o NTCM divulgou os E-Standards (versão electrónica dos Principles and Standards for School Mathematics disponibilizados na Internet) e que, nesse documento, mais uma vez se percebe a relevância dada à aliança da Matemática e das tecnologias:
―Imagine-se uma sala de aula, uma escola, ou um conjunto de escolas onde todos os estudantes tenham acesso a uma educação Matemática de alta qualidade.
Existem elevadas expectativas para tudo [...]. Professores competentes têm recursos adequados para desenvolver o seu trabalho e estão continuamente a desenvolver-se sob o ponto de vista profissional. O curriculum é, do ponto de vista matemático, muito rico e proporciona aos alunos oportunidades para aprender, de forma compreensiva, importantes conceitos e procedimentos matemáticos. A tecnologia é um componente essencial deste ambiente. Os estudantes envolvem- se em tarefas Matemáticas complexas escolhidas com cuidado pelos professores [...] Os alunos têm flexibilidade e recursos para resolver os problemas. Sozinhos ou em grupos e com acesso à tecnologia, trabalham de forma produtiva e reflexiva, com a orientação de seus professores. Oralmente ou por escrito, os alunos comunicam as suas ideias e resultados de forma eficaz. Avaliam a Matemática e empenham-se activamente na sua aprendizagem.‖ (172).
Nesse mesmo documento, o NTCM afirma que as tecnologias ajudam na construção das ideias matemáticas e alargam o campo e a qualidade das investigações, ao mesmo tempo que permitem uma maior adaptação às diferenças específicas de cada aluno, sejam elas dificuldades ou interesses.
Em 2001, a Associação de Professores de Matemática (APM), apela para a necessidade de integrar estes meios na disciplina tendo em conta que:
―A educação com recurso à tecnologia é um direito dos alunos, que todos os intervenientes no sistema educativo devem respeitar e que a negação deste direito contraria a desejada igualdade de oportunidades de acesso aos bens da educação;
A tecnologia tem influenciado e alterado as formas de ver, utilizar e produzir Matemática, não tendo a educação Matemática permanecido indiferente a esta situação;
As ferramentas tecnológicas devem ser integradas de forma consistente nas actividades lectivas, proporcionando aos alunos, verdadeiras e significativas aprendizagens Matemáticas;
A utilização dessas ferramentas deve-se pautar pela regularidade e pela qualidade das tarefas propostas, centradas no trabalho dos alunos e seleccionadas de forma consciente pelos professores (…)‖(3).
A utilização das tecnologias no ensino da Matemática pode promover a confiança, a auto- estima, a autonomia e a colaboração, ajudando os alunos a desenvolverem capacidades intelectuais, tornando a disciplina mais acessível.Ao introduzir novas metodologias, baseadas nas tecnologias, o professor está também a contribuir para o desenvolvimento da curiosidade, da motivação, da partilha de conhecimentos e do espírito crítico dos seus alunos, condições essenciais para um adequado desenvolvimento e para uma atitude positiva na aprendizagem da Matemática.
Importa que os docentes reformulem os seus métodos de ensino e desenvolvam actividades adequadas capazes de implicar os alunos com as tecnologias, nomeadamente
computadores, datashows, softwares didácticos, calculadoras e muitas outras, para que as crianças se envolvam activamente no processo de ensino e de aprendizagem.
Em oposição ao simples papel, quadro e giz, as tecnologias informáticas encaminham este processo para uma perspectiva mais dinâmica, permitindo a realização de tarefas distintas, facilitando a melhoria da qualidade do ensino, o rendimento e a satisfação pessoal do aluno.
Tendo por base estes pressupostos, a massificação do ensino e o advento das tecnologias determinam a necessidade de adaptação da escola e a sua consequente actualização à sociedade. Deste modo, o processo de ensino e de aprendizagem da disciplina de Matemática não se pode afastar deste movimento inovador. Não deve mais basear-se em exercícios rotineiros, na execução de cálculos intermináveis e na valorização de memorizações. Pelo contrário, os conhecimentos a adquirir ganham relevância quando proporcionam o desenvolvimento de hábitos de pensamento e atitudes positivas que dotem os alunos de competências que lhes permitam raciocinar e tomar atitudes críticas perante os resultados.
Alguns estudos incentivados pelo projecto MINERVA, em torno da utilização das tecnologias informáticas na disciplina de Matemática, demonstram que os instrumentos mais usados foram a folha de cálculo, os programas que criam ambientes de aprendizagem da geometria e a tecnologia gráfica, por exemplo das calculadoras (Ponte, 1998).
Um dos estudos realizados foi o de Dárida Fernandes (1994), sobre a utilização da folha de cálculo com alunos do 4º ano. A investigadora considerou que os alunos compreenderam a estrutura básica da folha de cálculo, mas que essa aprendizagem deve ser feita de modo gradual, consoante as motivações dos alunos em causa e os projectos de trabalho. Concluiu também que o uso do computador permitiu que a turma se mostrasse mais incentivada para a pesquisa, para a resolução de problemas e para o estabelecimento de novas dinâmicas na sala de aula. A investigadora sugere que o trabalho com tecnologias seja acompanhado por material manipulável e pelos recursos ditos ―tradicionais‖ e ainda que as actividades devem basear-se em situações reais, em problemas e projectos de trabalho desenvolvidos pelos próprios alunos. Também para o professor, esta experiência parece ter sido enriquecedora, na medida em que proporcionou uma reflexão sobre a prática pedagógica e sobre a riqueza da interdisciplinaridade (id).
Já em 1987, um estudo realizado por João Matos sobre a utilização de recursos tecnológicos na disciplina de Matemática mostrou algumas vantagens da utilização das tecnologias com alunos do 1º Ciclo do Ensino Básico. Esta investigação conclui que as actividades baseadas na programação Logo são passíveis de serem implementadas em alunos do 1º Ciclo e que estas se desenvolveram atitudes de persistência e preocupação em concluir tarefas, mais do que as actividades realizadas somente em papel (id).
Matos (1991), referenciado por Ribeiro (2005), conclui, num estudo desenvolvido, que a inserção das novas tecnologias da informação enquanto ―instrumento para o desenvolvimento de experiências e para o ensaio de estratégias na resolução de problemas, pode assumir um papel extremamente importante, quer em problemas específicos da Matemática quer em projectos em que a Matemática é aplicada a situações reais ou imaginárias‖ acrescentando que a utilização do
computador confere ―às actividades uma dimensão que em geral os alunos não percepcionam e que consiste na sua intervenção na construção de resultados e de teorias‖ (135).
Relativamente à Internet no ensino da Matemática, Miranda (2009) cita algumas conclusões de um estudo desenvolvido por Schutte (1997), referindo que os alunos apresentam maior flexibilidade, melhor compreensão e maior afectividade em relação à Matemática quando utilizaram a Internet como apoio às aulas (156).
Costa (2007) refere alguns estudos como os de Clements e Nastasi (2002) que mostram que a associação de experiências manipulativas directas com a utilização de um programa de
software educacional permite um maior desenvolvimento de competências em operações de
classificação e pensamento lógico do que a experiência manipulativa por si só. Afirmam ainda que ―as crianças que têm a possibilidade de associar experiências manipulativas directas à utilização de um programa de computador demonstram maior competência do que aquelas que apenas tiveram acesso à experiência manipulativa concreta.‖ (110). Nesse mesmo estudo, concluem que ―a utilização do computador tem demonstrado estimular a emergência de alguns conceitos, tais como o reconhecimento de formas, contagem e classificação‖ (id), mas, ―importa que, antes de esses conceitos serem exercitados no computador, tenham sido previamente adquiridos.‖ (id).
No entanto, o maior contributo do computador situa-se ao nível do desenvolvimento do pensamento geométrico, espacial, favorecendo o desenvolvimento de conceitos de simetria, padrões, organização espacial, entre outros (Clements & Swaminthan, 1995).
Estes mesmos autores salientam ainda que ―o poder de tais ferramentas de desenho reside na possibilidade de as crianças virem a interiorizar os processos, construindo assim, novas ferramentas mentais‖ (1995: 580). Não obstante, a utilização destes ambientes computacionais dissociada de tarefas significativas para os alunos não é suficiente para o desenvolvimento da competência geométrica.
Em síntese, apesar de ser ainda escasso o número de estudos sobre a utilização das tecnologias com crianças de uma baixa faixa etária, pode afirmar-se que a investigação tem atestado o enorme poder destas ferramentas na motivação e valorização da Matemática, na medida em que ajuda os alunos a aprender, a serem mais bem sucedidos e a encarar esta disciplina de uma forma muito mais positiva e realista. Com estes estudos, é inegável que a utilização do computador nas salas de aulas e que a sua manipulação efectiva por parte dos alunos comporta inúmeras vantagens que nenhum professor deve desaproveitar.