No texto Os métodos de investigação reflexológicos e psicológicos (VYGOTSKI, 1926/1991a), coloca que esses métodos têm chegado a um ponto de inflexão importante em seu desenvolvimento. Eles têm se caracterizado pela desproporção entre a totalidade do comportamento humano que a reflexologia se põe a estudar e os escassos meios que o experimento dos reflexos condicionados tem para proporcionar soluções para essa tarefa.
Analisando essas questões, Vygotski (1926/1991a) comenta que um ponto importante nessa discussão é o testemunho do próprio sujeito do experimento. No caso, assinala que a reflexologia considera o reflexo verbal inibido como parte do processo, mas teme investigá-lo mais a fundo, receando colocar um experimento que se pretende objetivo, no campo da subjetividade. No caso, comenta que V. Bechterev21 reafirma a
19“Parece, por tanto, que debemos comprender, ante todo, la propia conciencia o la concienciación por
nuestra parte de los actos y estados propios como un sistema de mecanismos transmissores de uns reflejos a otros, que funciona perfectamente en todo momento consciente.” (VYGOTSKI, 1925/1991b, p. 49-50).
20 “[...] en nuestra opinión, el acto de la conciencia no es un reflexo, como tampoco puede ser un
excitante, sino que es un mecanismo de transmissión entre sistemas de reflejos” (VYGOTSKI, 1926/1991a, p. 10-11, grifo do autor).
21
Vladimir M. Bechterev (1857-1927), psiquiatra e fisiologista russo, procurou complementar com dados empíricos a proposta de Sechenov, porém, sem seguir sua posição teórica. Se opondo a qualquer estudo de processos subjetivos buscou, desde a Reflexologia, desenvolver uma ciência diferenciada da psicologia (do momento), ressaltando o caráter material da psique, se atendo a um forte reducionismo fisiológico.
explicação de I. Schenov de que o pensamento é um reflexo inibido, ou seja, que é concretamente um pensamento com palavra, um reflexo verbal contido, mas, ao mesmo tempo frisa constantemente que, do ponto de vista reflexológico, “a investigação subjetiva só é admissível quando se realiza sobre si mesma”22 (VYGOTSKI, 1926/1991a, p. 7).
Ao comentar sobre a finalidade de sua Psicologia Objetiva, Bechterev coloca o seguinte:
Sua finalidade é indagar e explicar a atividade neuropsíquica do indivíduo como resultante dos processos materiais do cérebro, e somente como tal. Por isso, excluímos a observação interna, tanto do estudo como da experiência, limitando nossos recursos ao registro e controle dos fatos objetivos. Nossa ciência deve continuar sendo exclusivamente objetiva em todas as suas partes23. (BECHTEREV, 1904/1965, p. 16).
Vigotski aponta justamente para essa discrepância de Bechterev: indagar e explicar a atividade neuropsíquica do indivíduo como resultante dos processos materiais do cérebro, limitando-se a registros objetivos, mas excluindo a observação interna.
Vigotski não somente irá contrariar metodologicamente essa discrepância como buscará justamente observar internamente a atividade neuropsíquica de maneira objetiva, incluindo a questão da psique no estudo do comportamento e colocando o problema da consciência humana ligada a essa questão. Para tanto, um caminho que recorre é o do conceito de reflexos inibidos ou ocultos, proposto por Shechenov. Esse caminho leva à questão do pensamento e sua especificidade na atividade do organismo.
Ivan Sechenov descobriu a inibição dos reflexos e os reflexos ocultos. Para Sechenov, “a emoção seria um processo de excitação da atividade muscular, enquanto que o pensamento seria um processo de inibição de algumas atividades” (PESSOTTI, 1976, p. 101-102). Nesse caso, “o pensamento é justamente um processo central que priva o arco reflexo de sua parte final” (PESSOTTI, 1976, p. 102).
Não reconhecia a psique como função reflexa do cérebro e nem o papel regulador da psique nos atos reflexos (GONZÁLEZ REY, 2011a).
22
“[...] la investigación subjetiva sólo es admisible cuando se realiza sobre uno mismo” (VYGOTSKI, 1926/1991a, p. 7).
23
“Su finalidad es indagar y explicar la actividad neuropsíquica del indivíduo como resultante de los procesos materiales del cerebro, y solamente como tal. Por eso excluimos la observación interna, tanto del estudio como de la experiencia, limitando nuestros recursos al registro y control de los hechos objetivos. Nuestra ciencia debe continuar siendo exclusivamente objetiva en todas sus partes” (BECHTEREV, 1904/1965, p. 16).
O pensamento corresponderia a um reflexo inibido em sua terceira parte. A terça parte do arco-reflexo se refere à ação do sistema nervoso efetor que desencadeia as respostas musculares ou motoras circunstanciadas pelas fases ou etapas anteriores que são, pela ordem, os nervos aferentes que transmitem o estímulo recebido pelos órgãos sensoriais, e o sistema nervoso central que os organiza para, enfim, produzir as reações em nível de sistema efetor (CUNY, 1964).
No estudo de Sechenov, o pensamento como reflexo inibido é um traço oculto no arco-reflexo, nas regiões do sistema nervoso humano. A existência desses reflexos ocultos permitiria explicar “respostas motoras ou verbais não correlacionadas a uma particular excitação presente em qualquer órgão sensorial” (PESSOTTI, 1976, p. 102, grifo do autor); e ainda considerar “o pensamento como um processo do sistema nervoso central, intermediário entre a sensação (imediata ou sob a forma de traços de
estímulo) e o efeito motor ou verbal submetido a processos de inibição mais ou menos
duráveis” (PESSOTTI, 1976, p. 102, grifo do autor).
Existe, portanto, uma importante ação do pensamento entre a sensação e a resposta motora. Precisamos prestar bastante atenção nisso, pois, a nosso ver, contém elementos teóricos fundamentais que contribuem para se analisar o caminho da sensação ao pensamento nas reações verbais ou motoras.
Uma questão importante na concepção de Sechenov é a de que o pensamento é um processo neuropsíquico intermediário entre a sensação imediata que surge sob a forma de um traço do estímulo e a resposta motora ou verbal. Mas, esse curso ou direção do processo pode sofrer inibições internas mais ou menos duráveis.
Reflexo inbido é um conceito importante na Reflexologia e Pavlov o utiliza em sua teoria. Sobre isso, Freitas Junior (1976) comenta:
O funcionamento do sistema nervoso se realiza por dois grandes processos, aparentemente antagônicos: a excitação e a inibição. Os estudos da escola fisiológica inglesa de Sherrington, Magnus, e dos franceses Claude Bernard, Magendie, Duval demonstram a existência dos dois processos. Pavlov, em seus estudos sobre a regulação nervosa da tensão arterial, constatara a presença de componentes excitadoras e inibidoras da atividade cardíaca, seguindo caminho previamente traçado pelos seus mestres, Cyon e Ustimovich. (FREITAS JUNIOR, 1976, p. 50, grifo do autor)
Para Pavlov (1970a), a relação excitação-inibição, comum aos organismos, são os processos fundamentais do sistema nervoso central inteiro. Os processos de excitação
e inibição estão imbricados no conjunto de estímulos que chegam ao organismo, na forma como esses estímulos são irradiados e concentrados no sistema nervoso central e na cadeia nervosa que eles formam entre si. Para ele, a relação fundamental entre a excitação e a inibição é de que a segunda tem um efeito suspensivo no curso ou propagação nervosa da primeira. No caso, se “um processo de excitação se propaga a partir de um ponto dado e um processo de inibição se estende a partir de outro, os dois processos limitar-se-ão um ao outro, e se concentração, reciprocamente, nos limites de determinada região” (PAVLOV, 1970a, p. 90). Assim, a extinção natural de um reflexo condicionado estaria relacionada à inibição do mesmo.
O processo de inibição está ligado à premissa de que “o segmento superior [os grandes hemisférios] regula todos os fenômenos que se desenvolvem no organismo” (PAVLOV, 1972b, p. 164). Segundo Pavlov:
os grandes hemisférios intervém nos menores detalhes de nossos movimentos, provocando uns e retendo outros, como, por exemplo, quando se toca piano, é fácil de imaginar o grau de fracionamento alcançado pela inibição se se realiza um movimento de determinado grau de intensidade, enquanto que o movimento próximo, embora seja infinitamente pequeno, fica afastado e retido. (PAVLOV, 1972e, p. 164-165)
A diferenciação entre excitação e inibição é importante na formação de reflexos condicionados, pois funcionam excitando ou inibindo repostas; e a equivalência entre eles permite regular comportamento em geral, em condições normais (como o exemplo de tocar piano).
Analisando criticamente a metodologia da investigação reflexológica em sua época, Vigotski coloca que a reflexologia considera o reflexo inibido parte do comportamento – como mostramos em Sechenov e Pavlov –, visto objetivamente como uma reação, mas, este não é considerado nos experimentos reflexológicos por serem da ordem de processos internos, pouco ou não observáveis diretamente e passíveis de serem considerados subjetivos.
Então, Vigotski coloca o seguinte questionamento:
Surge a pergunta? Por que admitimos o estudo dos reflexos verbais em sua integridade e inclusive assinalamos nesse campo as expectativas máximas, e não levamos em consideração esses mesmos reflexos, quando não se manifestam externamente, mas que sem dúvida existem objetivamente? Considera-se como uma reação verbal, como um reflexo condicionado, se eu
pronunciar em voz alta para que o experimentador escute, a palavra “tarde” que me surgiu por associação. Mas, se pronuncio a palavra para mim mesmo, sem que seja ouvida, a penso. Deixa por isso de ser um reflexo e se altera sua natureza? E onde está o limite entre a palavra pronunciada e a não pronunciada? Se tiver movido os lábios, se tiver emitido um balbucio, que o experimentador não tenha percebido, o que se pode fazer com isso? Poderá permitir que repita em voz alta a palavra ou considerará que isso é um método subjetivo, introspecção ou outras coisas proibidas?24 (VYGOTSKI,
1926/1991a, p. 7, grifo no original).
Vigotski (1926/2003) toma como base o entendimento científico de que o pensamento é um ato complexo e que, considerando-se a natureza motora dos processos mentais, manifesta-se de alguma maneira física ou é acompanhado de movimentos, voluntária ou involuntariamente.
Inclusive as relações do pensamento mais abstratas e difíceis de traduzir para a linguagem do movimento, como certas fórmulas matemáticas, enunciados filosóficos ou leis lógicas abstratas, em última instância também estão ligadas a alguns resquícios de movimentos que existiram e são reproduzidos novamente. (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 165)
Vigotski (1926/2003) destaca um grupo especial de movimentos internos, nos quais se realizam os pensamentos: reações fonomotoras como sendo uma linguagem interna, silenciosa, porém acompanhada de movimentos reprimidos, ou não manifestos, musculares e sonoros, e que formam a base do pensamento. Ele coloca que esse tipo de reação tem um significado muito importante para a humanidade, especialmente em termos de relação entre psique e comportamento, frisando que um pensamento tende a realizar uma ação.
Vigotski (1926/2003) comenta que uma palavra dita em voz alta se dirige a algo fora do organismo e produz uma mudança nos elementos do meio; e uma reação verbal que não se manifesta até o final, ou seja, que se resolve dentro do próprio organismo
24
“Surge la pregunta: ¿por qué admitimos el estudio de los reflexos verbales en su integridad e incluso ciframos en ese campo las máximas expectativas y no tomamos en consideración esos mismos reflejos cuando no se manifestan externamente pero que sin duda existen objetivamente? Si pronuncio en voz alta para que la oiga el experimentador la palabra ‘tarde’, que me há surgido por asociación, se considera como una reación verbal, como un reflejo condicionado. Pero si pronuncio la palabra para mí, sin que se oiga, la pienso, ¿deja por ello de ser un reflejo y se altera su naturaleza? Y, ¿donde está el limite entre la palabra pronunciada y la no pronunciada? Si se há movido los labios, si yo he emitido un balbuceo, que el experimentador no há percibido, ¿que hay que hacer en tal caso? ¿Podrá pedirme que repita en voz alta la palabra o considerará que eso es un método subjetivo, introspección u otras cosas prohibidas? (VYGOTSKI, 1926/1991a, p. 7, grifo do autor).
(reação inibida), também tem uma atuação importante como excitante interno de nossas reações. No segundo caso, “o pensamento age como o organizador prévio de nosso comportamento” (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 167), uma vez que “o pensamento é uma espécie de mecanismo transmissor entre os desejos e o comportamento, e ele guia o comportamento em função dos motivos e impulsos que provêm das bases profundas de nossa psique” (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 169). Junto a essa análise, comenta que a linguagem “constitui o elemento básico realizado por nosso pensamento como sistema de organização interna da experiência” (VIGOTSKI, 1926/2003, p. 169).
Para Vygotski (1926/1991c) alguns dos componentes da reação podem ser claramente perceptíveis, enquanto outros são tão sutis ou imperceptíveis que até parecem não existir, sendo necessários procedimentos especiais para sua detecção ou observação, como é o caso do pensamento como um processo interno.
Em termos de pesquisa do comportamento, Vygotgski (1926/1991a) comenta que se devem admitir nas investigações esses reflexos não manifestos externamente, pois eles também são objetivos. Ao considerá-los experimentalmente, o método de investigação continuará sendo objetivo, mas, numa condição mais ampla de análise. Para ele, renunciar ao estudo das reações inibidas torna a investigação do comportamento humano não apenas metodologicamente incompleto como também insuficiente como meio para solucionar a complexidade do comportamento humano.
No caso, esse seria o grande debate a ser promovido.
Portanto, ou renunciamos a estudar o comportamento da pessoa em suas formas mais transcendentais, ou introduzimos obrigatoriamente em nossos experimentos o controle desses reflexos não manifestos. A reflexologia está obrigada a levar em conta também os pensamentos e a totalidade da psique se quiser compreender o comportamento. A psique é unicamente um movimento inibido, e não só o que objetivamente se pode tocar e que qualquer um pode ver. O que se vê somente através do microscópio, do telescópio ou dos raios X, também é objetivo. E também o são os reflexos inibidos25. (VYGOSKI,
1926/1991a, p. 8)
25 “Por tanto, o renunciamos a estudiar el comportamiento de la persona en sus formas más
transcendentales o introducimos obligatoriamente en nuestros experimentos el control de esos reflejos no manifestos. La reflexologia está obligada a tener también en cuenta los pensamientos y la totalidad de la psique si quiere comprender el comportamiento. La psique es únicamente un movimiento inhibido, y no solo lo que objetivamente se puede tocar y que cualquiera puede ver. Lo que se ve solo a través del microscopio, del telescopio o de los raxos X también es objetivo. Y también lo son los reflejos inhibidos” (VYGOTSKI, 1926/1991a, p. 8).
Vygotski (1926/1991a) aponta que a Reflexologia fez separação entre psique e comportamento, justamente ao renunciar ao estudo da psique, em seus experimentos. Para Vigotski, não é possível explicar cientificamente o comportamento humano sem levar em conta a psique, mesmo de um ponto de vista biológico, pois, “a psique não
existe fora do comportamento, assim como este não existe sem aquela”26 (1926/1991a,
p. 17, grifo no original).
Para Vygotski (1926/1991a), uma forma de sair desse impasse metodológico que a reflexologia se encontrava, seria uma espécie de fusão com a psicologia experimental em direção a uma síntese metodológica nova, especialmente no tocante à observação indireta da psique. Para o autor, um caminho metodológico para essa aproximação seria superar o que havia em comum entre as duas correntas (método direto), em favor da observação indireta do comportamento. No caso, a análise crítica do método introspectivo abriria esse caminho.
No entanto, Bechterev tinha a seguinte posição: “opinamos que a psicologia objetiva não deve ocupar-se, em nenhum sentido, dos dados proporcionados pela introspecção”27 (BECHTEREV, 1904/1965, p. 16). Sobre a psicologia experimental, Bechterev (1904/1965) tinha a seguinte impressão: “não representa um ramo especial da ciência”28 (BECHTEREV, 1904/1965, p. 14). Para ele, o método da psicologia experimental não poderia ser aplicado a todos os ramos da ciência do comportamento.
Sem ignorar os problemas e as diferentes posições da reflexologia acerca da psicologia experimental do período, Vigotski comenta a possibilidade de uma fusão em termos de criação de um novo plano metodológico de investigação, dizendo:
Não somente já tem se manifestado claramente uma tendência à ampliação da metodologia reflexológica, mas se esboçam as linhas que deve seguir esta ampliação: uma maior aproximação e, em última instância, a fusão definitiva com os procedimentos de investigação estabelecidos há muito na psicologia experimental. Ainda que isto pareça paradoxal no que se refere a disciplinas tão confrontadas, e ainda que não haja unanimidade entre os próprios reflexólogos, que valoram de forma muito diversa a psicologia experimental, apesar de tudo isso, esta fusão, ou seja, a criação de uma metodologia única de investigação do comportamento humano e, por conseguinte, de uma disciplina
26
“La psique no existe fuera del comportamiento, lo mismo que esté no existe sin aquélla” (VYGOTSKI, 1924/1991a, p. 17, grifo do autor).
27“Opinamos que la psicología objetiva no debe ocuparse em ningún sentido de los datos proporcionados
por la introspección” (BECHTEREV, 1904/1965, p. 16).
28
científica única, pode considerar-se como um fato que está se produzindo ante nossos próprios olhos29. (VYGOTSKI, 1926/1991a, p. 4)
Friedrich (2012) assim analisa essa questão colocada por Vigotski:
Vigotski insiste em ressaltar que há um traço comum que aproxima essas duas correntes psicológicas: trata-se da utilização de um método direto em suas pesquisas. Enquanto a psicologia do homem normal [chamada de psicologia introspectiva ou ciência da consciência] pretende que, com a ajuda da percepção interior, os sujeitos podem acessar de imediato as operações psíquicas realizadas por eles, o reflexólogo, por sua vez, observa diretamente as reações, os movimentos e os atos comportamentais exteriores. (FRIEDRICH, 2012, p. 28, grifo da autora)
De acordo com Mueller (1978), Wilhelm Wundt (1832-1920) “desempenhou papel decisivo na constituição da psicologia experimental ao anexar-lhe a fisiologia e a anatomia” (p. 272). Considerado pai da psicologia científica, Wundt fundou a primeira revista científica de psicologia (1881) intitulada Philosophische Studien (Estudos Filosóficos) e criou, na Universidade de Leipzig, um laboratório de psicologia experimental em 1897, considerado o primeiro laboratório de psicologia30.
Formado em Medicina, Wundt procurou demarcar um novo domínio da ciência na forma de uma nova psicologia. De acordo com Goodwin (2005), essa nova psicologia “exigia o exame científico da experiência consciente humana, por métodos tomados de empréstimo à fisiologia experimental e suplementados por novas estratégias” (GOODWIN, 2005, p. 120). Segundo Mueller (1978, p. 272) “seu objetivo era elaborar uma psicologia que admitisse apenas ‘fatos’ e recorresse, tanto quanto possível, à experimentação e à medida”. Para Wundt, “o problema da psicologia
29
“No solo se há puesto ya de manifiesto claramente una tendencia a la ampliación de la metodología reflexológica, sino que se perfilan las líneas que deve seguir esta ampliación: una mayor aproximación y, en último término, la fusión definitiva con los procedimientos de investigación establecidos hace mucho en la psicología experimental. Aunque esto parezca paradójico en lo que se refiere a disciplinas tan enfrentadas, y aunque no haya unanimidad entre los propios reflexólogos y valoren de formas muy diversas la psicología experimental, a pesar de todo ello, esta fusión, es decir, la creación de una metodología única de investigación de comportamiento humano y, por consiguiente, de una disciplina científica única, puede considerarse como um hecho que se está produciendo ante nuestros propios ojos” (VYGOTSKI, 1926/1991a, p. 4).
30 Apesar de Wundt valorizar a Fisiologia no campo da psicologia experimental, Goodwin (2005)
comenta que não se tratava propriamente de uma psicologia fisiológica nos moldes como nos dias de hoje se poderia pensar esse tipo de psicologia: concentrada na relação entre biologia e comportamento humano. Moura e Correa (1997) comentam que, para Wundt, a “Psicologia deve buscar as relações entre processos conscientes e certos fenômenos da vida física, assim como a Fisiologia deve levar em conta os conteúdos conscientes pelos quais nos tornamos cônscios das várias expressões da vida” (MOURA e CORREA, 1997, p. 16).
experimental tinha três aspectos: analisar os processos conscientes em seus elementos, descobrir como esses elementos se correlacionavam entre si e determinar as leis de correlação” (MARX e HILLIX, 1993, p. 157).
De acordo com Goodwin (2005), sua proposta de uma nova psicologia baseava- se em dois programas principais: “o exame da experiência consciente ‘imediata’, por meio de métodos experimentais de laboratório, e o estudo de processos mentais superiores, por meio de métodos não laboratoriais” (p. 121). O segundo programa compreende o período de investigações da Psicologia Cultural. Segundo Farr (1998), na fase da Psicologia Cultural, Wundt irá renegar a Instropecção, concluindo que “não era possível estudar os processos mentais mais profundos de maneira experimental” (FARR, 1998, p. 41), cujas limitações deveriam ser suplantadas por estudos na área das ciências humanas ou sociais.
As discussões de Vygotski (1926/1991a) colocadas na relação metodológica entre psicologia experimental e reflexologia, perseguem a questão da obervação indireta da psique e o problema da consciência nas investigações reflexológicas. Para examinarmos mais de perto essa questão, é preciso compreender os tipos de investigação tratados por Wundt.
O primeiro programa de Wundt traça uma linha divisória entre experiências
mediadas e experiências imediatas. As primeiras eram mediadas por instrumentos.
Por exemplo, a experiência com condições climáticas frias, mediada por um termômetro que indicaria a temperatura ambiente. Na experiência imediata, o indivíduo sairia de casa sem um agasalho para ter uma experiência direta com as condições climáticas. Entre o indivíduo e as condições climáticas não haveria nenhum termômetro, o que