Chapitre V: MISE EN ŒUVRE ET REALISATION
6. Les tests de validation
6.2. Vérifier la communication entre les PCs
Os dados construídos ao longo do trabalho de campo, resultados da observação participante, entrevistas e análise de documentos legais e oficiais, foram submetidos aos procedimentos da análise de conteúdo (BARDIN, 2011; FRANCO 2012; MINAYO, 2013).
Bardin (2011, p. 48), define o terreno, o funcionamento e o objetivo da análise de conteúdo como:
Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) dessas mensagens.
Franco (2012) lembra que o/a pesquisador/a que pretenda se aproximar de um objeto de pesquisa, valendo-se de uma concepção de ciência e abordagem metodológica críticas que reconheçam o papel dos atores sociais, tem, na análise de conteúdo, um recurso possível e compatível com tal finalidade.
A autora reforça ainda que a análise de conteúdo tem como ponto de partida a mensagem, seja verbal, gestual, silenciosa, figurativa, documental ou diretamente provocada. E, considerando que esta mensagem está vinculada ao contexto de seus/as produtores/as, é relevante destacar que tal contexto envolve:
[...] a evolução histórica da humanidade; as situações econômicas e socioculturais nas quais os emissores estão inseridos, o acesso aos códigos linguísticos, o grau de competência para saber decodificá-los, o que resulta em expressões verbais (ou mensagens) carregadas de componentes cognitivos, subjetivos, afetivos, valorativos e historicamente mutáveis. (FRANCO, 2012, p. 13).
Dessa maneira, no processo de análise e interpretação do conteúdo, a contextualização ganha destaque, pois constitui uma das principais preocupações do/a pesquisador/a, a fim de garantir relevância aos sentidos atribuídos às mensagens.
Franco (2012) acentua que a análise de conteúdo, situada no bojo de uma concepção crítica e dinâmica da linguagem, atribui valor ao conteúdo manifesto (a fala tal como foi manifestada) e leva em conta, também, o conteúdo latente (o que está oculto na fala), a hermenêutica e a complexa diferença que se estabelece entre significado e sentido.
Considerando que toda mensagem expressa um sentido e um significado, torna-se procedente evidenciar o que a autora esclarece a respeito da diferença entre estes dois elementos:
O significado de um objeto pode ser absorvido, compreendido e generalizado a partir de suas características definidoras, e pelo seu corpus de significação. Já o sentido implica a atribuição de um significado pessoal e objetivado que se concretiza na prática social e que se manifesta a partir das Representações Sociais, cognitivas, subjetivas, valorativas e emocionais necessariamente contextualizadas. (FRANCO, 2012, p. 13, grifo da autora).
Portanto, compreendemos que o significado situa-se no plano do universal, genérico, enquanto que o sentido, de característica mais particular, depende essencialmente do contexto, das circunstâncias que, condicionadas por múltiplas determinações, estão em constante movimento.
A produção de inferências é uma finalidade da análise de conteúdo que confere relevância teórica ao procedimento. Para elucidar o procedimento da inferência tomamos a explicação de Franco (2012) que se baseou em analogias de Bardin (1977):
[...] O analista é como um arqueólogo. Trabalha com vestígios. Mas os vestígios são as manifestações de estados, de dados e de fenômenos. Há mais alguma coisa a descobrir por e graças a eles... [...] o analista tira partido do tratamento das mensagens que manipula, para inferir (de maneira lógica) conhecimentos que extrapolem o conteúdo manifesto nas mensagens e que podem estar associados a outros elementos (como o emissor, suas condições de produção, seu meio abrangente, etc.). (FRANCO, 2012, p. 31, grifos da autora).
Operacionalmente, a inferência é o procedimento intermediário que viabiliza a passagem da descrição (enumeração das características do texto) para a interpretação (significação concedida às características do texto). Implica a realização de comparações, estando essas, guiadas pela experiência e conhecimento do/a pesquisador/a sobre as diferentes abordagens teóricas. (FRANCO, 2012).
Tendo optado, então, pela técnica de análise de conteúdo, os procedimentos adotados para organização e tratamento do material empírico e documental seguiram as etapas sugeridas por Minayo (2013) que são a pré-análise, a exploração do material, o tratamento do resultado obtido e a interpretação.
Na pré-análise, considerando as normas de validade qualitativa19 de exaustividade,
representatividade, homogeneidade e pertinência (BARDIN, 2011; MINAYO, 2013), reunimos todos os textos produzidos a partir do registro da observação participante, transcrição das entrevistas e documentos oficiais. Realizamos a estratégia de leitura flutuante desses textos e, na constituição do corpus de análise mantivemos a totalidade dos textos. Justificamos a decisão de manter todos os textos, pois tanto as entrevistas quanto as observações e os documentos contemplavam por diferentes perspectivas, aspectos relacionados ao modo de planejar e realizar o trabalho pedagógico unidocente levantados no roteiro de investigação, contendo as características essenciais do grupo pesquisado que contribuiriam para responder qual compreensão de unidocência é expressa no seu fazer pedagógico.
Com o corpus de análise constituído, passamos à etapa de exploração do material. Sem perder de vista a questão-problema e os objetivos de nossa investigação, realizamos várias e atentas leituras do corpus delimitado, procedimento que possibilitou a identificação e definição das unidades de análise.
Dentre as possibilidades de registro de unidades de análise, optamos pela composição de unidades temáticas. De acordo com Franco (2012), em análise de conteúdo, o tema é a mais útil unidade de registro. Ele é “indispensável em estudos sobre propaganda, representações sociais, opiniões, expectativas, valores, conceitos, atitudes e crenças.” (FRANCO, 2012, p. 45). Tecnicamente, as unidades de registro temática são declarações sobre determinado assunto, que podem estar numa simples sentença contendo sujeito e
19Em relação às normas de validade qualitativa Minayo (2013, p. 316-317, grifos da autora) aponta: [...]
exaustividade: que o material contemple todos os aspectos levantados no roteiro; representatividade: que ele contenha as características essenciais do universo pretendido; homogeneidade: que obedeça a critérios precisos de escolha quanto aos temas tratados, às técnicas empregadas e aos atributos dos interlocutores; pertinência: que os documentos analisados sejam adequados para dar resposta aos objetivos do trabalho.
predicado, num conjunto delas ou num parágrafo. Com maior ou menor intensidade, o aspecto pessoal atribuído pelo respondente sobre o significado de uma palavra e/ou sobre as conotações atribuídas a um conceito é incorporado pela questão temática (FRANCO, 2012).
As unidades de análise temática reconhecidas e definidas foram destacadas nos textos com sublinhado de cores diferentes, a fim de facilitar sua posterior identificação. Em seguida, em um arquivo de texto à parte, realizamos um agrupamento dessas unidades de análise, por proximidade e conexão conceitual, tomando a relação entre unidocência e trabalho pedagógico, objeto de nosso estudo.
Para definição das categorias de análise, levamos em consideração o pressuposto de que em um estudo do tipo etnográfico, as categorias não podem ser impostas, mas construídas, num transitar constante do diálogo entre a teoria e os dados empíricos (ANDRÉ, 2012). Assim, as categorias de análise temática levantadas em nosso estudo foram: interdisciplinaridade, profissionalidade, planejamento de ensino e estrutura administrativa da escola.
Interdisciplinaridade e profissionalidade foram categorias teóricas relacionadas a unidocência e indicadas na revisão de literatura, etapa inicial de nossa investigação que, além de revelar a atualidade e a direção dos estudos sobre a unidocência, nos aproximou da realidade e do contexto onde o fenômeno ocorre.
Os dados construídos a partir dos registros feitos em decorrência do trabalho de campo, resultados da observação participante e das entrevistas intensivas, evidenciaram ainda o planejamento de ensino e a estrutura administrativa da escola como categorias empíricas, mediadoras para apreensão do modo como as professoras no contexto da unidocência planejam e realizam o trabalho pedagógico. Minayo (2013) explica que as categorias empíricas emanam da realidade e, sendo construídas a partir do conteúdo manifesto ou latente das falas, possibilitam desvendar compreensões específicas do grupo em questão. Ainda, de acordo com a autora:
Quando um pesquisador consegue apreender e compreender as categorias empíricas de classificação da realidade do grupo investigado, perceberá que elas são saturadas de sentido e chaves para compreensão teórica da realidade em sua especificidade histórica e em sua diferenciação interna. (MINAYO, 2013, p. 179).
O trabalho de interpretação dos dados foi realizado a partir da produção de inferências, correlacionando as informações obtidas nos textos das entrevistas e observações com o quadro teórico adotado.
Explicitados os fundamentos e procedimentos teórico-metodológicos, evidenciaremos na seção a seguir, conceitos teóricos que validaram o trabalho de análise em nossa investigação.
SEÇÃO III: CONCEITOS TEÓRICOS: elementos para análise do objeto de estudo.