I. Dados Demográficos e Antropométricos
Foram coletados dados de identificação (idade, sexo, data da cirurgia, número de prontuário, escolaridade, profissão, estado civil, renda familiar, endereço completo, telefone e técnica utilizada) e antropométricos (peso, altura, índice de massa corpórea, excesso de peso). O IMC foi calculado pelo do Índice de Quetelet.61
O excesso de peso foi calculado subtraindo o peso ideal do peso pré-operatório: EXCESSO DE PESO (kg) = PESO INICIAL – PESO IDEAL
O peso ideal foi calculado utilizando a tabela padronizada de peso ideal, proposta pela Metropolitan Height and Weight Tables em 1983.62 A perda percentual do excesso de peso (PEP%) foi calculada pela razão entre o peso perdido e o excesso de peso:
PEP% = PESO PERDIDO / EXCESSO DE PESO X 100
O peso perdido foi calculado pela diferença entre o peso na fase pós-operatória determinada e na fase pré-operatória:
PESO PERDIDO (kg) = PESO INICIAL – ATUAL
II. Bariatric Analysis and Reporting Outcome System (BAROS)
A avaliação da qualidade de vida, das condições clínicas e da porcentagem da perda do excesso de peso foi realizada com o uso do Sistema de Análise de Respostas Bariátricas (Bariatric Analysis and Reporting Outcome System – BAROS). (Apêndice 1).
a. Perda de Peso
Este item é avaliado através da perda percentual do excesso de peso (PEP%). A PEP% é classificada em cinco grupos: ganho de peso (pontuação: – 1), 0 a 24% (pontuação: 0), 25 a 49% (pontuação: 1), 50 a 74% (pontuação: 2) e 75 a 100% (pontuação: 3),60 conforme exibido no Quadro 1.
* Oria HE, Moorehead MK. Bariatric analysis and reporting outcome system (BAROS). Obes Surg. 1998; 8(5): 487-99 apud (21)
Quadro 1. Pontuação da perda Percentual do Excesso de Peso (PEP%) no BAROS. Perda do excesso de peso percentual (PEP%) Pontuação
Ganho de peso -1
0% a 24% 0
25% a 49% 1
50% a 74% 2
75% a 100% 3
Fonte: Oria e Moorehead* (1998)
b. Avaliação das comorbidades
O BAROS classifica as comorbidades associadas à obesidade nas categorias de “maiores” e “menores.60 As primeiras são representadas pelas doenças que oferecem um risco maior à saúde, como hipertensão, doença vascular periférica, dislipidemia, diabetes melito tipo 2 (DM2), apneia do sono, osteoartrite e dificuldade para engravidar; entre as “menores” incluem-se condições como hipertensão intracraniana idiopática, estase venosa de extremidades inferiores, refluxo gastroesofágico e incontinência urinária por estresse.60
Nesse contexto, foi realizada uma avaliação dos tipos de comorbidades presentes e os pontos foram atribuídos de acordo com a escala de Oria e Moorehead20: no caso em que as comorbidades se “agravaram”, foi atribuída a pontuação -1; se “não mudaram”, pontuação 0; se “melhoraram”, pontuação 1; se “uma comorbidade maior foi resolvida e as outras melhoram”, pontuação 2; e se “todas as comorbidades maiores foram resolvidas”, foi atribuída a pontuação 3,conforme exibido no Quadro 2. O protocolo considera como resolução os casos em que houveram a cura da doença, assim como quando se obteve um controle da mesma sem a necessidade do uso de medicamentos.60
Quadro 2. Pontuação de acordo com as mudanças obtidas nas comorbidades no BAROS. Mudanças Obtidas nas Comorbidades Pontuação Agravada
Inalterada Melhorada
Resolução de 1 comorbidades maior e melhora de outras Resolução de todas as comorbidades maiores
-1 0 1 2 3 Fonte: Oria e Moorehead* (1998)
* Oria HE, Moorehead MK. Bariatric analysis and reporting outcome system (BAROS). Obes Surg. 1998; 8(5): 487-99 apud (21)
A avaliação da qualidade de vida é feita por meio do questionário elaborado por Moorehead-Ardelt do protocolo BAROS.60 Ele é composto por cinco domínios, a saber: autoestima, atividades físicas, relacionamento social, atividade sexual e desempenho no trabalho. Para cada domínio existe uma pergunta, cada uma delas com cinco alternativas de resposta, representando um nível gradual de satisfação, com cada resposta variando entre mínimo de -1 e máximo de 1, associado a uma classificação, variando de “Muito Pior” a “Muito Melhor”,60 conforme Quadro 3.
Quadro 3. Questionário de qualidade de vida Moorehead-Ardelt e sua pontuação. Domínios do Questionário Classificação e Pontuação
Autoestima Muito pior
(-1,0) Pior (-0,5) Igual (0) Melhor (+ 0,5) Muito melhor (+1,0) Atividade Física Muito menos
(-0,5) Menos (-0,25) Igual (0) Mais (+0,25) Muito mais (+0,5) Relacionamento social Muito menos
(-0,5) Menos (-0,25) Igual (0) Mais (+0,25) Muito mais (+0,5) Capacidade para trabalho Muito menos
(-0,5) Menos (-0,25) Igual (0) Mais (+0,25) Muito mais (+0,5) Interesse sexual Muito menos
(-0,5) Menos (-0,25) Igual (0) Mais (+0,25) Muito mais (+0,5) Fonte: Oria e Moorehead* (1998)
Os dados obtidos no questionário de Qualidade de Vida Moorehead-Ardelt podem ser utilizados de maneira isolada, quantificando a qualidade de vida de pacientes que foram submetidos à cirurgia bariátrica de acordo com as pontuações obtidas, após a soma de todas as questões, e classificando-as a partir do intervalo da pontuação, da seguinte maneira: “Muito diminuída” (– 3,00 a – 2,25); “Diminuída” (– 2,00 a - 0,75); “Sem alteração” (– 0,50 a 0,50); “Melhor” (0,75 a 2,00); e “Muito melhor” (2,25 a 3,00),60 conforme mostrado no Quadro 4.
Quadro 4. Classificação do questionário sobre qualidade de vida Moorehead-Ardelt de acordo com a
pontuação.
Classificação da Qualidade de Vida Intervalo da Pontuação Muito diminuída Diminuída Sem alteração Melhor Muito melhor -3,00 a -2,25 -2,00 a -0,75 -0,50 a 0,50 0,75 a 2,00 2,25 a 3,00 Fonte: Oria e Moorehead* (1998)
* Oria HE, Moorehead MK. Bariatric analysis and reporting outcome system (BAROS). Obes Surg. 1998; 8(5): 487-99 apud (21)
Para obter a pontuação total do BAROS é necessário primeiramente somar os pontos dos quesitos Qualidade de Vida, Perda do Excesso de Peso e Comorbidades, e, em seguida, subtrair os pontos relacionados às seguintes condições: necessidade de reoperação (um ponto para cada reoperação), complicações maiores (um ponto, ainda que haja mais de uma) e complicações menores (0,2 pontos, independente da quantidade).60
Na análise da pontuação final leva-se em consideração se há, ou não, a presença de comorbidades, e as avaliações podem ser classificadas como “Insuficiente”, “Moderado”, “Bom”, “Muito bom” e “Excelente”,60 conforme Quadro 5.
Quadro 5. Classificação do BAROS nos pacientes com e sem comorbidades. Pontuação para pacientes
com comorbidades
Pontuação para pacientes sem comorbidades
Resultados
1 ponto ou menos 0 Insuficiente
1 a 3 pontos > 0 a 1,5 Moderado
> 3 a 5 pontos > 1,5 a 3 Bom
> 5 a 7 pontos > 3 a 4,5 Muito bom
> 7 a 9 pontos > 4,5 a 6 Excelente
Fonte: Oria e Moorehead* (1998)