Tomando-se por base a taxionomia utilizada por Gil (2002), esta pesquisa pode ser classificada, quanto aos objetivos, como sendo exploratória e descritiva e, quanto aos procedimentos, como bibliográfica, documental e de campo, realizada mediante um estudo de caso.
Quanto à abordagem, esta pesquisa, com relação à natureza do problema, identifica-se como abordagem qualitativa. Como ressalta Goldenberg (2003), a pesquisa qualitativa é útil para definir conceitos e variáveis relevantes de situações que podem ser estudadas quantitativamente. Assim, justifica-se o enfoque qualitativo desta pesquisa, considerando que são abordados temas subjetivos como valores, crenças, motivações, comportamentos e atitudes dos atores envolvidos no processo de institucionalização da responsabilidade social empresarial no contexto pesquisado.
Triviños (1987, p. 134) afirma que “no estudo de caso qualitativo, onde nem as hipóteses nem os esquemas de inquisição estão aprioristicamente estabelecidos, a complexidade do exame aumenta à medida que se aprofunda o assunto”. Este argumento é relevante neste estudo, dado que a institucionalização das práticas de responsabilidade social empresarial constitui um tema pouco pesquisado e bastante complexo.
Na pesquisa qualitativa, a coleta de dados não admite visões isoladas, parceladas e estanques, pois segundo Triviños (1987, p. 137)
se desenvolve em interações dinâmicas retroalimentando-se, reformulando-se constantemente, de maneira que, por exemplo, a coleta de dados num instante deixa de ser tal e é análise de dados, e esta, em seguida, é veículo para a nova busca de informações.
Desta forma, como se trata de um estudo de caso, é necessário reunir o maior número de informações detalhadas, por meio de diferentes técnicas de pesquisa, com o objetivo de apreender a totalidade da situação e descrever a complexidade do caso em foco. A este respeito, Goldenberg (2003) afirma que a combinação de metodologias diversas no
estudo de um mesmo fenômeno, a triangulação, tem por objetivo abranger a máxima amplitude na descrição, explicação e compreensão do objeto de estudo.
Quanto aos objetivos, esta pesquisa se caracteriza como exploratória. Segundo Gil (2002), a pesquisa exploratória tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, o aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições, buscando torná-lo mais explícito. No caso específico desta pesquisa, visa investigar de que forma tem ocorrido o processo de institucionalização das ações de responsabilidade social empresarial na indústria Marisol do setor de vestuário.
De acordo com Collis (2005, p. 24), o objetivo da pesquisa exploratória “é procurar padrões, idéias ou hipóteses, em vez de testar ou confirmar uma hipótese”. Assim, esta investigação não se propõe a procurar ou testar hipóteses.
Segundo Gil (2002, p. 41), “embora o planejamento da pesquisa exploratória seja bastante flexível, na maioria dos casos assume a forma de pesquisa bibliográfica ou de estudo de caso”. Esta pesquisa aborda estas duas formas, além de outras como a pesquisa descritiva e documental.
Acerca da frequente articulação entre pesquisas exploratórias e descritivas, Sampieri (2006, p. 109) salienta que “ainda que um estudo seja em essência exploratório, conterá elementos descritivos”. Na pesquisa descritiva, como comenta Sampieri (2006, p. 100), o “objetivo do pesquisador consiste em descrever situações, acontecimentos e feitos, isto é, dizer como é e como se manifesta determinado fenômeno”. Nesta pesquisa em particular, busca-se descrever a manifestação do fenômeno em estudo e de seus componentes, bem como o processo por meio do qual este se institucionaliza. Ao mesmo tempo, busca-se estabelecer relações entre as variáveis críticas neste processo.
Com relação aos procedimentos, como ressalta Gil (2002), as pesquisas bibliográficas são desenvolvidas com base em material já elaborado em livros e artigos científicos e têm como principal vantagem permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que ele poderia pesquisar diretamente.
A pesquisa documental, de acordo com Gil (2002), assemelha-se à pesquisa bibliográfica, no entanto, a diferença entre ambas está na natureza das fontes. Na pesquisa bibliográfica, pode-se compartilhar das contribuições dos diversos autores, entretanto, para a pesquisa documental utilizam-se materiais que ainda não receberam um tratamento analítico, ou que podem ser reelaborados de acordo com os objetos da pesquisa.
Na fase de revisão da literatura preliminar, a pesquisadora buscou estabelecer uma base teórica da pesquisa por meio de levantamento referente às seções da responsabilidade
social e abordagem institucional, a fim de investigar o que já tinha sido compilado sobre referidos temas. Para isso, realizou-se uma coleta de material em livros, dissertações, teses, periódicos e anais de evento reconhecidos como fontes legítimas pela área.
A investigação documental foi realizada nos relatórios referentes ao balanço social, projetos das ações sociais, demonstrativos financeiros, documentos oficiais internos e externos, dentre outros que podem evidenciar a institucionalização das práticas sociais desenvolvidas na indústria Marisol. A pesquisa documental relacionada ao Prêmio Sesi Qualidade no Trabalho (PSQT), foi realizada nos relatórios internos e livros contendo informações sobre o Prêmio. Como parte da investigação documental, foi realizada uma pesquisa em diversos sítios oficiais na Internet, englobando periódicos eletrônicos, sítios institucional da indústria Marisol e Sesi, bancos de teses, instituições como o Ethos e a Federação das indústrias do Estado do Ceará (FIEC).
Esta pesquisa é caracteriza como um estudo de caso. Como afirma Yin (2005, p. 19), um estudo de caso é indicado “quando o pesquisador tem pouco controle sobre os
acontecimentos e quando o foco se encontra em fenômenos contemporâneos inseridos em algum contexto da vida real.” Hanashiro (2007) ratifica que o estudo de caso “tem se tornado a estratégia preferida quando os pesquisadores procuram responder às questões ‘como’ e ‘por quê’ certos fenômenos ocorrem, quando há pouca possibilidade de controle sobre os eventos estudados e quando o foco de interesse é sobre fenômenos atuais.”
Ademais, esta pesquisa caracteriza-se como um estudo de caso, tendo em vista que o pesquisador não exerce qualquer controle sobre o fenômeno em foco, as ações de responsabilidade social da empresa, e que a questão investigada é contemporânea e insere-se no contexto de uma grande indústria. Verifica-se, ainda, que, para o alcance do objetivo proposto, torna-se relevante a compreensão do “como” e do “porquê”.
Trivinõs (1987) distingue três tipos de estudo de caso quando se apropria da visão de Bordan: estudo de casos históricos-organizacionais, observacionais e caso de história de vida. Os estudos de casos históricos-organizacionais são caracterizados pelo interesse do pesquisador sobre a vida de uma instituição. Os estudos observacionais estão classificados em uma categoria de pesquisa qualitativa, cuja técnica de coleta de dados é a observação participante, já o estudo de caso denominado história de vida é uma técnica para investigar a vida de uma pessoa de relevo social.
Esta pesquisa caracteriza-se como um estudo de caso histórico-organizacional. Para tanto, a pesquisadora partiu do conhecimento que já existe sobre a instituição examinada, a indústria Marisol Nordeste, e identificou que material estava disponível para ser analisado.
Segundo Trivinõs (1987), estas informações são importantes além de necessárias para delinear preliminarmente a coleta de dados. Nesse sentido, a pesquisa exploratória contribuiu para a obtenção deste conhecimento prévio junto à indústria estudada.
Os estudos de casos podem ser constituídos, na visão de Gil (2002), tanto de um único caso quanto de casos múltiplos. O estudo de caso único envolve um caso específico, que irá entrar na coletânea universal de casos similares e assim possibilitar lançar mais luzes para outros casos. Também se costuma utilizar um único caso quando o acesso a múltiplos casos é difícil e o pesquisador tem possibilidade de investigar um deles. Desta forma, esta pesquisa é caracterizada como um estudo de caso único, desenvolvido em uma indústria do setor de vestuário, esperando-se que este estudo possa contribuir e contemplar outras pesquisas futuras.
Assim, Collis (2005) define que uma abordagem de estudo de caso implica uma única unidade de análise, como uma empresa ou um grupo de trabalhadores, um acontecimento, um processo ou até um indivíduo. No entanto, Yin (2005) complementa que quando se define uma unidade de análise, não se pode considerar como definitiva, pois sua escolha da unidade de análise, justamente com outras facetas da pesquisa, pode ser revisitada como resultado de descobertas feitas durante a coleta de dados.
Segundo Yin (2005, p. 64), “isso ocorre quando, dentro de um caso único, se dá atenção a uma subunidade ou a várias subunidades”. Assim, nesta pesquisa, a unidade de análise incluiu resultados sobre as pessoas que ocupam posição de destaque e influência no campo de estudo como a área de recursos humanos e os colaboradores.
Para um melhor esclarecimento, o Quadro 13, a seguir, demonstra a unidade que está sendo caracterizada como objeto de estudo, o sistema total que são as evidências dos dados, as unidades intermediárias que serão pesquisadas, no caso a área de recursos humanos e outras áreas, os indivíduos envolvidos e os instrumentos de coleta de dados.
UNIDADE CARACTERIZADA SISTEMA TOTAL UNIDADES INTERMEDIÁRIAS INDIVÍDUOS COLETA DE DADOS Indústria como um todo
Programas Fábrica Responsável pelo setor
de comunicação Visita Certificações de responsabilida de social Área de recursos humanos Um gestor de recursos humanos Entrevista Relatórios sociais financeiro Outras áreas da empresa
Uma assistente social Entrevista
Projetos de responsabilida de social Stakeholders 30 colaboradores (Público interno) Questionários
Quadro 13 - Tipos de dados. Fonte: Adaptado de Yin (2005).