As técnicas metodológicas utilizadas no decorrer da pesquisa caracterizam os conjuntos de procedimentos que auxiliarão no desenvolvimento de uma investigação científica ou de significativa parte dela.
Para dar conta do objetivo proposto, foi realizado levantamento bibliográfico, procurando materiais que contribuíssem no sentido de problematizar a leitura dos conceitos destacados e a análise das proposições dos documentos que normatizam o Ensino de História nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Dentre os autores que fundamentaram esta pesquisa destacamos os trabalhos de Eric Hobsbawm (1995), Jacques Le Goff (2003), Marc Bloch (2001), André Chervel (1990), Michael Apple (1989), Gimeno Sacristán (2005), Dominique Julia (2001), Jean-Claude Forquin (1993), Bernard Charlot (2008), Jörn Rüsen (1992), Circe Bittencourt (2002),
Kátia Abud (2011), Maria Auxiliadora Schmidt (2002), Marlene Cainelli (2009), Selva Guimarães Fonseca (2010), entre outros.
A entrevista com 14 professores de uma escola municipal de Londrina foi opção para obtenção de indicativos sobre os conteúdos de História, assim como o sentido e o lugar atribuídos pelo professor a esses conteúdos dos anos iniciais do Ensino Fundamental, a fim de verificar o movimento que as pretensões com esse ensino vão adquirindo conforme a apropriação pelos diferentes sujeitos (professores e alunos).
A observação das aulas dos professores que trabalham com o 4º e 5º anos foi realizada com vistas a complementar as estratégias utilizadas e, assim, enriquecer o debate proposto, pois essa técnica de pesquisa possibilitará apreender de que maneira os professores trabalham com o ensino de História, em qual perspectiva historiográfica eles pautam sua prática e qual o ―lugar‖ dessa área no planejamento diário das aulas, deixando claro que não são apenas as opções individuais que direcionam a prática desse profissional, mas os resultados de negociações com as exigências do contexto exterior à escola possibilitando a
[...] observação direta permite também que o observador chegue mais perto da ‗perspectiva dos sujeitos‘, um importante alvo nas abordagens qualitativas. Na medida em que o observador acompanha in loco as experiências diárias dos sujeitos, pode tentar apreender a sua visão de mundo, isto é, o significado que eles atribuem à realidade que os cerca e às suas próprias ações (LÜDKE, 2001, p. 26).
Na articulação dos dados oriundos de várias fontes, colocaremos em confronto as informações postas sobre a finalidade do Ensino de História, visando ao entendimento de como a escola incorpora os objetivos postos pelo discurso dos documentos oficiais acerca dos conteúdos escolares e, assim, compreender de que maneira os professores constroem os sentidos atribuídos ao ensino de História.
Assim, por meio dos estudos realizados, acreditamos ser possível o esclarecimento do campo conceitual utilizado pelos documentos e também aqueles suscitados pelas falas dos professores, principalmente sobre quais são as finalidades do Ensino de História, uma vez que, historicamente, esse campo de
36
conhecimento esteve articulado ao desenvolvimento do espírito patriótico dos cidadãos brasileiros.
É necessário salientar que, em uma abordagem qualitativa, é extremamente importante associar os elementos advindos da realidade, que em nosso caso advém da observação e do contato direto com os professores através da aplicação de questionários, com os pressupostos teóricos em que nos pautamos.
É exatamente porque pesquisar através de uma análise qualitativa quer dizer estar "apreendendo" o fenômeno dentro de todo o seu contexto e interpretando seu significado, que esses dois contatos — literatura e outros pesquisadores — são tão importantes e procurados com freqüência porque através deles o estudo se insere, de fato, na área, e se "atualiza" com as idéias e o pensamento do passado e do presente (ALVES; SILVA, 1992, p. 66).
A pesquisa de campo, aqui proposta, pretende trabalhar com duas técnicas recorrentes nas pesquisas qualitativas, principalmente no campo da educação: a observação das aulas dos professores do 4º e do 5º ano do Ensino Fundamental e a aplicação de questionários com os professores do período matutino, coordenadores pedagógicos e direção de uma escola municipal de Londrina. A necessidade de utilizar dois instrumentos com vistas a apreender elementos da cotidianidade do professor parte do princípio de que, a partir da sua prática, podemos verificar conceitos, representações que esse profissional pode vir a desenvolver sem ter a devida consciência sobre quais pressupostos guiam suas práticas.
O questionário aplicado aos sujeitos desta pesquisa faz parte do projeto de pesquisa ―Ensino de História e Cultura Contemporânea: relações com o saber e perspectivas didáticas‖, desenvolvido na Universidade Estadual de Londrina e coordenado pela professora Magda Madalena Tuma. Esse projeto investiga as relações que professores e alunos da escola básica estabelecem com a cultura contemporânea e as repercussões desta sobre o processo de construção da consciência histórica perante a História ensinada.
Apesar de o questionário permanecer com a mesma base do instrumento organizado pela pesquisadora Ana Claudia Trevisan, que defendeu sua dissertação no ano de 2011 e que também o utilizou como pesquisadora do projeto, algumas
alterações foram introduzidas no corpo do questionário, visando abarcar nosso objetivo.
No item B do questionário, foram introduzidas questões referentes à atuação profissional dos professores entrevistados. Ainda no item B, no subitem 2, foi inserido o questionamento sobre o tempo de atuação no 4º ano ou 4ª série – que equivale ao 5º ano, ao estar a rede municipal em regime de adaptação ao Ensino de 9 anos.
Foi introduzido, no questionário original, o item C, que trata especificamente dos conteúdos de História na perspectiva dos professores e da maneira que desenvolvem seu trabalho no processo pedagógico para o Ensino de História.
O questionário é composto por 70 questões, sendo 21 abertas. Após as observações realizadas e o preenchimento do questionário, foi realizada a tabulação com os conteúdos considerados mais importantes pelos professores e, também, sobre o próprio lugar que a História ocupa no entendimento desses profissionais.
Frente as colocações postas, tentamos situar o contexto social e cultural no qual a escola e seus sujeitos estão inseridos. E, como no cotidiano o sujeito age conforme os problemas são colocados, sua ação é objetiva e prática, ele especula, questiona, para então dar respostas adequadas ao problema encontrado. De acordo com Kosik (2002), todo esse processo é feito no campo prático-sensível, o sujeito age no imediato, formulando ideias gerais e operacionalizando com elas. Isso caracteriza o senso comum, diferente da análise científica, que requer uma práxis onde a ação é mediada pela reflexão, considerando todo o complexo que envolve o objeto/fenômeno. Sendo assim, tentaremos perceber se os professores agem de maneira prática ou reflexiva na hora de selecionar os conteúdos que consideram essenciais para a formação dos alunos. Para tanto, vamos nos ater às seguintes categorias de análise que foram constituídas após observação do espaço escolar em diferentes momentos e também do questionário aplicados aos docentes da instituição escolar caracterizada: qual é a disciplina considerada mais importante para a formação do aluno dos anos iniciais do Ensino Fundamental; como a disciplina de História contribui para o desenvolvimento do aluno; quais os conteúdos de História são essenciais; quais fontes são utilizadas pelos professores para ministrarem essa disciplina e qual a carga horária destinada ao ensino de História.
38
2 TECENDO RELAÇÕES ENTRE A HISTÓRIA E O ENSINO DE HISTÓRIA