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UTILISATION QUOTIDIENNE

Em relação ao primeiro século de existência da Cidade do Natal, o ritmo lento de crescimento da povoação e da cidade colonial pode ser apreendido pelos relatos dos visitantes, que eram viajantes ou enviados em funções públicas, os quais destacavam o número reduzido de casas e de moradores.

O casario sempre foi caracterizado como modesto, possuindo apenas andar térreo e construído raramente em tijolo ou pedra, porém muito frequentemente em madeira, palha e barro (técnica da taipa). Os habitantes mais abastados viviam em sítios e frequentavam a cidade apenas aos domingos segundo a descrição de Adriano Verdonck, que visitou a cidade em 1630 (apud NATAL, 2007a). Adriano Verdonck estimou cerca de 35 ou 40 casas de palha ou barro, embora não possamos afirmar que esta é a quantidade exata de edificações, por haver registros, em data anterior, de algumas casas em pedra (TEIXEIRA, 2014, p. 116). Em 1608, o governador geral do Brasil, D. Diogo Meneses, relatou ao Rei que a povoação havia pouco fundada não tinha “gente”, ou melhor, colonizadores brancos (CASCUDO, 1947) .

A invasão holandesa, em 1633, interrompeu a evolução urbana da cidade recém-fundada. Após a expulsão dos flamengos em 1654, a cidade foi reedificada (NESI, 2013). Talvez

pelas destruições das habitações, passa-se a relatar a existência de trinta casas em 1722 e cinquenta ou sessenta casas em 1729, o que indica uma expansão do solo urbano um pouco mais expressiva no início do século XVIII (LIMA, 2002; TEIXEIRA, 2009). O depoimento de João Maia da Gama, governador do Maranhão, que havia sido incumbido de fiscalizar a Capitania do Rio Grande, afirma que, em 1729,

[...] a cidade he fundada em hum alto e ainda que muito ariento, comtudo com terreno muito capaz, e lavado dos ventos, e tem cincoenta para 60 casas e muitas mais perto da cidade a mais gente vive nas suas fazendas (GAMA apud NATAL, 2007a, p. 11).

Há ainda as observações de Dom Frei Luiz de Santa Tereza, bispo de Olinda, que em visita à Natal em 1746, diz que a cidade é “tão pequena que além do título de cidade, igreja paroquial e poucas casas, nada tem que represente a forma da cidade. Da cidade de Natal não-há-tal, como por brincadeira se diz” (NATAL, 2007a, p. 11).

Em 1734 ou um pouco antes, o capitão-mor João de Barros Braga mandou construir uma ponte de mais de 60 braças para comunicação da cidade com a Ribeira, comprovando a existência de uma área embrionária de expansão para o norte, em direção à Fortaleza dos Reis Magos (TEIXEIRA, 2009, p. 186). No decorrer do século XVIII a cidade foi se expandindo lentamente nesta direção, às margens do Rio Potengi.

A ocupação da Ribeira deveu-se primeiramente por sua localização, entre a “cidade” (Cidade Alta) e a Fortaleza dos Reis Magos, além da evidente proximidade com o Rio Potengi. Inicialmente, a região não alagada era constituída por fazendas e chácaras, mas depois da construção da ponte referida acima que ligava a Cidade Alta à Ribeira, passou a abrigar também residências mais simples. Segundo o Senado da Câmara de Natal, a cidade tinha 118 casas em 1756 (NESI, 2013), além de alguns prédios públicos, que serão tratados mais adiante.

Na imagem do século XVII (Figura 4) é possível visualizar no canto direito a porção mais elevada da cidade, com a presença de algumas edificações em uma área representada por um relevo de maior altitude; ao meio uma região alagada que se ligava ao rio, com a

representação de uma ponte18; e entre esta região alagada e a Fortaleza dos Reis Magos, uma região já ocupada com algumas poucas construções, onde está a origem da Ribeira. O quadriculado por trás das dunas, perto da Fortaleza, parece ser um acampamento militar holandês, uma vez que a gravura ilustra a conquista da capitania. A Ribeira começa a ser efetivamente ocupada somente a partir do século XVIII.

Figura 4 - Gravura elaborada pelos holandeses na primeira metade do século XVII (à esquerda a Fortaleza dos Reis Magos, ao centro o que seria depois conhecido como Campina da Ribeira, e no canto inferior direito uma indicação

da localização de Natal)

Fonte: J. de Laet (1633)

Natal possuía características que ressaltavam a sacralização do seu espaço, seja nos nomes das ruas, na localização das igrejas ou na própria delimitação do sítio urbano, feita por cruzes, segundo tradição religiosa portuguesa. A do limite norte serviu para nomear uma

18 Não podemos afirmar que a ponte representada na gravura é a mesma que foi construída por volta de 1734, pois o

desenho é do periodo holandês (1633-1654). O que podemos conjecturar, na ausência de provas definitivas, é que as duas pontes mencionadas estivessem talvez localizadas mais ou menos no mesmo lugar, ainda que em épocas diferentes.

das principais avenidas da cidade, unindo o centro, sobre a colina, à parte baixa, a Ribeira. Denominada atualmente Câmara Cascudo, era a antiga “Rua da Cruz”, até 1888. A segunda cruz permaneceu na fronteira sul, no final do “caminho de beber”, a atual Rua Santo Antônio (Santa Cruz da Bica, no Baldo) (Figura 5, Caderno 02 – Mapas 01 e 02). As cruzes desapareceram na segunda metade do século XVIII, mas em nossos dias, uma nova cruz se encontra no Baldo, aproximadamente no mesmo lugar, como lembrança da cruz original (TEIXEIRA, 2009).

Figura 5 - Esquema do traçado de Natal no século XVIII com destaque para localização das cruzes, limites urbanos na época

Fonte: MIRANDA (1999).

Além dos limites ao norte e ao sul das cruzes, a Rua da Conceição, seguida pela Rua Santo Antônio conformavam o limite leste, enquanto o largo da matriz (atual Praça André de Albuquerque), chegando ao Baldo pelas atuais Praça João Tibúrcio e Rua Padre Pinto se configuravam como limites na direção oeste. No texto do ouvidor Domingos Monteiro da Rocha, de 1756, o autor também chama atenção para o fato que a cidade “terá de povoado quatrocentas braças e de largo cinquenta” (TEIXEIRA, 2009, p.181), isto é, 880m por 110m, o que corresponde aproximadamente às dimensões que aparecem na Figura 5.

De acordo com Rubenilson Teixeira (2009), as primeiras ruas foram construídas à sombra das igrejas: (i) a Rua Grande abrigava a Casa de Câmara e Cadeia e se situava em frente à

rua da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação (provavelmente inaugurada em 1599); (ii) a Rua da Conceição se encontrava na fachada posterior à Igreja Matriz e (iii) a Rua Santo Antônio, sobre a qual se tem notícia desde pelo menos 1763, levava a população em direção ao Baldo (antigo “caminho de beber”). Além das três ruas mencionadas, há notícias de uma rua em formação entre 1725 e 1750, denominada Rua Nova, que acompanhava a fachada da igreja matriz, paralela à Rua Grande. A Rua da Conceição foi pouco habitada até o século XIX, e desfigurada pela construção da Praça Sete de Setembro (PIRES, 2007), aberta em 1914 (Caderno 02 – Mapa 01).

Tanto as igrejas em si, quanto a forma urbana de suas envoltórias, fazem parte do típico urbanismo barroco, que possui como essência as cenografias urbanas que “descortinam” arquiteturas utilizando perspectivas, herdadas do Renascimento. A cidade, portanto, vira uma obra de arte apreciada pela percepção visual de cada caminhante, na qual os edifícios singulares – como as igrejas – se tornam geradores de formas urbanas (KOCH, 2009; GOITIA, 1982; LAMAS, 2014).

Apesar do título de “cidade”, o aspecto de uma pequena povoação ou aldeia permaneceu durante séculos, mesmo com o crescimento gradual da cidade. De acordo com o viajante inglês Henry Koster (1816/1942), que visitou a cidade em 1810, ainda no início do século XIX não havia calçamento em nenhuma das ruas, que eram tomadas por areia solta. Na Ribeira, o rio dominava a paisagem, em contraste ao aspecto vilanesco do local. O mesmo viajante chamou atenção para as casas situadas nas margens do rio, dizendo que não há, entre elas e o rio, senão a largura da rua.

Quanto aos edifícios, as igrejas e a Casa de Câmara e Cadeia eram as edificações mais importantes da cidade colonial e da arquitetura barroca, especialmente numa pequena cidade como Natal, uma vez que em cidades maiores era possível encontrar outras edificações de maior vulto.

A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, como já mencionada, foi inaugurada provavelmente em 1599, numa versão preliminar, em taipa, e de menores dimensões que a atual. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos foi provavelmente construída em 1706 e se tem notícia da Igreja de Santo Antônio desde 1763. A capela que

posteriormente deu lugar à Igreja do Senhor Bom Jesus das Dores data do século XVIII, pois a referência mais remota foi o registro de óbito de um senhor falecido em 1774 (SOUZA, 2008). Portanto, sabe-se da existência de quatro igrejas em Natal até o final do século XVIII (Figuras 6, 7, 8 e 9), excluindo-se a capela da Fortaleza dos Reis Magos, por não se situar na área urbana da cidade. A igreja do Bom Jesus das Dores se situava (e ainda se situa) na parte baixa da cidade, a Ribeira, ainda em formação quando construída.

Figura 6 - Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação na primeira metade do século XX

Fonte: Acervo de Rostand Medeiros (2013) disponíveis em tokdehistoria.com.br Figura 7 - Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos na primeira metade do século XX

Figura 8 - Igreja de Santo Antônio na primeira metade do século XX

Fonte: Acervo de Rostand Medeiros (2013) disponíveis em tokdehistoria.com.br Figura 9 - Igreja de Bom Jesus das Dores na primeira metade do século XX

Fonte: Acervo de Rostand Medeiros (2013) disponíveis em tokdehistoria.com.br

A Casa de Câmara e Cadeia era o único edifício civil com mais de um pavimento na cidade colonial natalense e se situava quase em frente à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação. Os documentos disponíveis permitem concluir que Natal teve quatro edificações desse tipo ao longo de sua história, que iam se substituindo umas às outras ao longo do tempo. A primeira delas data provavelmente da época de fundação da cidade e estava em estado de ruína em 1674, quando os oficiais decidiram construir outra, que foi

erigida provavelmente entre 1675 e 1676. A terceira foi concluída em 1721 e depois ampliada para se tornar a residência dos capitães-mores. Denominada posteriormente de Palácio, foi sede do governo até 1830, quando foi demolida. A quarta Casa de Câmara e Cadeia foi concluída em 1770. Todas elas se localizavam na Rua Grande, mais ou menos em frente à igreja de Nossa Senhora da Apresentação. Outro edifício civil importante, entre outros que existiam ou que surgiram no século XVIII, é a casa “da alfândega e das finanças reais”, mencionada num documento de 1755 e situada onde posteriormente seria construído o Palácio do Governo (TEIXEIRA, 2009).

Além destas edificações, é preciso mencionar a arquitetura residencial nesse panorama de formação morfológica de Natal. As informações disponíveis sobre as residências nos tempos mais remotos são muito fragmentadas, ainda que seja possível inferir que elas não deviam diferir muito do que se construía na cidade colonial brasileira de um modo geral. Construídas isoladamente, as residências iam se “aproximando” uma das outras à medida que novas casas eram construídas, tornando-se geminadas e dando origem às primeiras ruas. Uma vez geminadas, escondiam os quintais posteriores, acarretando a falsa ideia de densidade urbana elevada. Na realidade, o número de habitações era reduzido, havendo esparsas moradias dentro do perímetro da cidade. O comércio era pobre e “não havia água encanada, nem esgoto, nem luz” (MELO, 1972/2006, p. 11).

De maneira geral, como afirma Pedro de Lima (2002), pouco se preservou do passado arquitetônico da cidade colonial. Os exemplares da arquitetura civil são raros e quando encontrados estão em grande parte modificados. Em relação à arquitetura religiosa, ainda podemos encontrar todas as igrejas, embora com algumas modificações.

Quanto ao mobiliário urbano colonial, se destacavam os elementos referentes aos valores sagrados da sociedade, tais como cruzes e nichos para abrigar estátuas19, que também funcionavam como iluminação pública. As fontes d`água utilizadas pela população se encontravam ao sul e ao norte do platô elevado. A do sul era o córrego do Baldo. As fontes do norte compreendiam várias cisternas, das quais a mais conhecida se chamava

19 Apenas uma referência a um desses nichos no século XVIII em Natal foi encontrada, mas é de se supor que

São Tomé. O mobiliário civil era representado especialmente pelo pelourinho (TEIXEIRA, 2009).

A opinião expressa por Dom Frei Luís de Santa Teresa, que visitou Natal em 1744, demonstra a tacanhez da cidade. Segundo ele, havia um ditado popular sobre a cidade: ela era “(...) tão pequena, que além do título de “cidade”, igreja paroquial e poucas casas, nada tem que represente a forma de cidade. Da cidade do Natal, ou não tal (como em vista do seu tamanho, por graça se diz)” (apud TEIXEIRA, 2009, p. 187). Tratava-se de um ditado popular que demonstra que ainda no século XVIII a cidade não havia vivenciado um expressivo desenvolvimento.

Na passagem de Henry Koster por Natal em 1810 podemos perceber que até as primeiras décadas do século XIX foram instaladas igrejas e edifícios públicos civis, porém a precariedade continuava evidente, ao ponto do viajante se admirar do fato de Natal ser chamada de “cidade”:

Cheguei ás onze horas da manhã á cidade do Natal, situada sobre a margem do Rio Grande ou Potengi. Um estrangeiro que, por acaso, venha a desembarcar nesse ponto, chegando nessa costa do Brasil, teria uma opinião desagradável do estado da população nesse país, porque, se lugares como esse são chamados de cidades, como seriam as vilas e aldeias? Esse julgamento não havia de ser fundamentado e certo porque muitas aldeias, no Brasil mesmo, ultrapassam esta cidade, o predicamento não lhe foi dado pelo que é, ou pelo que haja sido, mas na expectativa do que venha a ser para o futuro (...) consiste numa praça cercada de residências, tendo apenas o pavimento térreo, as Igrejas, que são três, o Palácio, a Câmara e a prisão. Três ruas desembocam nesta quadra, mas elas não possuem senão algumas casas de cada lado. A cidade não é calçada em parte alguma e anda-se sobre uma areia solta, o que obrigou alguns habitantes a fazerem calçadas e tijolos ante suas moradas. Esse lugar contará seiscentos ou setecentos habitantes (KOSTER, 1942, p. 89).

Foi aos poucos que o panorama da cidade se transformou. No início do século XIX uma diferenciação funcional já podia ser observada no espaço urbano, e que certamente já existia antes de 1800: o centro da cidade, no alto do platô – Cidade Alta – reunia o centro político e religioso, e a parte baixa – Ribeira – constituía o centro comercial, que abrigava na antiga Rua do Comércio (atual Rua Chile) os depósitos de pau-brasil, algodão, açúcar, peixe seco, entre outros produtos. Henry Koster faz claramente essa distinção.

Em 1845 o limite urbano residencial da porção da Cidade Alta chegava à Rua Nova, hoje conhecida por Av. Rio Branco. Em 1888 a Câmara Municipal autorizou a abertura de mais um caminho que hoje conhecemos por Rua João Pessoa, que também já recebeu o nome de Rua do Sarmento e depois Pedro Soares. Transversalmente, abriu-se a Rua dos Tocos, conhecida anteriormente por Rua 13 de Maio e atualmente por Rua Princesa Isabel, que só era habitada entre as ruas Professor Zuza e Ulisses Caldas (CASCUDO, 1947) (Caderno 02 – Mapa 01).

A Ribeira, desde o início do século XIX, era delimitada pela Av. Junqueira Ayres (hoje Câmara Cascudo), Rua Chile, Rua General Glicério, Esplanada Silva Jardim e Rua Doutor Barata, onde foram construídas as primeiras casas da região (SILVA, 2002).

Durante essas primeiras expansões e transformações da cidade existiam muitas inquietações, dentre as quais, segundo as prescrições da Câmara Municipal, as que diziam respeito ao alinhamento20 e ao aformoseamento21 das ruas, pois a regularidade delas conduziria ao embelezamento plástico e paisagístico local. As posturas municipais não se limitavam a indicar o aspecto formal, materiais, cores e elementos de composição das fachadas, mas também exigiam frequentemente trabalhos de pintura e limpeza de terrenos e ruas (TEIXEIRA, 2009). Mas, sem dúvida, a principal inquietação se voltava para uma área situada entre a Cidade Alta e a Ribeira – uma região pantanosa que sempre alagava nas cheias das marés – conhecida como Campina da Ribeira.

A ligação entre as duas regiões era feita por uma ponte que passava sobre os inúmeros problemas de insalubridade, insegurança e ordem estética:

Depois da “ladeira” (muito tempo após, Rua da Cruz) a Campina guardava, perene e seguro, o grande pântano alimentado pelas marés. Havia uma pontezinha22. Era um quadrado imenso, desolado, silencioso. [...] Era a Ribeira, pequena, triste, atufada em brejos, circundada de lagoas, de atoleiros, de pântanos. Era o alvo das rajadas de cólera e bexigas. Lugar enfim onde moravam a pobreza, a indigência e a miséria – gritava em 1850, João Carlos Wanderley no relato à Assembleia (NATAL, 2007a, p. 42).

20 Organização das ruas e das praças de maneira a permitir sua regularidade (TEIXEIRA, 2009, p. 269).

21 O termo, relacionado ao alinhamento, dá a ideia de que ruas alinhadas levam ao embelezamento

(“aformoseamento”) dos espaços públicos, isto é, tinha uma clara dimensão estética (TEIXEIRA, 2009, p. 269).

Como uma das primeiras iniciativas de melhoria, a partir de 1853 a Câmara Municipal passou a se preocupar com a criação de um passeio público que ligaria os dois bairros. Esta obra, por sua vez, se estendeu com diversas interrupções até 1929, quando o prefeito Omar O`Grady elegeu como uma necessidade urgente (O`GRADY, 1929; CASCUDO, 1947/1999; DANTAS, 1998).

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