2.2 Procédés de fabrication
2.2.1 Utilisation et mise en forme du PDMS
Apesar do Modelo dos Cinco Fatores não ser específico do domínio da carreira, é transversal aos campos de aplicação da Psicologia, principalmente quando se pretende estudar conceitos como congruência e bem-estar em jovens adultos e adultos (e.g., Diener, Emmons, Larsen, & Grriffins, 1985; Lima & Simões, 2006).
Na atualidade, este Modelo tem grande impato na medida da personalidade, com fundamentação na abordagem de traço, que enfatiza as diferenças individuais em caraterísticas estáveis no tempo e nas situações (Feit & Feit, 2008). O conceito de traço foi introduzido por Allport (1937, 1961), considerando a complexidade do comportamento humano e a unicidade de cada individuo. Traço representa a unidade da personalidade como “um sistema neuropsíquico generalizado e focalizado, que tem a capacidade de tornar vários estímulos funcionalmente equivalentes e de iniciar e guiar formas coerentes de comportamentos adaptativos e expressivos” (1961, p. 373). Allport (1961) distingue traços comuns de traços individuais. Os traços comuns definem as características das pessoas em geral e são avaliados por uma abordagem nomotética através de questionários auto-descritivos, enquanto os traços individuais focam o estudo da pessoa individual, numa abordagem de avaliação idiográfica. Os traços individuais podem ainda ser classificados em traços cardinais, que representam características proeminentes de algumas pessoas (e.g., narcisista, quixotesco), em traços centrais, que incluem entre cinco e dez características predominantes da pessoa (e.g., extroversão, neuroticismo), e em traços secundários, que são características menos expressivas da individualidade (e.g., honestidade, responsabilidade) (Allport, 1961). Estes três níveis não
são empregues nas comparações interindividuais, mas servem para analisar e entender a pessoa individual, única e singular, portadora de uma identidade individual.
Cattell (1946) desenvolveu uma abordagem nomotética dos traços comuns e propôs um modelo de medida de 16 traços de personalidade, operacionalizado por recolha lexical através do 16 – Personality Factors Questionaire (PF), para encontrar as principais características da personalidade. Para Cattell (1946), a personalidade é vista na ótica da preditividade do comportamento.
Também Eysenck (1967, 1970) deu um grande contributo para a abordagem de traço ao desenvolver um modelo agregador de três grandes fatores bipolares (extroversão\introversão, neuroticismo\estabilidade, psicoticismo\superego), que integram parâmetros de temperamento com base biológica e perspetivam a personalidade como sistema coerente do comportamento. No apoio à teoria dos traços comuns, referentes às caraterísticas únicas, mutáveis, mas duradouras e consistentes dos indivíduos, os dados da investigação de Diener, Emmons, Larsen, & Grriffins (1985) inferiram que 52% da variação do bem-estar subjetivo percebido se relaciona com caraterísticas de personalidade e apenas 23% com a autoavaliação acerca dos diversos domínios da vida.
O Modelo dos Cinco Fatores é muito utilizado pela comunidade científica (Costa & McCrae, 1987) sob forma de modelo e medida da personalidade, que explicam e preveem o comportamento. Este modelo é usado maioritariamente no âmbito da avaliação e investigação da personalidade, embora se encontrem também referências a este modelo no domínio da Psicologia da Orientação (e.g., Judge, Higgins, Thoresen, & Barrick, 1999; Lounsbury, Hutchens, & Loveland, 2005).
Apesar do trabalho do Modelo dos Cinco Grandes Fatores estar fortemente ligado a Costa e McCrae (1987), Goldberg foi o primeiro autor a utilizar o termo “cinco grandes” em 1981 (Feit & Feit, 2008). Todos estes autores identificaram as dimensões representativas da
estrutura da personalidade com recorrência a metodologia empírica, com base na análise fatorial. Costa e McCrae (1987) identificaram, em primeiro lugar, os fatores de neuroticismo e extroversão, a que juntaram um terceiro designado abertura à experiência, e mais tarde dois outros fatores designados amabilidade e conscienciosidade. O Modelo dos Cinco Fatores resultou de múltiplos estudos sobre as caraterísticas da personalidade, e, nas décadas de 80 e 90 foi encontrado um relativo consenso sobre esta taxonomia organizadora das caraterísticas individuais, apesar das limitações encontradas (Saricaoğlu & Arslan, 2013). As cinco grandes dimensões da personalidade compreendem, então, os estilos mais frequentes de atuar, adquiridos através de experiências inter e intrapessoais, atitudes e motivações, que explicam determinado padrão de comportamento (Costa & McCrae, 1987).
O modelo dos Cinco Grandes Fatores de Personalidade está associado à medida de NEO-PI- NEO Personality Inventory, proporcionando um instrumento muito utilizado na avaliação e investigação da personalidade (Saricaoğlu & Arslan, 2013), com versões na língua portuguesa (Hutz et al., 1998; Lima & Simões, 2000, 2006). Na literatura, existem múltiplas versões deste instrumento, que revelam diferentes qualidades psicométricas. A forma revista do NEO-PI-R (revised NEO Personality Inventory) foi publicada em 1992, sendo atualmente a mais usada. Este instrumento permite avaliar a personalidade em cinco escalas de domínio, que se dividem em 30 facetas (seis por cada domínio) (Lima & Simões, 2000, 2006).
Este instrumento representa um avanço para a ciência por descrever dimensões humanas de forma universal, estável, consistente e replicável (Costa & McCrea, 1989). Na sua forma atual, o modelo dos Cinco Grandes Fatores de Personalidade apresenta cinco dimensões gerais e distintas que correspondem aos traços de personalidade: “Abertura à Experiência” (e.g.: mente aberta e originalidade), “Conscienciosidade” (e.g.: controlo de emoções, ponderação, organização), “Extroversão” (e.g.: entusiamo, emoções positivas, socialização), “Amabilidade”
(e.g.: altruísmo, simpatia) e “Neuroticismo” (e.g.: ansiedade, tristeza). Cada uma das cinco dimensões inclui ainda seis facetas, como referido anteriormente (Lima & Simões, 2006).
A “Abertura à Experiência” é caracterizada por indivíduos com um comportamento independente, aventureiro, criativo, motivado pela curiosidade pelo ambiente, sensibilidade estética e pelo não convencional. Este traço é característico de indivíduos que tendem a ser curiosos acerca do mundo, apreciam desafios, situações novas e intensas, para as quais ainda não tenham estratégias construídas ou consolidadas. Por seu turno, indivíduos menos abertos à experiência tendem a ser naturalmente mais conservadores e evitam sair da zona de conforto (Saricaoğlu & Arslan, 2013; Silva et al., 2007). As facetas da dimensão Abertura à experiência (NEO-PI-R) são Fantasia, Estética, Sentimentos, Ações, Ideias e Valores (Lima & Simões, 2006).
A “Conscienciosidade” prende-se mais com o plano profissional e carateriza os indivíduos com uma conduta pautada pela responsabilidade, escrupulosidade, perseverança, senso de contenção, honestidade, autodisciplina e sentido prático. Este traço de personalidade é comum em indivíduos confiantes, com elevado sentido de responsabilidade, cooperação, organização e realização. Por sua vez, os indivíduos menos conscienciosos tendem a ser mais distraídos e menos obstinados em relação aos projetos de vida (Saricaoğlu & Arslan, 2013; Silva et al., 2007). As facetas de Conscienciosidade (NEO-PI-R) são Competência, Ordem, Dever, Luta por Aquisição (achievement striving), Autodisciplina e Deliberação (Lima & Simões, 2006).
A “Extroversão” corresponde a uma dimensão interpessoal, diretamente ligada a afetos positivos e à capacidade de interação e socialização. Assim, os indivíduos com elevados níveis de extroversão tendem a ser enérgicos, otimistas, altruístas, empáticos e denotam prazer na interação com terceiros, todavia são menos introspetivos. Pelo contrário, os indivíduos que apresentam baixos níveis de extroversão caracterizam-se por assumirem uma postura mais
reticente e distanciada no envolvimento com terceiros (Saricaoğlu & Arslan, 2013; Silva et al., 2007). As facetas de Extroversão (NEO-PI-R) são Calor, Gregariedade, Assertividade, Atividade, Procura de excitação e Emoções Positivas (Lima & Simões, 2006).
No que concerne à “Amabilidade”, um pouco à semelhança da extroversão, esta distingue os indivíduos com maior facilidade no relacionamento com terceiros, com comportamentos pro-sociais e altruístas, pautados por generosidade, lealdade, cooperação, honestidade e cordialidade e simpatia. Por sua vez, os indivíduos com baixos níveis de amabilidade tendem a ser menos cordiais, mais individualistas, egocêntricos e manifestam uma atitude de distanciamento e desconfiança sobre o outro (Saricaoğlu & Arslan, 2013; Silva et al., 2007). As facetas de Amabilidade (NEO-PI-R) são Confiança, Retidão, Altruísmo, Complacência, Modéstia e Coração-mole (tender-mindedness) (Lima & Simões, 2006).
Por fim, o “Neuroticismo” carateriza-se pela tónica de instabilidade emocional e dificuldade em estabelecer e manter relações com os outros. Este traço de personalidade prende- se com a forma como os indivíduos vivenciam emoções negativas, tais como a ansiedade, stresse, sensação de vazio, desamparo e negativismo face a si e à vida. O neuroticismo é normalmente associado a um desajuste emocional e, por isso, indivíduos com elevados níveis de neuroticismo experienciam mais emoções negativas, tendem a ser mais preocupados, deprimidos, melancólicos, ansiosos e menos otimistas. Por seu lado, os indivíduos estáveis, equilibrados e com baixos níveis de neuroticismo, tendem a responder às situações adversas de uma forma mais calma, ajustada e despreocupada (Saricaoğlu & Arslan, 2013; Silva et al., 2007). As facetas de Neuroticismo (NEO-PI-R) são Ansiedade, Hostilidade, Depressão, Autoconscienciosidade, Impulsividade e Vulnerabilidade (Lima & Simões, 2006).
Na abordagem de traço, a personalidade é vista como dos principais preditores de bem- estar e desempenho (Lima & Simões, 2006). Logo, a estabilidade emocional e extroversão estão normalmente associadas a sentimentos de alegria, bem-estar e a emoções positivas (Rogers,
Creed, & Searle, 2012). Estudos mostram que pessoas com características de extroversão e baixos níveis de neuroticismo tendem a expressar mais emoções positivas e a interessarem-se mais pelo meio envolvente (Compton, 2005), apresentando também maiores níveis de autoestima (Compton, 2005; Diener & Biswas-Diener, 2002) e bem-estar (Saricaoğlu & Arslan, 2013; Teixeira & Costa, 2017). Estas características de personalidade estão frequentemente associadas a um maior controlo e gestão das emoções negativas, maior capacidade de intimidade e satisfação nas relações com os outros (Compton, 2005; Diener & Biswas-Diener, 2002). Os indivíduos que avaliam a vida predominantemente de modo positivo geralmente são mais felizes, têm expectativas mais positivas face ao futuro e são mais otimistas (Compton, 2005). De acordo com Diener e Lucas (2000), indivíduos com valores e objetivos de vida bem definidos percecionam maiores níveis de bem-estar subjetivo. O bem-estar pode ainda ser determinado por padrões de avaliação desenvolvidos a partir das características de personalidade, cultura, valores e objetivos de vida (Diener & Lucas, 2000). Segundo esta perspetiva, objetivos e valores pessoais desempenham um papel significativo na vida dos indivíduos, pois expressam os traços mais salientes em cada um, possibilitando uma compreensão mais detalhada sobre pretensões para o futuro e sobre o que os faz felizes. Christiansen, Backman, Little, e Nguyen (1999) mostram ainda que a extroversão e a sensibilidade social têm um efeito positivo nos níveis de stresse, contribuindo para um melhor entendimento sobre o bem-estar geral. No mesmo sentido, a cooperação com pares e professores é preditor de bem-estar, sendo a ansiedade às situações de avaliação um fator negativo que interfere com os sentimentos de bem-estar (Almeida, 2017). Também, numa pesquisa efetuada com alunos do ensino superior, a extroversão e a amabilidade são preditores do bem-estar subjetivo (Teixeira & Costa, 2017), sendo a conscienciosidade um fator preditivo da satisfação na carreira (Costa & Teixeira, 2016), e, extroversão, amabilidade, neuroticismo e abertura à experiência preditores de autoeficácia geral (Teixeira & Costa, no prelo).