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Todas as perfurações de macroorganismos na estrutura interna dos nódulos corresponderam a estruturas do tipo domicnia. As perfurações associadas à

CAPÍTULO III - Icnoassembleia e macroforaminíferos na estrutura interna de rodolitos da CVT

macroorganismos perfurantes encontradas foram do tipo: Entobia Bronn (1837-38), Gastrochaenolites Leymerie (1842) e Trypanites Mägdefrau (1932).

As perfurações identificadas como o icnogênero Entobia foram representadas por câmaras cilíndricas a subcilíndricas e muitas vezes com canais de menos de 1mm de diâmetro fazendo a conexão entre as câmaras. As macroperfurações do Tipo Entobia podem apresentar em sua borda microestruturas cuspidiformes devido à ação de esponjas perfurantes ao produzirem a perfuração. Essas microestruturas puderam ser observadas em várias lâminas petrográficas do presente estudo (Figura 16d). Outro fator propício à identificação de Entobia foi a presença de espículas de esponjas em várias perfurações que ainda não haviam sido preenchidas pelo processo de sedimentação (Figura 16f).

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Figura 16: Identificação de icnogênero Entobia em nódulos calcários da Ilha da Trindade e do monte Jaseur: a) Imagem do bloco elaborado na face interna do nódulo para a elaboração de lâmina petrográfica; b) Lâmina petrográfica em que se pode observar as perfurações cilíndricas típicas de Entobia; c) Macrobioerosão cilíndrica típica de Entobia preenchida por micrita, a moldura preta indica a área destacada na figura seguinte; d) detalhe do limite da macrobioerosão evidenciando as microestruturas cuspidiformes (cabeça de seta preta); e) Rede de câmaras e canais características de Entobia, a

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moldura preta indica a área da figura seguinte e; f) Detalhe de uma das perfurações cilíndricas de Entobia ainda com a presença de espículas (E) de esponjas.

A análise das espículas em microscópio possibilitou a identificação de dois gêneros: Cliona sp. e Jaspis sp. O gênero Cliona é um tipo de esponja perfurante responsável pela destruição da matriz carbonática e criação de novos espaços. Já o gênero Jaspis não é uma esponja perfurante, porém faz parte da criptofauna por ocupar espaços produzidos por outros organismos.

O icnogênero Trypanites é caracterizado por perfurações de entradas simples, cilíndricas a subcilíndricas, não ramificadas. As perfurações apresentaram cerca de 1mm de diâmetro e comprimentos variados. Os cortes em lâmina petrográfica podem ser representados por seção transversal circular e eixos retos, curvos ou irregulares (Figura 17).

Figura 17: Perfurações atribuídas ao icnogênero Trypanites (cabeças de setas) podem ser observadas em lâmina petrográfica como canais (cortes longitudinais) ou círculos (seções transversais).

O icnogênero Gastrochaenolites é formado por bivalves, sendo que muitas vezes suas conchas ainda podem ser encontradas no local da perfuração (e.g.; Bassi et al. 2012a). Por serem formados por organismos filtradores estão sempre posicionados de maneira perpendicular à superfície externa do nódulo. As perfurações apresentam uma abertura estreita que pode se prolongar formando o pescoço e se alarga em direção ao fundo da

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perfuração na câmara principal em forma de garrafa (flask-shaped; Kelly e Bromley 1984) (Figura 18).

Figura 18: Gastrochaenolites isp. em nódulos calcários da Ilha da Trindade. A) Caracteres diagnóstico pescoço (P) e câmara principal (CP), a seta negra indica a presença da concha do bivalve preservada; B) Câmara principal (CP) alongada no eixo longitudinal e larga em seção transversal e C) cortes transversais da perfuração.

Através da análise das lâminas petrográficas foi possível observar que o icnogênero Entobia foi o mais frequente considerando todos os locais de coleta, independente da posição da estrutura interna/externa (Tabela 8). O icnogênero Trypanites mostrou variação quanto à posição na estrutura, sendo maior na parte externa. Isso pode estar associado à dificuldade de reconhecer essas perfurações após o retrabalho de cimentação e bioerosão na estrutura interna do rodolito.

Tabela 8: Percentual de contribuição dos três icnogêneros identificados nas lâminas petrográficas.

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Entretanto não houve diferença estatística significante entre a icnoassembleia dos montes em relação à região externa (Trindade e Jaseur 66m: p=0,105; Trindade e Jaseur 74m: p=0,1004 e Jaseur 66m e Jaseur 74m: p=0,9021) ou à região interna (Trindade e Jaseur 66m: p=0,7976; Trindade e Jaseur 74m: p=0,7987 e Jaseur 66m e Jaseur 74m: p=0,898). Em relação aos locais de coleta, houve diferença estatística significativa entre a ilha da Trindade e monte Jaseur 74m (p=0,0492).

O diagrama de largura vs. comprimento mostra a distribuição de indivíduos de tamanhos variados nos três locais de estudo. Os Gastrochaenolites apresentaram forma elipsoidal com o comprimento do maior eixo variando de 4 a 23mm em Jaseur 74m (n = 6), de 11 a 37mm em Jaseur 66m (n = 16) e de 8 a 40mm em Trindade 65m (n = 13). Em relação ao local de coleta, é possível observar que em Jaseur 74m foram encontrados apenas indivíduos menores e na superfície dos nódulos, podendo indicar uma colonização recente por bivalves, admitindo-se que os bivalves aumentam suas dimensões ao passarem da fase juvenil para a fase adulta (Figura 19).

MÉDIA (±DP) MÉDIA (±DP) MÉDIA (±DP)

Entobia 95,31% (±1,92) 81,91% (±3,9) 76,89% (±18,91) Gastrochaenolites 1,14% (±1,99) 1,94% (±1,76) 1,51% (±2,62) Trypanites 3,53% (±3,45) 16,14% (±5,02) 21,59% (±19,67) Entobia 90,70% (±8,34) 88,20% (±14,21) 89,71% (±2,56) Gastrochaenolites 3,03% (±2,94) 2,99% (±2,66) 0% 0 Trypanites 6,26% (±6,45) 8,80% (±12,47) 10,28% (±2,56)

Trindade 65m Jaseur 66m Jaseur 74m

E X T E RNA INT E RNA

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Figura 19: Relação comprimento versus largura em Gastrochaenolites (n = 32). O círculo com linha pontilhada inclui indivíduos possivelmente adultos enquanto a linha contínua inclui os indivíduos possivelmente juvenis.

As perfurações do icnogênero Gastrochaenolites encontradas na face interna dos nódulos foram contabilizadas e o resultado em indivíduos/área foi de 0,03/cm2 para Trindade 66m, de 0,02/cm2 para Jaseur 65m e de 0,02/cm2 para Jaseur 74m.

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