2.4 Résumé du chapitre et début de problématique
3.1.1 Utilisation des fonctions graphiques des GPU
A Educação Biocêntrica parte da concepção de que a aprendizagem se dá através do conhecimento (epistemológico) e por meio de vivências (ontológico). O primeiro a investigar o sentido de vivência foi o filósofo historicista alemão Wilhelm Dilthey, que propôs um conceito expresso no termo alemão “Erlebnis”, definindo-o como “algo relevado no complexo
psíquico dado na experiência interna de um modo de existir a realidade para um indivíduo”
As vivências, na Educação Biocêntrica, são experiências plenas, intensas, da realidade em sua totalidade, no momento presente, mesmo que esteja relacionado ao passado. As vivências não são controladas pela consciência, nem dirigidas pela vontade, embora possam ser evocadas e terminam chegando à consciência. Expressam-se dependendo da identidade de cada um, portanto, são diferentes para cada um. A intensidade será de acordo com a pessoa e o tipo de vivência experimentada. Tem uma dimensão sinestésica envolvendo todo o organismo em sensações de prazer, tristeza, alegria ou solidariedade. Por isso, é tão importante favorecer vivências integradoras porque elas, biológica e existencialmente, têm um poder organizador (TORO, 2010).
Através desta nova abordagem de ensino, o educador (facilitador) tem a possibilidade de desenvolver vivências que podem propiciar uma sensibilização dos conteúdos ministrados, estimulando e facilitando a aprendizagem do aluno. A vivência é a metodologia básica da Educação Biocêntrica aplicada no sentido de gerar novas condições de aprendizagem. Aprender não apenas pelo cognitivo, mas aprender a conectar-se com nossas emoções e
sentimentos, saber ouvir a nossa intuição, saber ouvir o outro através da “escuta ativa”, poder
captar na fala do outro toda a sua existência. Essas são posturas essenciais na relação humana.
“Aprender a sentir para, mais facilmente, aprender a pensar” (GOIS, 1997, p.4).
A Educação Biocêntrica visa promover uma aprendizagem significativa para os aprendentes. Para tanto, busca organizar os conteúdos de forma a trabalhar a sensibilização, o imaginário e as significações, respeitando os conhecimentos prévios, as diferentes maneiras e os ritmos de cada ser cognoscente na construção do conhecimento, permitindo o desenvolvimento da capacidade criativa, reflexiva, de investigação e de intervenção. Uma epistemologia baseada na vivência pode conduzir não só a uma consciência essencial da realidade, mas, também à sabedoria que consiste na relação com o mundo, na integração do ser com o cosmo. A Educação Biocêntrica inaugura assim, uma forma extremamente profunda de acesso à consciência de si e do mundo por meio da vivência (TORO, 2006, p. 32-33).
As vivências obedecem a um circuito fisiológico de dentro para fora, são oportunidades possibilitadas aos aprendentes de experienciar sensações de ordem somáticas, através de percepções neuropsicológicas programadas, visando proporcionar momentos reflexivos vivenciais que oportunizam a ressignificação de conceitos, concepções e práticas. As vivências são âncoras metodológicas do processo de aprendizagem.
Para Rolando Toro (1991), aprender também é um processo vivencial. Ele distingue 3 níveis de aprendizagem: cognitivo, vivencial e visceral. O nível visceral ou instintivo pode ser considerado uma espécie de inteligência cósmica porque indica uma capacidade inata de
responder aos estímulos, facilitando adaptações e a própria conservação da vida (TORO, 2006). O nível vivencial tem uma dimensão ontológica, configurando-se como um portal de acesso à profundidade do nosso ser. Além disso, a vivência possui “uma influência reguladora
quando contém uma qualidade afetiva” (TORO, 2006, p.180).
De acordo com Toro (2006) instinto e vivência, se encontram profundamente ligadas e formam parte de nossa raiz biológica de vinculo com a vida. Junto com o cognitivo, os aprendizados visceral e vivencial completam a aprendizagem no nível mais profundo. Por outro lado, quando o processo de aprendizagem de uma pessoa não abrange estes três níveis de respostas, necessariamente suas ações serão incoerentes, dicotômicas e superficiais.
Os níveis de aprendizagem estão relacionados neurologicamente e podem influenciar-se entre si, mas possuem também uma forte autonomia. A percepção dos significados que afetam a existência pode influenciar sobre o emocional e o visceral. Tomemos como exemplo o significado que uma má notícia pode produzir: uma emoção de profundo sofrimento e a nível visceral, espasmos cardio-respiratórios e até mesmo a morte. (TORO, 2006, p.184).
Para além da memorização, e distante da ideia de assimilação de informação, a proposta de Rolando Toro coloca outro caminho. A questão que norteia o seu pensamento sobre aprendizagem é a de que é fundamental que as pessoas produzam respostas harmônicas, saudáveis, enfim, orientadas para a vida! Essa questão é essencial (GONSALVES, 2010).
A educação Biocêntrica introduz a dimensão que tem sido negligenciada ao longo dos séculos: a afetividade. A esperança de Toro está depositada na conexão afetiva, na mensagem que vem do coração de maneira não intelectualizada, mas vivencial, para que a vida possa ser encarada de uma maneira mais sensível e humana.
Na Educação Biocêntrica, trabalha-se o centro afetivo que integra a motricidade, de modo que os jogos e gestos arquetípicos, realizados com músicas especialmente selecionadas, tornam-se danças e são propostos com a função de vínculo (TORO, 2002). A metodologia biocêntrica visa estimular uma reflexão consciente e, portanto, crítica da realidade, estimulando o potencial criativo e principalmente, tocando o núcleo afetivo das pessoas. A partir daí ocorre o desenvolvimento da inteligência afetiva.
É através da vivência que se desenvolve um ensino biocêntrico no qual não existe receita estrutural pedagógica pronta – a ser usada da mesma forma em ambientes diferentes –, mas deve ser criada e recriada com todo o grupo de alunos e educadores bem como com toda comunidade escolar, em um clima de construção, respeitando seus pressupostos e, acima de
tudo, muito mais do que comprometida com planos sem fundamentos e vazios de significados, esteja a serviço da vida. Faz-se necessário uma ação sensível, uma política transformadora, capaz de impulsionar-nos, se educadores de fato, a transformar a realidade do ensino, apesar das dificuldades, formando nossos alunos para a vida.
CAPÍTULO III -
DA EDUCAÇÃO BIOCÊNTRICA À EDUCAÇÃO BIOSSUSTENTÁVEL
O amor ajuda a nossa cognição. Certamente, aprendemos melhor quando amamos. A sua ação revela à humanidade indivisível do nosso ser que é ao mesmo tempo emocional e racional. Na educação, podemos chamar este amor de afeto.
(CUNHA, 2010, p. 9)