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3.1.2.4. Usure – corrosion

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CHAPITRE I. ETAT DE L’ART

I. 3.1.2.4. Usure – corrosion

A maioria das mulheres e dos homens que participa do GETI é advinda de classes sociais menos favorecidas como já foi demonstrado anteriormente, muitos nunca sentaram num banco escolar, outra parte apenas aprendeu a ler e a escrever precariamente. Além disso, como a variedade de língua utilizada por eles difere em muitos aspectos daquela ensinada na escola, os educandos se sentiam, em contexto escolar, mais uma vez excluídos pela sociedade. Segundo Soares (2005),

É o uso da língua na escola que evidencia mais

claramente as diferenças entre grupos sociais e que

gera discriminações e fracassos: o uso, pelos alunos

provenientes das camadas populares, de variantes

linguísticas social e escolarmente estigmatizadas

provoca preconceitos linguísticos e leva a dificuldades

de aprendizagem, já que a escola usa e quer ver usada

(somente) a variante padrão socialmente prestigiada

(p.17).

É por reconhecer essa realidade e a importância da leitura e da escrita na vida dos educandos que o GETI, a partir de 2003, ampliou o seu atendimento na EF passando a ofertar também, além da alfabetização e da 1ª e 2ª etapas já mencionadas, turmas de 3ª etapa (5ª e 6ª séries) e de 4ª etapa (7ª e 8ª séries) direcionadas não somente para aqueles que já faziam parte do programa mas também para um grupo significativo de pessoas que constantemente solicitavam essa abrangência. O nosso trabalho foi, então, desenvolvido junto a duas dessas turmas de 3ª e 4ª etapas que funcionaram no ano letivo de 2007.

A escolha por turmas mais adiantadas deveu-se principalmente aos nossos objetivos relativamente a CL. Se desejávamos perceber as concepções de língua e o nível de CL dos alunos, quanto mais capacitados eles forem, lingüísticamente falando, melhores resultados poderíamos obter. Assim, optamos não pela alfabetização, na qual já tínhamos alguma experiência, mas por turmas que, ao menos teoricamente, já teriam um conhecimento metalingüístico mais abrangente da LP e um domínio mais efetivo da língua escrita. Como Carvalho (1995), acreditamos que:

Quanto mais rico e mais profundo for o domínio da

língua, mais completa e analítica se torna a apreensão

dos seres e das coisas, maior será o reconhecimento da

nossa identidade e diversidade e a valorização das

nossas raízes e da nossa cultura (p. 229).

Além disso, enquanto o processo de ensino/aprendizagem da LP na alfabetização de adultos, no que se refere a questões relacionadas com a formação para a cidadania, já há muito vem sendo discutido e reformulado, principalmente após o trabalho desenvolvido por Paulo Freire, os outros níveis de ensino (Fundamental e Médio31) parecem não conseguir acompanhar essas mudanças de forma efetiva. Na maior parte das vezes, apenas se repassa um conteúdo gramatical que pouco tem a ver com as reais necessidades lingüísticas dos falantes. A partir do momento em que se começou a ofertar turmas do ensino fundamental, as aulas que, no início do programa (1999-2002), só aconteciam três vezes por semana, passaram a ser diárias (de segunda a sexta-feira). Em 2007, as aulas aconteceram das catorze às dezessete e trinta horas, num espaço do próprio GETI cuja construção, iniciada em 2006, ainda não havia sido totalmente finalizada por falta de verba (não existia energia elétrica, por exemplo).

O número de alunos matriculados em cada uma das turmas não sofreu alterações significativas até o mês de Agosto, quando lá estivemos. Assim, na 3ª etapa, dos 15 alunos matriculados no início do ano, 14 participavam efetivamente (freqüência) das aulas; e a 4ª etapa, que tinha 13 alunos, passou a ter 12. Esse número reduzido de desistências parece dever-se à quantidade de alunos por turma e, de acordo com a fala dos entrevistados, ao trabalho mais direcionado ao público em questão.

31 O nível Fundamental vai da 1ª a 8ª série e o nível Médio corresponde aos três últimos anos que antecedem o ensino superior.

De fato, quando questionados, por escrito, acerca da sua escolha pelo GETI e não por outro programa EJA, as respostas que nos foram dadas demonstram a especificidade do público envolvido, não só no que diz respeito ao fator idade, mas a vários outros aspectos da vida desses sujeitos. Assim, das suas respostas podemos destacar alguns dos motivos dessa escolha:

• O sentir-se bem e valorizado que passa pelo tipo de relacionamento entre professores/alunos/funcionários e pelo trabalho direcionado ao público: “porque o GETI tem um ensino pra nossa idade”, “porque eu mim achava feliz no GETI”, “tem professores capacitados para encinar pessoas idosas”;

• A não adequação a outros locais (horário, clientela, …): “porque achava que em outra escola teria dificuldades para entender melhor as coisas, pelo fato, de terem turmas de alunos mais jovens e em quantidade maior. E o GETI me deu essa oportunidade”, “porque eu tinha vergonha de estudar em outra escola”, “porque o estudo é realizado durante o dia”, “por que a quí eu me sinto melhor do que nos ou tros colégios me sinto bem porque todos somos pessoas idosas”;

• A influência da família: “meu marido era muito ciumento por isso estou estudando nesta escola, por que o ensino aqui no GETI é durante o dia”32.

Como as turmas eram constituídas maioritariamente por mulheres (havia apenas um homem em cada turma), o que é comum em todo o programa, a família exerce um papel fundamental, positivo ou negativo, na continuidade dos estudos dessas alunas, seja por causa dos maridos, como já foi citado, seja porque são responsáveis por cuidar dos netos ou da casa. De qualquer das formas, para essas mulheres estudar é muito uma questão de vontade própria, de força de vontade ainda que algumas citem o incentivo dos amigos para que estudassem.

A idade dos educandos variava entre os 23 e os 65 anos. Embora a maioria dos alunos já passasse dos 40 anos, isso não parecia afetar o relacionamento entre eles já que as mais novas (eram todas mulheres) consideravam as demais como companheiras e conselheiras de vida.

Os estudantes são moradores de diferentes bairros da cidade, desde o centro até a periferia. A situação sócio-econômica é também muito diversa: cerca de 30% das turmas é constituída por aposentados que recebem um salário mínimo (mais ou menos 400 reais, aproximadamente 160 euros) e que são os responsáveis pelo sustento da família; outros trabalham por conta própria e não possuem rendimento de valor fixo; e há também os que não possuem rendimento e trabalham apenas em casa.

A seguir apresentaremos as siglas a serem utilizadas para identificar os educandos do GETI. Essas siglas seguem o mesmo modelo das que foram usadas no grupo dos residentes em Portugal. Não faremos, entretanto, uma descrição pormenorizada dos alunos já que, no quinto capítulo, abordaremos, ainda que de uma forma geral, as suas histórias de vida. Faremos, no entanto, a diferença por turma. Assim:

São alunos da 3ª etapa: RG/GETI, E/GETI, AA/GETI, MB/GETI, CV/GETI, RA/GETI, J/GETI, RC/GETI, EZ/GETI, MM/GETI, MO/GETI, R/GETI, JS/GETI,

São alunos da 4ª etapa: MC/GETI, RJ/GETI, MR/GETI, ML/GETI, M/GETI, N/GETI, MN/GETI, MQ/GETI

4.5 Os métodos e instrumentos de recolha de dados utilizados junto ao Grupo de

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