Creating and Maintaining Accounts
2.7 Using edrgy to Add and Maintain Groups and Organizations
Os Influenzavirus são um género de vírus com características únicas entre todos os vírus existentes, devido à sua variabilidade antigénica, sazonalidade e potencial para causar crises epidémicas e pandémicas. São responsáveis por causar uma doença respiratória acompanhada de febre em todas as faixas etárias e causar uma elevada taxa de mortalidade na população idosa e pessoas que sofrem de doenças crónicas.
Estes vírus representam três géneros da família Orthomyxoviridae: Influenza A, Influenza B e
Influenza C, sendo caracterizados por possuírem um genoma de ácido ribonucleico (-) segmentado.
Destes três géneros, apenas os Influenza A apresentam subtipos, sendo que, no passado, eram diferenciados pela reatividade das suas glicoproteínas de superfície, hemaglutinina (HA) e
neuraminidase (NA), atualmente são diferenciados por sequenciação genética. Derivado desta sequenciação, foi possível identificar 16 subtipos de HA e 9 subtipos de NA. No entanto, apenas H1, H2, H3, N1 e N2 estão relacionados com epidemias ou pandemias nos humanos.
3.1.1.1. Glicoproteínas de Superfície
A superfície do vírus é, sobretudo, coberta em HA e NA e contém um pequeno número de moléculas M2. A HA é uma proteína trimérica (formada por três subunidades diferentes) com um terminal carboxílico hidrofóbico ancorado no invólucro viral e um terminal hidrofílico projetado para o exterior de vírus. Esta última porção liga-se a moléculas de ácido siálico, presentes nos recetores das células alvo ou eritrócitos, o que facilita a adsorção do vírus a estas células e, consequente endocitose. No endossoma, após acidificação, a HA passa por um processo de ativação, ou seja, é fragmentada por uma protease em dois polipéptidos – HA1 e HA2. Este passo é crucial para a virulência, uma vez que o vírus não é patogénico se a HA não for ativada. Isto porque, a HA2 vai provocar a fusão do invólucro nuclear com a membrana citoplasmática do endossoma e permitir que o vírus liberte o seu material genético no citoplasma da célula hospedeira, que depois entra no núcleo onde é transcrito e replicado. A NA, contrariamente à HA, tem o seu terminal amina ancorado no invólucro do vírus. É muito importante para a libertação dos vírus de células infetadas e disseminação dos mesmos ao longo do trato respiratório, uma vez que previne a agregação de partículas virais, assim como possibilita a penetração do vírus através das secreções do trato respiratório. O seu mecanismo de ação consiste na clivagem de moléculas de ácido siálico da superfície das células hospedeiras, do invólucro do vírus e de mucinas (proteínas presentes nas secreções do trato respiratório). As M2, visto que são canais iónicos, contribuem para acidificação do endossoma, ao bombearem protões para o interior do mesmo.42,43
3.1.1.2. Patogénese
Os Influenzavirus disseminam-se entre pessoas através de gotículas expelidas durante a fala, tosse ou espirros. O período de incubação é entre um e quatro dias, dependendo da carga viral e das defesas do hospedeiro. Após o período de incubação, surgem os primeiros sintomas que são, predominantemente respiratórios, o que leva o hospedeiro a confundir a doença com uma constipação comum. No entanto, após alguns dias surgem sintomas como febre e dores musculares, que são o que distinguem a gripe de uma constipação. Quando devidamente tratados, estes sintomas diferenciais duram cerca de três dias, enquanto os restantes podem durar entre uma a duas semanas.43
O facto destes vírus estarem distribuídos por todo o mundo permite-lhes causar surtos de intensidades muito variáveis, em diferentes regiões e em simultâneo. A variação antigénica nas proteínas de superfície (HA e NA), especialmente no Influenza A, é o que define o potencial epidémico ou pandémico do vírus. Uma mutação genética minor é o resultado de uma acumulação estável de mutações que alteram o tipo de aminoácidos no determinante antigénico dessas proteínas. Estas alterações são também designadas como drift antigénico e reduz a imunidade pré- existente do hospedeiro, facilitando a disseminação do vírus e da doença. Por outro lado, quando a mutação genética é major, significa que ocorreu uma alteração dramática das proteínas HA e/ou
NA, por exemplo, uma substituição total de um segmento genético viral. Isto acontece quando duas estirpes diferentes invadem a mesma célula hospedeira e, durante a replicação genética ocorre a substituição do segmento, levando a uma estirpe viral que possui material genético de duas estirpes diferentes. Estas alterações são conhecidas como shift antigénico e são responsáveis pelas crises pandémicas, visto que a população possui pouca ou nenhuma imunidade contra esta nova estirpe.42- 44
3.1.1.3. Tratamento farmacológico
Provavelmente, um dos maiores desafios no tratamento de uma infeção por Influenzavirus é a sua deteção precoce, uma vez que a terapia é mais eficaz no início da infeção. Visto que os sintomas iniciais desta infeção não são específicos da mesma, o recurso a testes de biologia molecular, como
enzyme-linked immunosorbent assay ou polymerase chain reaction, permitem uma identificação
clara da doença. No entanto, a OMS recomenda que o tratamento contra os Influenzavirus seja iniciado antes de se saber os resultados das análises laboratoriais. Atualmente, o tratamento para infeções moderadas e graves causadas por Influenza A e Influenza B focam-se em fármacos inibidores da NA, visto que todas as estirpes existentes apresentam suscetibilidade. Todavia, de forma a contornar uma possível resistência viral que possa surgir no futuro, a estratégia passará por combinar diferentes fármacos com diferentes mecanismos de ação, assim como inibir mecanismos celulares que sejam indispensáveis para a replicação do vírus, na célula hospedeira. Os fármacos para o tratamento de infeção causada por Influenzavirus encontram-se resumidos na Tabela 5.45-49
Tabela 5 - Fármacos aprovados para o tratamento de infeção causada por Influenza
Molécula
Mecanismo de ação
Observações
Amantadina Bloqueiam a bomba de protões M2, inibindo a libertação do material genético do vírus, do endossoma
Específico para Influenza A; Não recomendados devido à elevada percentagem de resistência
Rimantadina
Oseltamivir
Ligam-se à NA e impedem a sua ação de clivagem, inibindo a libertação das partículas víricas
Tratamento e profilaxia da gripe em adultos, crianças e recém-nascidos;
Cápsula
Zanamivir
Tratamento e profilaxia de
Influenza A e Influenza B em
adultos e crianças (≥ 5 anos); Pó para inalação
Peramivir
Tratamento da gripe não complicada em adultos e crianças (≥ 2 anos);
Baloxavir marboxil Liga-se a uma endonuclease e previne a síntese de mRNA vírico
Aprovada no Japão e nos Estados Unidos da América (2018);
Dose única oral
3.1.1.4. Vacinação
O desenvolvimento e fabrico de uma vacina estão intimamente ligados com as características do microrganismo causador da doença contra a qual a vacina irá proteger. Atualmente, existem cinco tipos de vacinas:
• Vacina viva atenuada: contêm o microrganismo “vivo”, mas geneticamente modificado de forma a poder replicar-se no organismo, sem provocar doença. Conferem imunidade numa única dose e semelhante à da infeção natural, daí a sua grande eficácia;
• Vacina inativada: contêm o microrganismo inativado ou “morto”, sem capacidade de se replicar. Menos eficazes que as vacinas vivas, visto que necessitam de várias doses de administração e a proteção só se desenvolve a partir da segunda ou terceira dose. No entanto, são mais seguras do que as vacinas vivas;
• Toxoide: protegem de doenças provocadas por bactérias que produzem toxinas. A toxina é quimicamente alterada, convertendo-se em toxoide que induz a produção de anticorpos neutralizantes da toxina bacteriana;
• Vacina de subunidade: contêm os antigénios essenciais de vírus ou bactérias, de forma a produzir resposta imunológica. Muito seguras;
• Vacina conjugada: são fabricadas pela conjugação de uma proteína que facilita o que as células produtoras de anticorpos reconhecem o antigénio e uma subunidade antigénica. Especialmente úteis em crianças com idade inferior a dois anos.50,51
No caso específico das vacinas contra a gripe, estas são refeitas anualmente, tendo em conta quais as estirpes de vírus que mais circularão, em cada hemisfério do globo. Os centros de vigilância de cada país recolhem amostras de vírus da gripe que estão em circulação, analisam os dados e enviam-nos para a OMS. Após recolha de todos os dados, a OMS define que estirpes de
Influenzavirus serão incluídas na vacina desse ano.52-54
Em Portugal, para a época 2020/2021 estão disponíveis duas vacinas inativadas, contra a gripe, como demonstra a Tabela 6.52
Tabela 6 - Vacinas para a época gripal 2020/2021, em Portugal
Influvac Tetra
®Vaxigrip Tetra
®Adultos e crianças ≥ 3 anos de idade Adultos e crianças ≥ 6 meses de idade Crianças até aos 8 anos (inclusive) vacinadas pela primeira vez contra a gripe sazonal devem
fazer 2 doses, com um intervalo de, pelo menos, 4 semanas
3.1.2. Influenzavirus e COVID-19
Apesar de ser impossível saber o que irá acontecer durante as estações Outono/Inverno, o mais provável é que tanto os vírus responsáveis pela gripe, como o vírus responsável pela COVID-19 coexistam e se disseminem na comunidade, em simultâneo. Neste contexto, visto que ambas as doenças demonstram sintomas semelhantes, podem evoluir para situações graves como hospitalização do paciente ou mesmo morte e podem afetar a mesma pessoa, concomitantemente, a vacinação contra a gripe é mais importante do que nunca. É importante referir que a vacina contra a gripe não protege contra a COVID-19, no entanto ajudará a proteger as pessoas mais vulneráveis – idosos, doentes crónicos, imunodeprimidos, entre outros. Finalmente, um surto de gripe iria sobrecarregar o SNS que já se encontra extremamente ocupado a lidar com a pandemia da COVID- 19.55,56
3.2. Resultados, Discussão e Conclusão
Após apresentação e discussão de alterações com a Dra. Paula Nadais, o conteúdo foi partilhado no Facebook da FV. Visto que a partilha online consegue atingir quer os utentes da farmácia, quer utentes de outras farmácias, penso que o objetivo deste projeto foi alcançado, uma vez que qualquer pessoa que se depare com a informação terá mais um alerta para o tema da vacinação, o que vai levá-la a considerar essa hipótese tanto para ela, como para familiares ou amigos que considere necessário. À data da partilha, a FV contava já com um elevado número de reservas de vacinas contra a gripe, que continuaram a aumentar durante essa semana.
Conclusão
Finalizado o meu estágio na FV, considero que este foi essencial para encerrar os cincos anos do curso. Durante estes meses pude pôr em prática várias matérias que aprendi durante o curso, transmiti-las tanto aos colegas, como aos utentes e aprofundar o meu conhecimento em tantas outras matérias. Não é possível aprender tudo sobre a FC em cinco anos, todavia sinto que cheguei com uma excelente preparação ao meu primeiro dia de estágio, algo que se foi revelando à medida que as semanas passaram e que ganhava mais confiança dentro da equipa da farmácia para assumir responsabilidades dentro do dia a dia da mesma. Por outro lado, tenho de realçar o papel crucial do farmacêutico dentro do SNS. O farmacêutico é a porta de entrada para o SNS, a farmácia o local a que qualquer utente se pode deslocar para esclarecer qualquer tipo de dúvida, a qualquer altura do dia e, grande parte das vezes, sem qualquer custo associado. O ato de aconselhamento mostra-se como um valor acrescentado da profissão, visto que é no momento da dispensa que o farmacêutico contacta com o utente, toma conhecimento dos seus problemas e usa o seu conhecimento para os resolver, sendo que nem sempre são problemas relacionados com a medicação. Durante os quatro meses e duas semanas de estágio na FV senti sempre que estava a fazer a diferença na vida de alguém.
Relativamente aos projetos desenvolvidos, posso dizer com segurança e modéstia que foram uma mais-valia para a farmácia e que ajudarão os seus colaboradores no futuro. Os objetivos foram sempre cumpridos e o feedback recebido foi ótimo.
Concluindo, faço um balanço muito positivo ao estágio profissionalizante desenvolvido na FV e sei que todas as experiências que aqui vivi acompanhar-me-ão no futuro.
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