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Ambos os GT procederam a análise levando em conta elementos da GDV e da Educação em Ciências para a Saúde, apontando elementos da segunda que justificassem os enquadramentos subsidiados pela primeira (quadro 23).

Na análise promovida pelo GT D1, a mais extensa entre os oito GT que participaram deste estudo, é possível observar (quadro 23) uma divisão da análise de acordo com as três funções da GDV (representacional, interativa e composicional), mostrando que a teoria foi a espinha dorsal das considerações do grupo, conforme a nossa recomendação inicial e de acordo com os pressupostos analíticos da GDV estabelecidos por Kress e Van Leeuwen (2006).

Quadro 23 - Análises dos GT D1 e D2 ao TMPS D com destaque para os conhecimentos mobilizados relacionados à GDV e à Educação em Ciências para Saúde.

GRUPO RESPOSTAS NA ÍNTEGRA OBSERVAÇÕES

D1

A imagem apresenta a função representacional

conceitual simbólica, pois faz uma análise do causador

das doenças apresentadas no texto verbal, destacando também o sentimento de pessoas acometidas pelas mesmas [doenças que possuem o mesmo vetor], por meio da iluminação e foco em seus rostos.

Também a função interacional de contato na qual as interações entre os participantes representados, o produtor e o participante interativo (leitor/espectador da imagem) são compreendidas como relação de

demanda, pois o texto refere-se ao leitor exigindo que

o mesmo execute uma ação, o combate ao mosquito, e como atitude, indicando a existência de um tipo de

ângulo de representação dos participantes

representados: horizontal oblíquo, pois indica um

distanciamento entre os entes. E distância social, devido à imagem está no chamado plano fechado, pois

enfatiza o rosto dos participantes representados,

separados dos demais elementos como o próprio corpo o qual não se apresenta na imagem.

E por fim a função composicional: os elementos centrais da imagem são as pessoas que sofreram direta ou indiretamente com as doenças transmitidas pelo mosquito. À direita encontra-se uma mensagem nova

e um ideal a ser conquistado: a forma que o mosquito

afeta a vida das pessoas por meio dos depoimentos e a indicação para eliminar os criadouros do mosquito.

Abaixo se encontram os dados realistas: os agentes

responsáveis pela campanha. O enquadramento da imagem é conectado visto que os três quadros

possuem o mesmo texto verbal da campanha e a

mesma finalidade. A saliência é dada com a iluminação dos rostos das pessoas e com o destaque do slogan da campanha através do aumento do tamanho

da fonte do texto e das cores. Quanto à modalidade, a

imagem é naturalística, pois há grande congruência entre a representação e a imagem vista a olho nu.

Mobilização de conhecimentos sobre as funções da GDV Mobilização de conhecimentos ligados a Educação em Ciências para a Saúde D2

Imagem interacional de atitude de ângulo horizontal

oblíquo e de contato de oferta e demanda.

Oferta – as consequências que o mosquito pode causar

Demandaeliminar os criadouros dos mosquitos,

também é interacional de distância social com plano fechado.

A imagem é representacional conceitual simbólica e

composicional da modalidade naturalística.

Em paralelo, o GT D2 sinalizou, em sua análise (quadro 23), uma possível compreensão das três funções da GDV como categorias, pois o grupo aponta que o TMPS D pertence à função interacional e apenas mencionou, sem justificar, um elemento de cada uma das outras duas funções. Essa percepção vai de encontro ao entendimento de Theisen, Leffa e Pinto (2014) de que as funções da GDV não são categorias, e sim elementos integrativos.

Regressando ao GT D1, foi possível identificar que, apesar de terem dividido a análise do TMPS D em três partes, os licenciandos parecem demonstrar uma interpretação do texto multimodal como um todo significante que se complementa. Essa leitura fica evidente quando o grupo classificou o Texto Multimodal como tendo um “enquadramento [...] conectado visto que os três quadros possuem o mesmo texto verbal da campanha e a mesma finalidade” (quadro 23, grifo nosso).

Dessa forma, para o GT D1 as três partes do TMPS D se coadunam para formar um todo significante, uma vez que utilizam os mesmos recursos de organização visual. É importante destacar que essa mesma leitura, apresentada por este grupo, foi o que motivou, em nossa análise inicial, a escolha de inserir três elementos para o formar o TMPS D. Isso demonstra que a formação possibilitou aos licenciandos a percepção de elementos, a respeito do TMPS D, que só podem ser percebidos a partir da leitura do material.

Embora a análise do GT D2 tenha sido bem mais sucinta, é possível enxergar indícios de uma visão de todo similar ao do GT D1, considerando que o grupo não procedeu a decomposição do TMPS e se refere a ele como “a imagem”, denotando a compreensão de todo, o que segue a recomendação analítica da GDV, segundo Kress e Van Leeuwen (2006).

Um ponto a ser destacado tanto na análise do GT D1 como do GT D2 é a classificação do TMPS D pelo grupo como “representacional conceitual simbólica”, mostrando que talvez o grupo tenha ignorado ou não considere o olhar como um vetor implícito, conforme indica Novellino (2007) ao dissertar sobre os tipos de vetores que indicam a função representacional narrativa. Ainda sobre isso, o GT D1 afirmou que os efeitos de iluminação e direcionamento do olhar possuem uma função simbólica para referenciar o sentimento causado pelas doenças elucidadas no texto verbal.

Kress e Van Leeuwen (2006) salientam que os atributos simbólicos, da função conceitual simbólica, podem ser expressos com destaques na imagem, por meio de iluminação e/ou por associação a valores simbólicos. Sobre valores simbólicos, se partirmos da premissa de que o olhar para baixo, somado à expressão facial, possuem uma representação simbólica de tristeza, conforme já destacamos na análise prévia do TMPS D, a interpretação do GT D1 não foi equivocada. De fato, cada participante representativo representa um atributo simbólico.

Contudo, os vetores implícitos não podem ser ignorados, restando um impasse a respeito da possibilidade de um Texto Multimodal ser narrativo e conceitual simultaneamente.

Na perspectiva de Pereira e Terrazan (2011), as funções narrativa e conceitual são estruturas que representam aspectos distintos da função representacional, mas não são expressas simultaneamente num mesmo Texto Multimodal. No entanto, Biasi-Rodrigues e Nobre (2010) propõem um novo entendimento para a função conceitual simbólica. Para os autores, toda imagem possui uma carga simbólica, uma vez que sua construção parte do pressuposto da representação através de símbolos convencionais, logo toda a imagem possui um atributo simbólico e um portador, que são elementos que indicam a função conceitual simbólica. Dessa forma, as interpretações dos GT D1 e D2 podem não representar um equívoco, mas sim uma limitação imposta pela própria GDV que os obrigou, bem como a nós em nossa análise inicial, a optar por uma das funções representacionais.

No tocante à função interacional, o GT D1 sinaliza que o TMPS D demanda uma ação (quadro 23), que seria o combate ao mosquito, utilizando do ângulo horizontal oblíquo para estabelecer distanciamento entre os participantes representativos e o leitor interativo, apesar do

close na cabeça, que estabelece intimidade. A análise do grupo parece entender a possibilidade

de mesclar recursos de proximidade e distanciamento a partir de cada elemento da GDV, construindo um equilíbrio, o que pode sinalizar que o GT compreendeu que a abordagem atua levando em conta o todo significante.

Apesar de o GT D2 concordar com a ideia de plano fechado, em função do close na cabeça, e sinalizar que o TMPS D demanda “eliminar os criadouros do mosquito” (quadro 23), estabelece também que há uma oferta, que seriam “as consequências que o mosquito pode causar” (quadro 23). Dessa forma, o grupo compreende uma relação simultânea de oferta e demanda, algo que já foi sinalizado anteriormente como um entendimento equivocado, reforçando que este grupo pode não ter compreendido as nuances da GDV, o que solicita novas oportunidades formativas nesse sentido e abre margem para pesquisas posteriores.

No recorte composicional, o GT D1 faz uma referência às linhas imaginárias que determinam o valor informacional de cada componente do TMPS: “À direita encontra-se uma mensagem nova e um ideal a ser conquistado: a forma que o mosquito afeta a vida das pessoas por meio dos depoimentos e a indicação para eliminar os criadouros do mosquito; abaixo se encontram os dados realistas: os agentes responsáveis pela campanha”. Essa compreensão do GT D1 parece fortalecer que o grupo entendeu a GDV com certa profundidade, mostrando que o processo formativo foi proveitoso.

No tocante à saliência, o GT D1 sinalizou que ela ocorre por intermédio da iluminação, que oferece destaque para cada participante representativo, bem como o slogan da campanha, em função das cores e do aumento de fonte. Já para a modalidade o GT D1 entendeu o TMPS como sendo naturalístico, conforme quadro 23.

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