UNIT: GUh
URANIUM RESOURCES ADDITIONAL TO RESERVES V. RUZICKA
Os anos 2000 iniciaram com o Programa Nacional de Florestas (PNF), criado pelo Decreto n° 3.420, de 20 de abril de 2000. O PNF tem como objetivo incentivar o uso sustentável de florestas nativas e plantadas, fomentar as atividades de reflorestamento, especialmente em pequenas propriedades rurais, desenvolver as indústrias de base florestal e ampliar os mercados interno e externo de produtos e subprodutos florestais (HORA, 2015).
Para Hora (2015), a década de 2000 foi marcada por programas de financiamento como PropFlora e o Pronaf Florestal, os quais não obtiveram o êxito esperado em razão das imposições de garantia de financiamento e pela entrada de fundos internacionais de investimento como as Timberland Investment Management Organizations (TIMOs), “[...] empresas de gestão de investimentos florestais, vinculadas ou não aos fundos de pensão estrangeiros, que adquirem ativos florestais para atuar como reflorestadoras independentes no
mercado” (ABRAF, 2013, p. 81), operando na mediação entre os investidores e os consumidores de plantios comerciais.
As TIMOs iniciaram nos EUA nos primeiros anos de 1990 e após uma década passaram a investir fora do território americano (NOBRE, 2012) como no Brasil, no Chile, no Uruguai, na Nova Zelândia e na Austrália. Visando a redução de riscos, estas organizações definem quais os países e em regiões geográficas devem investir, pois cada região florestal possui características distintas, e, portanto, os investimentos são alocados conforme as condições bióticas e abióticas, os diferentes tipos de manejo, e o mercado de terra para a comercialização da madeira, visto que este último é sensivelmente impactado pela demografia e pelo uso e ocupação do solo de um determinado sítio (TIMBERLAND INVESTMENT RESOURCES, 2015).
Para Stape (2008), o setor florestal brasileiro encontra-se em um momento de rápida expansão, subsidiado por capital nacional e internacional que veem na madeira um investimento lucrativo de médio a longo prazo. O autor pontua que estas iniciativas muito se assemelham ao reflorestamento incentivado da década de 1960, pois os plantios são realizados em áreas sem tradição florestal, sem uma destinação definida para o uso final da madeira e com a priorização dos aspectos econômicos em detrimentos dos ambientais e ressalva que o desenvolvimento sustentável do setor, no entanto, deve estar fundamentado em ciência, técnica e informação.
Nesse sentido, o aumento da demanda por produtos florestais e dos custos de produção aliados à certificação florestal vem exigindo do mercado uma gestão e planejamento mais minuciosos, menos impactantes socioambientalmente e mais eficientes” (RIBEIRO, 2004). Neste cenário, a silvicultura de precisão (SP) tem sido considerada como uma inovação e uma alternativa à silvicultura tradicional.
A SP é um novo paradigma para a gestão florestal. Apoiada em dados geoespaciais que possibilitam ações localizadas e acuradas nas florestas, desde a escolha do material genético até o processamento da matéria-prima (AMARAL, 2017; BRANDELERO; ANTUNES; GIOTTO, 2007),
Trata-se de uma nova área do setor florestal, com inédita concepção, que modifica o enfoque dado à silvicultura até então, pois, enquanto no sistema convencional a abordagem da unidade florestal se dá de maneira uniforme, na silvicultura de precisão esta mesma área é tratada geograficamente ponto a ponto, ou seja, a área total é dividida em frações de unidades diferenciadas pelo índice de qualidade de sítio. (BRANDELERO; ANTUNES; GIOTTO, 2007, p. 271).
A SP utiliza-se de geotecnologias como o sensoriamento remoto, o sistema de informações geográficas (SIG) e o Sistema Global de Posicionamento e de Navegação por Satélite (GNSS), visando a otimização da produção, a redução de custos, auxiliando na tomada de decisão no planejamento e no gerenciamento florestal (AMARAL, 2017; BRANDELERO; ANTUNES, GIOTTO, 2007).
De acordo com Ribeiro (2004), a SP pode ter diversas aplicações no setor de base florestal (Figura 12).
Figura 12 - Possíveis aplicações da silvicultura de precisão
Implementação ou reforma Floresta estabelecida Pré-corte e corte ▪ controle de ervas daninhas,
pragas e doenças; ▪ controle de qualidade na implementação. Ex.: avaliação da mortalidade de mudas em decorrência de déficit hídrico; ▪ Controle de qualidade na reforma. Ex.: avaliação da distribuição espacial do resíduo de exploração. ▪ monitoramento nutricional; ▪ levantamento e monitoramento de focos de pragas e doenças; ▪ detecção e mapeamento de áreas afetadas por geadas e incêndios;
▪ mapeamento sistemático de riscos de incêndios (espacialização);
▪ estratificação da área para fim de inventário.
▪ mapeamento de áreas não adequadas ao corte raso, seja
por critérios
conservacionistas, estéticos ou funcionais. Ex.: para o estabelecimento de corredores biológicos;
▪ mapeamento da
produtividade de talhões. Ex.: para a avaliação de clones;
▪ Estabelecimento do traçado das vias, para a otimização da exploração.
Vettorazzi e Ferraz (2000) citam que a coleta e a detecção de dados podem ser realizadas in situ ou remotamente por meio de computadores portáteis ou a bordo de aeronaves. Uma realidade já vivida pelas empresas que detém maior nível de tecnificação, as quais têm buscado na automação, no emprego de softwares especializados e embarcados nas máquinas e no uso de Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs) ou drones, melhorias na produtividade.
Os drones permitem o mapeamento de grandes áreas praticamente em tempo real por meio de imagens com alta definição. Segundo Coelho apud Silva (2014),
Um drone voando a uma altitude de 300 metros, que é o limite máximo de altura autorizada para um voo não tripulado, com câmeras especiais acopladas, é possível obter uma foto de 6 hectares de área. Com diferencial de captura de imagens e que pode ser realizada a qualquer hora do dia e inúmeras vezes em um mesmo dia. (COELHO, 2014 apud SILVA).
Tornou-se possível controlar diversas operações de corte, de transporte e de entrega por meios digitais. O desafio é ter uma rede de comunicação com wi-fi. Quanto mais o setor florestal se desenvolve, maior é a geração de dados sobre os plantios, assim, a tendência é o uso da gestão inteligente que possibilite a obtenção e interpretação de dados de forma integral para otimizar a produção (REVISTA BFOREST, 2017).