O inquérito por questionário foi a única técnica de recolha de dados neste estudo. O questionário é um instrumento que permite recolher dados sobre as informações ou conhecimentos dos sujeitos do estudo (Tuckman, 2002; Afonso, 2005; Quivy & Campenhoudt, 2005). No que diz respeito à sua situação profissional, social ou familiar,
às suas opiniões e ao seu nível de conhecimento, à sua consciência de acontecimento ou problema, ou qualquer outro assunto pertinente ao investigador. O questionário é um instrumento de medição que “ajuda a organizar, a normalizar e a controlar os dados de tal forma que as informações procuradas possam ser colhidas de uma maneira rigorosa, havendo um melhor controlo dos enviesamentos” (Fortin, 1996, p. 249). O questionário apresenta limitações no âmbito do material recolhido, pois é superficial e limita o tipo de questões a formular (Tuckman, 2002). Contudo garante o anonimato dos sujeitos, assegurando maior credibilidade nos dados recolhidos e reduz o nível de constrangimento que estes possam sentir. O inquérito por questionário trata-se de uma técnica de observação, não participante, porque interpõe uma sequência de interrogações escritas que se dirigem a um conjunto de inquiridos, que envolve as suas opiniões, as suas representações, as suas crenças ou as várias informações factuais sobre eles próprios ou o seu meio (Amorim, 1996). À medida que um inquérito por questionário é elaborado, deve ter-se especial atenção no conhecimento sobre o assunto, na seleção das questões pertinentes ao estudo, nas instruções para o preenchimento do questionário e na apresentação.
Assim sendo, neste estudo foi utilizado como instrumento de recolha de dados, porque permitiu analisar os dados recolhidos através de um procedimento estatístico descritivo e inferencial. Os inquéritos por questionário são instrumentos que podem ter respostas abertas, fechadas ou múltiplas respostas (Amorim, 1996). Os questionários de resposta aberta permitem que o inquirido responda livremente, emitido a sua opinião. Contudo, apresenta inconvenientes: quer ao nível da dificuldade de redigir as respostas, ao próprio informante, quer ao nível do tratamento estatístico e sua interpretação. A sua análise é complexa, demorada e trabalhosa. A análise de conteúdo das respostas abertas envolve dois procedimentos: a codificação das respostas, a tabulação dos dados e a interpretação dos dados. A interpretação dos dados refere-se ao facto de se estabelecer uma ligação entre os resultados obtidos com outros já conhecidos (Gil, 2002).
Por outro lado, os inquéritos por questionário de resposta fechada, apenas apresentam duas opções de resposta criadas pelo informante. Assim sendo, este tipo de questões limita e restringe a liberdade de respostas, mas facilita o trabalho do investigador. No que diz respeito ao inquérito por questionário de múltipla escolha, este apresenta questões fechadas com várias opções de resposta sobre o mesmo assunto. Esta técnica é facilmente colocada em tabelas e proporciona uma exploração equiparada à escolha de questões abertas. Como tal, a possibilidade de combinar as respostas múltiplas
com as respostas abertas faz obter um conjunto de maior informação sobre o assunto. Foi com este propósito que se conduziu à utilização deste instrumento de recolha de dados, pois permitiu um procedimento estatístico descritivo e inferencial.
Neste instrumento de recolha de dados foi utilizado perguntas de resposta fechada, perguntas de resposta aberta e perguntas de múltipla resposta. Relativamente à estrutura do inquérito por questionário optou-se por dividi-lo em três partes, sendo que a primeira faz-se uma abordagem à caracterização da amostra (sexo, idade, habilitações académicas, tempo de serviço, ano(s) que leciona e alunos por turma) através de questões simples de múltiplas respostas e uma de resposta fechada. No que diz respeito à segunda parte, o inquérito por questionário aborda o conhecimento que os docentes do 1º Ciclo do EB têm sobre a PHDA, assim como as suas características. Nesta parte encontram-se nove múltiplas respostas e cinco respostas fechadas. A terceira parte do inquérito por questionário apresenta questões que abordam a aplicação de estratégias de intervenção a alunos com PHDA e terapias eficazes na ótica do inquirido. Nesta parte existe duas questões de múltipla resposta e uma questão de resposta aberta facultativa.
A construção do questionário só foi efetuada após a concretização do enquadramento teórico, dos objetivos e das questões orientadoras da investigação. Para a elaboração e estruturação de um questionário é necessário ter em conta o tipo de questões, a apresentação do inquérito, a distribuição e a devolução do mesmo. É de real importância, na conceção do inquérito, refletir sobre a forma como serão analisadas as respostas. O inquérito por questionário foi construído na junção de várias consultas bibliográficas efetuadas.
O inquérito por questionário foi aplicado aos docentes do 1º Ciclo do EB através do Google Forms. O Google Forms é uma aplicação do Google que funciona online e que permite a criação e a partilha de documentos através da internet. Assim sendo, este questionário foi construído nessa aplicação e foi, posteriormente, enviado por correio eletrónico aos docentes do 1º Ciclo do EB inquiridos. Após a receção das respostas dos inquiridos foi feita a sua análise e, seguidamente, utilizou-se as tabelas e gráficos para a análise de dados e análise de conteúdo, para a questão em aberto de forma a responder ao problema da investigação. Qualquer investigador deve, antes do tratamento de dados, verificar que as informações recolhidas são necessárias, suficientes e refletem toda a realidade (Almeida & Freire, 2000). Para estes autores a coerência e a consistência da recolha de dados deve depender da validade e da fidelidade, com o intuito de a investigação atingir os objetivos delineados. No que se refere à fidelidade, é importante
que se ressalve a concordância entre as respostas e as questões complementares. Relativamente à validade, é essencial que as questões meçam o que se pretende medir. Assim sendo, e com o intuito de concretizar os objetivos do estudo, elaborou-se o inquérito por questionário com diferentes itens adequados às dimensões do objetivo de investigação. Este inquérito por questionário foi sujeito a um pré-teste (Apêndice I) (aplicação em pequena escala, mas nos mesmos parâmetros que a aplicação definitiva). O pré-teste foi aplicado a uma amostra de vinte docentes do 1º Ciclo do EB que não fizeram parte da amostra. Na aplicação do inquérito por questionário, para além das questões do estudo, foi pedido que os docentes respondessem a uma questão sobre sugestões, para melhorarem o instrumento de recolha de dados. Através do pré-teste verificou-se que os docentes sugeriram a introdução de uma questão aberta, acerca das suas práticas educativas, com os alunos que apresentam PHDA, na sala de aula. Como tal, foi introduzida e validou-se, assim, o questionário, atingindo-se a versão final do mesmo (Apêndice II). A análise permite, a partir do inquérito por questionário a um grupo de sujeitos próximos dos destinatários da prova, alterar os itens que apresentem ambiguidades ou dificuldades de compreensão e detetar erros que possam existir (Almeida & Freire, 2000). Ressalva-se que, a partir da análise do pré-teste é possível verificar se todas as questões foram respondidas adequadamente e se as respostas correspondentes às perguntas abertas são passíveis de categorização. Só assim se adequa o questionário como instrumento de coleta de dados (Gil, 2002). É necessário testar o questionário antes da sua administração devido à exigência de precisão (Correia, 1997). De forma a assegurar a qualidade de questões, a razoabilidade da sua ordenação, e para que as respostas possibilitem corresponder à informação pretendida, é necessário aplicar um questionário a uma amostra reduzida.
O inquérito por questionário final, aplicado aos sujeitos do estudo, é o que está representado em apêndice ao pressente estudo. O procedimento delineado para a aplicação do inquérito por questionário foi através de uma amostragem não probabilística por conveniência, abrangendo cento e vinte e dois sujeitos. Todas as respostas dos questionários são anónimas e cada um é procedido de um cabeçalho explicativo do tema do estudo e da garantia de anonimato e confidencialidade.
Outra forma de recolha de dados foi a pesquisa documental e bibliográfica. Relativamente à primeira, afirma-se que é “desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos” (Gil, 2002, p. 44). Para o autor, esta pesquisa permite ao investigador recolher um maior número de
informações, que se o fizesse a experimentar não conseguiria. Relativamente à pesquisa documental, argumenta-se que é, muitas vezes, confundida com a pesquisa bibliográfica. A diferença é que, na pesquisa bibliográfica, as fontes são constituídas por materiais impressos que se localizam nas bibliotecas e a pesquisa documental as fontes são diversas e dispersas que ainda não receberam tratamento analítico, ou que podem ser reelaboradas através dos objetos de pesquisa (Gil, 2002).