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Update-Send Process / Section 9.2 [RFC4271]

2. Results of Survey

3.44. Update-Send Process / Section 9.2 [RFC4271]

Quando Moscovici (1961) desenvolveu a Teoria das representações Sociais produziu o conceito de elemento figurativo como gênese da formação das representações, e condição decisiva na atribuição de significação do objeto representado. As representações poderiam ter um ou mais elementos figurativos que exerceriam uma espécie de magnetismo sobre os outros conteúdos menos determinantes na constituição das representações.

Ampliando essa teoria, Abric (2003a) propõe outra abordagem designada de estrutural ou Teoria do Núcleo Central, colocando ênfase sobre a organização cognitiva dos elementos constituintes das representações sociais, classificadas em dois sistemas distintos: o núcleo central e os elementos periféricos. O núcleo central possui dupla função: como geradora de significação e

organizadora, determinando como se relacionam os elementos que se estruturam em torno do núcleo central (ABRIC, 2003c):

Uma representação social é um conjunto organizado e estruturado de informações, crenças, opiniões e atitudes; ele constitui um sistema sociocognitivo particular, composto de dois subsistemas: um sistema central (ou núcleo central) e um sistema periférico. O núcleo central é constituído de um ou alguns elementos, sempre em quantidade limitada. (...) O núcleo central, determinando o significado, a consistência e a permanência, vai então resistir à mudança, visto que toda modificação do núcleo central provoca uma transformação completa da representação. (...) O sistema periférico é bem menos limitante, ele é mais leve e flexível. É a parte mais acessível e mais viva da representação. Se o núcleo central constitui, de algum modo a cabeça ou o cérebro da representação, o sistema periférico constitui o corpo e a carne.

(idem; p. 38).

Desse modo, para conhecer, compreender e explicar uma representação social, torna-se indispensável identificar o ou os elemento(s) geradores, que para Moscovici se definem como elementos figurativos, e que na perspectiva de Abric se classificam como núcleo central e sistema periférico., Embora semelhantes as funções desses elementos nas duas teorias, não possuem a mesma significação ou sinonimia.

Os critérios de freqüência e importância (significação) que o sujeito atribui ao objeto representado são indispensáveis na identificação do núcleo central e de como se organiza a representação. O consenso e impossibilidade de contradições internas são características desse sistema, o que inversamente, encontra-se no sistema periférico. “Se considera, então, como centrais, os itens que, estatisticamente caracterizam <<certamente>> o objeto” (ABRIC, 2003b, p. 73).

Abric (2003b) desenvolveu a noção de zona muda da representação social nos seus mais recentes avanços da teoria de abordagem estrutural. A noção de zona muda

se inscreve na idéia de que certos elementos do núcleo central podem ser <<não ativados>> em certas situações. Poder-se-ia, portanto dizer que pode existir em uma representação, em particular, no seu núcleo central, dois tipos de elementos adormecidos:

- aqueles que estão sonolentos porque não ativado; - aqueles que estão sonolentos porque não exprimíveis (zona muda) (idem; p.62).

Os elementos que constituem a real zona muda do núcleo central são de conteúdos “contranormativos”, a parte não legítima, escondida, a face oculta, que é necessário encontrar meios facilitadores para que eles possam ser exprimíveis.

Esse autor acrescenta duas classificações de contextos: normativos e contranormativos. O primeiro refere-se ao fato de que quanto mais próximo o indivíduo sente-se e compartilha dos valores do grupo, maior a pressão exercida para que ele não evoque uma representação “desviante” do grupo. Inversamente, quanto menos o indivíduo compartilha os valores e idéias do sistema de referência do grupo, maior é a possibilidade de que ele se expresse de modo “contranormativo” ou desviante em relação aos que estão mais distantes dele.

Sendo assim cabe aqui responder a seguinte questão relativa ao objeto de pesquisa: quais elementos são determinantes na elaboração das representações sociais das professoras do Ensino Fundamental sobre Alagoas, e quais circulam em torno dos mesmos?

As questões teóricas de contexto-normativo e de descontextualização- normativa, explicam os dois momentos de construção do núcleo central das representações sociais encontradas nos dados empíricos coletados na pesquisa.

O primeiro momento caracteriza-se pelas condições normais de produção do discurso, que envolve expectativas sociais e as condutas que lhes corresponde, onde a pressão normativa de legitimação social se faz mais presente, isto é, não se deve comunicar ou se comportar de forma desviante. Desse modo, nesse primeiro momento de análise dos dados empíricos, as representações sociais das professoras sobre Alagoas são elaboradas com referências pró-normativas que os sujeitos visam mostrar uma imagem positiva de si mesmos, ser bem vistos. O conteúdo essencial do “verdadeiro núcleo central” (contranormativo), somente vai aparecer num segundo momento de construção das representações sociais das professoras, que será analisado posteriormente neste estudo, sendo explicitado adiante, as características e condições do seu surgimento.

A revelação de como foi construída a estrutura da representação das professoras manifestou-se mais prontamente em torno do conteúdo normativo do núcleo central. No que se refere ao primeiro estímulo (Alagoas), pode-se agrupar as respostas em quatro categorias: Natureza física, Política, Estética, Social, conforme a tabela 4 abaixo:

Tabela 4: Categorização das respostas ao Estímulo

ALAGOAS:

Natureza

Física Política Estética Social

Sol Praia Pequena Natureza

Corrupta Terra dos Marechais

Atrasada Bonita Linda Maravilhosa Paraíso Pobre Violenta Boa Aconchegante Acolhedora Cultura Turismo Discriminada

O exame desta tabela revela que os sujeitos consultados destacam a natureza física de Alagoas sendo representada pelo sol, pelas praias. Apesar de pequena pela dimensão territorial relativamente com relação a outros Estados da Federação, Alagoas possui uma beleza natural inigualável no país. Esteticamente referem-se a Alagoas de uma forma positiva através de adjetivos tais como bonita, linda, maravilhosa, paraíso. Socialmente Alagoas apresenta características contraditórias: ao mesmo tempo em que é acolhedora, aconchegante, boa, é também violenta, discriminada, pobre. Politicamente, Alagoas é descrita de um modo negativo, como atrasada e corrupta. A expressão Terra dos Marechais que aí aparece tem mais um sentido evocativo positivo relativo aos dois marechais que se destacaram na Proclamação e na consolidação da República.

Os resultados dos dois instrumentos para coleta de dados (TALP e entrevistas) mostram que os conteúdos são idênticos e unânimes entre todos os entrevistados quando destacam as belezas naturais e que são motivo de orgulho:

Olhe é um Estado que tem muitas belezas naturais, é um Estado pequeno, mas muito bonito... (Professora Ametista).

É um lugar muito bonito de belezas raras. As praias, as lagoas

Pontos positivos... deixa ver... a geografia que é belíssima, Alagoas tem um povo alegre, a cultura popular é forte... bom acho que é só isso, não tem mais nada de positivo, não (risos) (Professora Turmalina).

Alagoas é um lugar muito bonito... Acho que o mais bonito do Nordeste (Professora Jade).

As respostas “praia” e “bonita” consistem nos elementos figurativos ou núcleo central gerador de significação e organizador da representação social das professoras sobre Alagoas. As belezas naturais são, portanto, o que mobilizam a organização das respostas representativas posicionadas como elementos do núcleo central e periférico.

Assim, os contrastes e até contradições co-existem como conteúdos do sistema periférico caracterizado pela diversidade dos sujeitos que afirmam que o Estado de Alagoas é: “Terra dos Marechais, boa, aconchegante, acolhedora, cultura, turismo, discriminada, atrasada, corrupto, pobre, violenta”.

Mas como as professoras construíram essa representação social sobre Alagoas? Onde encontra-se a gênese desse pensamento coletivo aceito consensualmente?

As representações sociais são constituídas de opiniões, crenças, atitudes, onde as ideologias exercem fortemente um papel na orientação das comunicações e formação de condutas para construção social da realidade, e desse modo, a história do Estado se inscreve na memória coletiva.

O território ao qual se referem as docentes é aquele em que habitam: o do município de Maceió, uma região peninsular banhada pelo Oceano Atlântico e por um conjunto de canais e lagoas cuja descrição encontra-se registrada em lendas, em canções, em ensaios acadêmicos, na literatura, e nas publicações de

história. Uma obra marcante que trata desse aspecto é Canais e lagoas de autoria do historiador, militante esquerdista, Octávio Brandão, escrita originariamente nos idos de 1916 / 1917, e que marcou profundamente o imaginário social alagoano. É dessa obra que extraio o texto seguinte, que bem ilustra o seu conteúdo:

E, por mais inculta, a alma que segue por elas [as lagoas Mundaú e Manguaba] esplende em emoções profundamente duradouras. Talvez nunca mais seus olhos se derramem pelas lagoas. Mas da sua memória não se varrerá jamais a visão prodigiosa daquelas paragens. É que há nelas a tristeza insondável do passado, a beleza incomparável do presente e a grandeza insuperável do futuro. De um modo comparativo, é pequena a região; umas dez léguas. Mas a pequenez na geografia não implica a pequenez na História. A região das lagoas é como uma Canaã magnífica. É como uma cochilda plena do ouro da fartura. É como uma flor insólita aflorando das ondas do oceano. É como um golfo de Corinto aberto aos desejos dos povos (BRANDÃO, 1999; p. 31).

Assim, desde a invenção da Agricultura, a cerca de dez mil anos atrás, quando as pessoas passam a adotar o sedentarismo como modo de existência, o lugar habitado pelos humanos tem ocupado uma posição central na vida social dos grupos, de importância crescente: o povoado, a vila, a cidade, o Estado nacional. Alguns autores, inclusive, como Ibn Khaldoun (cf. LÉVY, 2003; p. 117), acreditam que a dialética da história reside nos conflitos entre os princípios nômade e sedentário, no conflito entre os espaços.

Essa crença parece bem importante quando atentamos para o lugar do Estado territorial dentro do modo de produção capitalista: “O capitalismo só funciona graças ao Estado territorial, arrastando para as suas torres, graças à ciência e à técnica, os fluxos e signos do cosmo terreno” (LÉVY, 2003; p. 119).

A caracterização política de Alagoas apresentada pelos professores do Ensino Fundamental, revela uma concepção conservadora da realidade social,

reproduzindo o modo como o Estado de Alagoas tem sido difundido na mídia (televisão, outdoors, rádio), tanto em propagandas do Governo do Estado quanto nos noticiários radiofônicos e televisivos. Essa visão dos docentes evidencia como as funções das representações orientam na comunicação e formação de condutas, o que sugere uma ideologia subjacente inversa à proposta pedagógica de Paulo Freire que busca a transformação do real e que o educando descubra o seu lugar histórico e social na sociedade em que vive.

3.4.3 Objetivação e ancoragem: como

se

formam

as

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