Entende-se educação em saúde como um processo orientado e planejado para utilização de estratégias que estimulem a autonomia dos sujeitos, pressupondo ações partilhadas e não diretivas, possibilitando a tomada de decisões livres e a seleção de alternativas num contexto adequado de informações, habilidades cognitivas e suporte. O processo de comunicação estabelecido na ação educativa do enfermeiro tem a finalidade de contribuir para melhorar a prática de enfermagem ao criar oportunidades de aprendizagem (SALLES; CASTRO, 2010).
A aprendizagem consiste na ampliação da estrutura cognitiva por meio da incorporação de novas ideias, permitindo que os indivíduos modifiquem seu comportamento de maneira permanente (GAGNÉ, 1980; MENDOZA; PENICHE, 2012). Entretanto, para que a aprendizagem significativa ocorra, três aspectos precisam ser contemplados: disposição para o aprender; presença de conceitos relevantes na estrutura cognitiva do aprendiz e material didático com significado lógico e psicológico (RODRIGUES; PERES, 2008).
Diante dessa perspectiva, o enfermeiro deverá contemplar no seu plano de cuidados as necessidades de informação do indivíduo, criando oportunidades para que o mesmo possa fazer perguntas, estando atento à natureza individual das suas necessidades de informação,
bem como ao seu estilo de aprendizagem (MONIZ; FERNANDES; OLIVEIRA, 2011). As metodologias ativas de aprendizagem se propõem a substituir a memorização e a simples transferência de informações e de habilidades, pela construção do conhecimento a partir da vivência de situações reais ou simuladas, estimulando as capacidades de análise crítica e reflexiva e o aprender (FONSECA et al., 2011).
A tecnologia educativa surge como um instrumento disponível que facilita o processo de ensino-aprendizagem, proporcionando o desenvolvimento de habilidades, como mediadora de conhecimentos para o cuidado durante as ações educativas (SOUZA et al., 2005). Assim, a educação de pacientes pode ser definida como o processo pelo qual o indivíduo atinge a compreensão de sua própria condição física e realiza o autocuidado pelo uso de diferentes experiências e recursos. A meta da educação é possibilitar que o paciente não só apresente o entendimento do seu estado de saúde atual, mas, também, seja capaz para a tomada de decisão relacionada ao cuidado em saúde (REDMAN, 2009).
As ações educativas devem apresentar uma abordagem criativa, facilitadora da aprendizagem individual e coletiva, estabelecida a partir da participação popular, considerando suas necessidades, seu estilo de vida, suas crenças, seus valores, sua subjetividade e seu contexto cultural, social e político, buscando a autonomia do sujeito e a capacidade de autorreflexão e crítica no cuidado de si e do outro (SOARES; SILVA; SILVA, 2011).
O cuidado se concretiza através das tecnologias, as quais têm sido desenvolvidas por profissionais motivados e sensibilizados para a necessidade de bem-estar de seus pacientes (MERLY, 2000; BARRA et al., 2006). A expressão tecnologia compreende tecnologias materiais (máquinas, equipamentos e aparelhos) e não materiais (práticas ou processos para a geração e utilização de produtos e para organizar as relações humanas) (LORENZETTI et al., 2012). Na área da saúde, as tecnologias são classificadas em três categorias: Tecnologia leve
envolve as relações usuário/profissional que conduzem ao encontro do usuário com necessidades de ações de saúde; Tecnologia Leve-Dura que inclui o conhecimento técnico adquirido nas disciplinas que operam em saúde; Tecnologia Dura representada pelo material concreto que compreende os procedimentos realizados associados ao uso de equipamentos e instrumentos (MERLY, 2000).
A inserção das tecnologias no contexto da educação em saúde complementa as ações desempenhadas pelo enfermeiro na sua relação com o paciente e aponta alternativas para a melhoria da educação e sua democratização (BARROS et al., 2012; MENDES et al., 2013). A utilização dessas tecnologias contempla a existência de um objeto de trabalho dinâmico, em
contínuo movimento, não mais estático, passivo ou reduzido a um corpo físico. Esse objeto exige dos profissionais da saúde uma capacidade diferenciada no olhar a ele concedido a fim de que percebam essa dinamicidade e pluralidade, que desafiam os sujeitos à criatividade, à escuta, à flexibilidade e à sensibilidade (SANTOS; CAETANO; MOREIRA, 2009; LIMA et al., 2010).
As tecnologias utilizadas no cuidado em saúde e enfermagem podem ser definidas como um conjunto de conhecimentos (científicos e empíricos) sistematizados, em constante processo de inovação, os quais são aplicados pelo profissional de enfermagem em seu processo de trabalho para o alcance de um objetivo específico. Permeada pela reflexão, interpretação e análise, essa é subsidiada pela experiência profissional e humana (CORREA; SANTOS; ERDMANN, 2013).
O enfermeiro, como agente de saúde e educador, atua como um dos principais intermediários, utilizando-se de tecnologias educativas auxiliadoras na decodificação de conhecimentos para os indivíduos e seus familiares, tornando conhecimentos estranhos em algo comum (BARROS et al., 2012). O processo de informação-educação realizado para o paciente pode ocorrer sob diferentes formas: oralmente, esclarecendo com detalhes as dúvidas do paciente; por escrito, como forma de garantir que ele não esqueça as instruções recebidas; e graficamente, por meio de caricaturas, desenhos, diagramas, representações gráficas ou materiais educativos impressos cuja visão permitirá que o indivíduo identifique melhor os cuidados que deve desenvolver no seu cotidiano (DUTRA; COELHO, 2006).
No ambiente hospitalar, diversos materiais educativos podem ser utilizados durante a educação em saúde para aumentar o processo de entendimento como livros, boletim informativo, cartilhas, vídeo, CD, website, software e programas de computador (PAUL, 2008). Nesse ambiente, os pacientes geram uma demanda de informações acerca de procedimentos, tanto diagnósticos quanto terapêuticos. Tal fato motiva a produção de materiais impressos para diversos propósitos, como: orientar e adaptar comportamentos, promover a saúde, prevenir futuros acometimentos ou informar sobre riscos e estilos saudáveis de vida (FREITAS; REZENDE FILHO, 2011).
Assim, os materiais impressos usados na educação em saúde têm como objetivo divulgar conteúdos considerados importantes para a prevenção ou tratamento de enfermidades (FREITAS; REZENDE FILHO, 2011). A orientação gráfica por meio de instrumento educacional reforça a visualização de diversas atividades e/ou situações em que os pacientes se envolvem no dia a dia. Dessa forma, na medida em que essas orientações são incorporadas
às rotinas dos indivíduos, o exercício gradativo do cuidado torna-se também uma rotina de vida (DUTRA; COELHO, 2006).
O material educativo impresso apresenta-se como um instrumento de promoção da saúde, facilitador do processo educativo em saúde, capaz de tornar o paciente copartícipe do seu cuidado, o qual possibilita a integração dialógica entre enfermeiro-paciente e família. Isto possibilita a construção de um conhecimento multidimensional facilmente disponível e de baixo custo, capaz de empoderar pacientes e famílias (BARROS et al., 2012). O objetivo desse material é o de facilitar o trabalho da equipe de saúde na comunicação e orientação de pacientes e familiares, reforçar as informações e discussões orais, servir como guia de orientações para casos de dúvidas posteriores e auxiliar nas tomadas de decisões (MOREIRA; NÓBREGA; SILVA, 2003; FONSECA et al., 2011).
Assim, um material educativo impresso favorece o processo interativo entre enfermeiro-paciente, auxiliando no diálogo e proporcionando um cuidado diferenciado que inclui, além do aspecto físico, também o emocional, valorizando a humanização da assistência buscando-se, assim, o elo entre o conhecimento e o afeto (SALLES; CASTRO, 2010).
Vale ressaltar que o processo de aquisição, aproveitamento e aprofundamento de conhecimentos, de domínio de habilidades e de tomada de decisão é facilitado pela utilização de material impresso. A entrega do material educativo favorece a memorização das orientações verbais recebidas e auxilia no enfrentamento das dificuldades vivenciadas no período pós-operatório (SANTOS; SOUSA; TURRINI, 2012). Entretanto, o material educativo não substitui a realização da educação em saúde, mas agrega valor ao processo educativo (BARROS et al., 2012), não devendo, apenas, ser entregue o material ao paciente.
Deve ser estabelecida uma comunicação eficiente entre o enfermeiro e o paciente com trocas de experiências, nos quais os participantes sejam ativos no processo de construção de seus conhecimentos. Portanto, o uso dessa tecnologia deve estar inserido em um contexto maior de educação em saúde, possibilitando a continuidade da assistência em saúde do ambiente hospitalar para a vivência domiciliar (FONSECA et al., 2011).
Em todas as relações de cuidado, haverá o uso de tecnologia, seja ela dura (materiais educativos e instrumentos), leve-dura (o conhecimento a ser transmitido nas ações de cuidado) ou leve (por intermédio do acolhimento e vínculo com paciente e seu familiar, possibilitando o surgimento de uma relação de confiança e a troca de conhecimento). Reforça- se, então, a necessidade de se utilizar metodologias ativas nas estratégias educativas realizadas no ambiente hospitalar para promover ações de saúde e favorecer o empoderamento do indivíduo.