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8.2.2.1 Relato da Assistente Social

No momento da inclusão no Serviço, a mãe da menina foi atendida pela Assistente Social, que, ao ser entrevistada, destaca: “E a mãe dela é uma pessoa assim, muito simples. É uma pessoa que mora no interior do interior, no interior de outro município e aí ela se sente meio perdida, ela não sabe como lidar com essa situação, lidar com as emoções da filha”.

Em relação ao pai de Mariana, a Assistente Social destaca a fala da mãe em que ele é apresentado como uma pessoa ausente nos cuidados com os filhos: “[...] Até porque também a mãe traz um histórico de uma sobrecarga muito grande... foi delegado que a responsabilidade de cuidar e criar os filhos é só dela... E foi o que aconteceu no caso da violência da Mariana... O marido dela não se manifestou, não tomou partido, não se dispôs a ajudar. Ela é que teve que andar duas horas pra chegar na delegacia, para fazer a ocorrência. Ela fez todo o movimento, o marido dela não ajudou, não entrou no circuito. É, então ela fala que isso foi só um evento que ela trouxe, que na verdade tudo com relação aos filhos é assim”.

Em conversa informal com a Pesquisadora, a Assistente Social afirma: “[...] esse pai precisa se conscientizar de sua participação na educação dos filhos”. Nesse sentido, solicitou a presença do pai no atendimento seguinte.

8.2.2.2 Relatos da mãe e do pai

No dia marcado, o pai e a mãe de Mariana comparecem ao Serviço para atendimento com a Assistente Social, no entanto, a equipe não estava presente, pois haviam se ausentado em decorrência de um curso. A Assistente Social informou por telefone que havia tentado contato com a família no intuito de transferir o atendimento, mas não obteve sucesso. Como a Pesquisadora estava presente, conversou com os pais, explicou o objetivo da pesquisa, obteve a autorização e realizou a entrevista inicial.

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Nesta entrevista, a Sr.ª Hermínia fala sobre seu interesse em levar a filha para atendimento: “Porque nós achamos necessário trazer ela, porque para ver o psicológico e futuramente ficar melhor, porque ela com o acompanhamento é muito melhor do que ela só com nossa orientação. Então tendo um profissional, é bem mais fácil. E passaram para nós, que aqui é o melhor lugar para trazer ela”. Depois desse dia, o pai não mais compareceu ao Serviço, e Mariana seguiu sendo sempre acompanhada pela mãe. Devido à distância e às dificuldades da família, esta dependia do apoio do conselho tutelar para ir aos atendimentos, o que nem sempre era possível. O conselho do município onde moram alegou por diversas vezes que não possuía carro para levá-las.

No decorrer de cinco meses de acompanhamento, Mariana pôde comparecer a quatro atendimentos. No dia nove de fevereiro, a mãe da menina decidiu levá-la sozinha ao Serviço, já que mais uma vez o conselho declarou impossibilidade. No Serviço, Mariana disse à Psicóloga que se sentia bem e achava que não mais precisava de acompanhamento.

Em entrevista com a Pesquisadora, a mãe relatou: “Depois que ela [Mariana] começou a vir, começou a ser atendida aqui, ela começou a falar o que ela sentia... Depois de ela ter vindo e feito todas as sessões, foi muito bom, muito bom”.

Em relação à necessidade do atendimento para a filha, a mãe considera: “acho que ela ia se fechar mais do que ela já era, já não era muito de falar o que ela sentia e aí ela ia guardar aquilo para ela e aí futuramente, eu acho que talvez ela nem ia conseguir se recuperar... então eu tenho a impressão que se não fosse

esse programa que tem aqui eu acho que ela não ia se recuperar, e nem eu, porque eu ia ver ela triste, ficaria eu triste também”.

Quanto ao tempo em que foram atendidas, a mãe diz: “Ótimo, muito bom. Eu nem imaginava que existia um lugar que acolhesse tão bem, sem preconceito, sem nada”.

8.2.2.3 Relato e o Mapa da Psicóloga

Na entrevista com a Psicóloga, é possível observar como ela percebe a família: “Essa família é show, é um exemplo essa família, o apoio da mãe... é importante assim, as relações que se estabelecem na família... Não porque a família dela é nuclear biológica, tida como normal, mas assim, como que se dão as relações, o afeto, o cuidado, a segurança, o apoio dessa mãe e desse pai, como isso é fundamental e faz toda a diferença...

Ao final dos atendimentos de Mariana, a Psicóloga foi convidada a representar o Mapa da menina. Na representação do campo família esta representa a mãe e o pai de Mariana no primeiro nível e o irmão no segundo nível de proximidade. É possível notar que a irmã de Mariana não foi representada. A Psicóloga relata acreditar que Mariana deve ter conflito com os três membros de sua família, sendo que os conflitos com os pais são no âmbito educativo e com o irmão acredita apenas em desentendimentos sem grande importância, mas que são comuns entre irmãos. Acredita também que a menina é ajudada e ajuda os pais, e não acredita que deve haver conflitos entre o casal.

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8.2.2.4 Relato e Mapa da Assistente Social

Na representação realizada pela Assistente Social, a mãe está no primeiro nível de proximidade, o pai no segundo e o irmão no terceiro. Esta acredita que a menina possui conflitos com o pai e o irmão e que a relação de Mariana com a mãe é de amizade. Relata acreditar que deve haver brigas entre os pais em relação à educação dos filhos. A Assistente Social também acredita que Mariana é ajudada por todos e também os ajuda de acordo com suas possibilidades de adolescente.

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