Para o desenvolvimento da coleta de dados foram utilizadas as etapas do Arco de Maguerez adaptado por Bordenave e Pereira (2001). Nesse sentido, apenas a primeira reunião teve uma questão orientadora/problema com o objetivo de levantar o primeiro ponto do Arco o “problema”, a partir das necessidades do grupo. As reuniões temáticas seguintes foram agendadas para discutir os pontos-chave filtrados neste primeiro momento. O convite aos sujeitos participantes foi efetuado durante a última reunião geral dos enfermeiros do HPS/POA em dezembro de 2001, tendo sido colocado ao grande grupo, o problema e o perfil desejado das enfermeiras para integrarem o grupo de estudo
Embora se tenha programado quatro encontros, a definição do número de reuniões seria determinado pelo grupo de acordo com as necessidades e avanços obtidos.
QUADRO 2- PRIMEIRA REUNIÃO TEMÁTICA
Primeira reunião
Temática: O que é a ABEn? Facilitador: Joel
Enfermeiras: Violeta, Rosa, Orquídea, Gérbera, Tulipa Início: 15:30h Término: 17:30
Local: Sede da ABEn-RS Data: 14/01/2002
DINÂMICA:
Apresentação do grupo
- Apresentação do projeto de prática assistencial
Esclarecimento às participantes quanto aos aspectos éticos e consentimento informado. Todas concordaram com a gravação em cassete dos encontros.
Realização de uma tempestade de idéias a partir do tema proposto “O que é ABEn”.
- Realização da filtragem dos pontos-chave
- Seleção dos pontos-chave a serem trabalhados nos próximos encontros/reuniões. PONTOS-CHAVE SELECIONADOS
Divulgação/contato com o conhecimento em enfermagem; publicações Imagem profissional/formação
Estratégias de aproximação Valorização profissional.
Após a reunião se avaliou a validade da atividade e confraternizamos com um lanche comunitário.
Este primeiro encontro, teve como objetivo identificar os conhecimentos das convidadas sobre a ABEn e fortalecer o diálogo no grupo. Se desenvolveu um
momento de tempestade de idéias a partir de questões como: A ABEn e a prática de enfermagem, ensino, pesquisa, a produção de conliecimento, as políticas para a profissão e para a sociedade em geral e o lazer. O que é a ABEn?. Como a ABEn se vincula à prática? A Associação tem influência no agir diário destas profissionais?
Em seguida os pontos-chave foram filtrados e, aqueles mais significativos dentro da perspectiva problematizadora se constituíram em temas para os próximos encontros e se forneceu bibliografia e 03 textos para aprofundar o conhecimento do tema. São eles;
(a s s o c ia ç ã o BRASILEIRA DE ENFERMAGEM. O que é a ABEn. Brasília - ABEn, 1998. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMAGEM. Projeto sobre organização da ABEn. Relatório. Brasília. 1998. 11 p. Digitado.
CARVALHO, A. C. de. Associação Brasileira de Enfermagem 1926-1986. Rev. Bras. Enferm.,
V. 39, n. 1, p. 7-12, jan./fev./mar. 1986.)________________________________________________ _
QUADRO 3- SEGUNDA REUNIÃO TEMÁTICA
Temática: Divulgação/Contato com o conhecimento em enfermagem, publicações Facilitador: Joel
Participantes: Violeta, Rosa, Miosótis, Orquídea, Tulipa Início; 14h Término; 16h
Local; HPS/POA Data: 16/01/2002 Dinâmica:
Momento descontraído em que as enfermeiras já estavam familiarizadas com os temas e traziam suas contribuições para discussão do ponto-chave escolhido, sendo este melhor teorizado. No final da reunião as enfermeiras verbalizaram sentirem-se possuidoras de um novo olhar, construído a partir das reflexões sobre a ABEn.
O segundo encontro teve como objetivo refletir e discutir mais detalhadamente sobre uma unidade de significado dentre as seis selecionadas pelo grupo na primeira reunião, qúal seja: divulgação/contato com o conhecimento em enfermagem/publicações. Este ponto foi melhor encaminhado para uma teorização. Já neste encontro procederemos a uma avaliação das atividades pelos participantes.
QUADRO 4- TERCEIRA REUNIÃO TEMÁTICA
Temática; Valorização profissional, imagem e formação Facilitador; Joel
Participantes: Violeta, Tulipa, Orquídea, Margarida, Miosótis Início; 17h Término: 19h30
Local: HPS/POA Data: 22/01/2002 Dinâmica:
O encontro teve por objetivo resgatar e refletir a realidade da ABEn relacionada ao tema “valorização profissional” no cotidiano do grupo, levantando os aspectos e a problemática da realidade. Para finalizar foi feita uma análise, apresentando em cartazes as convergências das falas sobre a temática proposta.
QUADRO 5 - QUARTA REUNIÃO TEMÁTICA
Quarta Reunião:
Temática: estratégias de aproximação Facilitador: Joel
Participantes: Gérbera, Cravo, Girassol, Orquídea, Tulipa, Rosa Início: 14h Término: 17h30
Local: HPS/POA Data: 24/01/2002 Dinâmica:
Esta reunião ocorreu com a intenção de formular uma proposta de aproximação da ABEn com a realidade vivenciada pelas enfermeiras assistenciais. Pretendeu-se organizar um folheto com informações sobre a entidade e as possíveis formas de aproximação desta com a prática cotidiana do grupo.
4:5 Análise dos dados
Com o objetivo de assegurar que os dados coletados durante as reuniões não se perdessem enquanto totalidade, utilizei o processo de gravação em fita cassete em cada uma das reuniões, as quais eram transcritas, concomitantemente às quatro reuniões. Do mesmo modo, acrescentava impressões pessoais anotadas em um diário de campo, que aliadas ao texto transcrito, possibilitaram um maior apreensão dos dados.
Após a transcrição das fitas iniciei o processo de análise do conteúdo dos dados a fim de identificar na fala das enfermeiras e nas minhas observações, os significados dos temas abordados. E segue o que Trentini e Paim (1999) propõem para a Fase de Interpretação, que inclui os processos de Síntese, Teorização, e Transferência.
A síntese acontece a partir dos resultados intermediados pelas associações e variações dos dados coletados, os quais as autoras descrevem como a fase em que o pesquisador analisa subjetivamente até dominar totalmente o tema do estudo. Neste estudo esta síntese aconteceu quando a partir das falas das enfermeiras, iniciei o agrupamento das mesmas por temas semelhantes, a fim de concretizar a categorização.
A teorização ocorre quando o pesquisador reflete teoricamente sobre os dados selecionados na etapa de síntese e relaciona ao referencial teórico adotado. Neste estudo, pude refletir e analisar com maior profundidade os resultados, a partir dos conceitos estruturados como marco teórico. Para Trentini e Paim (1999, p. 107) “o pesquisador desenvolve um esquema teórico, a partir das relações reconhecidas durante o processo de síntese”.
A etapa de transferência ocorre ao se dar significados para algumas descobertas e contextualizá-las em situações específicas. Neste sentido, ao fazer uma análise detalhada dos aspectos levantados pelas enfermeiras pude visualizar na íntegra esta idéias em uma grande categoria de análise, composta de itens que respondem com propriedade ao problema de pesquisa. Assim, optei por trabalhar com apenas esta categoria, a qual denominei” o que é a ABEn”.
4.6 Aspectos éticos
Para poder dar início ao estudo, conversei individualmente com as enfermeiras num momento que antecedeu os encontros do grupo, quando apresentei o Termo de Consentimento Esclarecido, observando os pressupostos da Resolução 196/96 do Consellio Nacional de Saúde referentes as pesquisas que envolvem seres humanos. Ainda obtive a autorização da instituição para realizar o estudo. As participantes foram esclarecidas quanto aos aspectos éticos e consentimento informado, garantindo que a qualquer momento poderiam desistir da participação, acordado no grupo a utilização de nomes de flores na identificação dos participantes. Solicitado permissão para a gravação em cassete dos encontros, podendo pedir para desligar o gravador quando assim o quisessem.
Neste estudo respeitou-se a privacidade, a confidencialidade, proteção e sigilo da imagem das pessoas, garantindo o acesso às informações e aos resultados durante todo o processo até a finalização do estudo, bem como a retirada do estudo em qualquer momento que o participante queira.
Ainda durante os encontros com o grupo, a ética emergiu em vários momentos como sendo uma questão de permanente discussão no cotidiano das enfermeiras. Apontando para um outro momento em que o grupo se organizará em sua própria instituição. A pedagogia problematizadora se incorporou ao discurso das enfermeiras desta prática, de forma que as mesmas se propõem a realizar atividades para reflexões éticas sobre seu agir no seu cotidiano, entendendo a ética em uma dimensão para além do exercício profissional.
5 O QUE É A ABEn
Mas a gente nãò escuta só as palavras: a gente ouve também os sinais.
É preciso fazer outras leituras... Marta Medeiros
A discussão do tema “O que é a ABEn” entre as enfermeiras participantes do estudo possibilitou que cada membro do grupo expusesse seu entendimento sobre a entidade. Algumas, com história de envolvimento com a ABEn, iniciaram os comentários a partir dos resumos elaborados com a leitura dos textos fornecidos pelo facilitador e, apresentando questões de suas vivências. Nesta categoria os aspectos que foram mais evidenciados pelas enfermeiras do grupo de estudo foram relativos a: Eventos de enfermagem, em especial, os Congressos Brasileiros de Enfermagem e as Semanas Brasileiras de Enfermagem; publicações da ABEn (Anais e REBEn); educação em enfermagem; imagem/valorização profissional e estratégias de aproximação da ABEn.
Optei por realizar a discussão sobre cada um dos aspectos levantados pelo grupo sem subdivisões em subcategorias. Entendo que fazem parte de um conjunto representativo de idéias sobre o que é a ABEn.
Estes aspectos serão apresentados e discutidos seqüencialmente, procurando se estabelecer uma relação entre o conteúdo do discurso das enfermeiras sobre a sua percepção do que é a ABEn e o referencial teórico proposto.
Com relação aos eventos de enfermagem organizados pela ABEn, o Congresso Brasileiro que é realizado anualmente, há 56 anos, apareceu como uma questão dominante, até mesmo se confundindo com a própria entidade organizativa, como podemos observar nas falas das participantes:
{...) para muitas pessoas a ABEn é quem organiza o congresso, só se preocupam em se associar para poder participar. (...) o próprio congresso
propicia a expressão do que se está fazendo (...) (Rosa)
(...) as pessoas estão se vinculando à ABEn com a intenção de apresentar trabalhos. (...) a ABEn realiza o CBEn para questões sociais. (Crisântemo)
(...) na solenidade de posse a gente pode perceber que as pessoas estão diretamente envolvidas com as questões políticas sociais, só que esta mensagem chega para quem está envolvida na ABEn. (...) o congresso está voltado tanto para a prática quanto para o mundo acadêmico, o que é muito bom. (Orquídea)
Outro aspecto que se evidenciou nas falas relativas ao CBEn, é a importância deste evento promovido pela entidade como possibilidade de troca de experiências e vivências tanto científico-cultural como contato pessoal entre profissionais da enfermagem.
(...) o congresso é também uma troca de vivências, também intercâmbio e te possibilita que tu entres em contato com enfermeiros de todo o país. (...) o congresso é um fórum nacional para discutir tudo, educação, especialistas... a partir do momento que eu voltei para a ABEn, quando comecei a trabalhar como enfermeira aqui em Porto Alegre foi o momento que eu comecei a me inteirar do que estava acontecendo, de momentos importantes, de resolver e aprender, foi através da ABEn. (Orquídea)
(...) milhões de coisas acontecendo e o congresso discutindo somente técnicas, no tempo que eu era acadêmico. (Rosa)
Percebe-se que os depoimentos das enfermeiras do grupo de estudo vem ao encontro do que tem sido observado ao longo dos anos quando se avalia a freqüência desta categoria profissional especialmente nos Congressos Brasileiros de Enfermagem. Esta freqüência, não se dá apenas como participantes , mas também na apresentação de temas livres, cujo o crescimento aponta para a Associação a necessidade de rever esta estratégia. Isto pode ser observado no quadro abaixo elaborado por Maneia e Padilha (2001), quando analisaram o consumo e a socialização da pesquisa na enfermagem brasileira:
QUADRO 1 - RELAÇÃO DE INSCRITOS E NÚMERO DE TRABALHOS NO CBEn50 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 TO TAL M iiiiá J i Total de 1558 2870 3146 2681 3191 2008 3064 4176 3817 6000 32511 Inscritos Total de 300 344 380 626 1276 958 1319 2534 2646 3800 14183
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A partir de 1995, há um crescimento gradativo e evolutivo no número de temas livres apresentados. Os autores pontuam algumas razões para justificar este aumento, tais como: a atual política das Universidades Públicas de qualificação docente, exigindo a titulação mínima de Doutor para integrar os quadros docentes dos cursos, o que implica numa necessidade dos profissionais em ampliar a sua titulação e produção científica, como critério de qualificação, conseqüentemente é imprescindível que esta produção possa ser divulgada e consumida (MANCIA; PADILHA, 2001). Embora os sujeitos do estudo não pertençam a academia, podemos inferir que houve um aumento expressivo de trabalhos apresentados por Enfermeiras/os assistenciais, considerando que entre os tipos de temas livres apresentados encontram-se um grande número de relatos de experiências, na sua maioria resultados da prática profissional de saúde pública ou hospitalar.
O CBEn inclui na sua programação uma média de 25 cursos, com variadas temáticas, que ocorrem todos durante um dia, como atividade pré-Congresso. Os cursos foram introduzidos ainda na década de 50 como demanda da comunidade de enfermagem, como uma maneira de estar realizando educação continuada. Muitos profissionais encontravam nesta atividade do Congresso sua única experiência em educação em serviço após sua formação universitária. Os cursos também tinham a intenção de divulgar o que a enfermagem da sede do Congresso estava criando e contribuindo para a profissão. De tal forma que ao realizar os cursos com palestrantes locais, a ABEn não só diminuía os custos do evento, bem como elevava a enfermagem local e instruía que temas deveriam ser abordados e quais a serem evitados (FERRAZ, 2002).
Nesse sentido o CBEn tem acompanhado a evolução da profissão e embora cóntinue a realizar cursos de atualização, seu objetivo é muito mais amplo como ressalta Vale (2000, p. 7) que no CBEn “a enfermagem tem o compromisso de construir uma proposta para o futuro, a partir de uma reflexão contextualizada que tem como cenário a
MANCIA, J. R. e PADILHA, M. I. C. S. O consumo e a socialização da pesquisa em enfermagem. SEMINÁRIO NACIONAL DE PESQUISA EM ENFERMAGEM, 11.. 2001, Belém. Anais..., Belém: ABEn, 2001.1CD-R0M.
enfermagem no mundo”. Esta mesma autora afirma que neste evento existe uma preocupação em articular eixos para a consecução de um projeto político- profissional com possibilidades de mudanças e transformações avançando inclusive para outros países da América Latina. O que é convergente com Albuquerque (2001b) que entende que os eventos da ABEn estão inseridos num projeto maior de reconstrução e de transformação da profissão de enfermagem.
Concordo com Pires (1989, p. 29) que ao fazer a defesa do MP afirma que este no momento que assumiu a gestão da ABEn teve a preocupação de construir um novo perfil do Congresso, incluindo na pauta deste, além do aprimoramento técnico-científico, “questões profissionais que afligem os trabalhadores de enfermagem, bem como a sistematização dos resultados das discussões sobre os rumos da categoria”.
Assim sendo, o Congresso Brasileiro de Enfermagem realizado desde 1947 é o grande fórum da enfermagem brasileira. Mas também o espaço privilegiado que a diretoria da ABEn utiliza para passar sua ideologia, entendida esta como a forma de agir no mundo. E podemos observar isto desde o primeiro, quando o Congresso começa a ser realizado em cada estado do país. Com esta política de organizar o CBEn se tem a impressão de que cada seção disporá do tema como decidirem seus membros locais. Entretanto, a diretoria nacional da ABEn participa ativamente da construção do temário, dispondo da forma que lhe seja mais favorável apresentar suas idéias, explícita ou subliminarmente, e isto acontece ao longo das gestões da Associação independente da orientação política do grupo dirigente (FERRAZ,2002). Inclusive a indicação de palestrantes com afinidades com a diretoria e seu projeto político. Desse modo buscando sustentação para suas idéias.
Porém achar que o papel das seções seja tão dócil é um engano, também estas caracterizavam as diferentes forças que lutavam pelo poder na ABEn. É possível afirmar que muitas vezes o tema do CBEn se direciona pela ideologia do grupo local, como se pode perceber em Congressos recentes, que não colocaram como grandes questões as discussões mais gerais do contexto em que a enfermagem está inserida, permanecendo as discussões mais técnicas do trabalho. Como exemplo podemos citar o Congresso realizado em 1993 na cidade do Recife, quando a direção nacional do MP não conseguiu se impor inteiramente na temática visto que na seção Pernambuco predominava outro grupo político, contrário aos princípios do MP.
Ferraz (2002) afirma que durante o período em que participou como dirigente da ABEn, não somente em seu estado mas também como diretora nacional, nas décadas de 70 e 80, o tema do Congresso era decidido por no máximo duas diretoras, incluindo a
presidente da ABEn. Portanto cabia a seção sede do evento a organização da infra- estrutura e recepção, o que correspondia ao trabalho manuai. Segundo Barreira (2001) havia na época®^ havia um consenso de que as seções não tinham quadros intelectuais para pensar o CBEn e, para não ficarem com tarefa de construírem o tema oficial, a própria seção solicitava que a diretoria da nacional assumisse tal encargo. Isto levou muitas vezes a diretoria a escolher a Comissão de Temas (CT) com membros de outros estados, como pode ser observado no CBEn realizado no Ceará em 1979, cuja CT era composta por professoras da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia. Esta prática da ABEn tinha severas críticas, principalmente dos membros do incipiente MP, que teve suas
primeiras manifestações já neste Congresso (OLIVEIRA, 1990).
A concepção do CBEn foi mUito criticada pelo MP, principalmente porque os sócios não tinham participação na sua construção, o que de certa forma feria os princípios do Movimento.
No entanto, a consecução do CBEn, que evoluiu para uma forma mais ampla de participação de seus sócios, ainda permanece como o momento que a diretoria tem para explicitar sua política de trabalho e, também, ter visibilidade, mostrar sua força.
Por certo, querer que o Congresso mostre apenas as caracteristicas de um grupo, não é possível, visto que a enfermagem brasileira se compõe de muitos atores, creio inclusive que a maioria defenda um projeto mais conservador. Se fosse diferente, não estaríamos tão atrasados com questões como a inclusão do auxiliar de enfermagem no quadro de sócios da ABEn, ou ainda uma pauta conjunta entre profissionais de enfermagem para a organização de uma entidade única para a enfermagem brasileira. Esta proposta tem sido discutida por algumas lideranças da enfermagem mas ainda não sensibilizou o grande contingente de profissionais.
Portanto o argumento que apresento é de que o CBEn se constitui no espaço ideológico no qual os dirigentes da ABEn transmitem suas idéias, ou pelos discursos oficiais ou peia construção dos temas, inclusive determinando quais os atores que tem direito a reproduzir esse discurso. É uma prática que se mantém desde o nascedouro do CBEn e, que acredito seja eficiente, pois as mudanças que ocorreram na ABEn nos últimos 20 anos não foram capazes de reverter este procedimento, ou talvez não tenham encontrado outra forma de impor seu pensar.
Desta forma, não poderia ser outro o entendimento das enfermeiras assistenciais sobre o Congresso da ABEn. Qual seja, um espaço que propicia a expressão do que a enfermagem está fazendo, tanto no campo da prática profissional, bem como na vida acadêmica, se configurando em uma estratégia de educação para enfermeiras. Compreendem que existe um aumento na participação de enfermeiras no evento em função deste oportunizar a apresentação de trabalhos e, parece que este é um grande estímulo para se associar à ABEn. O que é convergente com o número de sócios da Associação que tem um incremento no período próximo ao Congresso.
Concluindo, as enfermeiras assistenciais encontram no CBEn o espaço participativo que procuram, pois manifestam que nele encontram uma aproximação da academia com a prática e que, neste encontro, se percebe uma postura política da ABEn. De modo que têm uma afinidade com os propósitos da entidade, por esta oferecer muitas possibilidades de trocas e vivências.
O segundo evento enfocado pelas enfermeiras como uma possibilidade de encontro com a entidade foi a Semana Brasileira de Enfermagem, como pode-se evidenciar nos depoimentos abaixo:
(...) nós do sindicato aproveitamos a Semana de Enfermagem para fazer contato da diretoria com os enfermeiros, é muito positivo. (...) propiciar cursos tipo como você faz, é uma forma de melhorar a comunicação entre os profissionais e aí os órgãos de classe tem um papel importante. (Rosa)
(...) é como a montanha ir a Maomé, a ABEn tem que ir até os enfermeiros da prática. (Violeta)
Estas falas revelam que as enfermeiras encontram na Semana Brasileira de Enfermagem um forte instrumento de comunicação, o de que certa forma está convergente com a finalidade do evento.
As comemorações da Semana de Enfermagem também tem se configurado como uma oportunidade de ampliar a visibilidade da ABEn para a sociedade de um modo geral e