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Segundo Paschoalini et al (2008), na contemporaneidade, o estilo de vida dos profissionais, a carga horária de trabalho e as relações estabelecidas no trabalho e com este, vem sendo cada vez mais associados a gênese de sofrimentos e adoecimentos. Dentre as patologias mais associadas ao esgotamento físico e mental, podemos citar o estresse e o “burnout”.

Durante a realização das suas atividades nos mais diversos ambientes, com ênfase no âmbito hospitalar, a equipe de Enfermagem tem, em sua maioria, excessiva carga de trabalho, além do contato direto com situações limitantes, alto nível de tensão e de riscos para si e para outros. Além disso, podem-se incluir outros elementos, como os relacionados às interações entre os membros da equipe e com a clientela. Além disso, ao prestar o cuidado direto aos clientes, levam-se em consideração, também as demandas institucionais. Todos estes elementos estão relacionados com o surgimento do Burnout (PASCHOALINI et al, 2008).

Muller (2004) destaca que, devido à natureza e características de seu trabalho, a equipe de Enfermagem, revela-se mais suscetível ao fenômeno do estresse organizacional em decorrência da responsabilidade pela vida das pessoas a serem cuidadas, havendo um compromisso muito grande em realizar o cuidado com vistas a manter a saúde e a vida dos indivíduos. Nessas relações, há uma aproximação com o sofrimento do indivíduo a ser cuidado, podendo também atingir os profissionais.

Autores como Maslach e Jackson (2007), afirmam que a complexidade do trabalho e a dedicação necessária no desempenho de suas funções podem aumentar a possibilidade de ocorrência de desgastes emocionais em altos níveis de estresse, tornando esses trabalhadores vulneráveis à cronificação do estresse ocupacional, representando o “burnout”.

Kraft (2006) destaca que o Burnout, devido à sua complexidade, é considerado uma síndrome, e seu nome vem do termo inglês “to burn out”, que significa “queimar por completo”, e traduz aquilo que deixou

de funcionar por exaustão energética. Essa síndrome é caracterizada por intensa dificuldade e esgotamento, tanto emocional quanto física, e pode chegar a uma sensação permanente de cansaço e frustração. São também características, as oscilações de humor, os distúrbios do sono e dificuldade de concentração, muitas vezes combinados a outros sintomas de ordem física e emocional.

Maslach e Jackson (2007) ao estudarem essa síndrome, afirmam que ela pode ser considerada como uma reação do organismo a elevados níveis de tensão emocional e física, cronificados, e pode ser motivada a partir do contato direto com outros seres humanos em situações de sofrimento, enfermidade ou desequilíbrio. Tal síndrome é constituída por três componentes ou subescalas que são: exaustão emocional, despersonalização e realização profissional.

A fase da exaustão emocional, segundo Codo (2006), Silva e Carlotto (2008), caracteriza-se pelo descontentamento do trabalhador, devido à relação de desigualdade entre o que ele oferece, o que ele investe no trabalho e aquilo que recebe, ou seja, os reconhecimentos e méritos por parte da chefia e instituições, além da quantidade e qualidade excessiva de demandas e os conflitos inter-relacionais. Nessa fase, com a incorporação de mudanças práticas, poderá ocorrer a reversão de tais sinais e sintomas, reestabelecendo as condições físicas e psíquicas do trabalhador. Por outro lado, com a continuidade de tais estressores e sem ações para minimizá-los, segue-se para o aprofundamento dos sinais e sintomas caracterizados pela fase seguinte, a despersonalização.

Na fase de despersonalização, Lautert (1995), Britto, Cruz e Figueiredo (2008), afirmam que se têm propriamente as características do Burnout. Está ocorre quando o trabalhador adota uma atitude negativa, especialmente com os beneficiários de seu próprio trabalho, sendo acompanhada por ansiedade, irritabilidade e falta de motivação. Nessa mesma direção, Rosa e Carlotto (2005), afirmam que a falta de motivação e estímulo, a sobrecarga laboral, as relações interpessoais negativas e a presença de conflitos de valores podem estar relacionadas ao desenvolvimento da despersonalização.

Segundo Trindade (2007), quando o trabalhador está insatisfeito com suas atribuições, pode não responder às exigências laborais, facilmente torna-se irritável e deprimido, gerando conflitos com sua chefia e equipe, e tende a se afastar da sua clientela como uma forma de enfrentamento da situação estressante. Por outro lado, o distanciamento e negação de sentimentos precisam ser manejados de modo que ele consiga conciliar sua vida pessoal com a ocupacional.

Na fase de realização profissional, autores como Lautert (1995), Codo (2006), Silva e Carlotto (2008), afirmam que a sobrecarga de trabalho tem sido citada como um dos fatores predisponentes ao “burnout”. Por outro lado, a realização de poucas tarefas e atividades rotineiras, sem estímulo, no sentido de ampliar as habilidades e destrezas do trabalhador, também podem ser causas de estresse ocupacional, ou podem ser entendidas por alguns profissionais como uma forma de comodidade, embora não se sintam realizados desta forma. Há necessidade de estabelecer um equilíbrio entre esses diferentes contextos, no sentido de propiciar condições adequadas de trabalho e saúde.

Dejours (1992) pontua que as possibilidades de respostas dos indivíduos frente aos novos desafios da sociedade atual, do ponto de vista pessoal, familiar, cultural e profissional estão interligados às estratégias de enfrentamento e o desenvolvimento de psicopatologias do trabalho. Quando os recursos pessoais e do meio tornam-se escassos e/ou esgotados, o trabalhador vivencia sentimentos de sofrimento, com descaracterização de sua personalidade e de seu trabalho, chegando a um esgotamento de sua reserva mental e física. Nesse sentido, é fundamental investir em ações de promoção e prevenção da saúde mental dos trabalhadores.

A promoção da saúde é um componente fundamental dos projetos terapêuticos e das linhas de cuidado de patologias ou ciclos de vida. No âmbito individual, familiar ou profissional, a promoção da saúde atua no sentido de proporcionar autonomia aos sujeitos, fornecendo-lhes informações, habilidades e instrumentos que os tornem aptos para escolhas de comportamentos, atitudes e relacionamentos interpessoais produtores de saúde. Nesse contexto, a promoção da saúde mental e emocional dos trabalhadores, visa evitar o desgaste profissional, pessoal e familiar, diminuir a quantidade de afastamentos, os custos e, por conseqüência, melhorar a qualidade de vida desses sujeitos, por meio de ações de promoção, prevenção, intervenção e reintegração (BRASIL, 2008).

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