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2xETD49

CSN

D2 RSN

Figura 26 – Limitador RCD no primário do conversor flyback.

O limitador RCD funciona através da absorção da corrente de fuga da indutância uma vez que a tensão de dreno excede a tensão do condensador de fixação. O uso de um condensador com uma capacidade relativamente grande mantém a tensão constante ao longo do ciclo de comutação.

A resistência do limitador RCD dissipa energia, mesmo quando o conversor principal não está a fornecer energia na sua saída [82]. Mesmo com carga muito pequena no conversor, o condensador será sempre carregado até a tensão vista a partir do secundário do conversor, Vf. À medida que a

carga aumenta, mais energia irá fluir para o condensador, e a tensão vai subir uma quantidade adicional, Vx, acima da tensão de onda quadrada ideal do flyback, como se mostra na figura 27.

Figura 27 – Variação da tensão no condensador do limitador RCD no primário do conversor flyback.

O primeiro passo do projeto, tal como no projeto do snubber RC, é medir a indutância de fugas do transformador flyback para se projetar o snubber RCD, de forma semelhante a que foi apresentada no projeto snubber RC.

Para o limitador RCD, a preocupação centra-se na quantidade de energia armazenada na indutância de fuga, menos que no aumento do valor da fuga à frequência de ondulação uma vez que esta já é anulada pelo snubber RC, descrito anteriormente.

Nos projetos tradicionais, usa-se o valor da indutância de fugas, medida na frequência de comutação, em vez da frequência de ondulação. Para a frequência de comutação de 200 KHz o valor

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da indutância de fugas medida é de 0,147 µH (foi usado o analisador de resposta em frequência BK PRECISION 889A e a metodologia descrita anteriormente).

A determinação da tensão de corte, para tal se deve decidir qual a tensão que pode ser tolerada pelo mosfet de potência (valor máximo dado pelo fabricante do mosfet), bem como calcular a potência que será dissipada no circuito limitador de sobretensão. A energia armazenada na indutância de fugas (L), com a corrente (Ip), à frequência de serviço (fs) é dada por [83]:

P = LI f

l

1

2p s

2

. (3.12) Assume-se que não existem capacidades parasitas para carregar, e que toda a energia armazenada na indutância de fugas é conduzida para o condensador snubber, sendo o valor do condensador suficientemente grande para ser capaz de receber a indutância de fugas à frequência de serviço. Tendo isto em consideração, a potência dissipada pelo limitador RCD pode ser expressa em termos da energia armazenada na indutância da seguinte forma [81]:

max f sn l max x

v

P

=P (1+

)

v

. (3.13)

Onde

v

maxx é a tensão de avalanche VDS do mosfet.

Sendo assim, quanto maior for a subida de tensão no limitador na comutação, menor é a dissipação total. No entanto, o seu valor de tensão está sempre condicionado ao limite máximo admissível pelo mosfet entre o dreno e a fonte (VDS). Consultando a folha de características do

mosfet IRFB4332PBF é possível ver que a

V

DF tem valores de avalanche a partir de 250 V. Pode

então afirmar-se que o valor de corte

V

xmax

=250 V

.

O passo seguinte é a determinação do valor da resistência. Esta é o elemento crucial para se determinar a tensão de pico Vx, e deve ser calculada através [81]:

max x s f x 2 p

2V T (V +V

)

R=

LI

, (3.14) onde, dc ON p p

(V -1)T

I =

L

. (3.15)

Sendo TON o período de funcionamento do conversor DC-DC e Vdc a tensão na saída do

conversor.

Quanto maior for o valor da resistência, mais tempo demora a descarga do condensador de corte, e a tensão vai assumir valores superiores. Por outro lado, uma resistência menor, tem uma

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tensão de descarga menor, mas a corrente é maior. Sendo a potência proporcional ao quadrado da corrente, a potência aumenta nessa proporção do quadrado.

A indutância do primário do transformador

(L )

p com a frequência de funcionamento (f )s a

200 KHz é de 42,855 µH (valor obtido com o analisador de resposta de frequência ou metodologia descrita anteriormente).

Para a frequência (fs) de 200 kHz corresponde um período (Ts) de 5 µS.

Devido às vantagens mencionadas anteriormente, pretende-se que o conversor DC-DC funcione no regime descontínuo, e de forma a garantir-se que não saí deste regime estipulou-se que o Ton não pode ultrapassar 48% de Tsou seja

T =2,4 μs

on .

Usando a equação 3.15 e considerando que o conversor fornecerá tensão a um barramento de

24 V,

V

dc (tensão na saída do conversor) é 24 V, e a corrente de pico, vem:

I =1,29 A

p .

Sabe-se que V =24 Vin (valor da tensão de alimentação do conversor DC-DC), max

x

V

=250 V

(tensão máxima suportada pelo mosfet entre o dreno e a fonte – ver folha de características do fabricante) e considerando-se

V =50 V

x , vem:

max

f x x in

V =V

-V -V =176 V

. (3.16)

Tem-se assim todos os valores necessários ao cálculo do valor da resistência:

max x s f x SN 2 p

2V T (V +V

)

R =

= 876.33 k

LI

. (3.17) Valor comercial adotado: 860 K.

Relativamente a capacidade do condensador do snubber, esta deve ser suficientemente grande para manter uma tensão constante quando absorver a energia das fugas. Para além desta consideração, o seu valor não é crítico, e não irá afetar a tensão de pico quando o snubber está a funcionar corretamente. Pode ser usada a seguinte fórmula para o cálculo do seu valor mínimo, onde

sn

ΔV

deve estar entre 5 e 10% e n é a relação de transformação do transformador [84].

sn dc sn sn sn s sn s sn

V

2,5nV

C =

=

ΔV R f

R f ΔV

. (3.18) Sendo

n=0,75

, V =24 Vdc ,

R =876,33 kΩ

SN ,

f =200 KHz

s e

ΔV =5 %

SN , tem-se: sn

C =1,03 μF

.

Assim, o valor comercial adotado foi

75 μF

, maior que o valor mínimo calculado. As perdas da resistência (do limitador RCD), podem ser calculadas por:

Doutoramento em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da FCTUC 44 2 x f sn SN

(V +V )

P =

R

. (3.19) Como

V =50 V

x , V =176 Vf e

R =876,33 KΩ

SN , então:

P =58,28 mW

SN

Após terminar este tempo, o circuito continua a oscilar, o que é uma das limitações do limitador RCD, devido ao uso do díodo 30CTH03 que é um componente não ideal. Deve-se ao seu tempo inverso de recuperação (36nS) que permite à corrente na indutância de fugas fluir na direção oposta no díodo, resultando numa ondulação na tensão. Este díodo é muito importante para o

snubber RCD, tendo sido escolhido por ter uma resposta muito rápida para a tensão pretendida.

Figura 28 – Ondulação devida ao díodo 30CTH03.

Esta ondulação pode ser subsequentemente amortecida na saída (no secundário) com a introdução dum snubber RC, projetado como descrito anteriormente.