• Aucun résultat trouvé

Une bonne position assise, c'est un bon début!

duas instâncias de organização: a hierarquia de poder e o merecimento ao acesso as competições. A hierarquia de poder é representada, de cima para baixo, começando pela instância máxima do futebol mundial que é a FIFA. Assim, cada continente tem seu representante. Na Europa, a UEFA tem a delegação da gestão do futebol.

A UEFA – A União Europeia das Associações de Futebol – é a instância dirigente do futebol europeu. Ela é uma associação das associações, uma democracia representativa, uma organização composta de 54 associações nacionais de futebol através da Europa. Seus objetivos são, entre outros, de tratar todas as questões relativas ao futebol europeu, de promover o futebol dentro de um espírito de unidade, de solidariedade, de paz, de compreensão mútua e de fair- play, sem nenhuma discriminação política, racial, religiosa, sexual ou outra, de preservar os valores do futebol europeu, de manter relações com todos os atores implicados no futebol europeu e de sustentar e proteger seus associados membros para o bem-estar global do futebol na Europa. (UEFA, 2015b. para.1.

Esta hierarquização tem sua base nas Associações esportivas sem fins lucrativos, os chamados clubes amadores. Vale mencionar que existem também Associações com fins lucrativos representados pelos clubes profissionais que, muitas vezes, estão interligados aos clubes amadores através de Associações. As instituições que organizam as competições (as Ligas) são subordinadas as Federações nacionais dos países membros da UEFA (COLLIN, 2004). As Ligas são entidades de apoio que fazem a gestão comercial para a realização das competições (Figura 1).

Figura 1 - Organograma geral do futebol.

Fonte: Adaptado e traduzido de Bourg e Gouguet (2001, p.71).

O acesso se dá pelo merecimento, pela qualificação (ligas abertas) e não pelo aspecto financeiro (ligas fechadas). Este sistema é o mais justo, mais democrático, baseado na meritocracia. Os clubes se

organizam dentro de um planejamento estratégico com metas definidas, a fim de alcançar os objetivos propostos que são, quase sempre, de passar para a competição superior e chegar nas competições europeias. Os clubes com maior poder financeiro tem a possibilidade de contratar atletas com desempenho superior a um preço elevado, visando a participação destes em melhores competições, assim como no alcance de resultados positivos.

A estruturação do futebol na Europa, na maioria dos países, segue um sistema da performance esportiva (Figura 2). Para Bourg e Gouguet (2001, p.69) “com a ausência de instrumentos de regulação dos mercados, do trabalho particularmente, ou a divisão das receitas, existe um risco considerável de perenização de um desequilibrio competitivo entre os clubes mais ricos e os outros”. A UEFA ciente deste desequlibrio nas competições e nas finanças dos clubes criou a regulamentação do Fair-play Financeiro.

Figura 2 - Sistema de acesso as competições.

Fonte: Adaptado e traduzido de

3.1.1 Origens

Com a criação da UEFA em 1954 iniciou-se um desenvolvimento acentuado no futebol europeu. Esta entidade nasceu para unir e organizar os clubes e as competições e implementou modernidade a condução do futebol naquele continente. Mesmo passados 60 anos de sua criação, a UEFA continua com sua missão de guardiã do futebol na Europa, protegendo o bem-estar deste esporte em todos os níveis, desde a elite profissional aos praticantes anônimos em tempo livre (UEFA, 2015a). No transcorrer do tempo e com a estabilidade política na Europa, outras Federações nacionais foram aderindo a UEFA. A entidade conta hoje com 54 Associações membros. Uma área de atuação muito maior que da União Européia (UE) política que conta atualmente com 28 Estados membros e com a UE geográfica, pois Israel é membro da UEFA e não faz parte daquele continente (DIETSCHY, 2010). O Quadro 5 mostra todos os países membros da UEFA atualmente. Cada Federação possui sua competição nacional administrada pela Liga de futebol do país, menos Liechtenstein (UEFA, 2013a); que não possui campeonatos profissionais. As Federações têm a autorização para administrar o futebol em cada país, normalmente concedida pelo Ministério do Esporte (COLLIN, 2004). As Federações delegam a organização das competições profissionais às Ligas de futebol. Cada uma das Ligas dos países europeus tem seu modelo de gestão e sua forma jurídica diferente (DRUT, 2011). O número de clubes também é variado, já que muitas Ligas possuem várias divisões dentro da hierarquia do futebol. O futebol europeu tem seu sistema de acesso baseado no merecimento esportivo (DERMIT-RICHARD, 2012).

Quadro 5 - Países membros da UEFA.

Fonte: UEFA (2015b).

O acesso a um nível de competição não se faz por critérios financeiros, mas pelos resultados esportivos, com a possibilidade de relegação a uma divisão inferior ao final da temporada esportiva. Como efeito, o medo do descenso (menos prestigioso e, sobretudo, menos rentável) ou a atração da promoção (ao inverso, com maiores receitas) cria uma forte incitação a competição e a concorrência entre as equipes (SZYMANSKI; VALETTI, 2005). Isso é chamado de sistema aberto (DRUT 2011; DERMIT-RICHARD, 2012), ou sistema piramidal (BOURG; GOUGUET, 2001).

Todo o sistema europeu de futebol é baseado neste critério, ou seja, no sistema aberto, ou piramidal das Ligas. Os campeonatos nacionais mais prestigiados, normalmente chamados de Liga 1, dão acesso as competições internacionais organizadas pela UEFA. Esta

realiza anualmente duas competições entre clubes europeus, quais sejam: a Liga dos Campeões onde participam os melhores qualificados, normalmente os três primeiros dos campeonatos de cada país segundo critérios adotados pela UEFA, (UEFA, 2015d) e a Liga Europa onde participam os clubes que se classificaram nas posições de 4º a 7º em seus campeonatos locais, variando de país para país segundo um critério da UEFA (UEFA, 2015e).

Das 54 Ligas existentes na UEFA somente cinco, as consideradas principais, as Ligas da Alemanha, Inglaterra, Espanha, França e Itália, chamadas de Ligas “big five” são analisadas no presente trabalho. Os tópicos abordados são a caracterização, a organização, a gestão e a parte financeira. As demais Ligas são citadas quando necessário a corroborar com alguma decisão da UEFA, ficando o foco do estudo baseado nas Ligas “big five”.

3.1.2 Evolução

O futebol europeu cresceu muito em prestigio após a fundação da UEFA em 1954. Este desenvolvimento se deu principalmente pelo esforço da entidade em organizar o futebol daquele continente e pela qualidade das competições administradas por ela, principalmente a Liga dos Campeões e a Liga Europa entre clubes e a Copa da UEFA de seleções entre países. As competições entre clubes, e principalmente a Liga dos Campeões, sofreram várias mudanças estruturais ao longo dos últimos 30 anos a fim de se tornarem mais atrativas para o público e mais rentáveis aos participantes.

A mudança mais expressiva ocorreu na competição principal na temporada 1992/1993 quando a competição mais importante mudou de nome, ou seja, de Copa dos Clubes Campeões da Europa para Liga dos Campeões. Foi modificada a estrutura da competição com o aumento de participantes e a mudança no sistema de disputa de uma fase semi-final formada por 2 grupos de 4 equipes, onde se classificava para a grande final somente o melhor de cada grupo para um sistema onde, a partir das oitavas de final, onde é realizado um sorteio entre os 16 participantes para fazer dois jogos no sistema eliminatório (play-off ou mata-mata), terminando por restar os dois vencedores deste sistema de eliminação fazendo a final em jogo único em um local pré-determinado antecipadamente.

Esta mudança permitiu que mais clubes pudessem participar da competição e não somente os clubes campeões dos países pertencentes a UEFA. Com isso outros clubes de muita expressão no futebol europeu tiveram acesso ao espetáculo esportivo. Com isso os valores de retransmissão dos jogos foram crescendo de maneira exponencial, pois a atratividade dos jogos e a concorrência da mídia para ter o direito de retransmitir os jogos elevaram o custo cada vez mais para as empresas de televisão.

Ao mesmo tempo as Ligas mais influentes da Europa, particularmente as “big five”, começaram a monopolizar as finais dos campeonatos após este novo formato, principalmente a Liga dos Campeões, com seus clubes participando de todas as finais, exceto a edição 49 da temporada 2003/2004 quando o FC Porto de Portugal se tornou campeão. Estas Ligas se tornaram mais atraentes devido a importância econômica dos países e também pela notoriedade dos clubes. Estes por sua vez se notabilizavam no cenário esportivo europeu

por terem os melhores atletas e as mais altas remunerações. Este crescimento financeiro fez com que cada Liga tentasse organizar o futebol em seu país para que os clubes não passassem por dificuldades financeiras, pois apesar das receitas aumentarem a cada ano, as despesas principalmente com o salário dos jogadores, estavam levando os clubes à insolvência financeira.

Ao final dos anos 90 segundo documento elaborado pelo Senado francês em 2004 sobre o crescimento econômico do futebol europeu e, particularmente, as principais Ligas evidenciou que, o volume de negócios dos campeonatos europeus havia aumentado. As taxas de crescimento anual, por exemplo, chegavam a 25% na Inglaterra e na Espanha e 17% na Itália. O volume de negócios do campeonato inglês atingiu 1,7 bilhões de euros, o campeonato italiano, 1,1 bilhões e o do alemão, 1 bilhão. Na França as receitas da Liga 1 aumentaram, em uma média de 17% entre 1995 e 2000 (COLLIN, 2004).

Assim cada Liga, independente e com autonomia, organiza o futebol em seu país adaptando-o ao caráter comercial. As Ligas “big five” e os clubes participantes destas Ligas se organizaram segundo a legislação de seus países e a orientação da UEFA para fazerem frente a nova visibilidade do futebol.

Documents relatifs