B. Une autorité contestée
2. Une autorité contestée au plan administratif
Expetativa e motivação são conceitos interligados. Nas teorias da motivação há diferentes conceitos de expetativas: por exemplo, as expetativas de eficácia pessoal «self- efficacy expectancy» e as de expetativas de resultados «outcome expectancy». Bandura106 é um teórico que faz a diferenciação entre estas: (i) de eficácia pessoal - traduzindo a análise do indivíduo em relação à sua autocapacitação para revelar certos comportamentos; (ii) do comportamento - alude à crença da eficácia de determinados atos comportamentais para a obtenção de certos resultados.
Expetativas e motivações interligadas contribuem para o sucesso escolar. Nesse desiderato Almeida (2002) comenta “a dedicação dos estudantes ao trabalho escolar parece marcado pelas expectativas de sucesso esperado” (p. 107). A motivação, especialmente a intrínseca, influencia a aprendizagem do estudante. A expetativa produz a motivação.
105 Lazarus, A.M. (1993). Coping Theory and Research: Past, Present and Future. Psychosomatic Medicine 55:
234-247. In Mora, V.R.H. & Herrera, R.L. (2004). Exigências académicas y estres en las carreras de la faculdade de medicina de la Universidade Astral de Chile. Estudos Pedagógicos, 30, pp.39-59. Acedido a 25/08/2014 em: www.scielo.cl/scielo.php?pid=so718-07052004000100003&script=sci_arttex&tlng=pt.
106
Bandura. (1977). Self-efficacy: toward a unifying theory of behavioral change. Psychological Review, 84, 2, 192-215. In Fontaine (1997). Expectativas de sucesso e realização escolar em função do contexto social. Acedido a 22/08/014. Disponível em: repositório-aberto.up.pt/hande/10216/14780/2/305.pdf.
Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa, Instituto de Educação.
97
A motivação é importante para conhecer a natureza e comportamento do homem. Esta (a motivação) é um construto da psicologia e pode ser analisada em diversas perspetivas e ter vários conceitos. Para Heredia (1997, s.p.) motivação “implica o conjunto de processos que se interessam pelas causas de que se façam ou deixem de fazer determinadas coisas, ou que se faça de uma forma e não de outra.” 107.
Para Chiavenato (2009) o motivo, de modo geral, é:
“tudo aquilo que impulsiona a pessoa a agir de determinada forma ou, pelo menos, que dá origem a um comportamento específico. Esse impulso à ação pode ser provocado por um estímulo externo (provindo do ambiente) e pode também ser gerado internamente nos processos mentais do indivíduo. Neste aspecto, a motivação está relacionada com o sistema de cognição do indivíduo.” (p.124)
Discorrendo sobre a motivação, Bandura (1991) afirma que esta é um construto ligado ao sistema de regulamentação de mecanismos, “no geral engloba as diversas classes de eventos que movem um indivíduo para uma ação. Os níveis de motivação estão ligados às escolhas de ação, intensidade, persistência e esforço”. (p. 69).
Sumariando Bandura (1991), este revela que as teorias socio- cognitivas diferenciam três tipos de motivação:
(1) Os motivadores têm base biológica e são criados por eventos que ativam um comportamento consumidor ou protetor através do desconforto físico;
(2) Os motivadores operam através de incentivos sociais. As experiências positivas de um indivíduo produzem às outras pessoas agrado e aprovação, e as negativas trazem desagrado e censura. Assim, há uma previsão de resultados de uma ação: recompensa ou punição. As pessoas farão ações que ganham aprovação e refrearão as que levam a uma reprovação social;
(3) Os motivadores de base cognitiva – as pessoas automotivam-se e conduzem as suas ações de modo antecipado pelo exercício da previsão; as pessoas antecipam resultados prováveis de ações prospetivas, estabelecem alvos para si mesmas e planeiam percursos de ação para a concretização de valores futuros. O que leva à automotivação é a atividade cognitiva. A representação cognitiva no presente de futuros eventos é convertida em motivadores e reguladores de comportamento.
107 Tradução do original: “implican al conjunto de procesos que se interesan por las causa de que se hagan o se
Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa, Instituto de Educação.
98
Podem-se diferenciar três tipos de motivadores cognitivos: (1) atributos causais, (2) expetativas de resultados e, (3) alvos previstos que estão esquematizados na figura (Figura 2) abaixo. As teorias correspondentes são a «teoria da atribuição», a «teoria da expetativa-valor» e a «teoria de alvo».
Figura 2. Representação esquemática de conceções da motivação cognitiva baseada nos alvos cognitivos, expetativas de resultados e causas percebidas de sucesso e fracasso.
Tradução de Bandura (1990, p.72)
Das três teorias a que está mais ligada à presente investigação é a da «expetativa – valor» por isso explana-se a mesma (segundo o pensamento de Bandura, 1991):
De acordo com a teoria da «expetativa-valor», os indivíduos se automotivam e guiam as suas ações com base nos resultados antecipados, que esperam ocorrer de determinados comportamentos. A força da motivação vem pela expetativa de resultados que certa ação trará e dos valores atribuídos a esses (resultados).
Quanto mais alta for a expetativa de que determinado comportamento trará certos resultados advindos, quanto maior for o valor atribuído a esses resultados, maior a motivação para a realização dessa atividade. As pessoas procuram otimizar os resultados. Um dos valores resultantes pode ser a autossatisfação derivada dos standards pessoais.
A motivação com base na expetativa varia também consoante as crenças que as pessoas têm das suas capacidades, a autoeficácia. A auto-perceção de eficácia ou ineficácia pessoal pode alterar as expetativas dos resultados. Algumas teorias de expetativa-valor, como a de Vroom (explicada mais abaixo), acrescentam a expetativa que o esforço provoca no desempenho requerido. O esforço é só um dos fatores que influencia o desempenho.
Outros resultados expetados positivos, para além da autossatisfação, podem ser o reconhecimento social, aplausos, troféus, dinheiro e outras recompensas materiais. E
Motivadores cognitivos antecipatórios
Alvos cognitivos
Expetativas de resultados
Causas percebidas desucesso e fracasso
Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa, Instituto de Educação.
99
negativamente, os resultados podem ser a crítica social, custos, fracasso, desapontamento, autocrítica, etc.
Chiavenato (2009) assevera que cada pessoa é única quanto às suas motivações, às necessidades assim como aos padrões comportamentais, aos valores sociais, etc., e cada uma dessas realidades muda consoante o tempo em relação à mesma pessoa. No entanto, apesar das diferenças, o comportamento humano é causado, motivado e orientado para os objetivos. Deste modo para conhecer a motivação é preciso compreender o comportamento, este depende da perceção do estímulo (que é diferente em cada um, e na mesma pessoa varia conforme o tempo), das necessidades e dos desejos (Chiavenato, 2009).
As necessidades humanas influenciam o ciclo motivacional: uma necessidade causa um equilíbrio no organismo originando um estado de insatisfação que por sua vez conduz a um comportamento. Essa necessidade pode ser ou satisfeita ou frustrada ou compensada (transferida para outro objeto).
Se for satisfeita há a descarga da tensão provocada e o organismo volta ao equilíbrio, se não for assim, “não encontrando a saída normal, a tensão represada no organismo procura um meio indireto de saída, seja por via psicológica (agressividade, descontentamento, tensão emocional, apatia, indiferença etc.), seja por via fisiológica (tensão nervosa, insônia, repercussões cardíacas ou digestivas, etc.) .” (Chiavenato, 2009, p. 124).
Existe um fluxo constante das necessidades, Chiavenato (2009) resume assim “a satisfação de certas necessidades é temporal e passageira, ou seja, a motivação humana é cíclica: o comportamento é um processo contínuo de resolução de problemas e satisfação na medida em que vão surgindo.” (p. 124).
Há várias teorias da motivação, por exemplo, as baseadas nas necessidades108 e as cognitivas109. Apresentam-se de modo sucinto as mais pertinentes a este estudo, dentre as primeiras a mais conhecida, a teoria da hierarquia das necessidades de Maslow; uma teoria da mesma área, a ERG (Existence, Relatedness e Growth) de Alderfer. Quanto as segundas, as cognitivas, que estudam o modelo ou processo de pensamento ligado à tomada de decisão individual de comportar-se de certo modo ou de outro, foca-se a Teoria da Expetativa de Vroom, conhecida por Teoria VIE (Valence, Instrumentality e Expectancy).
108
Também designadas Content Theories of Motivation.
109
Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa, Instituto de Educação.
100
Teoria de Maslow
Nesta teoria, divulgada em 1943, mas popularizada nos anos 60, as necessidades estão distribuídas e hierarquizadas em cinco tipologias, conforme demonstra a figura abaixo (Figura 3):
As necessidades estão agrupadas em duas categorias: primárias e secundárias. Nas primárias encontram-se as Fisiológicas (as ligadas à sobrevivência do ser humano, como àgua, abrigo, comida, etc...) e as de Segurança (proteção contra o perigo; estabilidade). As restantes necessidades são secundárias:
- As Sociais (ou de pertença): “necessidades de associação, participação e de aceitação, que começam a dominar o comportamento assim que as necessidades de segurança se encontram satisfeitas” (Santos, 2008, p.88);
- As de Estima: abrange as necessidades ligadas ao modo da pessoa se autoavaliar e se ver a si mesma. Destacam-se aqui as necessidades cuja satisfação aumenta a autoestima e reforçam a autoconfiança, nomeadamente as de aprovação social, respeito, status, consideração e prestígio; e,
- As de Realização: são as necessidades do topo da pirâmide e constituem as ligadas ao desenvolvimento das capacidades e competência de cada pessoa, assim como a necessidade de atingir o seu máximo potencial.
Esta teoria tem como pressupostos que as necessidades ficam ativas em certos momentos e as que não são satisfeitas orientam o comportamento da pessoa. Apenas quando as necessidades do nível inferior ficam satisfeitas é que as do nível acima principiam o condicionamento do comportamento. Assim, quando alguma das necessidades de nível abaixo deixa de estar satisfeita ela recomeça a dominar o comportamento (até que seja satisfeita). As
Figura 3. Pirâmide da Hierarquia das Necessidades.
Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa, Instituto de Educação.
101
frustrações ou expetativas de frustração formam ameaças psicológicas que perturbam o comportamento humano.
Chiavenato salienta:
“nem todos os indivíduos conseguem chegar ao nível das necessidades de auto- realização, ou mesmo ao nível das necessidades de estima. É uma conquista individual. (...) as necessidades mais baixas requerem um ciclo motivacional relativamente rápido (comer, dormir etc.), enquanto as necessidades mais elevadas requerem um ciclo motivacional mais longo. […] a privação de uma necessidade mais baixa faz com que as energias do indivíduo se desviem para a luta pela sua satisfação. […] com o autodesenvolvimento, o número e a variedade de necessidades aumentam. No ponto mais alto da necessidade de estima, por exemplo, todas as necessidades diferentes do indivíduo estão ativas em diferentes graus de intensidade.” p. 127.
Apesar da teoria de Maslow ser um contributo para a compreensão das necessidades e motivação humana é-lhe apontada algumas limitações, pois nem todas as pessoas seguem essa hierarquia, como por exemplo, os artistas ou alguns religiosos que nos seus objetivos de vida menosprezam as necessidades primárias. Também existem pessoas que procuram satisfazer vários níveis de necessidades em simultâneo.
• Teoria de ERG
Teoria publicada em 1972 e de grande influência, sobretudo nessa altura, foi apresentada por Alderfer. Surgiu como uma teoria alternativa à de Maslow. Este modelo condensou os cinco níveis da pirâmide de Maslow em apenas três: necessidades Existenciais (Existence); necessidades de Relacionamento (Relatedness) e necessidades de Crescimento (Growth). Assim se explica a designação desta teoria: ERG (Existence, Relatedness e Growth)110.Alderfer111 divide-as assim:
- Necessidades Existenciais: as ligadas às necessidades fisiológicas (como em Maslow) e acrescenta as ligadas às necessidades materiais mais próximas com o trabalho, como por exemplo, o salário.
-Necessidades de Relacionamento: as conectadas à necessidade de aceitação, participação e a prática de influência sobre os outros, nomeadamente na família, amigos e colegas.
110 Em português Teoria de ERC: (necessidades) Existenciais; (de) Relacionamento e (de) Crescimento. 111 Citado por Santos, 2008.
Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa, Instituto de Educação.
102
-Necessidades de Crescimento: as vinculadas com as necessidades de causar impacto positivo no ambiente que nos cerca e que levam à criatividade e também à inovação.
Tal como na teoria de Maslow aqui também é expetável, que só após a satisfação de um nível é que se passa para o outro acima, segue uma «progressão hierárquica das necessidades». No entanto, esta teoria é mais flexível do que a de Maslow, pois defende que os indivíduos podem procurar satisfazer necessidades de níveis diferentes em simultâneo e até que tenham prioridade em satisfazer, por exemplo, as de crescimento em determimento das existenciais.
Esta teoria, ERG, introduz o conceito de «frustração-regressão», segundo o qual o indivíduo após uma contínua frustração em tentar satisfazer um nível mais elevado pode levar a um abandono das tentativas insatisfatórias e à regressão para um nível mais abaixo, mais perto do seu alcance e cuja satisfação passa a concentrar e dominar o seu comportamento. Conforme explicado na figura abaixo (Figura 4):
Figura 4. Teoria ERG/ERC. Extraída de www.esoterikha.com.
Na área da motivação com base nas necessidades resumiram-se as teorias da hierarquia das necessidades de Maslow e a ERG de Alderfer. Complementarmente, para Chiavenato (2009), a motivação pessoal “para produzir em dado momento, depende não só dos objetivos individuais, mas também da perceção da utilidade relativa do desempenho pessoal como um meio gradativo de atingir aqueles objectivos”. (p.135). Em continuidade passa-se para outra teoria.
Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa, Instituto de Educação.
103
• Teoria da Expetativa
Esta teoria faz parte das teorias cognitivas da motivação, é também denominada «Modelo Contingencial de Motivação». Ao contrário das anteriores que explicam a motivação pela procura da satisfação das necessidades e que isso determina o comportamento humano, estas se focam no modelo de comportamento ou processo que leva à decisão de comportar-se de determinada maneira.
De acordo com Santos (2008), Vroom foi quem desenvolveu a mais conhecida teoria da motivação baseada na expetativa, comumente designada «Teoria VIE». Segundo Chiavenato (2009) esta teoria “está mais dentro da linha actualmente aceita pelos psicólogos e sociólogos contemporâneos.” (p.135).
A teoria defende que antes de realizarem qualquer esforço para fazer uma tarefa o indivíduo considera três aspetos: Valência, Intrumentalidade e Expetativa112 (VIE), três forças básicas, na seguinte sequência:
- Expetativa: “Perceção subjetiva de ação-resultado” (Chiavenato 2009, p.138). Convicção do indivíduo em relação à extensão com que o esforço dele produzirá o nível de desempenho requerido.
- Instrumentalidade: revela a avaliação subjetiva do indivíduo em relação à probabilidade de o desempenho requerido levar à satisfação de outros desejos como, por exemplo, a promoção laboral ou subida salarial.
-Valência: refere-se ao valor/importância que o indivíduo atribui aos resultados conseguidos com a consecução do desempenho requerido. Perceção do indivíduo das recompensas satisfacientes na situação. As figuras seguintes ilustram esta teoria (Figura 5 e Figura 6):
112 Em inglês: Valence, Instrumentality and Expectancy.
Figura 5. Teoria VIE.
Extraída de: ebah.com.br
Figura 6. Teoria VIE, de Vroom .
Extraída de:
Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa, Instituto de Educação.
104
Esta teoria defende que a motivação é tanto maior quanto maior for a expetativa do indivíduo de conseguir alcançar o nível de desempenho requerido, quanto maior for a relação percebida entre a consecução do nível de desempenho e a aquisição da recompensa expetável, assim como quanto maior for o valor atribuído pelo indivíduo a essa recompensa. (Santos, 2008).
Este valor atribuído à recompensa e a expetativa individual têm a ver com a perceção individual perante a realidade. Chiavenato (2009) reforça que nesta teoria “a motivação é um processo que governa escolhas entre comportamentos. O indivíduo percebe as consequências de cada alternativa de acção como um conjunto de possíveis resultados entre meios e fins.” (p.137) Cada indivíduo tem preferências para certos resultados denominadas «valências». Uma valência positiva mostra um desejo de conseguir um resultado final e uma valência negativa mostra um desejo de fugir de certo resultado final.