Un Compilateur Modulaire
5.4 Une architecture modulaire
Em se tratando da dislexia, é pertinente conhecer a definição de disortografia e disgrafia, que podem ou não aparecer como problemas simultâneos no diagnóstico do transtorno.
Segundo Fernández et alii (2010, p. 2), a disortografia também é denominada como Transtorno Específico da Escrita e trata-se de “uma alteração na planificação da linguagem escrita”, que ocasiona problemas no aprendizado da ortografia, gramática e redação, mesmo que o potencial intelectual e a escolaridade da pessoa sejam adequados à idade. Os autores destacam a dificuldade em fixar as formas ortográficas das palavras, substituindo, omitindo e invertendo grafemas, a alteração na segmentação das palavras, a persistência do apoio da oralidade na escrita e a dificuldade no momento da produção textual. A disortografia causa, portanto, uma escrita incorreta, com erros e substituições de grafemas, característica decorrente das dificuldades no mecanismo de conversão grafofonêmica, que prejudicam as funções auditivas superiores e as habilidades linguístico-perceptivas.
Fernández et alii (2010) afirmam ainda que o padrão de escrita do indivíduo que tem disortografia não segue as regras ortográficas convencionadas na língua e que a disortografia integra o quadro da dislexia do desenvolvimento. Segundo eles,
as pessoas que têm dislexia do desenvolvimento possuem o sistema fonológico deficiente, ocasionando alterações na conversão letra-som. Assim, a correspondência letra-som não consegue ser armazenada provocando leitura e escrita lenta, confusão entre palavras similares tanto na leitura como na escrita e alteração na compreensão da leitura e escrita ineficiente.
(FERNÁNDEZ et alii, 2010, p. 3)
Assim como Fernández et alii (2010), Coelho (2011) postula que a disortografia se caracteriza por uma pobre organização e pontuação inadequada; erros de caráter linguístico- perceptivo, os quais abrangem as omissões, adições e inversões de letras, sílabas ou palavras e
as trocas entre fonemas surdos e sonoros; erros de caráter visoespacial, os quais englobam a substituição de letras que se diferenciam pela sua posição no espaço e a confusão entre fonemas que apresentam dupla grafia; erros de caráter visoanalítico, nos quais o indivíduo não faz sínteses ou associações entre fonemas e grafemas; além dos erros referentes às regras de ortografia.
Pereira (2009, p. 9), seguindo linha de raciocínio semelhante, define a disortografia como uma
perturbação que afeta as aptidões da escrita e que se traduz por dificuldades persistentes e recorrentes na capacidade da criança em compor textos escritos. As dificuldades centram-se na organização, estruturação e composição de textos escritos; a construção frásica é pobre e geralmente curta, observa-se a presença de múltiplos erros ortográficos e [por vezes] má qualidade gráfica.
Pavão (2005) deixa clara sua visão de que a dislexia está relacionada às dificuldades na leitura, enquanto a disortografia remete às dificuldades na escrita. Ela explica que a disortografia é caracterizada pela dificuldade em fixar as formas ortográficas das palavras, o que causa a substituição, a omissão e a inversão de grafemas; aglutinações ou separações inadequadas de palavras; padrões ortográficos irregulares e dificuldade na produção textual.
Já o termo disgrafia, com base em Coelho (2011), é formado por dis, que significa “desvio”, e grafia, que remete à escrita. Esse autor destaca a definição apresentada por Torres & Fernández (2001, p. 127), que concebem a disgrafia como “uma perturbação de tipo funcional que afeta a qualidade da escrita do sujeito, no que se refere ao seu traçado ou à grafia”. Coelho (2011) aponta que o indivíduo que tem disgrafia apresenta uma forma de escrever que desvia da norma padrão e cita a caracterização da disgrafia apresentada pela Associação Portuguesa de Pessoas com Dificuldades de Aprendizagem Específicas (APPDAE): “caligrafia deficiente, com letras pouco diferenciadas, mal elaboradas e mal proporcionadas” (APPDAE, 2016).
Para Cinel (2003), as pessoas com disgrafia apresentam dificuldades na motricidade necessária à escrita, o que torna a grafia praticamente indecifrável. A disgrafia, portanto, é uma perturbação da escrita em relação ao traçado das letras e à disposição dos grafemas no espaço utilizado, sendo caracterizada por dificuldades motoras e espaciais. Ajuriaguerra (1988) e Coelho (2011) listam como características da disgrafia: letra excessivamente grande ou excessivamente pequena, denominadas, respectivamente, macrografia e micrografia; forma irreconhecível das letras; traçado exagerado, muito grosso ou muito suave; grafismo trêmulo ou irregular; processo de escrita muito rápido ou muito lento; espaçamento irregular entre as
letras ou palavras; erros e borrões que podem prejudicar a leitura do que foi escrito; desorganização textual e utilização incorreta do instrumento utilizado na escrita.
Coelho (2011) caracteriza a disgrafia e a disortografia como dificuldades específicas que podem estar associadas à dislexia e ressalta que alguns autores analisam a dislexia e a disortografia de maneira conjunta, já que uma pessoa que tem dificuldades na leitura certamente apresenta também problemas na escrita.
A partir da revisão da literatura, percebemos a relevância de destacar alguns pontos nesta dissertação: não há consenso entre a definição da dislexia, ora apresentada como transtorno que afeta a leitura, ora apresentada como transtorno da leitura e escrita, como apontamos anteriormente. Em relação às características da dislexia apresentadas por Ianhez & Nico (2003) – dentre elas a escrita incorreta, com trocas, omissões, junções e aglutinações de fonemas e a dificuldade em associar o som ao símbolo – e em relação às características da disortografia levantadas por Fernández et alii (2010) – como a dificuldade em fixar as formas ortográficas das palavras, com substituições, omissões e inversões de grafemas e alteração na segmentação das palavras –, cabe a seguinte reflexão: quais são os limites entre a dislexia e a disortografia? O que distingue um transtorno do outro, levando em consideração que alguns autores os tratam separadamente?
Para nós, há uma convergência entre as características atribuídas à disortografia e aquelas atribuídas à dislexia. Ao que nos parece, e assim vamos conceber, a disortografia é uma das características da dislexia. Sobre a disgrafia, não parece haver tanta convergência com a dislexia. De todo modo, vamos destacar em nossas análises os problemas frequentemente associados com a dislexia e não vamos especificar se se tratam de disortografia ou de disgrafia.
De todo modo, vamos destacar em nossas análises os problemas frequentemente associados com a dislexia e não vamos especificar se se tratam de disortografia ou de disgrafia.
No próximo capítulo, abordaremos a metodologia empregada em nossa pesquisa.