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2008 e que o percentual aplicado em logística é de 12%, tem-se US$ 238,8 bilhões investidos em custos logísticos neste ano. De acordo com a literatura existente que aponta os custos com transporte como os gastos mais impactantes na composição dos custos logísticos (aproximadamente 60% dos valores, segundo Lima, 2006), pode-se afirmar que US$ 143,28 bilhões foram destinados aos custos com transportes, ou seja, aproximadamente 7,2% do PIB nacional.

Este valor fica bem acima de valores obtidos em países desenvolvidos como é o caso dos Estados Unidos que despende apenas 4,8% do PIB em transporte, conforme a Figura 4. Isto demonstra que o transporte é um item muito significativo nas contas finais dos recursos gastos com os produtos brasileiros tanto para o mercado interno, quanto para produtos a serem exportados, compondo o “Custo Brasil” (Tacla, 2003).

7,20% 4,80%

Brasil

EUA

Figura 4 - Percentual do PIB destinado à atividade de transportes

Fonte: do autor.

Os valores e conceitos apresentados justificam os esforços no sentido de otimizar o transporte e reduzir os gastos envolvidos nesta operação e neste sentido, o “Transporte Colaborativo” vai ao encontro a esse objetivo.

Este é um dos mais recentes conceitos no campo de transportes, logística e gestão da cadeia de suprimentos, instituído no ano de 2000 nos Estados Unidos, cujo objetivo principal é reduzir ou eliminar ineficiências no processo de transporte, como por exemplo, o tempo de percurso, inventário, espaço, erros e distâncias, através da colaboração.

Similar ao CPFR, o Transporte Colaborativo envolve informações e fluxos de processos de fornecedores e compradores que colaboram juntamente com transportadores ou 3PL’s5 para prover efetiva e eficiente entrega do carregamento.

Conceitualmente as empresas podem ingressar no sistema de Transporte Colaborativo com ou sem o emprego do CPFR. Os processos de negócios mais geralmente associados com a colaboração da cadeia de suprimentos são aqueles envolvidos em CPFR. Entretanto, o Transporte

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3PL: termo originado na década de 80 para nomear o operador logístico que executa e gerencia serviços e atividades logísticas.

Produção Embalagem Paletização Transporte Armazém Separação Paletização Transporte Armazém – Estoque Central Transporte Armazém – Estoque Consumidor 1) Produção 2) Embalagem 3) Paletização 4) Transporte 5) Armazém 6) Separação 7) Paletização 8) Transporte 9) Armazém-Estoque Central 10) Transporte 11) Armazém-Estoque 12) Consumidor

Colaborativo tem sido referenciado como o “elo perdido” da execução da cadeia de suprimentos colaborativa. Sem a habilidade de desenvolver previsões efetivas de carregamento, as previsões de ordens que foram desenvolvidas pelo CPFR poderiam ser atendidas sem acuracidade; no entanto, o Transporte Colaborativo provê o próximo passo crítico após a geração de ordens via o CPFR (Sutherland, 2003).

Em adição, enquanto o CPFR é baseado primariamente em compradores e vendedores, o conceito de colaboração aplicada ao transporte faz um laço no relacionamento colaborativo para incluir provedores de serviço de transporte, portanto, adicionando valor a todo o processo de colaboração, envolvendo os diversos elos da cadeia de suprimento conforme a Figura 5.

Figura 5 - Cadeia de atuação do CPFR

Fonte: adaptado de Baumgart/Bieber in Seifert (2003).

Para Tacla (2003) a colaboração se dá com o compartilhamento de recursos, principalmente a utilização de mesmo equipamento de transporte, o que contribui para reduzir gastos ao aumentar a produtividade dos equipamentos de transportes. Na definição de Mentzer et al. (2001), conforme já citado, o termo colaboração refere-se à: empresas trabalhando em conjunto para atingir objetivos comuns, sendo caracterizada pelo compartilhamento de informações, conhecimento, riscos e lucros.

No caso do transporte, a colaboração se dá a partir da elaboração de previsão de carregamento, incluindo gerações de ordens e cargas e, finalmente a execução da entrega e pagamento do transportador. Considerando os transportadores, os destinatários e as ineficiências do transportador, o processo se torna colaborativo com benefícios a todas as partes.

De acordo com Sutherland (2003) esses benefícios podem ser alcançados através de duas formas primárias: comunicação direta entre os transportadores e participantes envolvidos no negócio, ou facilitação da comunicação e execução do processo de 3PL.

Para os embarcadores, ineficiências como custos de transporte, tempo de ciclos longos, alto custo de inventário e baixa performance de entrega “on time”, são de grande relevância. Já para os transportadores, ineficiência tal como carga vazia, tempo improdutivo de espera e a falta de uma rede de negócios colaborativa são relevantes. O que se necessita em ambos os casos é a formação de uma plataforma colaborativa, que contemple os objetivos de cada elo participante da cadeia de modo a buscar a melhoria no todo. Essa plataforma colaborativa pode ser obtida através dos seguintes elementos:

 redes críticas de transportadores e fretes de carregamentos por parte das indústrias de manufatura;

sistema de conectividade baseado na internet;  utilização de algoritmos de otimização.

Combinando estes três elementos para encontrar o melhor negócio de frete com transportadores habilitados, é possível aumentar as taxas de carregamento, minimizar as milhas vazias e retenção de horas, o que reduz custos e aumenta o serviço dentro da rede de transportes. Em particular, o uso do algoritmo serve para processar todos os fretes e informações das habilidades dos transportadores para facilitar a seleção do transportador e relacionamentos, bem como o fornecedor e análise da localização do cliente.

Para demonstração é utilizada a Tabela 5 que permite avaliar os resultados obtidos com a implementação do Transporte Colaborativo no maior varejista norte americano de peças de automóveis, Autozone®:

Tabela 5 - Resultados obtidos com o Transporte Colaborativo Antes da Reengenharia Depois da Reengenharia Vendedores controlavam o frete 77% dos vendedores passaram a

recolher 85% dos carregamentos

internos < 2% de carregamentos internos Tempo médio de trânsito de 1

semana

Tempo médio de trânsito de 1,5 dias

Sem visualização do canal Completa visibilidade do canal Excessivos danos nos fretes Danos nos fretes praticamente

eliminados

Alto custo de transporte >20% de redução nos custos de transporte

Crescimento restrito Significante redução do inventário

Fraca performance “on time” 99% de performance “on time” Fraca utilização da frota privada 25% de aumento na utilização

da frota privada Fonte: Sutherland (2003).

O que se percebe é que com a implementação desta sistemática a empresa obteve resultados bem significativos, melhorando sua

performance no mercado. Assim, considerando que as empresas

desejam melhorar os resultados possíveis com o uso do Transporte Colaborativo, é preciso que os processos entre as mesmas sejam em tempo real, automatizados, confiáveis e com custo condizente.

A implementação do Transporte Colaborativo, portanto, requer sistemas que permitam colaboração inter-organizacional a um custo efetivo e de maneira tecnologicamente compatível. Sem tais sistemas, as empresas que tentam implementar a sistemática podem deparar-se com esforços inválidos e difíceis de se gerenciar. Ver Silva et al. (2009) para maiores informações sobre como implementar o CTM.

3.3 VANTAGENS DA IMPLANTAÇÃO DO TRANSPORTE

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